Lollapalooza Brasil – Eu Fui!

Os melhores quatro dias da minha vida.

Pés doendo, joelhos estourados, costas latejando, dor na garganta, ouvidos zunindo… Esses eram alguns dos sintomas quando eu acordei na manhã de segunda-feira, depois de um final de semana incrível. Nos dias 06 e 07 de Abril, lá no Jockey Club em São Paulo foi onde aconteceu o Festival Lollapalooza, uma enorme celebração da música que, desde 1991, percorre o mundo sob a liderança de Perry Farrell (vocalista da banda Jane’s Addiction).

Este post vai servir como meu Diário de Viagem.

Se quiser saber mais das minhas impressões sobre São Paulo e as atrações do Festival, é só continuar lendo…

Tudo começou com os rumores de que Foo Fighters iria fazer um show no Brasil. Nada estava confirmado, até que começaram a surgir conversas sobre a vinda do Lollapalooza pela primeira vez por aqui e ainda que iriam trazer o FF como uma das principais atrações! Demorou um pouco, mas eis que em Novembro surgiu a confirmação. Lollapalooza no Brasil, com Foo Fighters, Arctic Monkeys e mais uma c*ralhada de gente boa. Na hora eu e os amigos já começamos a nos organizar e nos prepararmos financeiramente para a viagem. Chegou o dia em que iriam liberam a compra do LollaPass (um passaporte que garantia a entrada nos dois dias de festival). Depois de exaustivas 13 horas (que sistema porcaria de venda online, gente!) finalmente conseguimos garantir quatro passaportes. E então começamos a busca por hospedagem.

Procuramos por hotéis mais próximos do lugar onde o seria o show, mas também tentamos procurar a opção mais viável, financeiramente falando. Até que alguém sugeriu que ficássemos em um albergue. Partimos pra pesquisa e logo de cara nos apaixonamos por um: Ô de Casa. Conferimos as fotos no site, buscamos por avaliações de outros hóspedes e nos convencemos. Ligamos lá e fomos super bem atendidos, reservamos um quarto com seis beliches, fizemos um depósito inicial e estávamos feitos. Faltava apenas a passagem, que após uma promoção da Gol, conseguimos pegar com um preço bem bacana!

Agora era só questão de esperar… Mas, putz, chegava o apocalipse zumbi mas não chegava a data do nosso embarque! Enfim…

Dia 06 de Abril desembarcamos no aeroporto de Guarulhos, com uma pessoa a menos no grupo (um amigo desistiu de ir na última hora, azar dele!), pegamos um táxi em direção à Vila Madalena pra fazer o check-in no albergue. Chegando lá tivemos a grata surpresa de o lugar ser ainda mais aconchegante do que esperávamos. Logo na entrada demos de cara com um barzinho e muita gente bacana hospedado por lá. Fizemos o check-in, deixamos as malas no quarto e fomos dar uma volta a pé pra conhecer o bairro. Chegamos bem na Sexta Feira Santa, mas ainda assim a Vila Madalena estava um bocado movimentada. Arranjamos um lugar pra bater um rango e logo voltamos pra dar uma descansada no albergue. Após um cochilo, ligamos para uma amiga que mora em SP pra ela nos levar pra jantar em algum lugar. A decisão de ir ao Outback foi quase unânime!

Fomos andando pra um ponto de ônibus e foi no caminho que eu pude perceber que, apesar de ser um feriado, São Paulo não pára. Todo lugar é movimentado e você encontra todo tipo de gente esperando ônibus. Eu moro no Mato Grosso, em Cuiabá, não é lá uma cidade pequena, mas não se compara ao tamanho de SP. É uma coisa absurda como essa cidade está sempre movimentada. Chegamos ao Shopping Pátio Higienópolis, entramos no Outback e tivemos um manjar dos deuses. ALOU EMPRESÁRIOS DE CUIABÁ, TRAGAM ESSA MARAVILHA PARA CÁ!

Voltamos pro albergue e fomos dormir, afinal o dia seguinte prometia.

Primeiro dia de Lollapalooza

Pegamos um táxi (ninguém queria se cansar mais com caminhadas) e fomos em direção ao Jockey Club. Tinha muita gente tentando entrar por uma só bilheteria, sendo que tinham seis entradas diferentes! Tentamos achar um bilheteria mais vazia e eis que finalmente entramos! Logo de cara já fomos novamente pra outra fila, pra comprarmos algumas fichas de bebidas. Apesar da fila imensa aqui também, tudo estava bem organizado. Filas separadas para quem iria pagar com dinheiro, passavam várias bandeiras de cartão de crédito e guichês suficiente pra atender a todo mundo. Foi uma surpresa muito boa ver que apesar da proporção do evento, as coisas estavam bem organizadas. Chegamos já no finalzinho do show do Marcelo Nova e fiz a galera correr pra pegar o nosso primeiro show do dia:

Cage The Elephant

Vou confessar, não conhecia a banda. Talvez uma ou outra banda, mas depois de ler vários elogios sobre os caras, eu tinha que conferi-los ao vivo. Não sei se porque ficamos um pouco afastado do palco, mas o som estava um pouco baixo. Mas ainda assim tivemos uma boa noção da energia da banda. O vocalista é uma explosão no palco, dançava como louco e corria de um lado pro outro. Não demorou muito para que ele finalmente se jogasse na platéia e continuou cantando, embora estivesse sendo jogado de um lado para outro sem dó.

Quem conhecia as músicas da banda, cantava sem dó e pareciam estar se divertindo a beça. Foi uma boa impressão para um primeiro show e nos deixou animado para o que estava por vir.

O Rappa

Já tinha visto o show d’O Rappa várias vezes e por isso achei que seria uma boa hora pra gente ficar tranquilo e guardar energia pro show principal da noite. Mas, o som dos caras continua bom e não deu pra descansar! Pulamos e cantamos juntos por várias músicas, nos arrepiamos quando o Falcão trouxe pro palco quatro violinistas (aquilo foi lindo) e quase surtamos quando tocaram um cover de Rage Against The Machine. No fim, o que era pra ser apenas um show intermediário, acabou se tornando um excelente show e mais uma oportunidade de ver uma ótima banda brasileira fazendo o que sabe.

O show deles terminou lá pelas 17h30, e começamos a pensar que não teria como ver outro show em outro palco (que ficavam bem longe um do outro) sem comprometer a nossa posição no meio da multidão. Perdi a chance de ver Peaches e Joan Jett. Decidimos ficar por ali mesmo, no palco principal, e fomos abrindo caminho bem mais pra frente, quase próximo a grade à espera do Foo Fighters.

Tv On The Radio

As 18h00 sobe ao palco essa banda que só conhecia de nome e que no final me conquistou! Eles fizeram um p*ta show! Gostei bastante do som dos caras, uma mistura de um rock progressivo com algo mais pop, músicas bem alegres e outras bem emocionantes. O vocalista cantava lindamente, sem desafinar, mas faltou uma ligação com o público. A gente batia palma, gritava, pulava, mas nada tirava o cara do modo automático. Nem quando Dave Navarro subiu ao palco pra uma parceria o cara se empolgava. Foi um ótimo show, mas faltou muita simpatia da banda pra conquistar o público.

Foo Fighters

Eis que exatamente as 20h30, quase quatro horas em pé esperando, sobem ao palco a grande atração da noite. Neste ponto eu já estava esgotado, de ficar em pé, com a mochila nas costas, aguentando empurra-empurra e o Sol de rachar na cabeça. Mas do instante em que eles começaram o show tocando All My Life até o final do show eu não senti mais nada. É uma coisa indescritível você acompanhar o trabalho de uma banda por tanto tempo e aí você finalmente os vê ao vivo, a 50m de onde você está… Sério, estou escrevendo isso agora com arrepios pelo corpo e com lágrimas nos olhos. Não consegui segurar a emoção durante o show e chorava feito criança, as pessoas ao meu lado ora diziam “É f*da, não dá pra segurar mesmo!” ou “Cara, você está bem?!”.

(Aliás, abro um parenteses aqui. Pra quem tem preconceito com quem curte rock, vocês precisam experimentar um festival desses pelo menos uma vez, pra ter esse preconceito jogado por água abaixo. Nunca vi tanta gente se ajudando – com comida, com água ou apenas dando passagem – como eu vi durante esses dois dias de Lollapalooza. Pessoas de todo canto do Brasil conversando, contando história e interagindo, é uma coisa muito bacana de se ver.)

Em certa parte do show, o baterista Taylor Hawkins chamou Grohl pra assumir a bateria e o que vimos foi pura magia. Hawkins (que está assustadoramente magro e com a voz enfraquecida) cantava Cold Day In The Sun enquanto Grohl relembrava os seus tempos de Nirvana. Sério, chorei como criança.

Mas o grande destaque da noite foi durante a música Best Of You. Alguns fãs deixaram prontos folhas com um OH escrito bem grande em negrito pra ser levantado na hora do refrão enquanto cantávamos juntos. Meus amigos, só estando lá pra saber do que estou falando. (Neste ponto eu já estava com os olhos inchados e soluçando) A banda parou pra assistir aquilo. 70 mil pessoas cantando juntos o refrão da música. De onde estava eu ouvia ecos de todos os lados, não era de gente cantando fora do ritmo, era pela quantidade de pessoas cantando ao mesmo tempo. Fantástico.

Aqui eles fizeram um pequeno intervalam e rolou um vídeo no telão com o Taylor e o Grohl discutindo quantas músicas eles iriam tocar no bis, combinaram de tocar cinco. Eis que Grohl volta ao palco, pega o microfone e começa a discursar em defesa do festival (que muita gente criticou pelo preço do ingresso), até que ele chama Joan Jett ao palco. VELHOS, JEAN JETT E FOO FIGHTERS NO MESMO PALCO! Meu mundo explodiu naquela hora e os últimos traços de voz que eu tinha foram embora enquanto eu gritava o refrão de Bad Reputation e I Love Rock ‘n’ Roll. Já podíamos perceber que o show estava chegando ao fim, quando os primeiro acordes de Everlong começaram. Grohl agradeceu ao público, correu por toda a extensão do palco com um bandeira do Brasil nas costas e foi embora.

E eu fiquei ali, olhando incrédulo para aquele palco e não consegui segurar a emoção novamente. Olhei para uma amiga, ambos com lágrimas no rosto e simplesmente nos abraçamos e choramos juntos. Choramos como há tempos não chorávamos.

Encerrando de forma perfeita o primeiro dia de festival, nos juntamos a multidão que tomava as ruas da cidade e fomos embora.

Segundo dia de Lollapalooza

No Domingo, acordamos tarde e totalmente destruídos. Eu estava sem voz, com os pés doendo e quase sem condições físicas de enfrentar um segundo dia de Lollapalooza. Decidimos que iríamos chegar um pouco mais tarde no Jockey Club, pra gente conseguir dar uma descansada e conhecer um pouco mais da cidade. Saímos do albergue lá pelas 11h, pegamos um metrô e fomos em direção ao Shopping Eldorado. Almoçamos por lá, demos uma volta e, para nossa surpresa, tinha um ônibus que saia de lá pro Jockey Club! Embarcamos e após um curto trajeto, chegamos no segundo dia de festival lá pelas 16h45 da tarde. O que nos custou alguns shows que gostaríamos de ter visto, como Plebe Rude e Gogol Bordello, mas nos garantiu uma energia extra pra aguentar o dia todo de festival. Vale dizer, que a essa hora já começava a se formar uma bela chuva nos céus de São Paulo.

Por conta do horário, conseguimos pegar apenas o finalzinho do show do Friendly Fires, por isso nem nos aventuramos a achar um bom lugar. Fomos pra longe da multidão, estendemos uma canga no chão e ficamos lá, bebendo e curtindo a atmosfera do lugar. O plano era pegar o show do MGMT, as 18h, mas a chuva começou a apertar e corremos para o Palco Perry, um galpão coberto enorme onde estava rolando alguns djs e bandas menores. Aí começou o nosso dia

Tinie Tempah

Outra banda que eu desconhecia (aliás, tinham várias delas presentes nesse festival). O cara é um ‘rapper britânico que faz um som de mano‘ de acordo com o cara que estava do meu lado que respondeu a minha pergunta de ‘Quem é que está tocando?’. Som de mano ou não, o cara é bom. Faz um rap bacana, com batidas dançantes e com várias levadas reggae. Aos poucos o pavilhão foi enchendo de gente que fugia da chuva e ficava por ali mesmo curtindo o som.

Skrillex

O Dj sensação do momento tocou ao mesmo tempo que Foster The People e fui obrigado a fazer uma difícil escolha. Mas como já estávamos em lugar legal, próximo do palco e do bar, resolvi que iria fazer inveja a alguns amigos e fiquei pra assistir o show do cara. Skrillex é talvez o nome mais popular do dubstep, o cara já ganhou vários prêmios e, ame ou odeie, ele é foda. Conseguiu fazer todo mundo dançar loucamente dentro daquele pavilhão. Com três telões (que uma hora passaram várias cenas de games) e um show de lasers fantástico, aquele cara magro comandou a multidão. A Heineken, que era um dos patrocinadores do evento, estava distribuindo uns glow-sticks que em certa música todo mundo amarrou na mão e começaram a girar! Foi um show de luzes incrível! Mal posso esperar pra ver esse show completo, pra ter uma perspectiva diferente. Dançamos até a chuva passar, e terminando o show corremos pra tentar pegar um pedaço de outro show em outro palco.

Velhas Virgens

Chegamos no palco Alternativo e a banda já estava presente, discursando sobre como eles se mantiveram por 20 anos na estrada, lançando cds e fazendo shows sem precisar se vender. Realmente, pelo conteúdo das letras da banda, não consigo imaginá-los em uma gravadora grande ou se apresentando no Faustão. Enfim… O show dos caras é cheio de energia e bom humor! Impossível não rir daquele marmanjo só de cueca e peruca rosa no palco amassando uma latinha na testa. Aqui o tempo já estava aquela coisa: garoando e ventando pra caramba. E foi neste show também que tenho quase certeza que vi um dos caras lá do Papo de Homem saindo carregado com o pé machucado.

Arctic Monkeys

Sob chuva e vento, exatamente as 21h30 (aliás, pontualidade foi o grande ponto positivo desse festival, mais um ponto pra organização!) entrou no palco o show principal dessa segunda noite. Também não conhecia muitas músicas da banda, mas o show foi até bem bacana. Os caras tocam bem, e as músicas até conseguiam animar o público (que a essa hora já estava encharcado), eu mesmo fiquei o show todo dançando e pulando, apesar do extremo cansaço. Quando tocou I Bet You Look Good On The Dance Floor foram poucas as pessoas que conseguiram ficar paradas. Mas apesar de tudo isso, a própria banda parecia não se empolgar. Não teve interação com o público, nem um “Good night Brazil” nem nada… Uma pena.

Quando deu uma meia hora pro final do show, 22h30, eu já chamei o pessoal pra ir embora, pra evitarmos aquela bagunça que foi na hora de ir embora do primeiro dia. A saída foi bem mais tranquila, tanto que conseguimos pegar um taxi com preço justo e voltamos pro albergue.

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Chegando no albergue, encontramos o pub cheio e três amigos nossos (que tinham comprado apenas a entrada pro dia anterior) estavam lá bebendo e se divertindo, claro que resolvemos nos juntar a festa. Foi o jeito perfeito de encerrar a viagem, pois ali sim, fomos conhecer ainda mais a turma que estava hospedada por lá.

Tinha um argentino muito gente boa, um chileno, um grupo do Acre, uma turma falando em Inglês mas não consegui descobrir de onde eram e mais os funcionários do albergue… Todo mundo bebendo, dançando e se divertindo junto. Nós secamos o estoque de cerveja do bar, começamos na Heineken, acabou e fomos pra Stella Artois, acabou e fomos pra Brahma. Aí fui inventar de fazer um Submarino, colocando uma dose de Steinhäger no copo e zerei a noite. Não passei mal, mas tive um belo blackout e só no dia seguinte que fiquei sabendo que as 5h da manhã, nós saímos do albergue pra ir comer um lanche.

E esse é o diferencial de se ficar em um albergue, você pode não ter todo o conforto do mundo (dividir banheiro e quarto com gente estranha nem sempre é legal) mas a quantidade de pessoas que você vai conhecer só na hora do café da manhã, é incrível!

Recomendo fortemente que na próxima viagem que vocês fizerem com amigos, procurem um albergue. Sério.

E ano que vem, Lollapalooza novamente ou Skols Sensations. Já estou começando a planejar…

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