O Morcego Verde inspirado em Batman

Outro clássico do antigo Portallos de volta!

Neste mês de dezembro a Editora Abril lançou a quinta edição do Almanaque do Zé Carioca e não é uma edição qualquer. O almanaque contém apenas histórias do Morcego Verde, mas não do antigo, criado por Renato Canini. Este Morcego Verde surgiu em 1994, criado por Marcelo Cassaro e Paulo Borges, e fortemente inspirado no universo e nas histórias do morcegão da DC, o Batman.

Essa matéria foi publicada no antigo blog em 04 de dezembro de 2010, praticamente um ano atrás. Não posso confirmar que ela teve algum efeito ou influência na Editora Abril, porém é legal ver que tão pouco tempo depois dela, alguns fóruns e comunidades andaram relembrando deste Zé Carioca e agora estamos ganhando um almanaque só com HQs do Morcego Verde de 1994.

 Estou trazendo o texto para o Portallos EXP porque ainda hoje pretendo disponibilizar a prévia em scans do Almanaque do Zé Carioca nº 5, então achei que seria super válido recontar um pouco dessa origem do novo Morcergo Verde, ao invés de só apresentar as HQs que estão na edição do novo almanaque.

Infelizmente o almanaque acabou deixando de fora algumas das melhores HQs desta fase, como a própria “O Cavaleiro das Dívidas“, que traz a nova origem e que vocês vão poder conferir um pouquinho após o continue. Outras que ficaram de fora foram “A Piada sem Sal” e “A Mulher-Gatinha“. Também tenho boas lembranças de HQs como “Morcegomóvel” e “Cinto de… inutilidades“. De todo modo isso não é algo ruim, pois talvez signifique que a Abril pode estar preparando um especial com o melhor do melhor dessa fase do personagem ou quem sabe uma futura edição do almanaque que traga novamente mais histórias do mesmo. Tudo vai depender do feedback dos fãs acredito.

Então após o continue estou disponibilizando a matéria feita em 2010. Não mexi em praticamente nada. Ela está do jeitinho que originalmente a publiquei. Apenas dei uma leve revisada no texto, tirei links que não funcionavam mais. Mas no geral, está da forma como foi publicada originalmente.

Obs: tenho planos para voltar a publicar especiais assim sobre quadrinhos Disney no Portallos EXP. 😉

Morcego Verde:
A reformulação de 1994 baseada em “O Cavaleiros das Trevas”!
[Clássicos das HQs Disney]

Matéria publicada no antigo Portallos em 24/dez/2010

Esta semana estava remexendo a minha coleção de HQs Disney quando por coincidência, ou não, encontrei essa revista do Zé Carioca, de numeração “2010”. Admito que o número, que coincide com o ano atual, me chamou a atenção em meio a dezenas de outras revistas do personagem do meu armário. Já nem me lembrava que a tinha ou do que se tratava a chamada de capa da edição. Separei ela e fui pesquisar.

Zé Carioca nº 2010 marca um evento histórico na revista do personagem, a reformulação completa do uniforme e da origem do Morcego Verde, o alter-ego heróico do famoso papagaio. E a história é basicamente inspirada no clássico Cavaleiro das Trevas do Batman de Frank Miller.

 

A primeira origem!

Apenas para posicionar melhor quem não conhece o personagem, a estréia do herói nas HQs Disney aconteceu em 1975. A história se chamava simplesmente “O Morcego Verde“. Com roteiro de Ivan Saidenberg e Renato Canini. Recentemente a nova geração de leitores puderam apreciar esse clássico, pois a HQ foi republicada em duas ocasiões nos últimos anos. Primeiro em 2003, no especial Zé Carioca 60 Anos, e mais recentemente, este ano em Disney Big #05. Quanto a estréia original, ela aconteceu em Zé Carioca #1217.

Capas com o visual original do Morcego Verde de 1975!

Como dá para se ver pelas imagens acima, o visual original do Morcego Verde é bem diferente daquele que ilustra o começo do post. Capa verde, molas nos pés (uma ideia que deve ter vindo do Morcego Vermelho, já que o mesmo também usava molas em suas histórias, aliás o Morcego Vermelho serve de inspiração para que o Zé crie esse alter-ego na história oginal), gorro e um par de óculos. A origem nova de 1994 deixa o personagem num tom mais sombrio, mais parecido com o Batman da DC, mas calma que eu chego lá.

Aproveito a oportunidade para dizer que não tenho nada contra o Morcego Verde original, já digo isso porque sei que alguém pode pensar que vou criticar o Canini, considerado um dos grandes Mestres Disney do Brasil e que basicamente, junto com Saidenberg, criou todo o universo do Zé Carioca na década de 70. Não, não vou criticar a primeira origem ou os criadores. Só queria mesmo fazer esse contraste, pois não é incomum que super-heróis sejam reformulados ao longo de gerações, isso acontece com muita frequência na Marvel e na DC e até mesmo na Disney se você for pensar nos arcos paralelos que os italianos criaram para o Superpato na série “As Novas Aventuras do Superpato”.

O fato é que eu conheci o Morcego Verde já depois da sua reformulação de 1994, pois foi na década de 90 em que comecei a colecionar as HQs Disney. Só depois é que conheci a sua forma clássica do Canini. A primeira impressão em geral é a que fica, não?

O Cavaleiro das Dívidas [1994] [Inducks]

Em geral as histórias do Zé Carioca produzidas no Brasil possuem entre 07 a 14 páginas. O Brasil seguia o clássico estilo de 4 linhas de quadro por página, ao contrário dos italianos que montam quadros maiores e cada página acaba tendo 3 linhas de quadro (se bem que nos anos 90, os brasileiros também passarama  criar HQs com 3 linhas de quadros por página, mas boa parte da produção nacional foi realizado no estilo de 4 linhas). Por isso as histórias italianas costumam ocupar muitas páginas, quer dizer, isso é um dos fatores, pois os italianos gostam mesmo de histórias grandes. Em outros países, como aqui no Brasil e Dinamarca, o padrão sempre foi 4 linhas de quadro e histórias mais curtas, com roteiros ágeis para que as revistas rendessem nas páginas. Estou comentando isso porque O Cavaleiros das Dívidas foge dessa regra. A história possui 22 páginas. Possui quadros enormes, angulos diferentes do comum, quadros mais sombrios, quadros de uma página inteira, páginas duplas, enfim, há todo um trabalho realmente de qualidade para que esta história. Algo que a torne memorável para esta uma nova versão do Morcego Verde.

O roteiro da história pertence a Marcelo Cassaro. O Inducks lista apenas quatro trabalhos dele: O Cavaleiro das Dívidas, O Morcegomóvel, A Piada sem Sal, A Mulher-Gatinha. Todas são com histórias com o novo Morcego Verde. Uma pena que o roteirista não tenha continuado trabalhando no estúdio, criando novas histórias. Não conheço muito sobre ele, mas é impossível não deixar de pensar no potencial que ele poderia ter tido para o estúdio se continuasse seu trabalho por lá. Alias o Wikipédia tem uma página sobre ele, lendo por lá, fiquei sabendo que atualmente ele andou escrevendo alguns arcos para Turma da Mônica Jovem, a revista “meio-mangá” do Maurício de Souza que é um dos maiores sucessos no Brasil. Realmente, é um talento de peso no cenário dos quadrinhos brasileiros.

Já o desenhista da história é Paulo Borges. Este eu conheço bem seu trabalho na Disney, pois olhando o histórico no Inducks, percebo que tenho várias histórias dele na minha coleção. Muitas na qual são minhas favoritas dessa fase anos 90 do Zé. Borges também tem uns trabalhos de cair o queixo na casa da Disney, como as belíssimas ilustrações das histórias baseadas no universo de O Corcunda de Notre Dame e Mulan (veja aqui e aqui dois exemplos). O Inducks lista trabalhos do desenhista entre 1992 até 2000, um pouco antes do estúdio brasileiro para de vez com a produção nacional. Também é de Paulo Borges os desenhos de um outro clássico de 1994: As quatro histórias do arco Zé na Copa!

Quanto a história que estamos tratando nesta matéria, tudo começa com uma partida de futebol. Um elemento bem típico das histórias brasileiras do papagaio. Mas não temos uma trama de futebol. Uma partida de futebol roubada é apenas o ponto inicial para que o Zé Carioca pire e comece a punir todos os cobradores do Rio de Janeiro, chegando inclusive a ser notícia na TV. Assim como Batman em Gothan City, o Morcego Verde começa um reinado de terror no Rio, sendo mais agressivo do que o personagem jamais foi. A polícia não consegue conter o herói e para isso chama ninguém mais, ninguém menos do que o Superpateta, fazendo assim um contraste com o Superman, que na DC é o melhor amigo do Batman. Conseguirá o Superpateta conter o Morcego Verde? Ou o Zé conseguirá dobrar o Pateta no final das contas? No fim, um novo Morcego Verde surgirá, independente do resultada desse embate.

Uma das páginas acima, o Zé comenta sobre a origem do Morcego Verde, num beco, assim como o Batman, após essa página vem 24 quadros sequênciais sem fala, onde é mostrado em duas páginas e meia, de onde veio a ideia de que o Morcego Verde seria o defensor dos fracos e devedores. Acho sensacional e hilária essa sequência, que traz uma certa dramaticidade, sem perder ao mesmo tempo o bom humor da história.

O começo de uma nova fase!

Depois desta história de 1994, muitas outras foram criadas nos anos seguintes, continuando a usar o Batman como inspiração para essa nova fase do Morcego. Foram histórias onde o Zé procurava ter um Morcegomóvel, onde ele procurava o perfeito cinto de utilidades, onde tentava se relacionar com o delegado da polícia, o Dr. Porconi, que apareceu em várias histórias dessa nova fase, estreando em “O Comissário em 1995, criação de Arthur Faria Jr. e desenhos de Paulo Borges, sem mencionar outras paródias relacionadas a grandes eventos do universo do Batman, como a história A Queda do Morcego ou A Piada Sem Sal. E os vilões também foram reformulados, continuando as inspirações do morcego da DC. Moringa, Mulher-Gatinha, Chanchada, Sem-Cara etc. Foi uma fase bem divertida para o Morcego Verde sem dúvida.

Para encerrar, é sempre bom lembrar que o e-mail de sugestões e pedidos da Editora Abril é este aqui: disney.abril@atleitor.com.br (quer mais histórias desse Morcego Verde aqui no Brasil? Mande um e-mail pra lá!)

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