Sket Dance | O clube de apoio acadêmico em ação!

Sket Dance era uma estória que me chamava a atenção há algum tempo. Tudo o que eu sabia, primeiramente, era que: se tratava de um mangá de comédia; o autor tinha sido assistente do mangaká de Gintama; e o mangá costumeiramente mantinha boas posições nas TOCs.

No início desse ano resolvi começar a assistir o anime, logo depois passei para o mangá (e para meu horror, descobri que os scans estavam atrasados cerca de 40 capítulos em relação ao Japão). Sem perceber, acabei nutrindo um intenso carinho pela estória e seus personagens, a ponto de sket ser hoje meu segundo mangá favorito.


Support – Kindness – Encouragement – Troubleshoot: Sket Dance!

Criado por Shinohara Kenta, o mangá segue as atividades de Bossun (Fujisaki Yuusuke), Himeko (Onizuka Hime) e Switch (Usui Kazuyoshi), membros do clube de apoio acadêmico do colégio Kaimei, o Sket-Dan. Sua rotina consiste em aceitar pedidos de estudantes e professores e ajudá-los em todo tipo de problema sem pedir nada em troca. Na maior parte das vezes, os personagens que pedem auxílio são excêntricos e seus pedidos incomuns, sendo que alguns se tornam figuras recorrentes na série. Exemplos são os professores J-son, que mais de uma vez pediu a ajuda do grupo para suas entrevistas de casamento (nas quais ele não consegue ter sucesso devido a sua aparência assustadora), o professor Yamanobe, que tende a aparecer na sala do clube para pedir que eles testem os jogos criados por seu mestre Won – destaque para o jogo da Mariko e sua irmã Louigiana, personagens da Wontendo, que rendeu um dos capítulos mais engraçados de Sket Dance, em minha opinião -, Yabasawa, que costuma perder seu macaco de estimação pervertido, e Roman, aspirante a mangaká de shoujo que enxerga o mundo através do filtro otome, é apaixonada pelo “príncipe” Bossun e sempre brinda os fãs com suas técnicas e dicas para fazer um mangá de sucesso.

Sket Dance também trabalha com paródias de jogos, outras séries, filmes e piadas de quarta parede – destacam-se os capítulos de votação de personagens favoritos e o capítulo em que o mangaká Hinohara Enta vai ao colégio Kaimei em busca de inspiração para uma nova série, afirma que Bossun daria um péssimo protagonista de shounen e decide fazer um mangá sobre o conselho estudantil – além de seus conhecidos crossovers com Gintama e Bakuman, sendo que este último se deu só nos animes: em Bakuman, Miho fez sua estreia na dublagem de séries da Jump fazendo uma ponta em um episódio de Sket Dance, o qual, por sua vez, parodiava Bakuman.

Desde os primeiros episódios, dava-se para notar, no entanto, que Sket Dance não se basearia só em comédia. Temas como bullying, pessoas reclusas, abuso e delinquência juvenil se fizeram presentes na série sem, no entanto, serem mostrados de maneira muito pesada. O mangá tem momentos sensíveis e bonitos que já conseguiram me levar às lágrimas diversas vezes. Nos primeiros episódios, os destaques nesse quesito vão para o episódio 6 “Até Onihime tem lágrimas nos olhos” – que não só inicia a rivalidade entre o Sket-Dan e o conselho estudantil como também aprofunda a relação de Momoka e os membros do clube – o episódio 7 “Sakura de Verão” – que conta a estória de Tetsu e sua amiga de infância doente por quem ele é apaixonado – e o episódio 17, “Sketchbook”, que mostra o Sket-Dan ajudando uma aspirante a violinista a ter autoconfiança e a se dedicar sem medo a sua carreira, em meio ao festival de Rock de Kaimei. Mais tarde, nos arcos que contam o passado dos membros do clube, a série toma ares mais sérios e sombrios, além de aprofundar o lado psicológico do trio protagonista.

O primeiro arco de flash-back, Switch Off, é com certeza o mais triste de todos. Ele mostra o trauma de Kazuyoshi após a morte de seu irmão mais novo (Masafumi) e como isso o levou a parar de falar e a assumir parte da identidade do irmão morto. Ele adotou o apelido “Switch” (que era de Masafumi), o penteado e os óculos que o irmão usava. Switch se tornaria um recluso, recusando-se a sair de casa por estar imerso no desespero. Apesar de ter sido salvo por Bossun depois, ele atualmente só se comunica pelo computador e continua a adotar as características de Switch. O segundo arco, Ogress, conta o passado de Himeko e como ela havia se tornado uma delinquente famosa e parado de confiar nas pessoas, até conhecer Bossun, que também a ajudou e, com ela, fundou o Sket-Dan. O terceiro arco de flash-back, Happy Birthday, conta o passado de Yuusuke: ele descobre por meio de fitas de vídeo, fotos e um confronto com sua mãe que é adotado e que seus pais biológicos queriam que ele se tornasse uma pessoa que sempre ajudasse os outros, já que eles só conseguiram viver por causa da ajuda de outras pessoas. A estória dos pais de Bossun, Ryosuke e Haru, e de como eles morreram é talvez a mais linda e inspiradora de todo o mangá. Há uma revelação importante nos capítulos intitulados Happy Rebirthday, mas não teria o mesmo impacto se vocês soubessem por mim em vez de descobrirem lendo o mangá ou vendo o anime.

Sket Dance vem gradualmente conquistando popularidade e pode se tornar um dos carros-chefes da Jump, com um enredo despretensioso que mostra em um capítulo as consequências das loucas invenções do professor de química Chuuma (que já conseguiu criar pílulas para troca de corpos, invisibilidade, rejuvenescimento, envelhecimento, hipnose, depressão e outras) ou uma ambientação no espaço sideral, e, em outro capítulo, mostra um professor abusando moralmente de seus alunos. Esse mangá transita entre a comédia nonsense e o drama de forma esplêndida e possui personagens magnificamente bem-construídos, cujas interações são sempre um deleite para o leitor e/ou espectador. O maior exemplo, sem dúvida, fica com o trio de protagonistas, que partilha um profundo laço de amizade, lealdade, gratidão, admiração, respeito e amor. Personagens que sabem que precisam uns dos outros para seguir em frente e que encontraram no clube de apoio acadêmico e na dedicação para ajudar a todos que precisarem um significado e sentido maiores para suas vidas. Sket Dance é uma estória divertida e bela a qual todos deveriam dar uma chance.

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