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Análise | Animal Crossing: New Horizons

Disponível para Nintendo Switch

Animal Crossing: New Horizons chega ao mundo em um momento complicado da história da humanidade, e chega como uma excelente válvula de escape para um mundo em quarentena, isolados em nossas próprias ilhas pessoais. Enquanto nossa realidade soa calamitosa, o mundo encantador de Animal Crossing entrega o melhor que a fantasia pode entregar em tempos em que precisamos ir além de nossos isolamentos.

O título mantém seu desenvolvimento pela própria Nintendo, assim como foi com todos os jogos anteriores. Mantém nomes importantes dessa equipe, como Hisashi Jogami (produtor) e Aya Kyogoku (diretora), a qual ambos trabalharam em todos os títulos anteriores da franquia.

New Horizons também marca o retorno da série com peso em um console de mesa da Nintendo, que surgiu lá em 2001 em uma versão para Nintendo 64 que nunca saiu além do mercado japonês, porém que no mesmo ano ganhou uma versão aprimorada no saudoso Nintendo GameCube, esta sim lançada globalmente e que fez um tremendo sucesso. Após isso a franquia teve sua glória no Nintendo DS (Wild World em 2005) e Nintendo 3DS (New Leaf em 2012), passando um pouco apagado pelo Nintendo Wii (City Folk em 2008) e Nintendo WiiU (Amiibo Festival em 2015). É um retorno glorioso da franquia Animal Crossing, possivelmente desde 2012, quando New Leaf foi muito bem aclamado no Nintendo 3DS.

Para aqueles não habituados com Animal Crossing, será um dos propósitos desta análise tentar explicar o porquê esta é uma franquia tão querida e tão singular no mundo dos jogos eletrônicos, enquanto tento pontuar o que ela faz de diferente em relação as suas antigas versões, que moderniza bem alguns de seus elementos para soar condizente com o que os jogos podem oferecer hoje em dia.

A fantasia em tempo real

Para quem nunca jogou Animal Crossing é importante entender que o mundo dentro do jogo passa juntamente com o tempo presente no mundo real. Sempre! Ou seja, dias passam como passam por aqui. Se você entrar no jogo pela manhã, será de manhã. Se entrar a noite, será noite. O game respeita o relógio digital do console, assim como a opção de escolher o lado do hemisfério do planeta que respeite a estação do ano de seu continente. Agora por exemplo, é outono no hemisfério sul (onde estamos) e primavera no hemisfério norte (Estados Unidos, por exemplo).

Ou seja, ninguém ainda pode ver como o jogo se comportará no inverno, que é quando todo o ambiente fica coberto por neve. Bem… até dá para ver, pois você pode trapacear e mudar o relógio do Nintendo Switch e fingir que está no inverno, mas o que você veria é o que a programação do jogo hoje possui. Não significa que daqui alguns meses, quando chegar efetivamente o inverno no hemisfério sul, a Nintendo não possa, por meio de uma atualização, inserir ainda mais coisas nesse período do ano.

Com isso em mente fica mais fácil dizer que a progressão no mundo de Animal Crossing é bem lento em seus primeiros dias. Não dá para “fechar” o jogo maratonando nele. Trata-se de um jogo singular, quase como um simulador para vivenciar uma vida em um mundo cheio de peculiaridades. É um título que lhe dá pequenas missões todos os dias, e com isso, parte do resultado só é apreciado no dia seguinte.

Não quero colocar aqui que Animal Crossing é um jogo do tipo “fazendinha“, porque na realidade ele é muito maior do que esse subgênero de jogo. É mais fácil dizer que jogos de fazendinha são um minúsculo elemento do que você pode encontrar em Animal Crossing. Está mais para um simulador social de construção de uma comunidade, a qual o jogador chega a um lugar novo, neste caso uma ilha, e passa a viver socialmente com outros habitantes. O jogador vai interagir com eles, enquanto tem habilidades de fazer o lugar crescer e expandir, com novas lojas, museu, convidar mais vizinhos e por aí vai. É algo gigantesco.

Entretanto, tal qual qualquer comunidade no mundo real, as coisas não se constroem em um estalar de dedos. Seja imóveis, seja vínculo social. No máximo aqui, elas surgem de um dia para o outro. Por isso é tão importante se entender que este é um jogo que se passa em tempo real.

Vale, inclusive, observar que enquanto escrevo este texto, estou apenas no quinto dia de experiência no jogo. Ainda tenho muito a ver e fazer pelos próximos dias. Há habilidades que ainda não abri (porém sei que existem), há situações que ainda não vivenciei (mas que sei da existência), lojistas e comerciantes que ainda vão surgir para integrar a minha comunidade. Porém eu já conheço Animal Crossing, seu DNA. E pelas experiências que tive com o título neste último final de semana, já considero o suficiente para o colocar em palavras o quanto esta é uma fantástica adição a franquia e a biblioteca de jogos do Nintendo Switch.

Bem vindo à ilha

Diferente dos jogos anteriores da franquia, em Animal Crossing: New Horizons, o jogador é convidado a viver em uma ilha paradisíaca. Nas versões anteriores normalmente você chegaria a uma vila ou uma cidade para morar perto de outros moradores já estabelecidos aqui, com lojas ou um meio caminho andado para uma rotina comum de vida. Aqui não, você é jogador em uma ilha e começa tudo a partir do zero, em uma cabana no meio do mato (ou da praia), juntamente com mais dois desconhecidos e uma família de guaxinins (tanuki) que vão lhe ajudar a expandir a comunidade dessa ilha.

Uma das característica principais de Animal Crossing, o que justifica seu título obviamente, se dá pelo fato de que os jogadores sempre são humanos, enquanto que todos os NPCs do jogo são identificados por meio de animais antropomórficos. Esse é um dos grandes pontos de charme do jogo. New Horizons tem novos animais, enquanto também mantém alguns dos habitantes clássicos dos jogos anteriores. Porém nem todos ainda estão aqui, o que talvez seja um indício de que a Nintendo possa ter planos para alguns deles em futuras atualizações e eventos sazonais.

Inicialmente a construção de seu personagem, o avatar do jogador, é bem simples. São poucas opções de customização, porém o game alerta que conforme a progressão for realizada, novos meios de atualizar seu visual serão desbloqueados. Então não fique chateado se não existir um conta de cabelo ou uma roupa inicial que vá lhe agradar. Mais a frente do jogo tudo poderá ser modificado, exceto o nome que você escolher para seu personagem. Um dos grandes pontos da franquia é esse alto poder de se expressar dentro do jogo, modificando seu personagem da forma como estiver seu humor no dia.

O primeiro dia nessa ilha, a qual pude escolher entre quatro opções de layout, é para situar o jogador com o básico mesmo. Você escolhe onde irá morar, assim como pode deixar seus dois vizinhos escolherem ou você pode escolher por eles. Com isso vai aprender também as funções básicas como pescar e coletar animais, assim como coletar recursos, a qual já direi mais sobre seu propósito, que traz algo diferente em relação aos jogos passados da franquia.

A primeira meta do jogador é doar alguns peixes ou insetos para que Blathers, uma simpática coruja que existe desde o primeiro jogo de 2001, ache interessante criar um museu em sua ilha. Isso leva em torno de três dias para acontecer. E é também uma das primeiras metas grandes do jogo: coletar toda a vida animal (peixes e insetos) que há no jogo. Só que é preciso saber que muitos insetos ou peixes tem condições para aparecer, seja em um certo horário do dia ou até mesmo somente em certas estações do ano. Há um forte elemento colecionável vindo desse aspecto do jogo.

Nos dias seguintes, sem ficar detalhando demais para não estragar a sua surpresa, você descobrirá que pode mudar a sua cabana de acampamento para uma casa, enquanto aprende a explorar mais a fundo a ilha (algo que não dá para fazer no primeiro dia), assim como Tom Nook (o guaxinim) vai lhe dar novas missões diárias, enquanto você também encontra meios de ganhar dinheiro para pagar o financiamento inicial da casa a qual ele construiu para você não ficar morando em uma barraca no meio do mato.

Com isso a sua ilha vai crescendo e tomando forma. Deixando de ser uma pequena ilha abandonada para um resort paradisíaco, com mais habitantes, mais lojas, um museu e toda uma rica customização que a série sempre permitiu, mas que aqui sabe ir um passo além.

Esse é o básico de Animal Crossing, de toda a franquia em si. É uma experiência paralela de uma vidinha amigável em um mundo de fantasia a qual animais são seus amigos. Faça tarefas cotidianas, expanda sua comunidade, aprenda novas coisas, colete itens, faça dinheiro vendendo basicamente qualquer coisa, compre e customize sua casa, seu avatar, o mundo ao redor. Todo dia há missões novas, muitas vezes visitantes que só estão ali naquele dia em si, com eventos e pequenos momentos cheio de charme e encanto.

Repaginado e atualizado

Animal Crossing: New Horizons mantém boa parte da fórmula consagrada da franquia, porém renova em um sistema de pontuação de metas e construção de itens. Chega ao ponto de ser tão familiar a quem já tem qualquer experiência prévia com a série que é fácil ter a sensação de olhar para as novidades e se questionar se isso já não estava presente nos jogos anteriores. São adições muito naturais e orgânicas ao DNA do jogo.

A começar pelas milhas, ou metas para ficar mais claro. Agora há todo um sistema de pequenos objetivos dentro do jogo que rendem pontuações que podem ser trocadas por melhorias permanentes para seu personagem, assim como um ticket para viajar para outras ilhas sem a necessidade de uma conexão online (ou do serviço de assinatura online da Nintendo). Em grande parte funciona também como um mini sistema de conquistas, algo tão presente nos consoles concorrentes do Switch.

Estas metas consistem em… jogar o game. Fazer coisas pela primeira vez, fazer estas coisas em uma quantidade ainda maior, além de descobrir coisas novas que você não imagina que poderiam ser feitas. Tudo isso rende pontos e aí o jogador pode trocar por estes itens bônus. Dá para expandir o inventário, ganhar novos cortes de cabelo, novos itens de construção e por aí vai. Normalmente são upgrades permanentes dentro das possibilidades do jogo.

Esse sistema dá um gás ao jogo, pois dá uma sensação de progressão ao jogador dentro dos menores atos realizados diariamente a sua experiência de viver em uma ilha. Fora a progressão mais hardcore que implica em continuar expandindo. É uma satisfação positiva, que torna recompensador pequenos atos, jogando pra longe a sensação de repetição que coisas pequenas poderiam passar ao jogador.

Indo adianta, esta é a primeira vez que Animal Crossing vem com um sistema de crafting (construir itens). Agora o material recolhido na ilha, seja pedra, mato, madeira e tantos outros itens que no passado mais serviam para que o jogador vendesse para ganhar dinheiro, agora são itens que se tornam materiais de construção. O jogador constrói, desta vez, as clássicas ferramentas da série, como a vara de pescar, a pá, o machado e afins.

E estas ferramentas, tão importantes do jogo, não são mais de uso permanente. Elas se deterioram e quebra depois de um certo tempo, exigindo que o jogador construa novas ferramentas. Ah e não se preocupe: conforme o jogo avança, construir ferramentas mais resistentes vão ser uma opção.

Esse esquema de construção é fortemente inserido dentro da fórmula por meio de receitas DIY – Doing Yourself In, que em nosso idioma seria Faça Você Mesmo. Esse alias é outro tipo de colecionável do jogo. Vizinhos lhe dão receitas DIY, na praia diariamente pode se encontrar uma garrafa contendo uma DIY, as missões principais do jogo estão muitas vezes condicionadas a aprender certas coisas por meio de uma DIY.

Talvez você pense se esse esquema de construir coisas e coletar materiais seja realmente tão legal assim. São coisas que os jogos meio que saturaram nessa geração, fora aqueles que se baseiam demais em tais mecânicas e comprometem o ritmo e a paciência do jogador. Eu entendo perfeitamente esse pensamento. Mas não acho que chega a comprometer a qualidade da fórmula de Animal Crossing.

Primeiro porque são elementos que não se tornam desnecessariamente complexos aqui. As construções não demandam tanto do jogador. Uma das primeiras coisas que você aprende, por exemplo, é criar uma mesa de construção, pois assim não precisa ir toda hora na cabana do Tom Nook usar sua mesa. Ao ir para outras ilhas (e já chego nessa parte) há uma mesa de construção no começo da ilha. Ou seja, é prático e simples. Não é um sistema que exige coletar um milhão de itens para criar uma caixa de fósforo. Longe disso, ele mantém os materiais simples e a construção ágil.

Além do quê, o título não reverteu tudo para crafting. Não quer fazer seus próprios móveis? Não faça. A lojinha de itens, com novos itens todos os dias, assim como promoções, continua existindo. As ferramentas ficam quebrando? Não se preocupe que logo você aprende a fazer algumas que duram o suficiente para você esquecer que eventualmente ela irá quebrar.

Mas é legal que esse sistema se faça presente aqui. Pois há situações em que você quer fazer um objeto em escala, como uma certa, e pode simplesmente construir ao invés de comprar dezenas de itens. Há situações em que você quer guardar o dinheiro para pagar o financiamento da sua casa (e aí depois fazer um novo expandindo-a) e não pode gastar com itens, e aí você mesmo constrói o que quiser com os materiais da ilha. É uma opção. E mesmo quando está atrelado a alguma missão principal, nunca é exaustivo como outros jogos com tal sistema muitas vezes impõe.

É uma forma de modernizar o jogo. De manter o jogador entretido por mais horas. Seja coletando objetivos, seja construindo novos itens e ferramentas. Porém há mais: eventualmente os jogadores podem assumir o papel de construtores da sua própria ilha, criando novos espaços de terra, diferentes tipos de terreno, criar pequenos morros, rios, cachoeiras e afins. Sim, é Animal Crossing sendo Minecraft, de uma forma muito simples, mas ainda assim viciante.

Pessoalmente ainda não cheguei nesse ponto do jogo. O que levaria alguns mais dias. Porém é um elemento conhecido desta edição, muito bem pontuado pela Nintendo antes de seu lançamento. Dar a liberdade do jogador customizar não só a sua casa, seu personagem, e também a sua própria ilha. Para quem é veterano em Animal Crossing entende de imediato como essa é uma grande adição à série. Quanto mais você pode mexer e mudar, mais com a sua identidade o mundo do jogo fica.

Provavelmente estas não são as únicas adições à fórmula de Animal Crossing que New Horizons possui, entretanto são as que mais me chamaram a atenção. Há coisas menores é claro, como a vara para pular rios ou uma escada para subir pequenos morros. Ferramentas que parecem fazer sentido dentro da cartilha de elementos que o título tem a oferecer e que agora, em um console robusto como o Switch, podem existir. E vamos adiante que há mais para se relatar!

Sua ilha ou a ilha da família?

Entramos em uma área contraditória desta análise: a questão do slot save e da forma como a ilha do jogo funciona dentro de um console com múltiplos perfis. O ponto é o seguinte: cada Nintendo Switch possui apenas uma ilha e todos os perfis presentes neste console compartilham a mesma área.

Para alguns isso não deve soar um problema, mas eu tive alguns percalços com isso no último final de semana, quando me vi dividindo a ilha com minha esposa, que é fã da série, e meu pequeno de 7 anos, que está sendo apresentado agora ao que é Animal Crossing. A começar do problema mais visível: apenas um perfil primário parece ser responsável por ativar alguns eventos na progressão, com os demais jogadores apenas podendo usar algo depois que o perfil primário o ativar.

Ficou complicado? Melhor dar um exemplo. O meu perfil ficou como o principal da progressão, então em um dos eventos dos primeiros dias há uma missão que envolve aprender a fazer uma ponte. Nesse dia em questão, só pude entrar no jogo há noite, e minha esposa jogou boa parte do dia sem que nada tivesse ativado essa missão. Ou seja, ela não podia progredir enquanto eu não entrasse com o meu perfil de desse continuidade as missões diárias que avançam o jogo. É meio chato isso, pois imagine que o perfil primário pare de jogar… não é possível passar esse bastão para os demais perfis da família que quiserem continuar a progredir. Não gosto dessa decisão criada para o jogo.

Quando a Nintendo veio anunciar que a ilha seria compartilhada por todos os perfis de um console, imagine que isso significava apenas o layout escolhido para a ilha, no máximo que os mesmos habitantes seriam colocados inicialmente e que a casa dos membros da família iria aparecer uns ao outro. Mas tirando isso, a forma como cada perfil progride seria realizada de forma individual, assim eu poderia começar hoje e abrir o museu daqui três dias, enquanto outro perfil que começasse daqui uma semana, não chegaria a uma ilha já com o museu funcionando. Sei lá, não me pareceu legal o que fizeram. E não sou o único incomodado com isso.

Sendo assim, Animal Crossing: New Horizons funciona quase como uma progressão coletiva em um mesmo Nintendo Switch, com a atenção de que o primeiro a criar a ilha fica como perfil primário e precisa ativar certos momentos do jogo, enquanto pode contar com a colaboração dos demais perfis para ajudar em certos momentos, como coletar material ou realizar construções de itens necessários a missão. Ao menos cada perfil compartilha seu próprio montante de dinheiro e seu próprio inventário.

Logo em seguida, me parece apropriado falar do multiplayer local. Separando os joy-cons, é possível convidar localmente que o morador de um perfil do console apareça enquanto um perfil já esteja jogando o game. Esse convidado pode andar junto ao jogador principal, mas não pode abrir seu inventário e nem recolher materiais para si. É um acesso bem restrito, o personagem sequer consegue travar a tela. Se o jogador principal ir para muito longe, esse jogador convidado apenas some da tela e reaparece ao lado do jogador. É um coop condicionado a acompanhar o jogador principal, podendo interagir de forma bem restrita. É uma modalidade interessante, mas não tem nada demais.

A coisa muda um pouco na parte do multiplayer online, ainda que aqui também tenha algumas críticas. Tal qual se poderia esperar, os jogadores podem visitar a ilha de seus amigos, assim como de desconhecidos. Infelizmente parte disso parece condicionado a seus amigos estarem online no momento em que quiser viajar, ou inserir um código para um jogador aleatório (há diversos grupos na internet compartilhando códigos) e também acessar no momento em que ele estiver online. Bem, eu não consegui fazer isso funcionar muito bem. Não tenho no momento muitos amigos com o jogo nesse momento e também não dei muita sorte com alguns códigos testados em fóruns público. É um online bem condicionado a combinar com outro jogador que esteja online para poder visitar sua ilha. Não há a opção de visitar alguém de forma aleatória, visitando sua cidade, contando que o mesmo combine que ela fique com os portões online abertos.

O que existe, para substituir isso, são as ilhas offline que o jogador pode visitar comprando uma passagem com as milhas recebidas com o sistema de metas e objetivos. São ilhas pequenas, mas são nelas que o jogador pode convidar mais três habitantes para a ilha. Estas ilhas são ótimas para coletar recursos extras, como aquelas que vem das pedras. Nestas ilhas também se pode encontrar frutas diferentes da existente na sua ilha, podendo levar tudo que conseguir (e seu inventário permitir) para si. O ponto ruim é que estas ilhas sempre vão estar na mesma estação do ano que a sua, enquanto na modalidade online, você pode se conectar com um amigo do outro hemisfério do globo e ver uma estação diferente.

Considerações finais

Animal Crossing: News Horizons é uma incrível experiência que honra a tradição de uma série que sempre trouxe muita alegria para aqueles que genuinamente abraçam sua proposta. É algo diferente do senso comum. Não é um jogo de aventura, ou de ação ou tiro em primeira pessoa. Está longe de ser um RPG, ainda que abrace a ideia de uma progressão casual a qual seu mundinho em particular cresce e se aprimora conforme se insiste em continuar jogando-o. É uma fórmula singular e muito original quando se pensa que surgiu há quase 20 anos atrás, mantendo-se bem fiel ao que foi o primeiro Animal Crossing.

Esta análise ainda não cobre tudo que poderia ser mencionado em torno do jogo. Não falei da customização de roupas, de poder criar estradas, da roda de emoções, do modo fotografia, dos diferentes tipos de materiais de construção, da interação com o ambiente, tais como objetos e árvores. Nem mesmo mencionei da possibilidade de mandar presentes para amigos ou outros membros da família que compartilha o mesmo perfil. São pequenos detalhes que enaltecem muito toda a experiência do jogo.

Talvez um destes muitos detalhes não abordados seja interessante de se mencionar aqui. Gostei da adição da super habilidade ao se comer uma fruta, que permite destruir rochas (você não deve fazer isso a menos que seja realmente importante tirá-la do lugar – porém saiba que pode levar dias para que outra surja na sua ilha, e você pode precisar os materiais que as rochas dropam), assim como também é possível pegar com a pá e retirar uma árvore inteira do lugar, permitindo replantá-la em outro local desejado.

Um lamento que posso fazer ao título é sobre sua localização, pois não temos a opção de idioma em português para a experiência de jogo. E como faz falta isso para as crianças. Meu pequeno gostou, mas não o suficiente para cativá-lo, pois a todo momento eu tenho que auxiliá-lo, explicando o que fazer, já que existe uma grande barreira de acessibilidade para àqueles não habituado com o inglês. E há bastante texto. Parte da experiência do jogo é a interação social com os habitantes da ilha. Não dá para evitar isso.

Nos aspectos técnicos Animal Crossing: New Horizons detém máxima qualidade. Há uma bela apresentação inicial, ainda que a curva inicial para a história engrenar é seja bem segmentada em vários dias. O que não é um problema necessariamente, pois este é um jogo aberto que não tem como objetivo chegar a algum final. É um título que aos mais apaixonados irá render incontáveis horas o ano inteiro. Graficamente é impecável com sua arte, preocupada com os mínimos detalhes, desde os acessórios nas roupas, as ondas no mar e suas pegadas na praia, a forma como folhas caem das árvores e todas as expressões que os personagens possuem ao expressar suas emoções. É uma arte que parece simples, mas é no charme e nos retoques que dão o tom mágico e cativante que a franquia sempre entregou. E a trilha sonora também segue no nível de qualidade das edições anteriores, dando serenidade e tranquilidade independente das horas em que você ficar jogando nesse incrível mundinho.

Animal Crossing: New Horizons é exatamente aquilo que os fãs poderiam pedir da franquia em seu retorno a um console de mesa da Nintendo. Trouxe a experiência clássica da franquia, atualizada e repaginada para condizer com parte da experiência que os jogos também possuem hoje em dia. O sistema de construção e de metas e objetivos casa perfeitamente com a proposta do jogo. A única coisa a se lamentar, que tira pontos da nota final, é a decisão da questão da ilha e perfil primário para a família que joga junto em um mesmo Nintendo Switch. Foi uma decisão de desenvolvimento ruim, que não consegue me agradar. Talvez a Nintendo pense que cada membro da família precisa ter seu próprio Switch e sua própria cópia do game. O que talvez funcione lá no Japão, mas sabemos que aqui algo assim não viável no bolso da família brasileira.

Em tempos tão tenebrosos, em meio a um cenário de pandemia, de quarentena e distanciamento social no mundo real, Animal Crossing: New Horizons chega como uma brisa refrescante para aonde todos podemos fugir. Em meio a um final de semana que passei muito estresse com esse cenário de um vírus que vem assolando o planeta, admito que Animal Crossing me tirou totalmente desse caos. Foi um alívio ver minha esposa e meu pequeno se divertido com o jogo, esquecendo um pouco todo esse mal estar da realidade. Até eu consegui fugir para o mundo da fantasia, preocupado em coletar insetos e fósseis para o museu de Blasther, e deixar um pouco de lado as notícias desse mundo. Obrigado a Nintendo por me proporcionar algo tão maravilhoso, em tempos tão complicados. É um título que irá marcar a minha história com videogames.

E quanto tudo isso passar, Animal Crossing: New Horizons ainda será um jogo incrível, cheio de charme, encanto e simpatia. Um jogo que vicia, mas de um jeito gostoso, sem dar raiva, sem fazer mal. É divertido, é inteligente e não abusa de elementos que reciclam demais sua própria jogabilidade. Tudo no game é extremamente agradável. Venha para essa ilha, estamos todos precisando.

Galeria

Dando uma nota

Fórmula consagrada da série segue sem revoluções, manténdo o DNA esperado - 9.5
Novidades agregam e funcionam, tornando sua jogabilidade ainda mais cativante - 9
Progressão é lenta, porém justificada com a ideia de jogar um pouco todos os dias - 8
Multiplayer marca a presença, ainda que não seja o ponto de virada que talvez pudesse vir aser - 7.9
Uma ilha por console é aceitável, mas é mancada o conceito do perfil primário segurar a progressão geral dos demais perfis - 6.5
Falta de localização prejudica a acessibilidade a um público mais infantil, sem a habilidade com o inglês - 7.5
Delicioso título para família, cria uma experiencia que a Nintendo aprecia muito - 10

8.3

Incrível

Animal Crossing: New Horizons é um forte candidato a ser um dos melhores jogos da franquia. Mantém a fórmula e o DNA consagrado de suas versões anteriores, mas adiciona muito ao entregar novidades como sistema de construção de itens e melhor foco em metas e objetivos que geram objetividade a sua progressão. E sim, a progressão é lenta, porém está dentro da proposta da série. Multiplayer cumpre sua parte, mas mantém aquela visão mais restritiva que a Nintendo tem com seus títulos. Seu maior tropeço fica por conta da ideia de uma ilha por console e perfil primário que precisa seguir jogando, e uma sentida falta de localização em português para atrair as crianças mais novinhas. Um título viciante, apaixonante e que detém uma longa cauda de conteúdo para meses de jogatina.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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