TrackMania Turbo | Um game mais sobre pistas e do que carros! (Impressões)

Não é tão surpreendente assim dizer que esta é a primeira vez que joguei um game da série TrackMania. A franquia surgiu em 2003, uma IP pertencente ao estúdio Nadeo desde sempre, mas que mesmo existindo diversas sequências, TrackMania Turbo é o primeiro game da série a chegar a consoles de mesa, neste caso o Xbox One e PlayStation 4.

É até meio assustador pensar que essa é uma franquia que até então só existia na plataforma PC. Estou na torcida para que isso seja daqui em diante um padrão a ser seguido, e que futuros TrackMania continuem saindo neste novo formato multiplataforma.

E com isso já retiro o elefante da sala, ou seja, não espere que eu vá comparar este TrackMania com antigos jogos da franquia. Não vai rolar por uma falta de uma base. E também porque nem sempre é saudável ficar fazendo esse tipo de review comparativo. Estreando em plataformas novas, o melhor é pensar de forma centrada, neste game e só.

TrackMania vs Hot Wheels

Como posso explicar TrackMania Turbo para aqueles que, como eu, estão chegando ou tento a curiosidade de conhecer agora o game? Pensei um pouco sobre isso e acho que faz sentido em comparar um pouco TrackMania com Hot Wheels (aquela famosa marca de carrinhos que muita gente coleciona e muitas crianças são fascinadas).

O caso é que tenho um filho de 3 anos e ele tem muitos Hot Wheels, pois é, tipo assim, o melhor carrinho de brinquedo do mundo, pois é barato (custa entre 9 a 12 reais os modelos mais randômicos possíveis) e é assustadoramente impressionante a resistência destes carrinhos, quase impossíveis de uma criança de 3 anos quebrar. E criança quebra brinquedo… e como!

E eles são baratos porque o que são caros nos Hot Wheels são justamente as pistas e modelos de locações que existem para as crianças brincarem com os carrinhos. Sabe aquela coisa de um mero looping custar 200 reais? E aqueles mais complexos, com um tubarão ou dinossauro que tentam morder o carrinho na pista passam fácil dos 400 reais em algumas lojas. Sim, é um absurdo, mas não é essa a questão aqui.

Como não sou um afortunado que assoa o nariz com notas de 100 reais, o que eu e o meu filho fazemos e que toda a atual geração de crianças sem grana também fazem? Assistimos canais no You Tube que montam e apresentam as mais malucas pistas de Sets/Packs de Hot Wheels vendidos no mundo todo. Porque lá fora eles são mais baratos do que no Brasil, onde tudo é caro (de uma forma generalizada).

Toda essa volta apenas para que você possa imaginar TrackMania como um enorme set de pacotes de pistas que poderiam estar presentes no mundo de Hot Wheels que a criançada adora hoje em dia. Tanto que nos primeiros 5 minutos que coloquei TrackMania Turbo para rodar no meu Xbox One, já veio meu filhinho sentar ao meu lado e dizer o quão legal era esse “jogo do Hot Wheels“. E aí ele tomou o controle da minha mão e eu só voltei a jogar o game quando ele foi para a cama dormir. Justo.

200 Pistas!

Diferente dos games de corrida dentro do gênero mais tradicional, que simula uma certa realidade e traz algumas dezenas de pistas e trocentos carros que existem no mundo real, TrackMania Turbo faz exatamente o inverso, trazendo um game com apenas quatro modelos de carros e 200 pistas criadas em um cenário e componentes baseados em 4 packs de aventura para o jogador desbravar todas. Sim, eu não errei o número… são 200 pistas. Podendo esse número aumentar um pouco mais se você pensar que o game tem um editor de pistas e um criador aleatório de pistas que é insanamente maluco. Mas aguenta um pouco que vou já eu destrincho melhor esse aspecto do game.

O game apresenta então uma variação de 200 pistas divididas em 4 locações distintas: Canyon Grand Drift, Down & Dirty Valley, Rollercoaster Lagoon, e International Stadium. Os nomes meio que entregam um pouco a respeito de cada uma das localidades, um cânion com muitas pistas de terra, um vale com cenário mais verdes e pistas com poças d’água, uma lagoa que lembra um pouco um cenário mais de litoral com enormes sistemas de montanha russa que dá um gelo na espinha fácil, e um grande estádio com diversos aparatos construidos para deixar as pistas mais malucas ainda.

São 50 pistas para cada locação e sim, dá para sentir que elas são diferentes uma das outras e até mesmo os locais são uns mais divertidos do que outros. Meu preferido acabou sendo a Rollercoaster Lagoon que simula pistas como uma montanha russa.

A pegada de TrackMania Turbo é que não se trata de um game convencional de corrida. As mecânicas do game, em quase sua totalidade, são de permitir que o jogador passe por uma pista e a termine o mais rápido possível, sem erros ou capotagens.

Estas pistas geralmente duram de 30 a 60 segundos, presumindo claro que você não vai errar o percurso e começar ela novamente. Isso porque a física do game é bem arcade, e uma curva errada ou acelerada mais brusca e esse movimento te manda para fora da pista sem qualquer chance de retorno para a mesma, a ponto de conseguir compensar o tempo perdido.

E aí está o pulo do gato de TrackMania Turbo. Errou a curva, saiu da pista ou simplesmente saltou e não chegou do outro lado da pista basta apertar um botão (no caso do Xbox One o ‘B’) e o jogo automaticamente reinicia a partida novamente. E eu disse automaticamente, ou seja, é realmente num piscar de olhos. Não há loading ou tempo de espera. Errou, apertou B, recomeçou imediatamente. É simplesmente incrível essa agilidade de recomeçar uma pista.

Não existe loading no game então? Existe sim, mas entre uma pista e outra. Concluiu a pista em seu melhor tempo? Para ir para a próxima, tem que esperar um loading de alguns segundos (não chega a um minuto).  Nada de anormal nisso.

É sobre pistas, não sobre carros.

E conforme mencionei acima, TrackMania Turbo tem esse foco, de trazer muitas pistas malucas, com loopings, com curvas loucas e apertadas, cenários diferentes e outros detalhes que tornam a experiência única ao seu gênero. Com isso o game apresenta apenas 4 modelos de veículos, sendo que cada uma das pistas do game tem seu carro pré-selecionado (você não pode escolher qual usar de forma opcional).

Imagino que isso seja para permitir o sólido sistema de leaderboards que o jogo possui, comparando recordes do mundo todo e também a sua posição regional dentro do game. E é regional mesmo! Tipo Brasil-Sudeste no meu caso! É muito impressionante esse tipo de classificação global e regional. Incentiva pra caramba o jogador a ver até onde ele pode melhorar. Ao final de cada pista é mostrado de forma bem clara a classificação do jogador nestes rankings.

Claro que ao menos personalizar seu carro é permitido. Há várias opções bem interessantes de customização, incluindo padrões de cores, bandeiras de países, tipo de metal e adesivos usado nos carros. No começo boa parte destas opções estão travadas, cabendo ao jogado terminar a campanha e conseguir medalhas de ouro em diversas pistas para abrir mais opções de customizações. Isso não achei tão legal assim. Deveria ter mais opções desde o começo.

Pode parecer pouco essa ideia de carros fixos para todas as pistas e apenas quatro modelos, porém quando você passa a entender que esse sistema permite a melhora a ideia de recordes e deixa o tempos de cada uma das pistas totalmente equilibrado para qualquer jogador em qualquer parte do mundo. Fica parecendo um sistema mais justo e que permite a qualquer um bater qualquer recorde, sabendo que só existe uma opção de carro para cada pista, ou seja, o jogador apenas precisa jogar muito bem e acertar o timing dos drifts, curvas e aceleradas.

Alias acelerar é uma coisa curiosa, pois não é raro algumas pistas lhe enganar, achando que quando mais rápido melhor e, de repente, em um salto cair para fora da pista ou acertar o teto de um túnel. Mesmo com um estilo totalmente arcade, o game preza o timing certo, sem brechas para trapaças ou atalhos (não que eu tenha notado isso).

Fantasmas das corridas passadas!

Um dos features mais legais de TrackMania Turbo é seu sistema de ghosts, ou fantasmas na tradução literal. Na campanha solo, por exemplo, o jogador sempre compete sozinho, afinal não é uma corrida para ver quem chega em primeiro lugar, e sim qual seu melhor tempo em relação a todos os outros jogadores do mundo que conseguiram finalizar aquela pista.

No modo solo, o jogo é dividido por medalhas; bronze, prata e ouro. O próprio game define no caso qual é o tempo a ser batido em cada uma das qualificações. O jogador pode então escolher ao jogar sozinho se quiser ou então ter os fantasmas de cada uma das qualificações competindo ao seu lado, como um fantasma (ou seja, o carro aparece na sua tela, mas não pode colidir ou lhe atrapalhar fisicamente).

Até aí normal. A coisa muda de proporção quando se coloca no multiplayer online. Aí a coisa pira totalmente. O jogo comporta até 100 jogadores online em uma mesa sala, com algumas pistas predeterminadas. Imagine uma corrida contra 100 corredores fantasmas! É realmente insano.

Tipo que… no primeiro obstáculo de uma pista você já percebe aquela nuvem de fantasmas indo embora ou ficando para trás, dependendo se você bateu ou foi adiante. Visualmente é bem maneiro mesmo estas ocorrências nas corridas.

No multiplayer todas as pistas tem um tempo mais do que de sobra para você fazer elas repetidamente. Lembra que expliquei acima o reinício automático da corrida? No multiplayer online seu carro volta a largada e você vai de novo, tentando seu melhor tempo em cada pista da sala. Quando o tempo da corrida acabar, a qualificação é feita pelo seu melhor tempo em todas as vezes que conseguiu terminar enquanto a contagem regressiva rolava.

E não pense que é feio recomeçar a corrida no multiplayer e com isso você não vai mais ver nenhum fantasma. Pelo contrário, se numa corrida de 100, 40 erraram a primeira curva, todo mundo reinicia na mesma hora e com isso o jogo vai formando uma nuvem insana de corredores para todo o canto e reiniciando direto, enquanto não conseguem a volta perfeita e o melhor tempo para cada pista. E quem já acabou, continua correndo contra todos os fantasmas ali, pois ainda perde qualificação para quem vai terminando em tempos melhores, ou seja, você continua tentando melhorar seu tempo. Acabou o tempo da corrida, o ranking é feito pelos melhores tempos e a sala pula para outra pista.

É simplesmente genial! Eu nunca tinha visto algo assim em game de corrida. Achei muito animal mesmo, pois não tem aquela coisa xarope de um batendo no outro, sem colisões por uma quantidade grande de carros e sem trapaças. É tempo contra tempo. Puro e simples. Casa perfeitamente com a proposta arcade do game.

Mais coisas maneiras!

Fora tudo isso, que já faz o game valer a pena, o jogo apresenta outros recursos tão interessantes quanto.

Existe, por exemplo, um modo campanha para dois jogadores na qual ambos controlam simultaneamente o mesmo carro! Sim, dois controles controlando um carro! Ambos precisam virar para a esquerda juntos, ambos tem que acelerar juntos. Caso contrário o carro não responde perfeitamente os controles.

É difícil e meio bizarro esse modo, mas é muito divertido. Os jogadores podem se localizar no volante por meio de duas setas na tela que mostram para onde cada um está apontando o analógico que controla a virada do carro. Na tela também mostra quem está apertando o acelerador e quem está freando. Parece complicado no começo, mas acaba sendo mais pela diversão do que pela precisão esta modalidade de multiplayer.

No modo multiplayer offline, o game ainda permite a tela dividida para quatro jogadores e também um modo onde com um controle cada um pode alternar o controle e ter seu próprio tempo de corrida.

Dentro estes modos de multiplayer, está o divertido gerador de pistas. O jogador pode escolher o tamanho e a locação da pista e o próprio jogo monta a pista para se disputada. Com direito aos jogadores poderem ver o gerador montando ao vivo a pista, peça por peça em uma alta velocidade. Achei um modo interessante de se ver, ainda que seja possível que o jogador monte e construa sua própria pista. Parece legal, mas é o tipo de coisa que eu mesmo não tenho paciência de me aventurar. Sou muito ruim em games de construção de qualquer tipo de estrutura.

Vale ou não vale?

No aspecto geral isso é TrackMania Turbo. Mas antes de concluir o review, não posso deixar de ter a impressão de que somente apresentei os aspectos positivos do jogo e não trouxe nada em torno dos aspectos negativos.

Parando aqui para pensar o jogo não tem muita coisa a ser criticada. Afinal, não tem uma proposta de ser ter uma história em sua campanha. É um game totalmente arcade. Muitas das pistas são difíceis, especialmente conseguir as medalhas de ouro em muitas na campanha solo, porém no multiplayer 150 delas já estão abertas desde o começo (então você consegue testar quase tudo logo de cara).

Ficar frustrado pode ser algo ruim em certos momentos de TrackMania, especialmente quando se repete demais em um pista, mas por outro lado, quando se consegue a satisfação vem em dobro. Não é um game que trava o jogador e não o deixa avançar.

O game também não tem uma variedade de veículos, mas novamente, pela proposta e foco explicado mais acima, faz jus a decisão dos desenvolvedores em não dar mais opções nesse aspecto. Porém se alguém disser que o sistema de customização de partes e cores dos carros poderia ser melhor, eu meio que concordaria com isso, até porque não impactaria nos atributos de performance de cada um dos quatro carros do game.

O preço do game também não é um absurdo, especialmente pensando em outros títulos de corridas do mercado. Na Steam está saindo por 99 reais e nos consoles por 160 reais. Pelo conteúdo e diferencial apresentado, vale seu preço, mesmo com a discrepância do PC vs consoles que todo game no Brasil meio que possui.

Posso concluir que TrackMania Turbo não é um game perfeito, daqueles que merece uma nota 10, mas é um jogo divertido dentro de sua proposta original. Em contrapartida não é aquele game que deveria ser 10 e só não é porque tem muitas pisadas de bola ou furos em sua construção. É um game pra divertir e entreter. Não é um game que você passa horas e horas ininterruptas jogando, mas quando está jogando, está se divertido. Faz sentido isso? Parece que deixei o final um pouco confuso…

Mas é esse tipo de nó que o game dá para quem está conhecendo TrackMania pela primeira vez nos consoles. É um jogo de corrida diferente dos modelos tradicionais, recheados de grandes sacadas e com mecânicas que divertem o jogador. Não é um blockbuster dos videogames ou de seu gênero, mas que também não decepciona naquilo que se propõe a ser. Quem entender isso, vai se divertir horrores com o game.

Quem chegar a TrackMania Turbo esperando um Need for Speed ou um Forza Horizon ou um Burnout pode se decepcionar um pouco. É um estilo diferente. E tudo bem ser assim. O jogo se sai muito bem sendo diferente e ponto.


200 pistas divididas em 4 ambientes
Muitos modos multiplayers divertidos
Boas mecânicas e ótima física
Preza a ideia de bater e melhorar seus recordes
Sistema de criação (manual e automático) de novas pistas
Sistema de personalização poderia ser maior

Sair da versão mobile