Análise | Scott Pilgrim EX

Disponível para PlayStation, Xbox, Nintendo & PC

Scott Pilgrim EX surge em uma nova aventura dimensional, que chegou esta semana, em 3 de março. Foi desenvolvido e publicado pela Tribute Games Inc. e abrange os gêneros ação, aventura, beat’em-up em 2D e multiplayer de cooperação.

Estamos falando do mesmo estúdio responsável pelos excelentes Flinthook, Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge e Marvel Cosmic Invasion, títulos que se sobressaem tanto pela competente direção em pixel art, quanto pela jogabilidade, inclusive os dois últimos mencionados, também do gênero briga de rua com altas avaliações pela crítica e comunidade.

Scott Pilgrim EX chega para todos, com versões para PC (Steam), PlayStation 4PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. O jogo possui legendas em português, o que ajuda muito na compreensão do que precisamos fazer e no entendimento da aventura, porém em algumas plataformas talvez seja preciso ir até as opções da tela inicial para selecionar nosso idioma.

Após anos desde a última adaptação jogável da franquia, feita pela Ubisoft, Scott Pilgrim EX chega como algo além de uma simples revisita ao passado. Não é remaster, não é remake. Trata-se de uma experiência inédita, ambientada no mesmo universo criado por Bryan Lee O’Malley, com participação direta do autor inclusive, trazendo novamente uma aventura e ideias para um beat’ em-up moderno com estética retrô. O jogo tem enredo totalmente inédito e mecânicas repensadas em relação ao jogo anterior, expandindo ideias, mundo e movimentos — e novos personagens jogáveis, claro!

Trindade do Mal / Mundo e Narrativa

Scott Pilgrim EX é uma aventura original ambientada em Toronto no ano fictício de 20XX, quando a cidade foi fragmentada por forças misteriosas e caiu sob o controle de três facções rivais, os Veganos, os Robôs e os Demônios.

A história começa quando os companheiros de banda de Scott Pilgrim são sequestrados por entidades desconhecidas, puxando Scott, Ramona e outros aliados para uma jornada caótica através de bairros urbanos estranhos — incluindo ruas infestadas de inimigos e áreas místicas.

Tudo com temáticas propícias e, obviamente, misturando até mesmo algumas referências de outros clássicos, como plantas piranhas e cascos de tartarugas (soa familiar?), tudo temperado com um humor divertido e ácido.

Todo o roteiro foi escrito pelo próprio Bryan Lee O’Malley, o criador da HQ original, o que confere ao jogo um tom autêntico, engraçado e referencial, mas que ao mesmo tempo o distancia da história anterior, criando algo novo para todos os tipos e fãs, dos antigos ao novatos que vão conhecer Scott somente agora.

Toda essa loucura narrativa funciona como um bom fio condutor para o bom funcionamento das mecânicas do jogo, especialmente ao conceito de como explorar seu mundo, interconectado e repleto de fendas interdimensionais.

Pixel Art em destaque / Gráficos

Perceptível com as imagens que ilustram a análise, o que temos aqui é jogo que investe em uma pixel art detalhada e animada, com uma pegada do estilo retrô para nos remeter aos beat’em up clássicos lá dos anos 90.

Tudo, dos personagens aos cenários, recebe animações cuidadosas e cheias de personalidade, com detalhes como piscadas e efeitos coloridos intensificando os golpes e explosões. Mesmo quando a tela se enche de inimigos e a luta fica caótica, a ação permanece clara e empolgante.

O jogo é bem colorido, possuindo cores vibrantes e variadas, indo de bairros urbanos sujos a áreas exageradamente fantásticas. Se prepare para visitar os locais mais inusitados como armazéns com robôs, praias, casas mal assombradas e até palcos de shows. O visual sempre brinca com estilos de videogames antigos —como fases que lembram arcades ou jogos de plataforma — sempre mantendo um equilíbrio entre a pegada nostálgica e a moderna.

Em termos comparativos, Scott Pilgrim EX tem uma atenção e riqueza gráfica bem maior do que o jogo de 2010, e remasterizado em 2021, Scott Pilgrim vs. The World: The Game, que adapta (com bastante liberdade) a HQ original.

O novo jogo entrega mais pixels por personagens, por objetos de cenários, assim como a câmera tem perspectiva mais ampla, dando mais atenção as dimensões de cenografia. Visualmente ambos os jogos ainda compartilham alguns trejeitos visuais, mas somente porque estão fortemente inspiradas na própria arte original dos quadrinhos de O’Malley.

Na batida da trilha sonora / Som

A trilha sonora de Scott Pilgrim EX é novamente assinada pela banda Anamanaguchi, banda famosa por sua mistura de chiptune e rock melódico, combinação que já conferimos na franquia no passado e retorna aqui com faixas totalmente novas e originais.

A trilha de Anamanaguchi funciona não apenas como pano de fundo para as fases, mas como um elemento ativo de jogo, já que as “batidas” agitam as lutas, impulsionam a nostalgia e dão um ritmo às batalhas, o que nos lembra então o impacto que a música tem em todo universo da série em si, games, cinema, televisão e quadrinhos.

Briga dinâmica / Jogabilidade

O combate de Scott Pilgrim EX foi projetado para ser dinâmico, responsivo e cheio de estilo, evocando tanto os clássicos beat’em up quanto soluções modernas de ação 2D. A essência aqui é simples de entender, mas difícil de dominar: os jogadores combinam golpes básicos, esquivas e movimentos especiais para criar combos fluidos e impactantes, improvisando com o que o cenário oferece.

Mas ao invés de apenas apertar os botões repetidas vezes, existem janelas de timing, variações de ataque e transições que permitem o encaixe de socos, chutes e habilidades de maneira suave, criativa e mortal para os inimigos. Como se isso não fosse suficiente, o jogo apresenta armas encontradas no ambiente e objetos que podem ser arremessados nos inimigos, como bolas de vôlei, espadas, bastões de beisebol, caixas, cetros mágicos e muito mais, muitos itens do cenário acabam se tornando parte da luta.

Até mesmo um comando de bloqueio para defesa se faz presente aqui, o que é um pouco incomum dentro deste gênero. Tanto o jogador, como os inimigos podem utilizar, impedindo a realização de combos. Contudo, os agarrões ainda são recursos valiosos, permitindo agarrar adversários, bater um pouco neles, para logo em seguida arremessá-los em quem estiver próximo tentando interromper sua estratégia.

Cada um dos sete personagens jogáveis possui um estilo de combate único, com habilidades que influenciam como você aborda diferentes encontros. Não vou falar de todos para não tirar a surpresa, mas como você já deve de saber é óbvio que Scott e Ramona estão como selecionáveis, então vou me restringir a falar deles aqui.

Scott Pilgrim apresenta o equilíbrio entre força e rapidez, fazendo dele um personagem versátil, bom tanto em combate corpo a corpo quanto em combos, ideal para jogar o jogo pela primeira vez. Já Ramona Flowers é a representante mais ágil, capaz de se deslocar rapidamente e conseguir atacar de ângulos menos convencionais.

Obviamente ao se jogar em multiplayer ter personagens que se completam nos combates se torna peça chave para a fluidez da aventura, o que torna essa diversidade extremamente funcional, já que ela incentiva o jogador a experimentar diferentes estratégias, combinando as forças de cada personagem conforme o desafio apresentado.

Ao contrário de sistemas tradicionais de RPG onde você ganha XP e sobe de nível automaticamente com experiência de combate, Scott Pilgrim EX usa um sistema mais flexível e estratégico de progressão baseado em itens, insígnias e moedas.

Ao derrotar inimigos, destruir itens do cenário e/ou completar objetivos, você ganha moedas que podem ser gastas para equipar insígnias que aumentam atributos como ataque, defesa, velocidade ou habilidades especiais. Essas insígnias funcionam como um sistema de bônus que permite moldar o personagem para diferentes estilos, por exemplo, uma build mais resistente para enfrentar chefes, ou uma mais agressiva para limpar multidões rapidamente.

Outro aspecto interessante do jogo é seu mundo interconectado. Toda a campanha é baseada em etapas de missões. Vá até um ponto do mapa, libere o acesso, e faça a missão. Volta ao ponto de origem, vá a outro lugar, passe por locações já visitadas, onde novos inimigos podem surgir, em novas situações, maiores quantidade, até chegar a pontos ainda não explorados do mundo.

É engenhoso, além de oferecer ao jogador a chance dele montar seu ritmo na progressão, revisitando locais ou procurando por tarefas secundárias, que também garantem recompensas valiosas se conquistadas. Dentro do mapa, haverá pontos de lojas, onde será essencial visitar para recuperar sua energia, assim como adquirir itens equipáveis para sua build.

Considerações finais

Scott Pilgrim EX é uma bela surpresa dentro da franquia, e deve agradar tantos os fãs, quanto quem não acompanha. A história é divertida, repleta de sacadas nerd, gamer e geek, e por estar em português, torna muito mais fácil agradar uma maior audiência.

O título tem suporte para até 4 jogadores, com sistema de entrada e saída direta, sem que seja preciso sair do jogo, tanto local quanto online, contudo, para partidas privadas entre amigos. Não há um matchmaking online com desconhecidos, como no recente caso de Absolum.

Em multiplayer, jogadores podem se auxiliar mutuamente, compartilhante corações ou moedas. Contudo, existe um momento emergencial quando um jogador é nocauteado, onde poucos segundos inicial uma contagem, para que ele se transforme em fantasma, e mais alguns segundos depois, desaparecer, retornando somente depois de concluído a missão em andamento. O companheiro que fica vivo precisa ser ligeiro nessa situação, jogando um coração próximo a quem cair ou torcer para a versão fantasma alcançar o mesmo coração. Esse formato é um pouco “arisco“, mas não é de todo mal.

As batalhas contra os chefes do jogo também tendem a ser intensas, e muitas vezes o jogador precisa de mais de uma tentativa para vencer, a menos que vá muito bem preparado, e com sua barra de saúde completamente cheia, e com algum item reserva para restaurar a mesma caso seja nocauteado. Os chefes são bem criativos, com ataques espalhafatosos e com inimigos surgindo para distrair o jogador constantemente.

Scott Pilgrim EX é um dos mais completos beat’em ups da geração atual, equilibrando de forma igual a nostalgia com mecânicas modernas, possuindo ainda uma forte identidade visual e excelente cooperação no multiplayer. É uma experiência satisfatória em single player, mas que brilha especialmente quando jogado com amigos.

Galeria

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Dando nota

Apresenta uma história original, do próprio Bryan Lee O’Malley, fãs irão adorar, mas também é uma porta de entrada a franquia - 8
Jogabilidade entrega um combate fluido, responsivo e funcional - 9.1
Diversidade entre os personagens, com estilos e habilidades únicas, incentivam testar novas abordagens - 8.5
Sistema de combos recompensa habilidade e timing, não apenas o apertar desesperado de botões - 8.5
Progressão não é complexa, o que mantém o jogo acessível, mas poderia ter um pouco mais de variedade - 7.8
Modo cooperativo para até 4 jogadores é um dos pontos mais fortes, com sistema drop-in/drop-out sem arruinar o ritmo - 9.5
Pixel art é vibrante, expressiva e detalhada, cenários misturam humor, surrealismo e referências gamer - 9

8.6

Ótimo

Scott Pilgrim EX consegue preservar a essência frenética e divertida dos beat'em ups, enquanto adiciona novas camadas de profundidade e rejogabilidade capazes de manter tanto fãs antigos quanto novos jogadores engajados por horas. Combate fluído, mapa interconectado, direção de arte digna de elogios, história original do próprio criador. Uma aventura empolgante, que fica ainda melhor quando vivenciada em multiplayer, mesmo se mantendo funcional para jogadores solo.

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