[Análise] Crepúsculo

Hora de escrever sobre algo que normalmente não aparece aqui no blog… livros! Escolhi um que anda debaixo dos holofotes nos últimos meses, e me parece uma boa maneira de começar:

Crepúsculo – Stephenie Meyer

O conto de amor adolescente entre uma tímida garota e um vampiro “vegetariano”

Graças ao lançamento do filme em dezembro do ano passado, qualquer pessoa conhece basicamente o enredo da história: Isabella Swan vai morar com seu pai na pequena cidade de Forks e, em meio à insegurança provocada pelo novo ambiente familiar e escolar, conhece Edward Cullen, um garoto estranho e aparentemente agressivo que muda totalmente sua vida…

Mas atenção! Assim como na série Harry Potter e O Senhor do Anéis, existem diferenças sutis, mas ainda assim cruciais entre o livro e o filme. Para quem só assistiu o filme até agora, vale a pena saber um pouco mais sobre a obra original…

Eu tentei manter o texto o mais livre possível de spoilers, mas se você for terrivelmente alérgico é bom ter cuidado ao clicar em mais

Assim como no filme, a história é narrada por Bella Swan, uma adolescente de 17 anos, que se muda da casa de sua mãe em Phoenix/AR para a casa de seu pai, na cidade que aprendeu a odiar desde criança: Forks/WA (os motivos do ódio e da mudança podem ser considerados spoilers desnecessários). Ao chegar de viagem, Bella já começa a sentir o impacto da mudança no próprio clima, já que estava acostumada ao Sol e calor de Phoenix e de repente se encontra presa à chuva claustrofóbica de Forks.

Tentando lidar com sua constrangedora falta de coordenação motora, aprender a viver com o pai com quem nunca conviveu e se habituar à vida provinciana onde todos se conhecem, Bella se depara na escola com um garoto totalmente misterioso, bonito e assustadoramente hostil à sua presença: Edward Cullen. Assim como toda a sua família, Edward é cercado por um mistério tão intenso quanto sua beleza aparentemente sobrehumana.

Ao vê-lo pela primeira vez, Bella nota um tom de desapontamento em sua expressão, que rapidamente é substituída por desagrado, até chegar ao ponto de puro nojo, como se sentisse um odor nauseante na sua presença. Após breve ausência do colégio e uma mudança vertiginosa em seu comportamento, Edward demonstra-se totalmente interessado em saber mais sobre Bella, como se a semana passada não tivesse existido. Além das aparências, Bella nota outras curiosidades sobre Edward: seu modo de falar, mais apropriado a alguém do séc. XVIII, o modo como seus olhos parecem mudar de cor de acordo com seu humor e o aparente peso existente em suas palavras, como se fosse culpado de algo terrível…

Após ter sido salva por Edward de um acidente sob circuntâncias totalmente improváveis (a velocidade com que Edward chegou para salvá-la e o amassado provocado pela sua mão em um dos carros) faz com que Bella comece a ficar inquieta sobre a verdade por trás do comportamento misterioso de seu salvador…

Juntando as peças de um quebra-cabeça que faz Bella duvidar de sua própria sanidade, uma resposta folclórica e assustadora começa a surgir. A ausência dos Cullen em dias ensolarados, velocidade e força sobrehumanas, palidez e beleza hipnotizantes, pele fria como a morte… Dominada pela curiosidade, Bella chega a uma desconcertante hipótese: Vampiros.

Nesse ponto, Stephenie Meyer mostra a particularidade de sua história, dentre os inúmeros outros contos vampirescos. Através do próprio Edward, Bella começa a descobrir a verdade sobre os Cullen: Vampiros que não temem a luz do dia (mas a mesma pode revelar sua identidade), não dormem em caixões (na verdade eles não dormem de maneira alguma), não possuem qualquer aversão a alho ou água benta. Porém, uma característica clássica ainda permanece: a sede de sangue. Apesar dessa monstruosa necessidade, os Cullen encontram uma alternativa ao sangue humano ao se alimentarem apenas de animais, tornando-os “vegetarianos”. Além da sede de sangue, alguns vampiros possuem ainda algumas habilidades especiais, como a habilidade de Edward de ler mentes, a capacidade de Alice, sua irmã, de ver o futuro, entre outras…

Apesar o perigo que a sede de Edward oferece a Bella, uma paixão começa a surgir entre os dois. Ao ler o livro através dos olhos de Bella e das confissões de Edward, nota-se que o cheiro de Bella e sua fragilidade, além da incapacidade inexplicável de ler a mente da amada, tornam-se hipnóticos para Edward, assim como a beleza, cheiro, e olhar sobrehumano de Edward provocam o mesmo efeito em Bella, tingndo a paixão dos dois com uma intensa obsessão e necessidade física muito presentes no livro, mas muito difíceis de notar no filme. A dificuldade de Edward em conter sua sede quando próximo de Bella é responsável pela constante expressão de sofrimento do vampiro, que é muito notável (e na minha opinião um pouco exagerada) no filme.

Em meio às novas descobertas de Bella sobre um mundo completamente diferente do seu, Forks recebe visitantes que, ao contrário dos Cullen, não reprimem sua sede por sangue humano, colocando a vida de Bella e sua família em grande perigo.

Acho que grande parte do enredo está descrito acima… A seguir eu listei algumas discrepâncias entre o filme e o livro que achei incômodas:

  • A personalidade de alguns personagens no filme são muito distorcidas em relação ao livro, como a quietude rabugenta de Charlie (pai de Bella) e o sofrimento excessivo de Edward.
  • Algumas mudanças no enredo original são esperadas, mas no filme existem algumas totalmente desnecessárias, como os ataques de vampiros ao longo do filme e o modo como Bella descobre a verdade sobre Edward.
  • A verdadeira natureza e profundidade do amor entre Bella e Edward, marcado pela hipnose física entre os dois é subjugada no filme, em contraste à descrição minuciosa do livro.

Resumindo: o filme não é de todo ruim, mas deixa a desejar quando comparado a experiência única e envolvente da obra de Stephenie Meyer. Se você tem algum tempo de sobra ou procura um candidato a livro de cabeceira, Crepúsculo é uma ótima pedida.

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