DuckTales #1 #2 #3 | Os Caçadores de Aventuras em quadrinhos! (Impressões)

Este mês de abril marca o terceiro mês de publicação da nova revista mensal da Editora Abril, DuckTales – Os Caçadores de Aventuras.  São quadrinhos baseados na nova série animada. Já em exibição aqui no Brasil pelos canais Disney, na TV por assinatura, e também no SBT, na TV aberta.

Simultâneo a este texto também estou publicando um outro na qual abordo aspectos da nova série animada, ou pelo menos o que dá para se dizer dela com apenas nove episódios exibidos. Não tem como falar dos quadrinhos sem tecer algumas opiniões sobre a nova animação, pois eles são um completamento direto do desenho animado.

Dito isso, acho que (minha opinião) esta nova revista mensal não funciona muito bem para aqueles que não pretendem acompanhar o desenho. São histórias curtas, que servem mais para criar pequenas aventuras com alguns dos escopos que a série animada já apresentou na TV. Não parece que as aventuras em quadrinhos pretendam fazer o contrário. Criar cenários e situações a qual a série irá explorar eventualmente. Ao menos por enquanto.

O que dá a entender é que também são quadrinhos que estão andando de mãos dadas com a produção do desenho. Em virtude de pequenas referências que ocorrem em algumas HQs. São muito pequenas e pontuais, mas parecem existir para dar esse gostinho à mais.

  • Estilo e arte

A arte destes quadrinhos segue fielmente a nova arte da animação. Indo à contramão da arte tradicional dos quadrinhos de todas as outras linhas da Abril/Disney. Parece óbvio afirmar isso, mas é um contra ponto interessante já que a arte do desenho não é algo que tem agradado aos mais puristas do traço clássico.

Sinceramente não vejo esse novo estilo como algo negativo. Não acho a pior coisa do mundo, nem de longe é o pior estilo dentre as atuais animações na TV. O Cartoon Network tem algumas produções novas em exibição em que a arte é uma coisa muito mais agressiva, deformada e estilizada. DuckTales tem um meio termo entre antigo e novo. Funciona.

E tanto nos quadrinhos, como no desenho, a nova arte permite que os personagens sejam expressivos. Tornando-os assim mais humanizados. O Donald não apenas soa, mas se expressa como sua falta de sorte condiz. Patinhas visualmente convence como um destemido aventureiro. E os sobrinhos, os mais diferentes de suas identidades clássicas, ainda são um processo a se acostumar. De uma certa forma eles estão entre um meio termo entre suas versões clássicas para aquilo que foram representados na versão adolescente da antiga TV Quack, série com o Donald produzida nos anos 90.

  • Letreiramento e quadrinização

Nos quadrinhos a única coisa que me incomoda um pouco é o letreiramento. Há muito texto para pouco espaço no formatinho publicado no Brasil. Isso resulta em letras menores dentro dos balões. Lá fora estas HQs são publicadas em formato americano, então a folha da revista é maior. Significa que as letras e seus respectivos balões são impressos em um tamanho mais agradável a visão do leitor.

Porém, pensando no mercado nacional, e na qualidade destas primeiras HQs, não vou defender que as mesmas deveriam sair em formato americano por aqui. Ou que o papel poderia ser melhor do que o papel jornal. Se não fosse uma questão de preço, aí sim. Maior e com um papel que não tornem as cores chapadas seria de fato ideal para estas histórias. Mas como aqui o formatinho é o padrão, e o papel jornal é a opção mais econômica, é o que tem pra hoje.

Só há um outro aspecto visual, que não atrapalha, porém acho muito feio: o retângulo vermelho da primeira página de cada história. Onde é colocado o título de cada história. Esteticamente é grotesco. Basta olhar como esse design é feito nas HQs tradicionais para perceber como é uma escolha estética e de cor terríveis. Porém isso não é algo da versão nacional, mas da forma como se produziu originalmente lá fora.

Tirando esse pequeno detalhe, a quadrinização das histórias é ótima. Segue um meio termo entre o estilo de quadros tradicionais, para algo quase que Graphic Novel. Com quadros grandes, que se sobrepõem sobre outros ou que quebram o tradicional quadrado ao lado de quadrado. A arte vaza das páginas, podendo chegar até ao número da página. Tem estilo e personalidade.

  • Qualidade de roteiro

Talvez o maior pecado, até o momento, destes três primeiras edições nacionais (que equivalem a seis da norte americana) seja realmente o roteiro e argumento das tramas. São fracos, especialmente olhando as histórias de outras mensais, que pertencem ao universo clássico, e até mesmo daquilo que tem sido mostrado na série animada.

São no geral quatro histórias por edição. Curtinhas mesmo. Cada uma segundo o padrão de 10 páginas apenas. Não há espaço para tramas muito elaboradas. Então no geral são enredos simples. Sem tempo para reviravoltas ou grandes passagens de ação ou tensão. São histórias voltadas para humor, mas até nisso são meio fraquinhas.

E, como comentei no começo, são histórias que não constroem nada do que o desenho ainda não tenha feito a indicação. Não significa que isso não pode mudar eventualmente. Estou apenas olhando estas três primeiras edições. Que totalizam doze das dezoito histórias já produzidas.

DuckTales #1

A primeira edição apresenta quatro histórias antes do Donald e sobrinhos ir morar com o Tio Patinhas. Serve como prequel ao episódio piloto do desenho. São quatro aventuras do Donald em quatro empregos. Ao qual complementam a ideia de que ele tinha dificuldades para se manter empregado enquanto era super protetor com seus sobrinhos.

As quatro histórias seguem uma fórmula que as fazem ser muito parecida uma com as outras. Tanto de construção narrativa quando ao final de cada uma propriamente dito. Não que isso seja ruim, mas tira parece da graça da ideia em si. No final há um ponto argumentativo que nem mesmo a série animada ainda explicou. Que é o fato do atual Donald não querer mais viver grandes aventuras.

Certamente houve um ponto de ruptura entre ele e o Patinhas. Em que ambos se separaram e decidiram viver suas próprias vidas. Donald deixou de visitá-lo e parou de participar de suas aventuras. A qual a segunda edição deixa bem claro o quanto ele sempre se dava mal nelas. Com isso, Donald agora repudia grandes emoções. Isso reflete nitidamente na forma super protetora a qual cuida de seus sobrinhos.

DuckTales #2

Talvez a edição mais interessante das três até o momento. Aqui são quatro aventuras do passado a qual nem mesmo a série ainda explorou (porém já alardeou existir). A época em que Patinhas, Donald e Della (irmã do Donald) viviam em aventuras pelo mundo.

O que enfraquece a edição é exatamente essa coisa boba da fórmula pronta de se contar a mesma história. Mudando apenas os seus elementos de fantasia. Cada uma das quatro histórias da edição abre com o final da história, para depois mostrar como o trio chegou ao ponto onde a HQ começou. Meio sem graça tal recurso aliás. Tenta criar o efeito da curiosidade, mas o faz em detrimento do desfecho que deveria impressionar e gerar a piada final da história.

São quatro histórias que não se aprofundam na personalidade da Della. O azar do Donald é o foco destas histórias. Em detrimento do Patinhas em financiar todas estas expedições. Aqui Della é mostrada como uma patinha sem medo, destemida, curiosa e que topa qualquer aventura. Legal, mas ainda assim vago.

Não existe qualquer indício do que aconteceu com ela no que diz respeito ao ponto de ruptura entre Patinhas e Donald. Ou o motivo pelo qual seus filhos foram morar com o Donald. Nem sequer uma mínima pista. Que pena.

Apesar da crítica, as histórias dessa edição são bem interessantes no sentido da construção do ambiente ou das lendas e tesouros que o trio está caçando. Com certeza dariam ótimos plots de aventuras caso tivessem mais espaços para serem melhores explorados. O da galinha dourada presa em uma gaiola que contém sua fome insaciável e do minúsculos pandas que vivem em abóboras mágicas são ideias que possuem essa cara de algo que DuckTales clássico apresentaria.

DuckTales #3

A terceira edição melhora e muito a questão do ritmo e formato das histórias. A fórmula de que todas precisam começar e terminar da mesma maneira é deixado de lado. São quatro aventuras, com quatro temas diferentes, com situações diferentes e com focos em personagens diferentes.

A primeira é uma venda de jardim com os sobrinhos. A segunda com o Patinhas em um plot que brinca com a idade avançada dele. A terceira com toda a família (com piadas boas com o Luizinho). E a quarta com o Donald sendo protetor com o Zezinho, enquanto o mesmo está interessado nas loucuras do Capitão Bóing.

Tudo bem que esta última história tem um ponto de argumentação muito falho. Quando o Patinhas e o Donald alegam não conseguir dirigir um avião em queda. Deixando o roteiro favorecer o fato de que apenas o Zezinho poderia fazer isso. Uma solução fraca de roteiro. Sendo que é um manche como de qualquer avião. Eles sequer tentam pilotar. Achei fraco, porém necessário para aquilo na qual a trama estava querendo provar.

A história da ilha também é meio sem noção quando o Patinhas diz ao final que ele planejou tudo aqui. Não me parece algo que o Patinhas gastaria apenas para provar um ponto em questão ao que Luizinho passa a HQ inteira fazendo piada. Mas dá para relevar se tudo aquilo já pertencesse a ele e fosse apenas algo combinado previamente com o habitantes. O que foi o que acabei interpretando.

No geral são boas aventuras. Apenas são curtas, e sem a profundidade que gostaria que tivessem. O ponto é que a publicação tem melhorado. A primeira edição é fraca, a segunda é interessante e a terceira já tem cara de DuckTales.

Próximas edições…

Deste ponto em diante o que espero é que a nova revista mensal de DuckTales traga mais aventuras refinada. No nível da animação na TV. E como por aqui saem quatro aventuras por mês em detrimento a duas que saem lá nos Estados Unidos, logo ficaremos sem quatro novas histórias mensais.

Porém não é algo para ficar alarmado. A Editora Abril já comentou pelas redes sociais que quando esse ponto chegar, o que ainda deve levar mais quatro ou cinco edições, a nova revista deve buscar as HQs clássicas da fase oitentista da série. O que espero que inclua alguns matérias que até hoje seguem inéditos no Brasil. Assim como o resgate de algumas que estão há décadas sem republicação. Quem sabe até mesmo a saudosa DuckTales no Brasil. Mini série de 112 páginas que merece uma republicação há anos.

Existe material para manter a revista mensal por bastante tempo. Ao menos enquanto a série animada continuar em produção e exibição. E tudo indica que este novo DuckTales deve ficar no ar por algum tempo. Apesar de algumas críticas, a receptibilidade da nova série tem sido positiva.

Resta apenas torcer para que os quadrinhos, que ainda estão fracos em relação aos roteiros na televisão, consigam aprimorar sua qualidade. Isso certamente daria uma segurança maior a eles. Estou na torcida.

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9 Legal para acompanhar com o desenho na TV
7 Formatinho e papel jornal diminuem a qualidade gráfica
7.5 Edição 1 é fraca, mas melhora nas edições seguintes
8 Histórias originais (não são episódios adaptados)
7 HQs curtinhas (10 páginas)
8 Vale seu preço (R$5)
7.8
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