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O melhor anime que já joguei…

… não era exatamente o anime que eu queria jogar! Pegaram essa?

Aaaaaahh… ainda não foi dessa vez que eu me diverti plenamente com um hack ‘n slash regado à quick time events. Às vezes começo a achar que só um Bayonetta 2 é que vai suprir as minhas expectativas totalmente. Mas calma lá, não é por isso que eu vou dizer que esse jogo é ruim, ele está dentro da proposta sim, só que do jeito errado, ou melhor diria, exagerado. Como a própria rapaziada viu antes de mim (eu estava cego, confesso…) Asura’s Wrath é praticamente um filme interativo, mais da metade do jogo é para sentar e assistir. Inclusive se você achava que já tinha visto a fórmula perfeita para um game baseado em anime, é melhor você pensar de novo.

Confesso, não enxerguei isso com aqueles trailers bacanudos todos, até porque acabei me focando primeiro naquele Buddha gigante e depois na luta do Asura com o mestre dele. E quanto à demo… bem, eu não passei nem perto dela porque preguiça somada a pouco tempo não me deixam mais separar horário pra isso. Mas enfim, realmente não tem muito o que contestar, o fato é que Asura’s Wrath foi feito para se assistir e nem tanto assim para se jogar. O jogo todo deixa isso bem claro, a começar por cada capítulo da história que sempre inicia com créditos, como se fosse o episódio semanal de algum seriado de TV ou mesmo um filme.

O mesmo acontece sempre que cada passagem (determinada sempre por um nome e quantidade de capítulos dentro dela) termina. Até me assustei quando vi a primeira terminando porque o negócio é meio demorado, cheio de créditos e até agradecimentos como se o jogo já estivesse terminando. Eu quase gargalhei sozinho porque na mesma hora me lembrei das notícias antes do lançamento já dando conta de que a Capcom estava lançando DLC’s do jogo e dentre eles o verdadeiro final estava no meio. Mas foi só alarme falso (e uma bela trollada pra falar a verdade), apesar do jogo seguir a cartilha dessa geração e ser curtinho ainda dá pra perder um dia ou no máximo dois para terminá-lo.

E o que torna Asura’s Wrath um completo anime no seu console não pára por aí, cada capítulo quando termina tem o famoso TO BE CONTINUED nas letras japonesas estampando o canto da tela, sem contar que no meio de cada capítulo o jogo dá uma pausa para mostrar uma imagem só para ilustrar o momento em que você está nele, cada uma mais linda que a outra, pecando apenas pela singularidade da cor. Juntando tudo provavelmente daria um mês de Wallpaper do Dia só sobre o assunto, aliás na verdade são sempre duas imagens, uma de saída e outra de entrada, como se fosse um programa de TV pausando e voltando de um comercial. E isso até dá um estilo para o jogo, uma identidade e tal, mas não me marcou tanto assim a partir do momento em que fechar Asura’s Wrath virou apenas uma obrigação e não mais uma relação profunda com a história e os personagens ali apresentados.

Eu por exemplo não achei o Asura um protagonista interessante, ele na verdade é a mais completa união do clichêzão visto na maioria dos mocinhos em shonens atuais. O cara é impulsivo ao extremo, só anda estressado e não costuma ouvir ninguém. É aquele que não se esforça pra dizer que é rebelde, mesmo sendo um pai de familia que talvez, só por um acaso assim de nada, deveria ser um cara mais consciente dos seus atos. Mas sei lá, não vou tentar analisar o personagem assim tão profundamente, Asura’s Wrath se apoia muito mais em contar uma história do que deixar você jogar o game, mas na minha humilde opinião o enredo não tem nada demais, é algo muito descompromissado para isso e portanto não casa bem com a proposta. Bem como o personagem principal a trama também está abarrotada de coisas que eu já me cansei de ver em outros lugares.

Mas aí vocês vão me dizer: ”pô Kon, mas atualmente é assim mesmo, nada se cria e tudo se copia”. Tudo bem, concordo plenamente, mas quando uma produtora faz um jogo que direciona mais de 70% do seu tempo à cenas que prezam o conto e não exatamente a jogatina, eu sinceramente espero ao menos ser surpreendido já que é esse o carro chefe do jogo.

E é engraçado ver Asura’s Wrath, um jogo que apresenta personagens e mundos completamente diferentes se arriscando num gênero assim enquanto outras histórias poderiam cair muito melhor nessa proposta e porque não dizer virar sinônimo de lucro garantido. Quem não teria orgasmos múltiplos jogando um game de One Piece nesse moldes? Que tal o Ruffy dependendo dos seus dedos pra socar o Crocodile de novo? E um jogo de Bleach assim então, putz… sem comentários. Enquanto muita produtora se limita a lançar jogos baseados em anime apenas para os portáteis sabe se lá porque diabos, a Capcom e a CyberConnect2 acabaram de mostrar um receita e tanto para games como Fairy Tail, Toriko, Fullmetal Alchemist e mais uma porrada de outros saírem do papel e não virarem jogos que sempre deixam a desejar e mais nos fazem comprar pelo fato de ser fã do que pra encher a boca dizendo que aquilo valeu mesmo o dinheiro gasto.

Eu não sei porque escolheram Asura para um jogo assim, ele é legal, mas não tem o apelo necessário, não é conhecido pelo público. Deu hype? Deu, mas no meu caso foi pelos motivos errados e acho que não fui o único nessa, por essas e outras é que eu tenho a leve impressão de que esse game dificilmente vai vender bem o bastante para justificar uma sequência. Isso se é que tal idéia em algum momento foi cogitada.

Do pouco que dá para falar do gameplay, achei uma pena a jogabilidade ser tão limitada às lutas, exploração dos cenários inexiste aqui, hora de tocar no joystick só mesmo quando um combate começa ou uma cena interativa dá o ar da graça. Até gostei dos movimentos do Asura. Soco pra lá, soco pra cá, isso infelizmente deixou os quick times extremamente previsíveis, mas nada que tenha sido difícil relevar, o que pesou mesmo foi essa escassez de comandos, deixou muito a desejar. Estando no ar, segurando os botões ou não, sempre dá pra fazer algo diferente, e no meio de uma infestação de inimigos também dá para apertar aquele botãozinho camarada do contra ataque pra variar as coisas e de quebra ver outra cutcene, mas só isso não basta.

Se ao menos houvesse opção de roubar as armas dos inimigos ou rolasse uns upgrades talvez essa sensação de estar faltando alguma coisa não fosse tão visível. Inclusive isso é meio triste de se constatar isso agora com o resultado em mãos porque quando a gente olha aquele trailer de anúncio da TGS de 2010 (esse aí de cima), o jogo parece muito mais dinâmico nesse sentido, tanto que até uma pilastra o Asura chega a pegar na hora da porradaria, deixando claro que não foi somente o visual que foi mexido para a versão final. Só não considerei o gameplay massante porque o timing entre as lutas contra os inimigos bobalhões e os chefões é bom, eu pelo menos não tive tempo pra me cansar.

Claro que para toda regra tem uma exceção e aqui não foi diferente. Alguns inimigos, especialmente aqueles grandalhões ficaram bem chatos, não porque são difíceis, dificuldade passou, deu um oi e foi embora, mas sim porque eles não acrescentam nada ao jogo, estão lá apenas para encher lingüiça entre uma memória ou duas que o protagonista vai resgatando ao longo da história. Você olha para eles chegando e já pensa: ”mas que mer**, lá vou eu perder 10 minutos com… nada que vá mudar o rumo dessa história”. Essas situações até poderiam ser menos chatonildas se tivéssemos a opção de ver quanto ainda resta da barrinha de energia dos Gohma, mas ao invés disso o seu medidor de progresso é a ira do Asura que somente quando está cheia significa que a luta vai progredir ou terminar de vez no próximo quick time. Mais chato que isso só mesmo as fases onde a missão é derrubar tudo o que estiver voando na sua direção, encheção de linguíça é pouco para descrever esses momentos.

E já falei deles entre um parágrafo e outro, mas não custa frisar: os quick times não são nada desafiadores, ao menos no modo normal. Parece que se preocuparam tanto em contar a história ou simplesmente não frustrar os marinheiros de primeira viagem que até cenas onde você erra continuam sem maiores problemas. Aquela sensação de querer dar um soco na porta do quarto depois de errar trocentas vezes a mesma cutcene não rolou em um único momento momento aqui e depois que eu percebi que não estava mais tão afim assim de saber o desfecho da trama eu até dei graças a Deus por não haver maiores empecilhos.

Eu realmente não consegui me envolver com nada ali, mas consigo destacar algumas lutas que foram bem fodas e chegaram a dar um pouco de emoção o bastante pra valerem pelo jogo todo na minha humilde opinião. A primeira foi contra o mestre dele, a cena nas fontes termais já tinha sido muito engraçada vendo pelo YouTube e eu acabei voltando a rir com ela ao vivo, aliás essa é a única passagem que consigo lembrar que envolveu quick time events sem colocar uma luta no meio. E a batalha contra ele foi demais, mesmo os comandos sendo sempre os mesmos, aquele cenário, a música clássica e meio apocalíptica e os cortes monstruosos com a espada te fazendo pular desesperadamente pra não ser atingido deram uma refrescada em tudo o que estava vendo até ali.

Na luta contra o Yasha fizeram um maior bom uso dos quick times do que em qualquer outra parte do jogo e ainda teve o penúltimo ato que pra mim poderia já ter fechado o jogo ali. Foi aquela tensão típica de anime em seus momentos finais mesmo, e foi gostosa de jogar uma vez que a batalha foi a mais desafiadora (ainda que muuuuito previsível) de todo game.

Fora isso, curti bastante o visual dos personagens e daquela visão futurista e ao mesmo retrô do recanto das divindades. O mesmo vale para os Buddas equipados com armamento pesado, eles junto com aqueles lanceiros na mesma tela sempre davam uma boa briga. Tem também umas artworks que vão aparecendo pra complementar a história, todas muito bem desenhadas, toda vez que olho uma delas me lembro do quanto esse jogo funcionaria melhor sendo um mangá ou uma comics já que uma animação não me empolgaria tanto. Ah… e tem a trilha sonora né?  Meio ”anarutada” por assim dizer, mas eu gostei pacas também.

Hora de fechar o caixão? Bem, tudo o que quis dizer aqui foi que Asura’s Wrath a primeira vista é um jogo cheio de personalidade, mas na prática a mais nova criação da CyberConnnect2 é só um amontoado de figuras e situações que eu e você já vimos. Só para dar um exemplo final, o próprio plot segue aquela velha história dos deuses que castigam os seres vivos afim de purificar a Terra do mal acumulado nela através dos anos (Saint Seiya mandou lembranças). Some isso ao fato broxante dos quick times não terem sido devidamente dosados e você tem um jogo bem mediano mesmo tendo potencial para muito mais. Como eu disse mais acima, gostaria muito de rever um jogo nesses moldes, mas não acho que isso dê certo com surpresas caindo de pára quedas como Asura’s Wrath.

Acho que para um game querer se tornar um anime tem que fazer muito mais que isso. O que eu adoraria ver mesmo é o caminho contrário sendo trilhado, mas eu temo que o possível conforto de se lançar jogos em portáteis não deixe que isso aconteça tão cedo.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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