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Mighty Morphin Power Rangers Mega Battle | Apenas pela nostalgia! (Impressões)

Lançado em janeiro, Saban’s Mighty Morphin Power Rangers Mega Battle é um game modesto, apesar do enorme título. Talvez modesto até demais. Trata-se de um game no estilo briga de rua (beat’em up) na qual a grande pegada é o valor nostálgico aplicado ao escopo do game, que utiliza o que talvez seja a mais icônica fase da série, sua primeira temporada, datado lá do distante ano de 1993!

O jogo está saindo em um momento um tanto oportuno, surfando na onda do reboot da franquia que está ganhando um novo filme que deve estrear nos cinemas agora em março. E o novo filme trará de volta justamente estes mesmos personagens (Jason, Trini, Zack, Kimberly, Billy e Tommy) em uma nova abordagem e roupagem. Vai dar certo? Há boas chances!

Sem ter estreado ainda, e sem o risco de afastar os jogadores que não quisessem tomar spoilers diretos da nova produção, o game optou (imagino) por trabalhar com a antiga série da década de 90. Criando assim uma interessante pegada nostálgica em torno do título.

Só que como disse ao abrir a matéria: a produção do game é modesta, com ares de indie game. Apostaria até com um orçamento bem pequeno. Desenvolvido pelo estúdio Bamtang Games e distribuído mundialmente pela Bandai Namco, que meio que é a casa de games baseados em séries e franquias oriundas do Japão.

E assim, apontando logo de cara para o grande elefante na sala é preciso dizer que o game está custando um pouco mais do que acaba entregando ao jogador. 60 reais na loja online do Xbox One e 46 reais na loja do PlayStation 4. Não há versão para PC ainda.

Sendo justo, isso é mérito da conversão maluca que alguns games acabam recebendo aqui no Brasil. Lá fora é um game de 15 dólares, o que me parece justo. Normalmente seria um game que chegaria ao Brasil custando 29 reais. Algo o inflacionou… talvez o licenciamento, sei lá.

Possuindo esse sentimento indie, sendo um jogo simples, e com alguns problemas na qual quero discutir a seguir, não acho que ele esteja valendo o preço pelo qual está sendo cobrando. Para quem é fã de Power Rangers, gosta desse estilo de game e quer sentir a nostalgia, a minha recomendação é esperar um pouco e pegar o título em promoção. A menos que dinheiro não seja um problema para você, aí vá na fé mesmo.

Uma boa ideia, porém uma execução com algumas falha…

É impossível não apontar alguns problemas que o jogo possui e que são perceptíveis jogando-o já em sua primeira hora. A começar que os comandos e controles nem sempre funcionam com perfeição. Sabe aquela coisa de chegar perto de um inimigo, ter a impressão que está em frente ao mesmo, golpeá-lo e o jogo entender que você está paralelamente mais acima ou abaixo de onde deveria estar? Isso acontece a todo momento no game. E irrita bastante.

Essa falta de exatidão dentro da profundidade do plano 2D do game é bem ruim. Faz o jogador falhar em seus combos, tomar danos desnecessários e perder o ritmo da batalha. É um dos maiores problemas que posso encontrar em games de briga de rua.

Só que há mais uma coisa que me irritou também: correr! Para sair correndo é preciso colocar duas vezes para frente rapidamente, caso contrário o seu personagem só vai sair andando. O jogo não tem um sensor que consiga automatizar essa passagem do andar para o correr.

Normalmente os jogos possuem alguns recursos para deixar esse fluxo do movimento mais intuitivo ao jogador. Seja por um botão que ative o correr, seja apenas andando por alguns segundos para o jogo entender que você deve passar a correr então, automatizando a corrida. É muito ruim colocar para correr dentro do game, não necessariamente para avançar as áreas, mas as vezes apenas para ir de um lado ao outro da tela para pegar um outro inimigo. Enfim, é um comando impreciso e mais burocrático do que deveria ser.

Tirando isso, os comandos, combos e golpes são o suficiente dentro de sua proposta. No começo parece simplório demais. Há uma curva que demora um capítulo inteiro do game para dar mais peso as batalhas, enquanto a árvore de habilidade não surge e novos golpes e combos ainda não podem ser destravados conforme o nível do seu Power Ranger.

Cada personagem tem um sistema individual de level, então todos precisam subir de nível para destravar novos comandos. E assim, ao jogador é permitido voltar a tela inicial e trocar de Ranger, entretanto jogar com um deles em level 1 em um estágio mais avançado do game é basicamente impossível. Precisa upar todos individualmente pelas fases iniciais e ir progredindo através delas seu Power Ranger.

Eu até que gostei das fases. Elas são simples, mas como venho reforçando, é um game simples. Porém funcionam ao gênero proposto. Há uma ou outra fase que acabou me surpreendendo mais do que esperava, como uma na qual o Ranger desce um rio em cima de uma prancha ou em outras na qual a fase se movimenta sozinha e o jogador deve defender a área na qual se encontra. Existe até mesmo uma fase em que você precisa correr porque há um arco de fogo avançando às suas costas sem parar.

Há pequenas diferenças entre os status dos Power Rangers, como um causar maior dano e outro ter maior defesa, só que no geral não é nada que sentir ser tão perceptível assim. Não há golpes ou habilidades especiais para cada um. Os movimentos são iguais para todos, exceto a arma utilizada, que segue o tipo na qual cada um utiliza na série original. O Ranger vermelho uma uma espada, enquanto o Ranger preto se vira com um machado, por exemplo.

Quem está habituado ao gênero, sabe o que esperar. Os inimigos não são tão numerosos assim, entretanto o jogo possui um número bom o suficiente para me ter feito suar um pouco no último estágio, quando o game mistura todos tipos de inimigos em grande números para que os Rangers derrotem todos lidando com diversos tipos de ataques.

Normalmente o que o jogador irá encontrar são inimigos clássicos da série, que atacam de diversas formas. Alguns mais especiais também possuem jeitos certos para serem combatidos, como esperar a brecha na qual estes podem tomar dano ou pular para quebrar a defesa. Ao fim, é um game de esmagar botões. Ataque, ataque e ataque.

Ao menos é gostoso a jogabilidade de arremessar o inimigo para cima e continuar batendo no ar, até arremessá-lo ao chão e derrubar os demais que estiverem no caminho da queda. Há uma sensação de impacto muito boa aqui.

No que diz respeito aos comandos, é dado o jogador o ataque básico, um ataque mais forte, que gasta uma barra de energia e uma outra para atirar com sua arma laser. Isso significa que tirando o ataque normal, todos os demais devem ser usados de forma cometida, não deixando o game tão fácil assim (ainda que ele seja). Também é possível agarrar e planejar ataques coordenados com outros jogadores, neste último caso se estiver em multiplayer claro.

E sim, mais uma boa do game é que ele suporta até 4 jogadores no modo campanha. Mas apenas localmente. Não tem multiplayer online. Jogar com mais pessoas torna o game ainda mais divertido. Fato. No meu caso, só pude brincar com o meu pequeno de 4 anos, que ficou empolgado com o game, já que ele também conhece Power Rangers (essa fase ao menos) porque a mesma se encontra disponível na Netflix.

A má notícia é que o game não tem diálogos em áudio. Os personagens apenas falam alguns chavões da série, como gritar “Power Rangers“, e alguns personagens fazem os sons clássicos do seriado, mas apenas isso. A história é contada por meio de linhas de textos e para a tristeza de alguns estão todas em inglês. O game não está localizado para o Brasil.

Alto e baixo das batalhas contra chefes…

Não posso deixar de comentar também a pequena frustração que experimentei com as batalhas contra os chefes do game. Fiz até alguns vídeos para demonstrar o que irei descrever. Estes se encontram aqui, logo abaixo, na postagem.

Os chefes normalmente possuem dois momentos. Um na qual são pequenos e o jogador batalha com eles em um formato mais tradicional. Desvie dos ataques e espere o momento de contra atacar. Nesse ponto não tenho do que reclamar. O jogo mantém batalhas interessantes e chefes legais. Não são fantásticos, mas são clássicos do gênero de jogo.

O segundo ato eles ficam gigantes e tal como na série, os Power Rangers precisam montar o Megazord. Ficou animado ao ouvir isso, não? Eu também… pela primeira vez, até descobrir que as batalhas com o Megazord são uma espécie de mini games.

Estas batalhas se dividem em duas fases, uma em primeira pessoa na qual o jogador fica atirando no monstro gigante, destruindo seus disparos e acertando seus pontos chaves (que ficam marcados na tela). Depois disso vem a batalha que visualmente lembra um game de luta 2D tradicional, estilo Street Fighter II. Porém minha infelicidade é apenas uma tela de quick time event. Vá apertando os botões que aparece na tela e toda a animação segue de forma automatizada. Triste, não?

Se fosse assim apenas uma vez, até que estaria tudo bem. Só que todos os chefes do game são derrotados dessa mesma forma, com as mesmas animações. É uma repetição muito desnecessária. Realmente esperava assumir o controle do Megazord para socar algumas coisas. E isso não aconteceu.

Vale ou não vale?

Sendo bem sincero, sabendo de todos os pequenos problemas abordados nesse texto, e se você ainda estiver curioso pelo título, acredito que valha a pena continuar com esse sentimento. Agora se viu os problemas e já percebeu que eles vão lhe incomodar, não aposte muitas fichas em Power Rangers Mega Battle título nesse momento.

É um game que também fica muito mais divertido para quem é realmente fã de Power Rangers, em especial a fase clássica do seriado, na qual a história do game é toda baseada. Não me recordo muito bem da série, mas me pareceu que o game segue boa parte da história original, com o combate encerrando contra o Lord Zedd e suas torres em uma outra dimensão e os Rangers, junto com o Ranger Verde (Tommy), salvando a Terra.

É um game também relativamente curto. O finalizei em 3 horas. São seis capítulos com três estágios cada um, totalizando 18 fases. Porém depois de terminado são habilitados alguns extras, como um modo de arena com 50 onda de inimigos e um modo Boss Rush, com todos os chefes em sequência. Dá para perder mais algumas horinhas aí.

Vale mais pela nostalgia, afinal a trilha sonora da série se faz presente, os inimigos e personagens e todo aquele charme noventista que essa primeira série dos Power Rangers possuía estão em peso aqui. Apenas não vá esperando uma jogabilidade refinada ou com grandes expectativas. Tenha amigos para jogar em um sábado à tarde e aí sim, você pode se divertir com o game com certeza.

Mais imagens!

Apelo nostálgico é o ponto alto da proposta do game
Visual e gráficos são apenas okey
Jogabilidade é quebrada em alguns pontos
Megazord me quebrou, esperava outra coisa
Árvore de habilidades quando liberada dá ritmo
Sem localização (tudo está em inglês)
Mais divertido em multiplayer (local)

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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