Cinema: Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – Eu Fui! [Avada Kedavra, Comentário, Opinião]

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, o oitavo e final filme distribuído pela WB da adaptação da incrível saga literária de J. K. Rowling. Certamente, muitos saíram do cinema sem saber bem o que sentir, se tristeza, se alegria ou se nostalgia. Calculei que fosse sentir tudo. E Senti.

Antes de comentar sobre o filme que concluiu uma geração, a obra literária, a história em si, seja no cinema ou nos livros, merece palavras, as melhores que puder pronunciar por aqui.

Gryffindor. Slytherin. Hufflepuff. Ravenclaw. Juntos para um bem maior.

Dear Mr. Potter, Thank you.

O desejo de receber uma carta de Hogwarts. Lembro perfeitamente dele depois de ter assistido o primeiro filme, ainda pequeno. Enquanto entrava na sala do cinema, não imaginava que Harry Potter viesse a ser uma definição de toda a minha infância. Quando mencionam Harry Potter, ouço como se me chamassem, chamassem alguém entre 9 e 19 anos.

“No story lives unless someone wants to listen… The stories we love best do live in us forever. So whether you come back by page or by the big screen, Hogwarts will always be there to welcome you home.” – J. K. Rowling.

Devorei os livros até a última sílaba – simplesmente fantásticos. Eles me introduziram à leitura, à paixão por ler e escrever que nasceu dali, tenho quase certeza absoluta. Foi uma história que cresceu comigo, com todos. O vislumbre de Hogswarts, da Diagon Alley e de Gringotts perante os meus olhos no primeiro filme! Queria de qualquer forma que tudo aquilo fosse real, palpável.

“Onde está a minha coruja?” – Milhares de crianças no mundo.

Queria entrar no Leaky Cauldron e ir a Hogsmead. Queria comprar uma varinha no Ollivander’s. Queria visitar o meu cofre em Gringotts. Queria atravessar a parede em King’s Cross para a plataforma 9 3/4, entrar no Expresso de Hogwarts, pôr o Chapéu Seletor na minha cabeça e estudar, primeira vez que recordo de ter tido vontade de estudar. Até fiz, aos 9 anos, uma varinha a partir de um lápis! Wingardium Leviosa!

Harry, Ron, Hermione, Hagrid e tudo e todos que os acompanham não precisam de horcruxes para serem eternos. Obrigado J. K. Rowling por enriquecer a minha infância, por incentivar a leitura e por nos ensinar a não sermos trouxas/muggles.

The Boy Who Lived…

Dia 31 de Outubro de 1981, Voldemort é derrotado por Harry. A cicatriz marcada criou raízes profundas e firmes na cultura mundial. E levou 10 anos para que chegássemos ao último filme. E a partir de agora? Prequela? Não.

Dia 14 de Julho de 2011, esperei (esperámos) que chegasse esse dia, a estreia da segunda parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Admiro muito a franquia então pode deduzir que queria ver, assim que desse, como terminaria a adaptação e por isso comprei os ingressos com uma semana de antecedência para a estreia. E às 16:30 estava entrando na sala do cinema.

Terá sido o resultado final tão épico quanto o trailer abaixo? Haverá oportunidade para posteriores comentários/análises ao filme. Leia a crítica que se segue e descubra.

Harry Potter 7 Parte II: O último filme, o encontro final (Crítica)

Quando sentei na sala do cinema, sabia que o último filme acabaria. Bastou pôr os óculos 3D e quando percebi já estava no fim, já tinha terminado. E sobre o filme, resta dizer apenas que finalizou com dignidade, fechou a história de forma positiva. Claro, há muitas coisas que podiam ter ficado melhor mas para isso seria necesário mais uma hora, talvez. Nada é perfeito.

“Everyone who watches Deathly Hallows – Part 2 is going to see that he’s steered us home magnificently. It’s incredible.” – J. K. Rowling

O maior problema não esteve na produção. Aliás, quando um filme está baseado em um livro de 608 páginas, repleto de revelações e detalhes, fica difícil, diria até impossível, cobrir tudo em um pouco mais de 2 horas. Enfim, livro à parte, a produção cinematográfica teve uma atmosfera brilhante, privilegiando algumas cenas específicas. Se já assistiu, sabe do que estou falando.

O início apostou no clima calmo, meio monótono e frio de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1, no entanto não houve um enfoque prolongado sobre ele, ainda bem – embora o tenha adorado de qualquer forma. Souberam resumir muito bem para dar tempo para o restante, a invasão de Gringotts e a batalha final. Por aí, tenho que reconhecer uma organização bem calculada.

Continue lendo apenas se já assistiu o filme ou se não se importa com spoilers.

Dobby, um elfo livre. Desde Harry Potter e a Câmara Secreta, sempre tive apreciação pelo elfo. E a sua morte foi perfeita na primeira parte tal como a sua lápide nos arredores da Shell Cottage. A conversa entre Harry e Griphook não despertou muita reclamação, nem me esforcei em fazer comparações com o livro – seria desnecessário.

Por magia ou por conveniência mesmo, o Ollivander reconheceu a lenda das três relíquias da morte; não esperava por isso. E para o filme, acho que isso ficou bem, facilitou o desenvolvimento e o desfecho. Não entendi por qual razão excluíram a varinha quebrada do Harry, tinha tido a impressão de que ela permitia uma boa marca nos momentos finais da história e não custaria muito tempo.

Por favor, não estou desvalorizando o filme, muito menos afirmando que ele foi desagradável. Considerei como uma versão alternativa, achei mais justo. E assim, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 foi ótimo. E se ainda não leu o livro, acredito que após o filme é uma excelente oportunidade para considerar a leitura. Terá boas surpresas.

Nos primeiros minutos, a apresentação de Snape como diretor de Hogwarts deixou uma ótima impressão. O momento que mais aguardava só aconteceria mais tarde, mas para isso contava com a insubstituível atuação de Alan Rickman. Ele foi perfeito, como nos filmes anteriores.

Antes de qualquer exaltação, primeiro quero dizer que a invasão de Gringotts ficou um pouco abaixo das minhas expectativas. Tinha a ideia de que seria algo muito mais fascinante, pelo menos pela descrição que li inúmeras vezes. Por outro lado, entendo a simplificação e pensando melhor, o ataque foi interessante.

Não fiquei tão satisfeito com Gringotts, o espaço (hall de entrada). Mais uma vez, a adaptação não representou o banco como imaginava que fosse. Por alguma razão Gringotts também cativou mais em Harry Potter e a Pedra Filosofal (por ser novidade certamente). Os goblins, inteligentes e perspicazes, não decepcionaram. Warwick Davis fez um excelente trabalho como Griphook (e como profesor Flitwick). A armadilha contra ladrões, a fuga no dragão, a traição de Griphook, funcionou tudo bem. A cena mais brilhante, todavia, foi o interior do cofre de Lestrange. Horcrux maldita, a taça de Hufflepuff.

Quanto a Bellatrix Lestrange, bem, foi um pouco bizarro ver Bellatrix se comportando como Hermione – ou melhor, o contrário. Senti que ela podia ter sido mais ousada e convincente em alguns momentos mas não tanto claro. E Emma Watson também esteve bem como atriz. Apenas senti uma certa falta daquela Hermione que entrou no Expresso de Hogwarts pela primeira vez. Parece que ela perdeu um pouco aquele espírito de quem conhece tudo, parece ter se tornado menos convencida.

“[to Snape] Tell them how it happened that night. How you looked him in the eyes, a man who trusted you, and killed him!” – Harry Potter

Daniel Radcliffe penso que também cumpriu com as suas obrigações. Concordo que ninguém poderia ter sido um melhor Harry Potter ao longo desses 10 anos. O encontro dele com Aberforth, porém, deixou um pouco por desejar. Essa era uma cena tão importante e épica, fundamental para a compreensão de Dumbledore, uma das personagens mais fascinantes. Lamento por terem excluído a história de Dumbledore que supostamente o irmão deveria ter esclarecido.

Outra personagem da qual senti falta foi a avó de Neville. Sempre me fascinou a inclusão de uma senhora como uma pessoa corajosa, pronta a se unir à batalha. E Ariana, optaram por não explicar muito a verdade sobre ela. Claramente, deconsideraram a história da família Dumbledore. Talvez seja um incentivo para quem ainda não leu, ler o último livro.

A Batalha Final termina agora!

E chegamos à grande mudança introduzida pelo filme: a batalha de Hogwarts. Não alteraram a essência do conflito, mas escolheram uma perspectiva diferente em muitos casos. Teria preferido se tivessem deixado o encontro de Harry com Minerva McGonagall de acordo com o original. Se por um lado isso desagrada moderadamente, por outro surpreende até quem já leu os livros.

O Snape foge. A professora McGonagall reúne os alunos (que deveriam ser maiores de idade) para a luta final. Harry se debate em silêncio sobre a vida dos outros. E a Ordem da Fénix apoia a Armada de Dumbledore. Feitiços de proteção lançados, as estátuas protetoras de Hogwarts convocadas. A batalha começa.

“Hogwarts is threatened! Man the boundaries. Protect us!”Professora McGonagall.

Pessoalmente, fiquei admirado com a batalha. Não houve aquela sensação de angústia como se sente no livro, mas teve algumas melhorias significativas. Durante a primeira hora de filme, investiram bastante no humor, quer seja através da professora McGonagall, quer seja pelo Ron Weasley.

E a partir daí, o conflito foi rápido. Mostraram as mortes que deviam, ocultaram a morte de Fred – aliás nem tenho a certeza se disseram qual dos gêmeos faleceu -, os efeitos especiais foram suberbos, adorei os gigantes, as aranhas (descendentes de Aragog), o exército de Hogwarts e toda aquela destruição caótica. Falharam apenas na captura de Hagrid. Podiam a ter incluído.

“Se morrermos por causa deles, vou matar você, Harry!” – Ron Weasley.

De volta na sala das Necessidades. A busca pelo Diadema de Ravenclaw deve ter sido uma das melhores adaptações do livro. O fogo maldito, as vassouras, o humor de Ron, ficou tudo impecável. Rupert Grint atuou no seu melhor na minha opinião. Os elfos! Como queria que tivessem incluído eles na batalha! Atacando com panelas e utensílios de cozinha.

E o resto dos duelos mágicos prosseguiram conforme o fundamental. Ah! O campo de Quidditch em chamas! Só pude lembrar da primeira vez que Harry apanhou a Snitch. A destruição de Bellatrix por Mrs. Weasley foi ótima (embora muito fácil), Voldemort devia ter matado mais gente, ter sido mais ameaçador. Não culpo Ralph Fiennes, ele sabe como interpretar Lord Voldemort como ninguém. Nagini contribuiu muito para o efeito intimidador, gostei disso. Essa deve ser a minha Horcrux favorita.

Por falar de Horcruxes, a destruição da taça de Hufflepuff na câmara secreta causou uma enorme nostalgia! Aquele lugar, aquele esqueleto, aquele busto gigante, as cobras e os dentes de Basilisco. Hermione tendo a honra de vencer parte de Riddle e a água reagindo a dor de Voldemort. O beijo aí ficou meio forçado, mas tudo bem.

Snape, a melhor surpresa, o melhor personagem. Confesso, fiquei emocionado com a morte e as lembranças do Príncipe Meio-Sangue, mas verdadeiramente emocionado, a ponto de ficar com lágrimas nos olhos. Foi nessa cena que o filme se tornou uma lenda para mim, eterno. Conseguiram, me conquistaram, me convenceram.

“Would you like me to do it now [kill Dumbledore]? Or would you like a few moments to compose an epitaph?” – Severus Snape

Lily Potter, a corça do patronus, todo esse tempo. Snape, o mais corajoso de todos sempre protegeu Harry Potter. Genial as últimas palavras que pronunciou: “Você tem os olhos de sua mãe.” E de lembrar que pensei que ele fosse o Voldemort no primeiro filme (ainda não tinha lido nenhum livro)! Finalmente, a revelação de tudo.

É por isso que o fim de Harry Potter ultrapassou as expectativas, pelas revelações, as respostas que sempre procuramos foram dadas. Mesmo tendo sido reduzidas na adaptação, lá estão elas. Esse é o (quase) melhor desfecho para a história. Une todas as pontas soltas, solidifica o mundo fictício.

“[The hallows] Real, and dangerous, and a lure for fools” – Dumbledore.

As Relíquias da Morte acabam por ser uma armadilha aos tolos e os conduz ao inevitável, a morte. A Pedra da Ressureição foi usada mas transmitiu a ideia de que foi só para constar. O diálogo com os mortos foi um tanto corrido. Esse filme não esconde ser dedicado aos, agora adultos, que acompanharam a saga desde o início. A magia dos primeiros filmes residia na apresentação dos conceitos, dos objetos mágicos, de um castelo com quadros que falam, uma explosão de criatividade.

Nesse, não houve introdução de grandes objetos mágicos relevantes (fora algumas relíquias). Houve muita guerra, muitos feitiços, mas não tanta magia. Faltou bolas de cristal sendo lançadas e mandrágoras largadas no campo de batalha para atordoar os inimigos. E o Grawp? Recursos mais originais. Entretanto, a magia de todos outros filmes ainda estava lá. E foi ótimo.

Crucio! Teria sido melhor se Voldemort tivesse torturado o corpo de Harry após ter recebido a confirmação da sua vitória. Avada Kedavra! Teria sido melhor se Neville tivesse derrotado a Nagini na frente de todos, no seu momento de coragem. Expelliarmus! Teria sido melhor se Harry tivesse tido aquela conversa com Tom Riddle. Ainda assim, o filme deu certo, marcou.

O segundo momento que aguardava ansiosamente era a conversa entre Harry e Dumbledore, em King’s Cross. Por que eles cortaram tanta informação? Por que tiraram mais de 50% do diálogo? Ele é tão adequado e indispensável no livro e na história! E, claro, o Harry não podia estar pelado no filme – ou podia desde que não mostrassem as partes íntimas? Ficaria um pouco bizarro. Detalhes. Parabenizo a produção, no entanto, pela intensificação do confronto final entre Tom Riddle e Harry Potter. No livro, é tudo ridiculamente fácil.

Alguns detalhes podem ter marcado ausência mas, para quem não leu o livro, o filme satisfaz bastante, acredito. Não identificaram a Petunia nas lembranças de Snape (para isso existe a dedução, eu sei), cortaram o encontro de Harry com Dumbledore na sala do Diretor após a batalha final. Reparo! Excluíram a varinha do Harry e se livraram da varinha de Sabugueiro conveniente e rapidamente.

Um traço sublime do epílogo da história é a forma como J. K. Rowling humaniza as figuras mais imponentes e lendárias do mundo mágico. Ela mostra como uma mente brilhante também comete erros (Dumbledore) e por isso aprende o brilhantismo, mostra como a perseverança é tão humana quanto requesito para o domínio dos problemas (Harry), inspira a coragem até àqueles quem sempre temeram a realidade (Neville), torna o amor algo tão universal quanto transformador (Snape);

Revela a imortalidade e o poder das amizades (Hermione e Ron), ensina a humildade acima da arrogância (Tom Riddle), desvenda o véu entre a imaginação e a realidade, apresenta a redenção dos erros humanos e o medo natural (família Malfoy), incentiva pensar fora da caixa (Luna Lovegood), transforma a idade em sabedoria e a desqualifica como obstáculo.

Que melhor obra literária poderia ter tido durante a minha infância até agora?

E por fim, conclui que nunca haverá acerto sem erro; vitória sem sacrifício; conquistas sem coragem e confiança. É genial como a autora explica todo o universo de Harry Potter e nos faz refletir sobre a morte e o poder da imaginação através das palavras de Dumbledore. Ela explica e personifica a nossa realidade por meio do universo dos bruxos, um universo criado. Então, provavelmente não devemos ser tão muggles como pensamos ser. Penso que existe uma única frase capaz de traduzir a mensagem central e imortal de Harry Potter:

“Claro que está a acontecer na tua mente, Harry. Mas por que razão há-de isso significar que não é real?” – Dumbledore.

Dumbledore não fala ao Harry apenas. Ele fala a nós. Ele nos convida a Hogwarts, nos convoca. Ele convida a aceitar a naturalidade da morte, a não esquecer de viver por querer dominar a natureza, vencer a fatalidade. A morte é uma nova aventura para uma mente bem estruturada. No fim, tudo se abre. O que importa é a vida.

“Você é o verdadeiro Senhor da Morte, porque o verdadeiro senhor não busca fugir da morte. Ele aceita que deve morrer, e compreende que há coisas piores, muito piores do que a morte no mundo dos viventes.”

Se estamos todos numa estação, podemos sempre apanhar um trem, o Expresso de Hogwarts talvez. Encaro aquela fala de Dumbledore como um convite final. Compete a nós apenas escolher como tratar o nosso estado de espírito que não é exclusivamente físico.

Enfim, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 foi um filme ótimo dentro dos seus limites. Ele é completado pelo livro em si, já deixei isso como sugestão. Harry Potter não termina por aqui, mesmo que não haja mais nenhum livro em desenvolvimento. A história já transcendeu as páginas impressas. Não haverá mais nenhum filme, segundo relatado. Resta apenas o Pottermore. Terminou uma geração, a infância de milhares de pessoas se torna nostalgia.

Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Evanna Lynch (perfeita Luna Lovegood), Robbie Coltrane, Tom Felton, Richard Harris (memória), Michael Gambon, Ralph Fiennes, Alan Rickman e todos outros não menos importantes, obrigado pela excelente atuação. Reconheço que fizeram o seu trabalho com dedicação e empenho.

Sabe aquela música que acompanha o início de todos os filmes? Fez falta dessa vez. Eles escolheram uma música simplesmente inesperada, distinta em muitos aspectos. [Atualização] Bastou assistir mais uma vez para reconhecer que foi ótimo terem variado a música do inicio: Lily’s Theme é muito perfeita. Ouve bem.

Melhor filme da saga? Os melhores filmes para mim, de todos, foram Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta. Havia uma magia, um fascínio inspirador no roteiro e no elenco desses filmes que nunca voltei a sentir integralmente em mais nenhum dos posteriores. Ficou faltando algo. Por isso, não sei se o último foi o melhor filme, mas concordo com a terceira posição de referência.

[Atualização] Revivi o último filme. Voltei ao cinema e voltei a assistir tudo. E devo dizer que foi melhor do que a primeira vez. A única conclusão que tiro é que as expectativas influenciaram significativamente a primeira impressão. Mas em geral, a análise do filme se mantém a mesma. Reparei que cortaram cenas já divulgadas antes da estreia – ponto negativo. E quando notei os olhos de Lily, fiquei um pouco decepcionado. Não terem feito os olhos da Lily criança iguais aos do Harry foi uma falha inacreditável – não era difícil terem usado lentes de contato.

Quanto aos “19 anos mais tarde”, não sei bem o que dizer. A primeira vez que li o fim de Harry Potter, fiquei com a impressão de que o fim poderia ter sido menos cliché. Adorei a representação, todos já adultos, os filhos do Harry. Foi rápido mas trouxe uma dose de nostalgia. A música escolhida contribuiu muito para o efeito.

O 3D é algo que podemos considerar alvo de debate. Contudo, nunca o considerei destaque para qualquer filme. Um filme bom não fica pior pelo 3D, pouco melhor se for bem aplicado e aproveitado. E um filme desagradável não fica melhor só pelo 3D. Acredito que o 3D possa realçar uma qualidade que já existe independentemente, por si só. As melhores aplicações ocorreram com a dissolução do campo de proteção de Hogwarts, o fogo maldito, o dragão e a Nagini.

Encontro muitas pessoas afirmando que não se despedirão de Harry Potter jamais. Eu, por outro lado, acho que não há melhor momento para um até mais. Óbvio que ele sempre fará parte das nossas lembranças, tal como algo tão genial e impactante merece fazer. É por isso que aceito a despedida. Tudo que é bom termina. Deixa a sua marca e segue em frente.

E se algum dia esquecermos, haverá sempre um remembrall por perto para nos fazer recordar.

“Death is but crossing the world, as friends do the seas; they live in one another still. For they must needs be present, that love and live in that which is omnipresent. In this divine glass they see face to face; and their converse is free, as well as pure. This is the comfort of friends, that though they may be said to die, yet their friendship and society are, in the best sense, ever present, because immortal.” – William Penn, More Fruits of Solitude.

Ficha Técnica

Título Original: Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2
Diretor:
David Yates

Gênero:
Ação/Aventura
Elenco:
Ralph Fiennes, Robbie Coltrane, Michael Gambon, Emma Watson, Rupert Grint, Daniel Radcliffe, Alan Rickman, outros.
Estreia nacional:
15/07/2011
Duração:
130 minutos

 

 

“Há dezenove anos que a cicatriz não o incomodava. Estava tudo bem.”

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