Internet Fixa | Enchendo o tanque da franquia antes de longas viagens pela web? (Opinião)

Internet fixa por franquia de dados

A polêmica sobre a Internet Fixa e a ideia de algumas operadoras quererem começar a cobrar franquia de dados desse tipo de serviço, tal qual fazem com a Internet Móvel (3G e afins) nos smartphones, começaram a fazer um barulho estrondoso semana passada, graças a uma matéria publicado no site do TecMundo alertando movimentos sombrios e tenebrosos por parte da Vivo para 2017.

Vale a pena dar um pulo lá e se inteirar do assunto com detalhes, até porque o que tem de alarmismo e besteiras em links de diversos sites sendo publicados e compartilhadas pelas redes sociais é assustador. Vá na fonte, onde tudo começou, que foi no TecMundo.

Enfim, o caso é realmente alarmante, polêmico e de uma falta de sensibilidade total por parte das operadores de internet. Não é a toa que a Vivo se tornou a grande vilã da história, recebendo enxurradas de reclamações, sendo alvo dos internautas e recebendo toda uma má publicidade para si em uma semana onde as atenções se dividiram pela abertura do processo de impeachment da presidenta do Brasil.

Há muitas teorias rolando por aí. Uns dizem que é coisa de grandes empresas querendo coibir serviços de streaming, como Netflix, que andam prejudicando os serviços de TV por assinatura (já que muitas das empresas que vendem TV a cabo também gerenciam a internet), operadoras que alegam que a internet como é consumida hoje em dia é absurda e geram muitos prejuízos, também existe toda a problemática de baixa concorrência de mercado, onde somente um ou dois serviços chegam para todas as pessoas, a falta de infraestrutura, as más regularizações da Anatel e por aí vai. Escolha a carta que quiser, no fim o resultado é um só: a internet como uma ferramenta livre para que as pessoas façam o que bem entender, sem ter que pagar muito por isso, incomoda grandes tubarões da indústria.

Só acho assustador que somente agora as pessoas ficaram com medinho da internet fixa ter quota de banda utilizada. Quer dizer, um dos motivos de eu NUNCA ter assinado a Banda Larga da NET é justamente porque no contrato de Internet Fixa sempre houve uma cláusula de franquia de dados. Eles nunca cortaram, mas existe essa coisa da redução da velocidade.

Eu não tenho o hábito de assinar planos de internet para o meu smartphone. Acho escroto a forma como a internet é distribuída em dispositivos móveis. Em planos que nunca duram o mês inteiro, onde os limites são ridiculamente pequenos e qualquer coisa mais pesada que você faça no celular isso já estoura sua franquia. E nem sempre estes planos são baratos. Só assino o 3G quando preciso viajar para algum lugar longe, onde possa ter o risco de precisar ligar ou mandar mensagem para alguém em caso de emergência e para usar o Google Maps em lugares que nunca fui. Ou seja, nunca apoiei esse mercado de 3G capado e franquia de dados nos dispositivos móveis. Mas se a população inteira do país apoia, usa, e fica pagando por franquia de dados nos celulares, não é de se admirar que as operadores queiram usar o mesmo modelo na internet fixa.

Muito se fala “isso é um absurdo“, “isso não pode acontecer“, “querem acabar com a internet livre“. E eu entendo a revolta. Eu mesmo sou o que talvez as operadores chamam de heavy users, usuários que consumem banda de dados de forma monstruosas. Já tive semanas aqui em casa onde precisei baixar mais de 200GB em games digitais na Xbox Live. Há semanas onde para atualizar as séries que acompanho, preciso de mais de 100GB de espaço em HD. Finais de semana onde a Netflix e Crunchyroll ficam ligadas por mais de 15 horas ininterruptas consumindo banda. Mas não é esta a nova realidade do mundo?

Eu não tenho mais antena em casa. Não tenho canais abertos. Sabe onde assisti a votação do impeachment neste domingo? No You Tube, ao vivo, desde as 14h até as 23h! Também não tenho mais TV por assinatura há uns 2 anos. cansei de pagar mais de 200 reais por uma programação engessada de publicidade, de reprises, de falta de estrutura em qualidade de imagem. Eu assisto uma série em 720p ou 1080p pela internet em uma qualidade de imagem mil vezes superior do que a qualidade oferecida por muitos dos serviços de TV por assinatura.

O fato é que o mercado e os serviços oferecidos precisam mudar. A infraestrutura precisa melhorar. Onde moro, na rua de casa, eu só tenho duas opções: Vivo Speedy ou NET. Como tenho esse Speedy há quase uma década, não serei afetado por essa conversa de limite de franquia de dados. Bem, ao menos nesse momento. E se fosse e a minha internet não durasse nem 10 dias dentro do mês? Eu faria um escarcéu. Reclamaria na Vivo, na Anatel, no Reclame Aqui, aqui no site, na Ouvidoria. Se nada adiantasse, eu cancelaria o serviço e veria como me sairia na NET. Se não fosse bom lá também? Ainda há outras opções de pior qualidade, como Internet via Rádio, mas iria adiante. Só sei que não seria complacente com isso, da mesma forma como não sou com os planos de 3G da Vivo, assim como não gosto do preço e da situação do serviço de TV por assinatura no Brasil hoje em dia.

Entendo que há pessoas que se sentem acuadas. Que precisam da internet e que não podem cancelar ou mudar. Que parecem complacentes, mas são apenas refém da situação. Eu não sei qual é o percentual que estas pessoas representam no serviço. O que sei é que se o serviço piorar, eu não duvidaria que outros melhores surgiriam. É o caso de ficar de olho.

Até porque essa imposição de limite por franquia de dados não é uma ordem da Anatel, mandando todo mundo fazer isso, mas uma mudança nos planos de gerenciamento do serviço por parte de algumas operadores, sendo a maior delas, a Vivo, que sempre foi uma das melhores, por justamente abranger quase todo o país e nunca limitar as conexões (ainda que elas sejam ruins e caiam de tempos em tempos).

O que quero dizer é que mesmo que isso venha a acontecer, alguém virá e dirá “aqui, com a gente, a internet é livre, não temos franquia de dados“. E aí é mais uma vez responsabilidade do consumidor apoiar aqueles que oferecem o melhor serviço. A TIM mesmo na semana passada já andou cantando essa bola.

O grande mal do brasileiro nessa história, a meu ver, é a complacência. Todo mundo chora na internet, todo mundo reclama, mas está todo mundo pagando o planinho de franquia de dados 3G da Vivo e outras operadoras. O brasileiro late muito, mas esquece que precisa morder de vez em quando.

Pra mim, quem melhor ponderou e refletiu sobre o assunto foi o Zangado (vídeo abaixo), em um vídeo publicado semana passada. É muito interessante o final do vídeo, quando ele diz que o brasileiro esquece das coisas, que nós desistimos de tudo. E que não deveríamos reclamar apenas dessa polêmica da internet fixa, mas de tudo que está errado no país. Vale assistir:

É de se concordar, não?

Enfim, o caso da Internet Fixa e de planos de franquia de dados ainda vai dar muita polêmica e não deve ter uma solução tão cedo assim. Se não rolar em 2017, se a Vivo der para trás, não significa que isso não pode voltar a acontecer mais ainda no futuro.

É algo preocupante sim, mas não é o único problema pela qual a internet no Brasil passa. Os consumidores precisam passam a brigar por melhorias no serviço. Por infraestrutura, por melhores conexões, por melhor atendimento, por melhores planos.

Sei que eu não estou confortável com a minha internet de merda em casa. Há 3 anos a internet por fibra chegou na minha cidade e há três anos espero o cabo chegar até minha rua. A minha conexão eu preciso constantemente vigiar porque de um plano de 4MB de repente fica dois ou três dias com 1MB, e lá vou eu brigar no serviço de atendimento do consumidor. O fato é que o Brasil precisa de infraestrutura para melhorarmos a nossa internet e não é com novos planos de franquia de dados que isso vai mudar.

Mas reflita isso. Quer provocar, que chamar a atenção destas empresas na qual você não está satisfeito com o serviço? Troque de operadora. Não fique pagando plano 3G todo mês. Mude sua TV por assinatura. Se a Vivo é a grande vilã e você tem outras opções em sua cidade, não use Vivo. Mexa com estas empresas no lugar em que dói: no bolso delas.

Se você for prejudicado por estes novos rumos que os planos de internet podem vir a ser regulamentados, não seja complacente. Reclame sim, faça seu barulho, mas também veja o que pode ser feito em termos de reação. Dê menos dinheiro para quem não lhe respeita. Não seja refém, mesmo que a sua outra opção não tenha uma qualidade tão boa assim.

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Por uma internet na qual não precisamos chorar porque a franquia de dados matou nossa conexão!
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