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Reflexão | O importante papel de leitor de um blog…

Já faz algumas semanas que estou assando essa reflexão no forno da cachola, sem saber exatamente se conseguirei transmitir tudo que gostaria, sem soar como um sermão ou um pedido ao leitor do Portallos. Claro que minha intenção é sim dar um pouco de consciência ao leitor que curte o trabalho que vem sendo feito no blog e que não sabe que pode ajudar sem fazer quase nada ou já o faz e nem sabe que ajuda. É certo também que esse é um pensamento meu, e não necessariamente um guia escrito em pedra sobre o bom leitor de um blog.

Até porque o que vou escrever aqui não serve unicamente e exclusivamente para o Portallos, são instruções simples, que servem para qualquer site, blog ou página na qual você é muito fã e sente essa necessidade de apoiar o trabalho da pessoa ou do grupo de pessoas que tornam um website algo divertido de se entreter, seguir recomendações e dicas, se inspirar e refletir sobre coisas que talvez você não o fizesse sozinho, sem ter ângulos diferentes de opiniões, ainda que muitas vezes até controversas.

O barato é que hoje tenho um conceito do papel do leitor muito maior do que tinha, sei lá, há uns 5 anos atrás, quando ainda estava começando o Portallos, porém já vinha de outros 5 ou 6 anos administrando um fórum, que alias tem outra dinâmica e química totalmente diferente e que também depende muito de seus membros. E admito que já errei muito com o visitante, seja ele leitor do blog ou membros dos meus tempos de fóruns. As vezes é difícil entender os dois lados da moeda, de quem produz e de consome essa produção.

Lembro de um tempo, quando o blog tinha uma equipe numerosa de participantes, em que haviam discussões calorosas internas a respeito do papel do leitor nos comentários. Por que poucos comentam? Como incentivar os comentários? É necessário cobrar do leitor que o mesmo precisa comentar? Pedir comentários ajuda? Nossa, virávamos semanas falando sobre isso. Criávamos projetos, artimanhas que incentivavam comentários etc. Isso porque comentários são importantes até um certo ponto.

São dos comentários que um blog pode determinar pautas, colher sugestões, e sentir o feedback da direção que a embarcação está seguindo e se está tudo indo para onde deve ir. Até críticas, se bem redigidas e educadas acabam ajudando. E muitas vezes isso é feito através de comentários. Não adianta pedir para o leitor mandar estas coisas pela página de contatos, pois é como se pedisse para ele escrever uma cartinha e mandar pelos Correios. Isso ainda até acontece em algumas mídias, como podcasts ou grandes portais de entretenimento, mas no menores, o fervor do leitor é feito muitas vezes nos comentários e em outras estatísticas numéricas.

É bom mencionar essa coisa de estatísticas porque elas também são importantes, pois há uma parcela gigantesca de visitantes e leitores de qualquer site que não se sentem a vontade para se manifestarem por comentários. E acredito que mais de dois terços do público de qualquer site não se manifesta. Como sentir o feedback desse pessoal? Pelo números. Pela visitas em links próprios, pelo acesso de links externos de um blog, pelos links em que os leitores clicam daqui para irem a outros lugares. Tudo isso é analisado internamente pelo sistema e assim o administrador pode avaliar o que tem clamor por participação de leitores e aquilo que tem atenção de visitantes interessados apenas em saber sobre determinado assunto. Veja que interessante.

Só que a importância do leitor vai muito além de números ou comentários. Chegando muitas vezes ele a ditar se um blog vai viver ou morrer. Mas calma que não estou escrevendo isso para deixar implícito uma ameaça de fim de qualquer blog que não tenha leitores conscientes de seu papel, até porque como comentei no início, muitos leitores já ajudam um blog a se manter, sem nem mesmo imaginar que o fazem.

Há um velho dilema que permeia a internet desde que ela surgiu, e que talvez hoje em dia as pessoas estejam mais tranquilas quanto a isso e se sintam menos incomodadas. Estou me referindo ao velho tabu de monetização de seu espaço na web. Tudo bem um blog ganhar algum dinheiro pelo esforço de seu administrador ou administradores? Me lembro que há poucos anos atrás havia internautas que repudiavam, por exemplo, sites e blogs com anúncios, banners e qualquer tipo de publicidade, os famosos adsenses. Hoje em dia parece que a coisa toda ficou menos absurda, talvez mais complacente. E isso é bom já que ambos os lados se beneficiam disso. O dono de um espaço se sente mais motivado a continuar e a se esforçar mais com seu trabalho – porque mesmo que tudo comece como hobby, para desestressar ou desabafar, eventualmente com o crescimento e amadurecimento de um site, acaba virando um pouco de trabalho – e o leitor acaba ganhando também, porque se ele curte o espaço, ele vai ficar mais feliz com mais conteúdo, melhor qualidade editorial, interface que vai evoluindo etc. Isso aconteceu com o Portallos e não é segredo algum!

Quando criei o Portallos, era para ser apenas uma brincadeira, algo para me entreter enquanto decidia meu futuro na vida pessoal e profissional, enquanto o fórum que administrava já não me divertia mais e queria expandir meus horizontes. Com o tempo a coisa foi ficando séria, precisava cumprir com certos deveres com os leitores, afinal como disse, isso também é parte fundamental de um espaço interativo online. Mesmo que você não queria, acaba se tornando um trabalho, principalmente quando a responsabilidade começa a ficar mais puxada. Te toma tempo, dá trabalho e a responsabilidade te cobra para continuar crescendo, se aprimorando ao mesmo tempo em que se torna um desafio, até onde você conseguir ir, até quanto consegue crescer, é sangue e suor. Porque no final das contas, bate uma alegria, um orgulho, bate aquela sensação de conquistar algo, ainda que pequeno ou insignificante sobre o olhar de outras pessoas que não entendem como alguém pode passar tanto tempo mexendo com isso. Ou seja, é uma vitória do ego também.

Só retornando para o foco principal da reflexão. E o papel do leitor? A sua importância? O que o leitor faz consciente e inconsciente que ajuda no crescimento de um espaço na internet? Há várias pequenas coisas que todo leitor faz ou pode fazer para ajudar um cantinho que ele curte. E não digo isso apenas por ser dono de um blog, porque aqui eu sou dono, mas em qualquer outro lugar que acesse, me transformo num leitor, e tenho a consciência que nesse status, as vezes vale a pena dar aquela força para um amigo ou site que sei que merece essa atenção.

A primeira coisa é apenas acessar o blog. Dar o que chamamos de pageview. Vir ao blog, visitá-lo, ver o que tem de novo no dia. E voltar mais vezes se puder. O leitor que pode fazer isso todo dia, ajuda ainda mais. Vou usar a minha rotina como exemplo, ao menos dos sites e blogs que sou fã. Já inicio a minha rotina diária indo na minha barra de favoritos e entrando em todos, com múltiplas abas mesmo para ser mais eficiente. As vezes nem vou ficar muito em um ou outro especificamente, mas ao menos o pageview do dia para ele eu já garanti. Há muitos sites que retorno ao longo do dia em busca de novos conteúdos, em especial daqueles que sei que conseguem isso, mas até mesmo de sites que o conteúdo é bem irregular, ao menos uma vez por dia vou lá dar uma espiada. Afinal se já estou por aqui, na web, mal não faz.

Comentar ajuda? Como disse alguns parágrafos acima, sim ajuda. Sentir o que o leitor está sentindo ao se expressar em sua página é importante. Muita coisa que já escrevi por aqui já veio de comentários do blog e também dos que leio por aí. Mas hoje em dia já acho errado aqueles blogs ou páginas que pedem comentários, pedem participação dos leitores. Isso já não curto mais. Não se força um leitor a participar. Ele comenta se quiser, se tiver algo a acrescentar, se quiser se manifestar. O comentário espontâneo é ainda mais importante, porque ele é o comentário mais sincero possível. Eu mesmo, quando estou no papel de leitor, comento muito pouco por aí. É raro mesmo, e só faço se tenho mesmo algo a acrescentar ou a me revoltar – afinal isso é internet, mais uma vez. E não há problema em ser assim, na minha opinião.

Outra situação que não tem cartilha regulamentada é a respeito de como, você no papel de visitante e leitor deve se comportar perante as publicidades que um site ou blog venham a possuir. Por exemplo, o adsense do Google em suas regras é bem claro para que o responsável por um site ou blog que seja aceito em seu programa de publicidade não deve pedir aos seus leitores que fiquem clicando nos banners, sob pena de se considerado fraude e expulso do programa. Está correto isso, afinal essa também era uma prática antiga que muitos sites pediam de seus leitores. Hoje a coisa mudou um pouco também nesse sentido.

Antigamente estes programas de publicidades eram muito galhofas, no sentido de que nunca mostravam coisas interessantes ou relevantes e até mesmo rolava muita pornografia ou até mesmo links de sites maliciosos. Não estou dizendo que não existem ainda estes tipos de banners de publicidade (um exemplo de onde encontrar isso: nos banners do Pirate Bay), mas ao menos o do Google vem se tornando cada dia mais relevante e útil ao usuário que parar um segundo para ver qual a sugestão ali daquele anúncio. Claro que ele as vezes ainda galhofa, afinal é uma tecnologia que verifica o que a gente anda vendo na internet e sugere conforme nossos gostos, tal como o Facebook também o faz. Mas eu já soube de promoções e boas dicas de sites através do adsense do Google, além do fato dele constantemente fica me lembrando de produtos de lojas online que estou sempre de olho para adquirir. O que quero dizer é que já passou aquele conceito de que esse tipo de sistema servia apenas como poluição visual. Ainda é em parte, mas já dá sinais que pode vir a ser mais do que isso. E como venho dizendo, é um mal necessário para não só monetizar um blog na internet, como para descobrir números e estatísticas também de acesso, a rentabilidade de um site para que outros anunciantes maiores e mais específicos possam surgir e fazer tudo ficar ainda mais rentável, fazendo o blog crescer ainda mais.

Claro que ainda se faz necessários recursos safados, como banners no meio de artigos ou roubando o espaço do cabeçalho de um site. Aqui no Portallos tem isso, mas em portais ainda maiores também. O site do Jovem Nerd tem em todos os links de notícias. E isso não é errado, é sobrevivência e o jeito que os geradores de conteúdo conseguiram para chamar a atenção do leitor para esse tipo de publicidade. O Google alias sugere que se faça isso. Ainda se torce muito, claro, para que eventualmente o leitor clique em um anúncio que esteja no meio de uma matéria no blog, e isso acontece com muito mais frequência do que você possa imaginar. Talvez não do leitor veterano, mas sim do casual, que entra pela página via Google, ou por outros meios, apenas de passeio por aqui e que tem altas chances de não voltar e esquecer a gente – as vezes não por considerar o conteúdo ruim, mas por não ser aquilo que o mesmo procura. E aí fidelizar é outra coisa importante. Mas antes, a sugestão ao leitor é simples, viu um anúncio curioso, que possa te interessar? Ao clicar você só está ajudando, porém apenas se for mesmo algo de seu interesse, sem ficar clicando apenas por clicar.

Sobre fidelização, esse também é um papel importante que o leitor pode ter. Contar aos amigos que conhece um site bacana, usar os botões de compartilhamento que existe em toda página de um site ou blog, pois assim você está dizendo que gostou daquele conteúdo e está mostrando a conhecidos de sua rede social que aquilo também pode ser legal a eles. Eu fico impressionado com o poder do Facebook nesse sentido. Quando uma postagem do blog lá é compartilhada por uma ou duas pessoas, esse link praticamente dobra de visualizações por lá. Isso porque atingiu muito mais pessoas que a simples postagem que é feita na fanpage. Também não acho legal ficar pedindo por isso, sendo mais legal quando estas coisas acontecem espontaneamente, mas a pratica de pedir por curtidas ou compartilhamentos ainda é grande por lá. E isso meio que é feito exclusivamente com a ajuda do leitor, mostrando a força que ele pode ter socialmente nestas redes, ampliando a gama de novos leitores que possuem potencial de se fidelizarem a aquele espaço que você curte com carinho. E isso é feito pelos leitores que tem um carinho pelos espaços virtuais que curtem muito.

Bem, que mais posso dizer? Já falei sobre visitar com frequência, sobre a importância do comentário sincero, os motivos da publicidade localizada e da socialização do conteúdo, tudo isso mostrando a força que um leitor tem e são coisas que ele muitas vezes faz sem saber o quanto isso ajuda o espaço que ele tanto gosta. Acho que poderia falar de programas de afiliados que existem em muitos blogs, inclusive aqui no Portallos quando recomendo links do Submarino e da Americanas, onde se qualquer um que clicar nestes links e foram para tais lojas e comprarem alguma coisa, isso rende uma pequeníssima comissão ao blog afiliado por indicar o comprador e concretizar uma venda.

Esse é um dos motivos de existirem tantos sites que dão dicas, promoções e descontos, apesar de não serem o único motivo da existência destes. E quem é colecionador vai entender, afinal é realmente divertido recomendar algo quando é muito bom e barato, independente de ser filiado a loja ou não. Eu já recomendei coisas por aqui que não eram afiliados com o blog em nenhum sentido, a recomendação pura e simplesmente porque era um produto excelente ou um preço incrível. E muitas vezes esse tipo de prática meio que não é tão explicita assim aos leitores para não dar a sensação de que aquela dica só está sendo dada para ele comprar pelo link do blog, apesar de que isso também existe sim. Mas cabe ao leitor sempre julgar o que é válido para ele ou não. Isso é algo que talvez você devesse saber. Existe e tem muitos sites que dependem demais desse modelo de monetização. Eu como leitor destes sites não me sinto traído, porque adoro uma boa promoção e um bom desconto e já economizei muito graças a estes sites. E acho mais do que justo se dessa minha economia, isso render algumas moedinhas para quem me deu a dica. Pense nisso na próxima vez que for comprar numa loja que tenha estes programas de afiliados e você não for nela através de um link de algum site que curta, não que mereça algum tipo de condenação por isso, não se sinta assim, apenas ajude se puder no calor do momento.

Concluindo. Acho que consegui criar um texto bacana. Como disse lá no início, não é um sermão ou um pedido para que você venha aqui na obrigação de fazer isso ou aquilo. Acho que esse é um sentimento de bom senso e razoabilidade que existe para todo blog e site na internet. Talvez nem todos estejam nesse estado que estou exemplificando aqui, mas não se choque se algum dia estiverem nesse ponto. É um processo quase que natural e normal. Monetizar não é o demônio que muitos viam no passado, ainda traz sim algumas desvantagens, mas certamente há muito mais pontos positivos do que deméritos para qualquer site ou blog que queira isso. E temos bons exemplos na internet brasileira de grandes web-celebridades que começaram assim, pequenos num blog ou site e hoje em dia geram um conteúdo de fazer inveja a emissoras de TV. E conseguem justamente por terem conseguido monetizar seus espaços de tal forma que isso virou o sustento de vida de cada um. E não há alegria maior do que trabalhar em algo que você curta e se divirta. Aí os seguidores também ganham com um conteúdo que só melhora a cada dia. Mas tudo isso só é possível por causa dos leitores ou visitantes de um canal na internet. É você e mais um monte de gente que torna isso possível. Consciente de seus atos ou inconscientemente.

Sendo piegas; É esse o leitor que ele deixa de ser um simples tigre de pelúcia e se torna um tigre de verdade ao imaginário dos responsáveis por um espaço na internet. É um vínculo importante e de respeito mútuo, que gera momentos marcantes e que ficam para sempre, nessa rede mundial de computadores ligado pela teia da web.

Bacana, não?

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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