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Reflexão | Segregações por excesso de opções…

Cada um ali curte uma coisa diferente…

Está cada vez mais raro ter programas e hobbies em comum com outras pessoas?

A idéia desse texto surgiu em virtude de uma conversa que estava rolando ontem no fórum da equipe do blog. Estava meio que de bicão vendo o Rackor, Konsama e o Meltoh debaterem quais poderiam ser as próximas pautas do PortallosOn e na dificuldade que estavam tendo para chegar num consenso de algum tema que fosse confortável a todos ali. Afinal não tem coisa pior do que gravar um podcast onde apenas um entende o tema e os demais ficam viajando na maionese, e olha que tem muito podcast onde isso acontece às vezes. O caso é que temas e sugestões existem aos montes, seja de quadrinhos, games, cinema, animês, seriados etc. Mas e pra chegar a algo em que todos ali presentes acompanhem ou conheçam ao menos o básico? Pode parecer mentira, mas estava difícil achar alguma coisa em comum.

Isso acontece porque há opções demais no mundo moderno. Lembro de como eram as coisas pré-internet. Era muito mais simples ter gostos similares entre os conhecidos e amigos. Galera que se reunia para jogar Mortal Kombat no vizinho, fora a popularidade em comum e massiva de games como Sonic e Mario. Você conversava sobre os programas que existiam apenas na TV, nos poucos canais que exibiam algo de interessante a se comentar. Gibis? Somente os que eram publicados por aqui e se achava nas bancas. Música só o que as rádios tocavam sempre de hora em hora. Animês eram aqueles exibidos na Manchete durante a semana e no SBT nas manhãs de sábado e olhe lá.

Se no passado existiam poucas opções de entretenimento em algumas áreas, hoje em dia essas opções se expandiram quase que ao infinito e além. Hoje você tem novíssimos games sendo lançados toda semana, para diversas plataformas, indo de consoles, portáteis, celulares e até mesmo o formato digital e universo indie. Música, televisão, quadrinhos também tomaram proporções além das fronteiras regionais. Hoje em dia se assiste qualquer programa, escuta qualquer música e lê quadrinhos produzidos em qualquer lugar do planeta. As proporções de opções de entretenimento cresceram a níveis absurdos e acompanhar de tudo um pouco passou a ser algo impossível.

Aí é comum você ter amigos e conhecidos que não assistem as mesmas coisas que você, que não joguem as mesmas plataformas e franquias, que não lêem as mesmas coisas que você lê. É mais fácil vocês citarem coisas que sejam desconhecidos um do outro do que coisas em comum. Faça esse teste.

É claro que aí cabem certas exceções. Mesmo no ramo do entretenimento existem as opções mainstream, ou seja, títulos e produções que quase todo mundo conhece ou acompanha. Mas mesmo estas estão se tornando cada vez mais difíceis de surgirem num mundo onde as opções aumentam a cada dia. Lost foi um desses eventos mainstrem, que o mundo parou pra assistir, que pipocavam discussões massivas ao redor do globo (e da web). Mas depois que acabou se percebe que até hoje tentam emplacar algo com a magnitude que Lost conseguiu. Pode-se dizer que The Walking Dead e Game of Thrones quase conseguiu esse feito, mas em minha opinião eles não chegam perto da febre que Lost em seus primeiros anos.

Outro exemplo dentro do conceito de mainstream são os games da série Call of Duty. Quase todo mundo, ao menos uma vez na vida, já jogou CoD ou pelo menos um jogo dentro do gênero do mesmo nestes últimos anos. Se não jogou, ao menos conhece. Sabe do que se trata, sabe da fama que a franquia possui. Não é uma propriedade desconhecida. Nos cinemas a gente pode citar o sucesso do filme Os Vingadores esse ano. Todo mundo assistiu. E quem não assistiu sabe do sucesso estrondoso que foi.

E não que a qualidade tenha caído. Ainda se produz muita coisa de qualidade, o problema é que a quantidade de opções cresceu tanto que fica mais difícil ver de tudo um pouco. Ficou difícil criar um foco. Emplacar um mega sucesso hoje em dia é muito mais difícil e complicado do que no passado, quando nossa cartilha de opções era muito mais limitada. Por exemplo, na esfera das séries de TV levante a mão quem não assistiu Homeland, série americana do ano passado que arrancou elogios da critica especializada. Eu assisti e achei fenomenal, me deixou muito mais impressionado do que esse segundo ano de Games of Thrones. Você assistiu? Outro exemplo é Breakind Bad que passou seus primeiros anos totalmente no escuro por muitos até explodir recentemente e virar mega hit dos fãs de seriados americanos.

E vale dizer que as opções não se resumem apenas ao que se produz hoje em dia, mas também a tudo que já foi feito. Isso é bem explícito no ramo dos quadrinhos, onde se encontra na internet anos e anos de cronologia de HQs de super-heróis. Tem muita gente que prefere ler arcos e sagas do passado desse universo do que ler o que está sendo produzido atualmente. Eu mesmo recentemente terminei de ler A Noite Mais Densa da DC Comics e estou chegando ao fim de O Dia Mais Claro, para logo em seguida ler o arco Flashpoint. Só depois disso é que vou pensar em olhar Os Novos 52, que são a proposta atual da DC. Então as opções não se resumem apenas ao agora, mas também ao que já se produziu no passado. Games, séries, mangás também possuem essas opções.

Outro fato comum nesse mundo de infinitas opções é que muitas vezes as pessoas encontram algo que curtem e ficam apenas ali, e não sentem vontade de explorar novas opções, novos meios de entretenimento. É porque dentro daquilo que elas curtem há tantas e tantas opções, que mesmo que elas quisessem explorar novas fronteiras não haveria tempo ou energia para tal. Esse fato é muito comum na comunidade que é fã de mangás e animês. Existem tantas opções, seja do passado ou do presente, que não é difícil ver por aí conhecidos que ficam sobrecarregados com esse universo. Assistem coisas demais, lêem demais e não possuem tempo para mais nada fora dessa esfera. A pessoa pode até dizer que não curte nada além dessa esfera, mas muitas vezes é porque ela não dá chance a mais nada, devido à quantidade de coisas que já acompanha.

É engraçado que mesmo com tantas opções, às vezes as pessoas não procuram à diversidade em relação aquilo na qual estão habituadas. Isso porque você simplesmente não vai conseguir viver no mundo real se realmente quiser ver o melhor de cada área. Não dá para ver os melhores animês, jogar os melhores games, assistir as melhores séries e ler os melhores gibis (ou livros). Não dá. Não há tempo no mundo que permita uma pessoa acompanhar o melhor de tudo.

Veja bem não estou aqui para julgar ninguém, muito menos para dar lição de moral. E nem para dizer que deveríamos ter menos opções. Não estou julgando ou dizendo que se você só curte determinada coisa está fazendo algo errado. É apenas um relato de como o mundo anda funcionando nessa era digital, onde tudo está a um clique de distância, onde não há mais barreiras regionais e tudo está disponível para quem tem internet e vontade de se entreter com algo. Onde você tem a liberdade total de fazer o que quiser no seu tempo livre. Lembra como comecei essa matéria? Estava falando sobre a forma como as pessoas estão ficando um pouco mais distantes entre si. Está difícil juntar alguns conhecidos para falar de uma série, sobre um game, sobre um mangá. Cada um anda gostando de uma coisa. Antigamente era mais fácil se reunir com os amigos para discutir algo em comum sobre o que anda lendo, jogando ou assistindo?

Obs: abri a matéria com uma tirinha que brinca com essa coisa do isolamento, e fecho com uma que brinca com o excesso. Ambas são do excelente Ryot IRAS.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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