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Novo mangá é uma eficiente mistura do que os shonen têm de melhor! [Kekkaishi Vol. 1] [MdQ]

Eu já conhecia Kekkaishi “de vista”, mas nunca cheguei a pesquisar e nem sabia do que se tratava a não ser que havia dois cães espíritos no meio da coisa. Por que resolvi comprar, então? Se eu disser que a capa me chamou demais a atenção vocês acreditam? Haha, é verdade, tava comprando os mangás de sempre na banca (Ranma ½ #10 incluso, MdQ dele em breve) e aí peguei Kekkaishi na mão, olhei de um lado, de outro, consultei mentalmente minha conta bancária e resolvi cofrar. Como vem lacrado com plástico, não dava pra folhear, então foi um tiro no escuro, mas que pra minha felicidade, acertou o alvo em cheio!

Estilo shonen de batalhas e uma premissa bem bacana da história nesse primeiro volume, que já promete esquentar as coisas no mês que vem! Vejamos tudo de bom que a Yellow Tanabe passou pra mim nessas primeiras 188 páginas de Kekkaishi! É depois do continue. 😉

O personagem principal do mangá é Yoshimori Sumimura, o 22º kekkaishi sucessor do clã, ãhm, Sumimura. Ele precisa capturar e destruir ayakashis (monstros espírito) que se fortalecem com a energia liberada pela área em volta da escola em que estuda, que era onde ficava o antigo castelo do senhor feudal que originalmente contratou o primeiro kekkaishi, antes de o lugar ser destruído pelos monstros numa época em que estava sem proteção.

O menino tem só 9 anos e detesta ser o que é. Um pouco parecido com o Tsuna de Katekyo Hitman Reborn!, embora Yoshi entenda seu papel e não seja medroso como ele. XD A caça das ayakashis se dá todas as noites, e Madarao, um cão espírito de 500 anos que mora com os Sumimura, é mais ou menos como um tutor/ajudante do garoto. A narrativa começa bem, o traço é bem agradável e vários personagens são logo introduzidos, como Tokine, vizinha de Yoshi dois anos mais velha e que pertence ao clã Yukimura, rival dos Sumimura. O avô de Yoshi (que é a cara do Dr. Wily de Mega Man) e a avó de Tokine são aqueles típicos velhinhos que não podem se ver que partem pra briga. Rendeu alguns quadros engraçados.

As primeiras páginas são isso mesmo, Yoshi reclamando da vida de kekkaishi e tentando matar as ayakashis. “Kekkaishi” é algo como “mestre de barreiras”, e as lutas se dão com isso mesmo, barreiras. Houi para marcar o alvo, jouso para traçar a barreira em volta dele, ketsu para capturar, metsu para destruir e tenketsu para mandar os restos pro outro mundo através dos bastões que carregam.

Yoshi até se vira com as ayakashis pequenininhas, mas marca bobeira contra uma disfarçada de garotinha e só não morre porque Tokine o salva, ficando com uma cicatriz horrível no braço e deixando o garoto extremamente culpado, e aí…

5 anos depois

Como assim? Já tava tudo tão legal e de repente voamos cinco anos adiante? Gostei! Yoshi parou de reclamar e visivelmente amadureceu. Madarao também está mais parceiro e menos professor, e o clima é mesmo de um típico mangá da Shonen Jump (embora Kekkaishi seja publicado na Shonen Sunday). Como Naruto, parece que o Yoshi tem poder de sobra, digamos, “chakra” de sobra, e desperdiça ao fazer as barreiras gigantes, ao contrário de Tokine, que é mais eficiente e parcimoniosa. Gostei disso também, abre espaço para que ele aprenda técnicas fortes mais pra frente!

Nesse momento do volume, vemos pela primeira vez o ambiente escolar e os colegas de Yoshi. Ninguém sabe o que diabos é um kekkaishi, nem porque o “vagabundo” do Yoshimori dorme em todas as aulas. Ichigo em Bleach?

O amorzinho meio platônico por Tokine é divertido também, mas é mais como um ciúme pela amiga de infância que agora meio que o despreza e dá uns passa fora nele. É legal que, pelo menos por enquanto, Tokine realmente não demonstra o menor interesse por Yoshi, e como ele é pior que ela como kekkaishi, também não o admira. Apesar de que até se surpreendeu com o ataque suicida dele contra aquele Tsuchigama que enfrentaram.

Falando nessa luta, depois que ela terminou fiquei com receio de que todas fossem assim, com as kekkais servindo só pra isso mesmo, se defender e aprisionar o inimigo para dar o golpe final, o que ficaria bem repetitivo logo, logo, mas a luta contra o professor que tava sendo controlado por aquela ayakashi inseto me deixou bem mais sossegada. O cara é capaz de manipular sua aura como se fossem serpentes, além de ser imune às kekkais.

E antes disso ainda teve aquele espírito humano corrompido que o Yoshi derrotou com mini kekkais colocadas em lugares específicos do corpo para ir explodindo! Achei genial! Do tipo, “ahá! Usando as kekkais para atacar!”; um poderzinho que me lembrou o ataque dimensional do mangekyou sharingan do Kakashi, em Naruto, porém sem efeitos colaterais e toda aquela dificuldade pra usar.

Tirando as lutas, o enfoque no pâtissier morto foi bem divertido! Yoshi é viciado em doces! Quantos personagens cuja maior ambição é construir um castelo de doces em tamanho real vocês conhecem? E acho que o loirinho vai continuar na história, ao menos por mais um tempo. Teve também a demonstração dos Shikigamis, uns serzinhos que se materializam de acordo com o poder do dono e que o obedecem cegamente, cumprindo tarefas como deixar tudo em ordem para as pessoas normais não notarem que algo aconteceu na área ou pra, bom… ficar na fila no lugar do Yoshi hahaha. Como é mesmo o nome daqueles espíritos que tomam conta dos corpos dos shinigamis enquanto eles saem pra lutar em Bleach? Enfim, parece isso, mas com essa coisa interessante de serem modelados de acordo com o “nível” do usuário. Andei folhando o capítulo 308, um dos mais recentes no Japão, só pra ver como são as coisas atualmente, e um dos Shikigamis do Yoshi é um garotinho completamente desenvolvido. Foda demais perto das amebas desse início da história. XD

Ainda sobre esses capítulos mais atuais, não li nada porque quero evitar spoilers, mas os ataques tão bem impressionantes, fiquei animada com o futuro do mangá. E falando nisso, a deixa desse primeiro volume mostra uma mulher e uma enorme mão bizarra com o que parece ser uma carta, que segundo a legenda é para a Tokine, vinda da “misteriosa organização” Urakai. Hum… devem ser os inimigos!!! Pensei eu, e torço muito pra que seja algo estilo Akatsuki (Naruto) ou Ryodan (Hunter x Hunter). Por falar em HxH, o quadrinho de explicação de como usar as kekkais me lembrou bastante o jeito do Togashi de mostrar os novos ataques de nen.

Kekkaishi me surpreendeu positivamente, é muito gostoso de ler e acho que promete muito. No Japão ainda está em publicação (sem previsão de encerramento) e já foram lançados 29 volumes, sendo que os de número 19, 20 e 21 ficaram em terceiro/quarto lugar na lista dos mais vendidos no país. O mangá também recebeu o prêmio Shogakukan de melhor shonen em 2007.

Enfim… não é meu trabalho convencê-los a comprar, mas minhas impressões foram as melhores possíveis! A tradução também está do jeitinho que os puristas preferem: salvo engano, todos os termos originais foram mantidos, apenas deixando explicações no glossário (que ficou bem grande) ao fim do volume, e com os comandos das kekkais sendo acompanhados pela tradução, assim como a editora faz com os jutsus em Naruto. Ah, alguém aí viu o animê? Caso estejam se perguntando, ele cobre apenas os eventos dos primeiros 13 volumes, mas não sei se é bom/fiel, pois não assisti.

Kekkaishi é mensal, tem média de 200 páginas, custa R$ 9,90 e está sendo trazido ao Brasil pela Panini. Altamente recomendado!

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Dakini

Viciada em RPGs, sejam eles Final Fantasy e Tales of ou Mass Effect e The Elder Scrolls! Fã incondicional de animês e mangás, e ousem criticar meus favoritos sem bons argumentos! Fora isso, podem me chamar de “a dama dos wallpapers”, hahaha.
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