DuckTales 2017 (vs 1987) | Os Caçadores de Aventuras de volta à televisão! (Impressões)

ducktales 2017

DuckTales é um clássico da infância de qualquer um que cresceu entre as décadas de 80 e 90. Um marco em termos da qualidade dos desenhos animados dessa época. É uma produção que elevou o patamar das animações em sua época. Influenciou outros desenhos que surgiriam depois. Tanto Disney quanto concorrentes. Até mesmo o cinema teve sua influencia nas aventuras do Tio Patinhas e família. A famosa cena da pedra gigante rolando em Indiana Jones é um dos exemplos mais conhecidos.

A versão clássica de DuckTales reinventava para uma nova mídia seus personagens que já eram amplamente conhecidos nos quadrinhos, enquanto também inseria novos personagens que eram tão importantes quanto os já conhecidos. Capitão Bóing, Patrícia e Madame Patilda são três bons exemplos. Ao todo 100 episódios foram produzidos. Para época isso era um marco.

Importante frisar que mesmo com as mudanças em relação aos quadrinhos, o desenho sabia muito bem respeitar sua origem. Estou me referindo em grande parte ao trabalho que Carl Barks já fazia há décadas nos quadrinhos, em especial com relação ao Tio Patinhas. Havia um respeito pela obra do Mestre dos Patos e muita coisa do desenho foi criado inspirado em suas obras.

Esse talvez é um dos pontos mais importantes da qualidade e do porque DuckTales é tão querido pelos fãs até os dias de hoje. Não é para menos que com o sucesso do desenho quadrinhos baseados na série animada foram produzidos por toda a década de 90, contando novas histórias nunca animadas. E o desenho, de certa forma, jamais foi esquecido.

Simultâneo as impressões do desenho, também está sendo publicado uma matéria sobre os quadrinhos oficiais que estão saindo no Brasil. Não deixar de conferir!

A nova versão — DuckTales 2017

A nova animação estreou nos Estados Unidos em 2017 e ao todo foram apenas 9 episódios exibidos até o momento. Uma segunda leva de episódios deve estrear lá fora no próximo mês de maio. No Brasil a série chegou em março deste ano e também já teve todos seus nove episódios exibidos. Tanto na TV por assinatura quanto na TV aberta (SBT).

Indo direto ao ponto, DuckTales 2017 tem a mesma proposta do desenho oitentista: reinventar estes personagens clássicos para uma nova geração de crianças e jovens. E desta vez a missão não é só adaptá-los dos quadrinhos, mas também da própria série original.

Os desenhos animados de hoje tem outra linguagem, isso é inegável. Basta ver sucessos como Ben 10, Steven Universo, Gravity Falls, Hora de Aventura e afins. Não só a questão do estilo de animação, mas também ao ritmo do roteiro. Estilizado, com uma arte que torna a produção única, enquanto o roteiro precisa ser dinâmico, sem enrolação, e progressivo. Levar os personagens a algum lugar.

Nesse ponto da adaptação, DuckTales 2017 parece acertar em cheio. Gosto como a série não tira o Pato Donald da jogada; como pretende explorar a história da mãe dos garotos Huguinho, Zezinho e Luisinho; como cria uma personagem feminina mais representativa para a Patrícia; e especialmente como cria personalidades próprias para cada um dos sobrinhos do Donald. Não há mais aqueles trigêmeos onde apenas a cor de suas camisas e bonés os diferenciando um do outro.

  • Novo versus Antigo

É difícil dizer, apenas com nove episódios, se esta nova versão pode superar a clássica. É muito provável que não. Nem todos os episódios são bons, enquanto alguns, quando são, acabam sendo fantásticos. O piloto dessa nova série, ponto inicial para esse novo começo não é tão impactante quando o piloto da série dos anos 80. Aquele do Templo do Sol e o Patinhas sofrendo da febre do ouro, prestes a morrer por um tesouro representado por ouro derretido em ebulição. Como lava!

Eu me lembro de ficar impressionado com esse Patinhas louco e ganancioso. A mensagem na época era muito clara quanto a ter ambição por dinheiro a ponto de morrer por ele. De deixar coisas importantes, como família, ficar em segundo planos por conta da ganancia. Eram pontos de reflexão muito fortes para a época. Para uma criança.

Esse novo DuckTales ainda não me parece ter nenhum grande momento assim. Não é tão profundo ou pretensioso. É mais leve, porém suspeito que de forma totalmente planejado e proposital. Outras obras de sucesso no ramo da animação infantil tem sido assim nessa recente geração. Steven Universo começa despretensioso e depois explode a cabeça do espectador ao final de sua primeira temporada. Gravity Falls também vira a mesa de sua narrativa após um certo enigma ser solucionado. Hora de Aventura dá pistas desde seu começo de que há muito mais do que os olhos infantis conseguem enxergar em sua linguagem e universo. Eu imagino que este novo DuckTales está indo por um caminho semelhante.

  • Prof. Pardal, Gastão & Maga Patalógika

Pensei nisso quando vi o novo Prof. Pardal. Muito diferente do simpático e gentil Pardal dos quadrinhos e do antigo desenho. Parece que há algo errado nele. Incompatível com o que o personagem representa. Ele me lembrou muito do Prof. Gavião (um vilão cientista louco dos quadrinhos e que não existe no antigo DuckTales). Suspeito que os produtores querem aqui é construir um personagem, para que ele mude eventualmente na série. Há muito disso nos desenhos atuais. Personagens não são estáticos mais. Este novo Prof. Pardal ainda não está totalmente pronto. Palpite meu, claro.

Diferente, por exemplo, do Gastão. Eu gostei de seu episódio de apresentação. Gosto de como ele pediu ajuda do Donald, ao mesmo tempo em que age como o velho Gastão dos quadrinhos. Gosto de como ao final do episódio os produtores brincam sutilmente com o sentimento de solidão do sortudo, para logo em seguida colocar uma piada final para não encerrar o episódio meio que na fossa. Mas o sentimento está ali, Gastão sente falta da família. Ainda que ele não queira admitir ou se distraia facilmente por conta da sua sorte. Ou talvez a sua sorte faça isso para que ele não se sinta mal sempre.

O mesmo vale para os vilões. A Maga Patalójika é só uma sombra misteriosa até o momento, porém gosto com há sua sobrinha fazendo o trabalho de espiã e claramente começando a se simpatizar com a Patrícia e sua família. Há mais a ser contado aí. Achei legal como a nova série parece interessada em aprofundar a Maga, não apenas como vilã. Há muitas histórias nos quadrinhos que fazem isso e o fazem muito bem.

  • Família Metralha

Os Metralhas, por outro lado, ainda não me simpatizei totalmente pela nova versão. Eles parecem estranhos pra mim. Bem diferente daqueles dos quadrinhos, assim como também do desenho antigo. Não soam tão amedrontadores. A piada com Metralhas de todos os tipos, em um dos episódios iniciais, não me convenceu muito. Esperava coisas como o Metralha Inventor ou o Metralha Azarado.

Gosto dessa coisa meio Smurfs de alguns clássicos dos Metralhas, onde seus nomes representavam traços mais básicos de quem eram ou suas personalidades. Entretanto a nova série dá a entender que existe uma história entre a Mamãe Metralha e o Patinhas que talvez valha a pena ser explorado no futuro. E nada impede que novos Metralhas, mais condizentes com os clássicos, surjam. Ou apenas que os atuais evoluam, como outros personagens devem evoluir.

Incógnita aceitável

Não quero me alongar demais, ainda que haja muitos outros pontos que certamente gostaria de comentar. O Capitão Bóing, por exemplo, é um personagem que ainda não vi a série animada conseguir explorar totalmente. É um personagem tão bacana no desenho antigo e aqui está sendo deixado meio que de lado, apenas como piada esporádica. Sua melhor participação é sem dúvida no episódio do Metrô, com os TerraFormes (que também espero que voltem e sejam melhor explorados).

Há a questão dos sobrinhos e suas personalidades individuais. Huguinho é o mais certinho agora, membro dos Escoteiros Mirins. Luizinho é o relaxado ao mesmo tempo mais malandrão, querendo sempre levar vantagem. O episódio em que ele é levado pelo Tio Patinhas à Caixa Forte, onde ele perde a Número Um é do dos melhores episódios dessa nova série. Já o Zezinho é o meio termo entre os irmãos. Não se envolve demais, é meio nem aí para nada, mas ainda se importa com tudo. Soa como o mais descolado, sem forçar a barra como o Luizinho faz as vezes. Gosto dessa nova dinâmica entre os irmãos. A gente não precisa gostar mais deles por igual.

E a série promete muita coisa pela frente. Darkwing Duck, assim como Patralhão e o Robôpato estão confirmados. O plano de infiltração da Maga Patalójika. Leopoldo, o mordomo da antiga série, ainda não apareceu. Todo o mistério do passado Patinhas, Donald e Della (que funciona como um apelido para Dumbela) deve ser explorado. Enfim, como disse, é uma série que está sendo planejada e construida no ritmo das atuais produções animadas para a TV. Sem pressa. Então acho que vale a pena acompanhar tudo isso bem de perto. Não perca uma aventura sequer!

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10 Família Pato sempre apresentada a uma nova geração
8.5 Adaptação ainda em progresso, linguagem moderna
9 Referências e respeito (quando possível) ao material clássico
7.5 Dublagem BR não ficou tão legal quanto a antiga
8.8 Estilo visual é condizente com os atuais desenhos
10 Pretende explorar a riqueza de personagens desse universo
9
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