Análise | Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition [Versão 3.0.0]

Disponível para Nintendo Switch e Nintendo Switch 2

Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition não tem a pretensão de oferecer uma experiência nova dentro daquilo que a obra já entregou quando lançada em 2020. Contudo, este retorno não surge sem propósito: sua intenção é nos reenergizar, atualizando performance e introduzindo mecânicas facilitadoras, enquanto apresenta uma ideia divertida para tornar sua ilha ainda mais povoada.

É preciso entender que esta edição não é um jogo novo em relação à versão original de Nintendo Switch. Trata-se de uma atualização aprimorada para um novo console, com maior capacidade de processamento e melhor performance.

New Horizons continua compartilhando o mesmo conteúdo em ambas as plataformas. Inclusive o save e todo o progresso da ilha criada originalmente — nada se perde na migração. Ainda assim, quem desejar um novo começo, ou mesmo um reset parcial, encontrará essa possibilidade disponível.

Apesar da versão 3.0.0 trazer algumas novidades em ambos os consoles, esta atualização prioriza a entrega de destaques exclusivos para o Nintendo Switch 2, como funcionalidades que envolvem o microfone do controle, suporte à câmera de vídeo e integração ao sistema GameChat.

O que lamentavelmente esta nova edição não fez foi atualizar o jogo para receber novos idiomas. Isso significa que Animal Crossing: New Horizons continua com sua triste barreira linguística, sem oferecer localização em português. Um dos pontos mais críticos de seu lançamento original, e que infelizmente permanece neste relançamento.

Importante apontar que quem já possui a versão original não precisa comprar o jogo novamente. A Nintendo Switch 2 Edition também está disponível como um Pacote de Melhoria, custando um pequeno valor (R$30) pela atualização. É uma taxa baixa, ainda que seja legítimo questionar se não poderia ter sido gratuita — e talvez pudesse.

Antes de continuar, um recado: ao leitor que busca entender a estrutura do jogo, suas mecânicas fundamentais e críticas observadas no lançamento original, recomendo a leitura da primeira análise da obra, que permanece pertinente, mesmo após cinco anos.

Nesta nova análise, o foco está em avaliar a evolução do jogo ao longo desse período, sua performance no Switch 2 e as novidades trazidas por esta nova expansão gratuita.

Ficha Técnica

Rotina Estável

Apesar das inúmeras atualizações ao longo de seus dois primeiros anos, Animal Crossing: New Horizons não alterou os dogmas fundamentais de sua estrutura. Ele permanece, essencialmente, uma experiência social voltada à construção e manutenção de uma comunidade.

O jogador se muda para uma ilha e aceita um financiamento de múltiplos níveis para adquirir sua casa própria. Isso o motiva a buscar formas de ganhar dinheiro — geralmente por meio da coleta e venda de recursos disponíveis na própria ilha. Não se trata de sobrevivência, mas sim de conveniência: pagar sua dívida significa expandir sua casa e suas comodidades.

Nesse processo, a comunidade cresce gradualmente com novos vizinhos e construções, como lojas e o museu. O jogador também assume responsabilidade direta sobre a infraestrutura da ilha, construindo pontes, redesenhando rios e realizando tarefas de paisagismo, terraplanagem e urbanização.

Durante seus dois primeiros anos, New Horizons recebeu diversas atualizações, culminando na versão 2.0.6 em novembro de 2022. Nesse período, o jogo adicionou diversos elementos — nem sempre necessariamente novos, mas fundamentais para manter a vitalidade da rotina social, especialmente dentro do ciclo anual de eventos e estações.

Entre os destaques do ano inicial, a introdução de novos vendedores como Leaf (plantas) e Redd (arte), criaram novas dinâmicas de decoração, assim como a inesperada mecânica de nadar em torno da ilha e mergulhar em busca de itens e criaturas do mar. O museu, inclusive, foi expandido para acomodar essas novas descobertas.

No segmento online, surgiu a possibilidade de visitar ilhas no mundo dos sonhos ao dormir em uma cama. O jogador também passou a poder registrar sua própria ilha nesse sistema, permitindo que outros a visitassem em uma versão estática, sem impactar o progresso real de sua ilha real.

Ao longo deste primeiro ciclo anual, o jogo recebeu novas reações, mobílias, papéis de parede, pisos, projetos DIY, além da introdução de diversas novas receitas culinárias. Muitos desses elementos foram integrados por meio de eventos sazonais, fortalecendo o senso de continuidade.

Já em novembro de 2021, durante seu segundo ano, a versão 2.0 foi lançada — inicialmente planejada como a última grande atualização. E ela foi, de fato, massiva. Um café foi inaugurado dentro do museu, viagens de barco passaram a levar o jogador a novas ilhas, Harv’s Island tornou-se um centro permanente de vendedores, Gyroids foram adicionados, vizinhos passaram a visitar a casa do jogador, novos personagens clássicos retornaram, e diversas melhorias cosméticas e funcionais foram incluídas. Até mesmo um mini game de exercício aeróbico em frente a prefeitura surgiu para dar mais entretenimento diário.

Esse período também marcou o lançamento do DLC pago Happy Home Paradise, onde o jogador passa a trabalhar em um resort, localizado em outra ilha distante, criando e decorando espaços personalizados para clientes. Além de expandir as possibilidades criativas, o conteúdo também oferecia novas recompensas utilizáveis na ilha principal.

Admito que, na época, Happy Home Paradise não me conquistou tanto quanto eu esperava. O conceito de um “emprego de férias” é interessante, mas sair da minha própria ilha para decorar espaços alheios não me pareceu particularmente atraente. Decorar nunca foi o principal apelo da experiência para mim. Não é um conteúdo ruim — longe disso —, mas seu impacto direto na minha ilha parecia limitado, a menos que eu me dedicasse intensamente a ele. E, honestamente, já tenho trabalho suficiente fora do jogo…

Em seu terceiro ano, o jogo recebeu apenas atualizações menores, focadas na correção de bugs. Nenhum novo conteúdo foi introduzido. E assim a rotina seguiu estável pelos anos seguintes — até que o Nintendo Switch 2 foi lançado, e a Nintendo decidiu que ainda havia espaço para algo novo: um hotel na própria ilha do jogador.

Performance e Hotelaria

Antes de abordar o novo conteúdo, é importante falar sobre a performance da Nintendo Switch 2 Edition.

A melhoria mais perceptível está nas telas de carregamento. Elas não desapareceram completamente, mas estão significativamente mais rápidas. O tempo inicial de carregamento, por exemplo, é cerca de três a quatro vezes menor do que no Switch original.

Durante a jogabilidade, entradas em edifícios e viagens continuam apresentando pequenas pausas, mas agora são muito menos perceptíveis. A entrada em construções é praticamente instantânea, enquanto viagens de avião e barco foram encurtadas, embora a tradicional cantoria de Kapp’n ainda funcione como um carregamento disfarçado, sem opção de aceleração.

Outras melhorias incluem texturas de maior resolução e maior estabilidade na taxa de quadros. Na prática, porém, são refinamentos sutis, que não transformam radicalmente a experiência — até porque o jogo já apresentava boa estabilidade no hardware original.

A atualização também expandiu funcionalidades. O multiplayer agora suporta até 12 jogadores, com integração à câmera e ao sistema GameChat. O Joy-Con 2 também permite controles de mouse para design de interiores e desenhos para estampas, e o microfone embutido possibilita o uso de um megafone para chamar vizinhos específicos.

São melhorias bem-vindas, que tornam a experiência mais fluida e conveniente, mas não alteram profundamente a experiência intencional. E é aqui que entra o novo conteúdo original.

Certamente o hotel é a adição mais interessante da atual atualização e versão de New Horizons. O pequeno píer original se expandiu para receber o novo empreendimento da ilha, que é gerenciado pela própria família de Kapp’n Leilani, sua esposa; Grams sua mãe; Leila, sua filha.

O conceito é um pouco parecido com o de Happy Home Paradise, com o jogador precisando decorar os quartos do hotel, seguindo temas e mobílias sugeridas, sendo que só é possível decorar um único cômodo por dia, num total de 9 quartos. Uma vez que todos estejam decorados, abre-se a possibilidade de redecorar um quarto diariamente, com temas ainda não utilizados.

A integração do hotel direto à ilha principal é a principal diferença ao compará-lo a expansão já citada. Aqui, os hóspedes circulam livremente pelo ambiente, interagindo com o mundo e criando a sensação de que a ilha está mais viva. E mesmo após decorar todos os quartos, novos visitantes continuam chegando regularmente, garantindo interações constantes.

A frequência de novos rostos supera a área de acampamento tradicional, embora esses turistas não possam ser convidados a morar permanentemente na ilha como pode ocorrer com campistas visitantes — ao menos não encontrei essa linha de diálogo nas interações que tive com os turistas do hotel.

Junto com o hotel, novos itens de mobília foram disponibilizados, sendo adquiridos com tickets próprios do estabelecimento, que o jogador ganha redecorando quartos ou realizando tarefas de DIY que são solicitadas em um caixote na entrada do hotel, ao lado de onde Kapp’n agora fica com seu barco.

Exclusivamente para assinantes do serviço Nintendo Switch Online, o jogo recebeu sete consoles clássicos da Nintendo como itens especiais. Estes aparelhos funcionam como emuladores de alguns jogos clássicos. No total há seis jogos podem rodar a partir deles: Clu Clu Land (Famicom), Ice Climber (NES), Ice Hockey (Famicom Disk System), Dr. Mario (Game Boy), Panel de Pon (Super Famicom) e F-Zero (Super Nintendo, versões NTSC & PAL).

Para habilitar esses consoles, é preciso progredir nas tarefas do hotel, até que a lojinha da Grams os receba. Porém, é difícil ignorar que todos esses jogos já estão disponíveis no próprio serviço de assinatura, através dos títulos do Nintendo Classics, sucessor do Virtual Console. Sua inclusão aqui soa mais como curiosidade estética do que como conteúdo realmente novo.

Dá para se dizer que a dinâmica da entrada de um hotel na ilha não muda drasticamente a experiência previamente estabelecida, porém para um simulador social, ter mais personagens dentro do ambiente do jogo faz sentido e dá uma sensação de “vida acontecendo” — o que funciona muito bem.

E não se preocupe em confundir seus vizinhos com os turistas. Dentro do hotel há dois manequins de roupas a qual o jogador pode customizar como bem entender. Ao fazer isso, todos os turistas do hotel passam a trajar somente as duas opções criadas. Inclusive isso permite algumas situações curiosas, como colocar um jaleco médico entre as opções e no dia seguinte ver diversos personagens andando pela ilha parecendo profissionais da saúde— certamente alguns se perguntariam se está rolando alguma convenção pelos arredores.

Altos e Baixos

O que funciona bem:

O que poderia ser melhor:

Considerações finais

Animal Crossing: New Horizons retorna em um momento muito diferente daquele em que surgiu. Em 2020, ele foi mais do que um jogo — foi um refúgio necessário, um espaço de estabilidade quando o mundo lá fora parecia suspenso, vivemos uma pandemia. Em 2026, esse papel já não é tão vital. A urgência passou.

Ainda assim, sua essência permanece intacta. Sua capacidade de nos retirar da realidade, de nos reconectar com tarefas simples e de oferecer pequenas recompensas diárias continua funcionando com uma precisão quase terapêutica. New Horizons ainda é um lugar para recarregar as baterias depois de um dia difícil, seja qual for o tipo de desgaste que esse dia nos causou.

A decisão da Nintendo de revisitar o jogo agora também sugere algo importante: talvez um novo Animal Crossing exclusivo para o Nintendo Switch 2 ainda esteja distante. Este retorno cumpre o papel de manter esse universo vivo — o que é positivo — mas também revela que ainda há um intervalo considerável até o próximo grande salto da série.

Revisitar o jogo em si não é um problema. O que frustra é perceber que algumas de suas limitações mais antigas continuam presentes. A ausência de localização em português ainda é uma barreira real, especialmente para o público brasileiro mais jovem. Da mesma forma, a obrigatoriedade de múltiplos perfis compartilharem a mesma ilha — uma das críticas mais persistentes desde o lançamento original — permanece sem solução, mesmo em um hardware novo que claramente teria capacidade de contornar essa restrição.

O multiplayer online também continua funcional, mas limitado em sua ambição. O uso de códigos de acesso funciona bem entre amigos, mas impede algo mais orgânico: a possibilidade de explorar ilhas desconhecidas livremente, como um visitante silencioso, observando criações ao redor do mundo sem a necessidade de permissões ou coordenação direta. É um sistema seguro — mas conservador demais para o potencial criativo que o próprio jogo incentiva.

Quanto ao Pacote de Melhoria, o valor cobrado é baixo e razoável, mas sua existência ainda levanta questionamentos. Aos assinantes do serviço online, a Nintendo ofereceu melhorias para títulos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Também deu gratuitamente a todos usuários um patch de performance gratuito para Pokémon Scarlet & Violet.

Isso torna difícil não imaginar que New Horizons poderia ter seguido um caminho parecido — especialmente para assinantes já inseridos no ecossistema da empresa. Não é um valor abusivo, mas também não deixa de parecer uma cobrança evitável para uma parcela dos usuários.

Indo adiante, a inclusão do hotel é uma adição surpreendentemente assertiva. Não porque transforma radicalmente a estrutura do jogo, mas porque reforça aquilo que sempre foi sua maior força: a sensação de um mundo vivo. Novos personagens surgem, novas presenças ocupam os espaços da ilha, e a rotina ganha pequenas variações que quebram sua previsibilidade natural. É uma mudança sutil, mas significativa — o tipo de acréscimo que respeita o ritmo do jogo em vez de competir com ele.

Para quem chega pela primeira vez, New Horizons em 2026 é uma experiência mais completa, mais estável e mais rica do que jamais foi. Quem decidir retornar vai se sentir fisgado novamente, seja pelos conteúdos que deixou de ver, seja pelas novidades aqui apresentadas — sem perder a familiaridade que tornou esse mundo especial.

Animal Crossing: New Horizons ainda é um jogo que sabe nos retirar de uma realidade dura para viver uma vida simples — mesmo que sob a tutela de um Tanuki perigosamente convincente, capaz de nos empurrar para um financiamento eterno enquanto nos transforma, silenciosamente, no principal responsável por toda a infraestrutura da ilha. Um gênio maquiavélico. Fofinho, peludo… e absolutamente consciente do que está fazendo.

Galeria

1 / 60

Dando nota

Em termos de performance, o destaque fica para as telas de carregamento mais ágeis - 8
Hotel é uma adição de conteúdo que dá uma nova dinâmica a ilha do jogador - 8.8
Preço do Pacote de Melhoria é honesto, mas questionável se necessário - 7
Novas funções para o multiplayer online aprimoram significativamente a experiência - 9
Comparado ao material original, existe uma significativa evolução de conteúdo após tantas atualizações de conteúdo - 8.8
Pontos críticos original continuam, como ausência de localização PT-BR e uma ilha por console - 6
Mesmo sendo um momento diferente de 2020, a fórmula segue imersiva e prazerosa - 8.5

8

Renergizado

Animal Crossing: New Horizons - Nintendo Switch 2 Edition faz um bom retorno, em um momento diferente de seu lançamento original, é verdade. Felizmente é uma fórmula que funciona, independente do momento. É uma experiência que nos retira do estressante muito real, oferecendo uma vivência imersiva num mundo mais simples. A nova versão otimiza algumas funções no Switch 2, mas sem revolucionar, entretanto a adição do Hotel, esta sim traz uma nova dinâmica em sua ilha, a deixando mais viva, mais interessante. Pontos críticos do lançamento original permanecem e a persistente falta de localização em português segue como um infortúnio. No geral, a nova edição revitaliza, mas não transforma. Mantém a essência da versão original, trazendo toda a evolução que o título teve ao longo destes últimos anos.

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