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Análise | Scott Pilgrim vs. The World: The Game – Complete Edition

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch & PC

A Ubisoft em parceria com a Universal Games and Digital Platforms relançou em janeiro deste ano o jogo Scott Pilgrim vs. The World: The Game – Complete Edition, para os consoles atuais PlayStation 4 (e PS5 por retrocompatibilidade), Xbox One (e Xbox Series por retrocompatibilidade), Nintendo Switch, PC e Google Stadia. Este jogo abrange os gêneros ação, um leve toque de RPG e muito beat ’em up. Vale lembrar que em agosto de 2020 o título completou 10 anos de seu lançamento original para os consoles PlayStation 3 e Xbox 360.

Vale mencionar que na época o jogo abocanhou o prêmio VGX de Melhor Jogo Adaptado, por ser uma adaptação de respeito das histórias em quadrinhos de mesmo nome publicadas pela Oni Press e de autoria de Bryan Lee O’Malley.

Quem é esse tal Scott Pilgrim?

Scott Pilgrim é uma série de histórias em quadrinhos criada da cabeça de Bryan Lee O’Malley, sendo composta originalmente em 6 volumes em formatinho em preto e branco. O primeiro volume foi lançado em meados de 2004 e o último somente em 2010, todos publicados pelo Portland, Oregon. Aqui no Brasil foi publicado pela Editora Companhia das Letras em março de 2010 em 3 volumes contendo os 6 volumes originais. Segue um trechinho da sinopse da série:

“Scott Pilgrim é um jovem que está feliz com sua preciosa vidinha. Aos vinte e poucos anos, esse canadense levemente excêntrico divide os dias entre o ócio do desemprego voluntário e os ensaios de sua banda de rock, a Sex Bob-Omb. Sua namorada atual, uma chinesa de nome Knives Chau, tem 17 anos, e o relacionamento deles é casto – “Uma vez ela pegou na minha mão” (palavras de Scott Pilgrim sobre seu relacionamento), este relacionamento parece cair bem para o momento, digamos, introspectivo que Pilgrim vem vivendo. Afora a preocupação dos amigos quanto às intenções de nosso herói para com uma garota tão nova, tudo vai bem. A rotina de videogames e indolência, no entanto, está prestes a sofrer um abalo sísmico. E esse abalo atende pelo nome de Ramona Flowers, uma americana recém-chegada ao Canadá e a única entregadora da Amazon na região.

Depois de encontrá-la brevemente em duas ocasiões, Scott apaixona-se perdidamente pela jovem e como medida desesperada para encontrá-la novamente, faz uma encomenda pela internet na Amazon e senta à porta para esperar a sua amada entregadora. O incrível é que o plano dele dá certo, Ramona gosta dele e os dois começam a sair. Para uma pessoa com sorte este poderia ser o começo de uma simples historia de amor, mas as coisas nunca são fáceis para Scott. Namorar Ramona, como ele logo vai descobrir, implica também em enfrentar o passado da garota, talvez de uma maneira mais literal do que ele poderia imaginar.

Para ficar com Ramona ele terá que encarar de frente a “Liga dos Ex-Namorados do Mal” de Ramona que é liderada pelo misterioso Gideon, portanto a única saída para Scott será derrotar todos os 7 membros. Cada um dos ex-namorados desafiará o herói para uma luta, que irá combinar elementos dos universos de videogame, mangá, filmes de kung fu, da música e até do cinema.”

A luta pela volta de um clássico

Esse relançamento do game quase não aconteceu. Após estar disponível por 4 anos em formato digital – Scott Pilgrim vs. the World: The Game não teve versões em mídia física – em 2014 o jogo sumiu das lojas online dos consoles, PlayStation 3 e Xbox 360, e parecia que estaria perdido para sempre – tal qual, por exemplo, outro clássico da Ubisoft da mencionada geração: TMNT: Turtles in Time Re-Shelled, este ainda perdido no tempo.

Os fãs começaram a sua peregrinação para tentar fazer o jogo voltar, mas isso envolvia falar com Bryan Lee O’Malley responsável pela criação da HQ na qual o jogo foi baseado, com a Universal Pictures que detinha os direitos de adaptação da HQ para outras mídias e também com a Ubisoft que havia publicado o jogo original. O tempo passou e os contatos foram feitos. No último trimestre de 2020 as preces dos fãs foram finalmente ouvidas e respondidas, com o anúncio de uma versão remasterizada chamada de (pausa para respirar…) Scott Pilgrim vs. The World: The Game – Complete Edition. O alinhamento cósmico finalmente aconteceu!

O mesmo jogo, porém completo

Esta edição é chamada de Complete Edition pois conta com as DLCs que eram vendidas separadamente: Knives Chau e Wallace Wells (que nos disponibilizam mais 2 personagens super conhecidos do universo de Scott Pilgrim para sair ao controle do jogador nessa jornada). E quem são mesmo esses personagens?

Knives Chau é uma menina que logo ao conhecer Scott Pilgrim já começou a namorá-lo (do ponto de vista dela é claro). Scott era provavelmente a única coisa em sua vida entediante e comum que realmente a fazia feliz e, como resultado, ela ficou obcecada por ele. Mas infelizmente Scott terminou com ela depois que conheceu Ramona Flowers o suposto verdadeiro amor de sua vida. Isso deixou Knives indignada e a levou a uma mudança radical de atitudes (trazendo à tona uma personalidade amarga, obcecada e ciumenta), incluindo ainda novos estilos de vestimentas e um corte de cabelo mais agressivo. Tudo isso na esperança de reconquistar Scott e acabar com essa tal Ramona Flowers que apareceu do nada na vida de Scott e o roubou dela.

Wallace Wells por sua vez é o colega de quarto e melhor amigo de ninguém mais, ninguém menos que Scott Pilgrim e é assumidamente gay, o que gera toda uma leva de situações como o fato deles dividirem uma cama de casal devido a não poderem comprar camas individuais. Ele ainda é um dos principais motivos de Scott conseguir levar seu relacionamento com Ramona a um novo nível, como quando se recusa a dividir um quarto com Scott forçando o amigo a tomar uma importante decisão. Ele tem severas restrições com quem fere os sentimentos de Scott e faz ele sofrer, como Natalie V. “Envy” Adams (ex-namorada de Scott – eventos estes comentados ao longo da série mas não apresentados integralmente na mesma).

A jogabilidade com eles é praticamente a mesma de com os outros personagens, atentando para obviamente mudanças nos ataques disponíveis para cada um. O mais bacana, entretanto, é a possibilidade de até mesmo jogar com Ramona, a causa de todo esse tumulto na vida de Scott e seus amigos.

Insert a coin, é hora do gameplay

A cada dia que passa se torna mais difícil um (bom) game adaptado de quadrinho, filme, mangá ou anime se encaixar com perfeição no proposto pelo material original. E Scott Pilgrim vs. The World: The Game se encaixa com maestria no mundo criado por Bryan Lee O’Malley, os desenhos, as animações, a interatividade está tudo lá e é isso que torna este um game obrigatório para quem gostou da HQ e/ou do filme. Há um grande respeito pelo material original, e que se converte muito bem em um jogo para videogame.

Claro que a história foi reduzida e simplificada em algumas partes devido a razões óbvias, mas a vibração é a mesma, o que se deve muito é claro a arte dos sprites de personagens de Paul Robertson, a caótica trilha sonora em chiptune de Anamanaguchi (confira toda a trilha sonora do game aqui) que também casa perfeitamente com a mecânica do jogo e ao clássico estilo de jogo beat ’em up, nosso clássico briga de rua. Não existiria melhor estilo de jogo e música para uma história onde sua principal vibe é exatamente a luta contra os ex-namorados de sua namorada. E tudo, sem tirar nem pôr se encaixa com precisão milimétrica nos gráficos 16 bits, até o mapa nos faz lembrar dos jogos antigos do Super Mario.

Como estamos (talvez) cansados de saber, o estilo beat ’em up, aos moldes das várias encarnações de Streets of Rage (incluindo a mais nova que saiu em 2020) nos coloca andando por cenários amplos, lotados de itens que podemos interagir (socarmos para quebrar, danificar, ou utilizar como armas ao serem arrremesados contra os inimigos) e oponentes aos montes e variados (indo de malandros das ruas, a cachorros, ninjas, robôs, monstros de filmes, naves espaciais e etc) para derrotarmos, culminando obvimanete em várias lutas de chefe, a qual as coisas tendem a ficar mais complicadas e difíceis. Ao final de cada fase o jogador irá enfrentar um (ou dois) ex-namorados da Ramona, deixando a coisa mais frenética e difícil.

Os controles respondem bem e temos botões para cada uma das ações básicas, como a movimentação, pulo, soco, chutes e chamar parceiro, outros golpes especiais acabam sendo combinação destes botões apertados em sequência específicas e/ou ao mesmo tempo. Nada complexo e facilmente assimilado pelo jogador ao longo da aventura.

Aqui ainda temos uma dose de RPG, onde temos atributos que podem ser melhorados ao subirmos de nível (incluindo novos golpes para o arsenal dos personagens) o que facilita jogar as fases seguintes. Mesmo a dificuldade mais fácil se torna complicada, caso não se empenhe e melhore o nível e os atributos do seu personagem. Em várias fases temos lojas, lanchonetes, cafeterias e locadoras onde podemos comprar itens de consumo imediato que vão dar um up em alguma estatística, nos dar pontos de experiência ou recuperar a energia.

Uma dica que pode melhorar em muito sua experiência é pagar a dívida de Scott na locadora de filmes. O valor é alto e pagar vai exigir rejogar algumas fases várias vezes, mas ao se pagar a dívida libera o locação de filmes e cada um deles vai lhe dar um benefício extra, como uma vida (originalmente temos apenas 3 vidas) ou melhorias permanentes de algum dos atributos, como força, defesa, velocidade e etc. Muitas fases tem essas lojas e algumas são escondidas, geralmente localizadas em portas com um símbolo de estrela na frente. Contamos ainda com seções especiais em algumas fases que nos levam a uma área entre dimensões onde podemos encontrar fartura de dinheiro ao batermos em blocos (óbvia referência a Super Maio) ou socar porcos voadores (uma espécie de cofre voador).

Ao perdermos toda a vida, Scott fica em um estado onde levar um golpe extra vai matá-lo, mas se apertar uma sequência de botões você pode voltar com um pouco de energia recuperada. Mas no caso de todas as vidas serem perdidas, teremos que voltar ao mapa e rejogar a última fase novamente, mas o progresso até então fica salvo e as estatísticas adquiridas na fase se mantêm. Soa um pouco punitivo, mas sem frustrar.

Além do modo história em single-player ou coop local/online, outros modos estão disponíveis, como o Boss Rush (derrotar os chefes em sequência), Survival Horror (derrotar zumbis que não param de aparecer), Battle Royal (lute contra outro jogador) e Dodge Ball (jogo de queimada onde a única forma de causar dano é atacando os inimigos com a bola que aparece pelo cenário, outras formas de ataque não causam danos). Extras que divertem e dão certo valor de replay ao título.

Considerações finais

E será que vale a pena jogar novamente a aventura de Scott Pilgrim? O jogo soa velho um já datado? Surpreendentemente posso afirmar que vale a pena controlar Scott e seus amigos novamente, mesmo após estes 10 anos. Quanto a você que não jogou e não conhece o material original (ou o filme, que por sinal vá hoje ver, tem no catálogo da Netflix no momento de publicação desta análise), isso não tira o brilho do game, que se sustentam muito bem por seu belo visual em arte pixelada e um gameplay tão divertido, com controles que responde bem e uma progressão de atributos que lhe aprimoram como jogador.

A bem verdade é que jogos beat ’em up resistem ao tempo e sempre terão um lugar no coração dos gamers que curtem esse estilo, ou mesmo para quem quer simplesmente sentar no sofá e jogar um desafio moderado com os amigos (lembrando que podemos jogar online ou offline com até 3 amigos nesta aventura).

Outro fato consequentemente importante, é que a história de Scott Pilgrim, seja nos livros, no game ou no filme (que acabou virando um clássico cult), resiste muito bem ao passar do tempo. Exatamente por mostrar uma mistura gostosa de se conferir elementos de ação, aventura, fantasia, comédia, romance e é claro, games. Há uma alma nesse universo, que é sempre um prazer revisitar.

Galeria

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Dando uma nota

Faz uma incrível adaptação da obra original, ainda que condensada e traduzida em um videogame - 9.5
Trilha sonora é fantástica, casa com o universo da série, assim como um jogo eletrônico - 9.5
Jogar várias vezes algumas fases para se fortalecer acaba sendo repetitivo - 7
Como beat’em up, faz um trabalho impressionante, ao oferecer elementos RPG, desafio e muita variedade - 9
Multiplayer local ou online para até 3 jogadores - 9
Possui extras que dão motivo de voltar ao game, bom valor de replay - 8.5
Apesar de nenhum conteúdo inédito, ao menos tem as DLCs inclusas - 7.5

8.6

Ótimo

Scott Pilgrim vs. The World: The Game – Complete Edition nos traz uma nova chance de conferir a jornada de Scott contra vilanescos ex-namorados. Mesmo sem nada inédito, ainda é bacana a inserção das DLCS lançadas separadamente. Se você jogou anteriormente, leu as HQs, assistiu ao filme ou simplesmente gosta de um bom beat’em up, este é um jogo para se aproveitar, seja sozinho ou na companhia de amigos. Um clássico, e que é muito bom estar de volta!

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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