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Na pilha de mangás… Dr. Slump, Fort of Apocalyse entre outros

Toda vez que olho a minha pilha de mangás que ainda precisam ser lidos me assusto. Tem muita coisa e anda sendo difícil da conta de tanto lançamento aqui no mercado nacional. Estamos em um Brasil de crise econômica, mas os bons mangás não param de sair e felizmente não andam sendo cancelados.

Um dos motivos para ter criado esse espaço chamado Folheando, foi justamente para poder comentar rapidinho sobre alguns títulos em mangás que ainda irei buscar tempo para ler ou, neste caso, daqueles que já li e ainda não consegui escrever suas resenhas aqui no site – porém farei assim que possível.

Sempre me considerei um colecionador voraz de quadrinhos Disney, um hábito que tenho desde a infância, entretanto quando olho para as minhas prateleiras, minha mesa ou toda uma estante alojada no quarto do meu filho (na qual antes dele nascer era justamente um quarto de tranqueiras) fica difícil não admitir que também sou um colecionador (roxo) de mangás. Tenho muitos títulos, alguns completos que sequer consegui terminar de ler – Ranma ½ sempre me assombra nesse sentido.

Dito isso, atualmente adquirir o hábito de ler as primeiras edições de quase todos os lançamentos em mangás no Brasil. Seja porque a Editora envia ao site, seja porque acabo tendo a curiosidade e pega a primeira edição aqui na banca da cidade mesmo. E isso anda fazendo com que eu descubra muitos títulos que em qualquer outra situação no passado jamais passaria a colecionar.

E isso recentemente aconteceu com um título que ainda irei resenhar, mas que já quero trazer para este espaço: Fort of Apocalypse da Editora JBC.

Temas e gêneros de mangás existem aos montes e de todos os diversos tipos. Quem é um leitor habitual dos quadrinhos japoneses acaba eventualmente entrando em um ciclo na qual encontra clichês e enredos repetidos ou parecidos aos montes, e mesmo que sejam bons, nem sempre são o suficiente para que o leitor dê chance e continue indo atrás de novas edições ou capítulos. Isso acontece direto comigo, mas Fort of Apocalypse conseguiu fugir esse status quo na qual muitos mangás não passam pelo meu crivo.

Talvez seja porque não tenha lido tantos mangás com a temática de zumbis, talvez seja porque tenha me agradado saber que ele tem apenas 10 volumes (e a JBC já lançou até o volume 5 no Brasil), mas tem algo que agradou a seu respeito. A história é sobre um jovem que é preso injustamente por um crime que não cometeu. No começo não há qualquer indicio de que trata-se de um mangá de zumbi, mas aí eles surgem e o mangá continua bom e divertido.

É bem engenhoso como o autor cria esse evento do apocalipse de zumbis e como isso vai tomando proporções até o ponto da infestação chegar ao presídio na qual o protagonista da história está preso. Todo o primeiro volume trabalha com o elemento da descrença de alguns personagens, como se isso não fosse realmente possível.

E há um grupo interessante de personagens dentro do presídio que estão ao redor do protagonista e agora precisam sobreviver. Ao fim, o primeiro volume termina de uma maneira tão maluca que torna impossível não querer continua lendo. Na mesma semana corri atrás e adquirir o segundo e terceiro volume do mangá. Bons tempos onde se pode adquirir mangás pela internet, não? Se dependesse de comprar na banca estaria com problemas. Minha pretensão é ler mais estes volumes antes de vir escrever a resenha por aqui.

Indo adiante, uma das minhas leituras mais recentes, e muito aguardada, foi a primeira edição de um clássico do Akira Toriyama (autor de Dragon Ball): Dr. Slump que está chegando esse mês às bancas pela Editora Panini!

Esta não é a primeira vez que Dr. Slump chega ao Brasil. A Conrad tentou lançar o mangá no passado mas nunca chegou de fato a terminar de lança-lo. A Panini está tendo a primeira chance de fazer isso com este lançamento. Resta torcer para que isso aconteça. Apesar de que são ratos os títulos atuais em mangás que são cancelados no Brasil. Existem casos, mas são bem esporádicos. Tanto a Panini quanto a JBC tem levado muito à sério a publicações de seus títulos, gerando assim confiança e credibilidade na comunidade (ao menos em boa parte dela).

O que posso dizer de antemão, antes da resenha do primeiro volume – que espero ter tempo para fazer dentro dessa semana ou no mais tardar da próxima – é que Dr. Slump é genial. O mangá é uma das primeiras obras de sucesso do Toriyama, precedendo seu trabalho com Dragon Ball.

Na época poderia ser facilmente chamado de mangá infantil, voltado totalmente a criançada japonesa da década de 80, com muito humor pastelão, nonsense e piadas de duplo sentido. Hoje esse tipo de humor não mais existe! Há muita coisa politicamente errada em Dr. Slump, o que o torna muito mais agradável sua leitura nos dias de hoje por uma galera mais adulta que aprecia esse tipo de trabalho, mas não o encontra com tanta facilidade em tempos modernos. Ri por diversas vezes de gags bobocas ou piadas sujas. Claramente sinto falta desse humor que existia também massivamente nos anos 80 e 90.

Dr. Slump conta as aventuras desse inventor, cujo seu nome leva título do mangá, e sua criação, uma robô (androide) chamada Arale e as aventuras de ambos na Vila Pinguim. Slump é quase como um Prof. Pardal da Disney. Não há nada que ele não possa construir, enquanto Arale é garota androide de 13 anos, que não entendo muito bem nada e vive causando confusão na vila, por mais que o doutor insista para que ela seja discreta, pois ninguém deve saber que ela é uma robô.

A primeira edição tem viagem no tempo, raio encolhedor, discussões sobre porque Arale não tem partes femininas, tem bebê anjo nascendo de um ovo e muito mais. É loucura e humor sem noção em um ritmo inacreditável. É um mangá perfeito para quem está cansado do politicamente correto nas atuais obras de humor. É um mangá dos bons tempos onde não havia tantas amarradas e freios para se produzir humor besta, porém que achávamos engraçados.

Indo adiante, mais sucintamente, há outros quatro títulos que também li nos últimos tempos e não consegui ter tempo para dissecá-los aqui em resenhas individuais: One Week Friends, Quem é Sakamoto?, The God’s Lie da Editora Panini e Nijigahara Holograh da Editora JBC.

Começando pelo último mencionado Nijigahara Holograph é um mangá de volume único, ou seja, é uma obra stand alone, a história tem começo, meio e fim em uma única edição. É uma destas boas novidades atuais do mercado atual de mangás no Brasil, com as editoras lançado mangás únicos, que não exigem do leitor o compromisso de passar meses seguindo dezenas de edições de volumes.

Trata-se de um mangá bem sombrio, altamente filosófico e bem interpretativo. É bem aclamado pelos fãs do autor, dito como sua maior obra. No meu caso, sem uma bagagem em torno da obra ou do autor em si, não fiquei tão impressionando quanto achei que poderia ficar depois de tantos elogios a seu respeito.

É um daqueles mangás com múltiplas histórias e personagens na qual a narrativa não obedece a cronologia dos eventos, com passado, presente e futuro se misturando a todo o momento, até o ponto onde o enredo faz a conexão de plots e de personagens. É um daqueles mangás que uma única leitura não é suficiente para entender toda a sua complexidade, todos os detalhes de sua história. É bem cabeça mesmo. Envolve um grupo de crianças, um crime, traumas, mitos sobrenaturais e um assassino! “Pouca coisa“, não?

Em contra partida, há o The God’s Lie, lançado pela Panini e que também é uma obra de volume único. Não traz uma história tão filosófica ou complexa, mas que me tocou e mexeu com certas emoções pessoais. Em grande parte porque no geral é uma história de abandono infantil, sobre pais e filhos. Gosto desse tempo, sempre preocupado com o meu pequeno que está prestes a completar 5 anos de idade.

Não dá para revelar muito do enredo sem estragar a surpresa da descoberta que esse mangá exige para ser uma boa leitura. É sobre uma mentira, sobre um garoto que conhece uma menina que vive em condições muito precárias com seu irmão menor. O mangá apresenta essa relação entre o garoto e a garota, enquanto vai revelando mais sobre o passado dos irmãos e o que aconteceu com a família deles.

The God’s Lie não é um mangá que renova seu gênero ou contém uma trama inovadora e surpreendente. Apenas contém um boa narrativa. Um traço redondinho, que casa com sua proposta. O leitor fica tocado pela história em si. É uma obra que me agradou, mas sinto que não é um mangá imprescindível para qualquer fã de mangá.

Os últimos títulos que merecem alguns comentários por aqui são One Week Friends e Quem é Sakamoto?, ambos com algumas edições já encaminhadas em bancas, mas ainda considerados lançamentos do ano pela Panini. Dois títulos bem diferentes do que normalmente se espera de publicações nipônicas- ou não, afinal com o tempo todo mundo aprende que mangá tem de tudo quanto é tipo e jeito.

One Week Friends é um daqueles títulos de vida escolar, onde um garoto se apaixona por uma garota e vive os dilemas e dramas juvenis que todos vivemos quando estamos em tal idade. A plot twist do enredo aqui é que a garota sobre de perda de memória recente, quase como um Como se Fosse a Primeira Vez (aquele filme com Adam Sandler e Drew Barrymore). No caso do mangá, a memória some ao final de uma semana, e somente daquelas pessoas na qual a garota considera íntima (um amigo, por exemplo).

O primeiro volume tem esse cenário clichê ao que o enredo se propõem, com o garoto tendo que conhecer a garota toda semana, com ela escrevendo um diário para não esquecer dele e toda a situação que contextualiza a condição médica da menina e os motivos para ela não tem qualquer relação de amizade com qualquer pessoa do colégio.

One Week Friends ainda tem o diferencial dele conter quadros tradicionais em mangá misturados com típicas páginas de tirinhas verticais, que existem dentro da narrativa do capítulo. Isso torna-o um bem mais diferente do que esperava. Ora é bom, ora não parece funcionar com o humor na qual tirinhas são no Brasil.

Não é um título dramalhão, pelo contrário, é bem leva na comédia romântica, que melhora bastante no final da edição, quando um amigo do garoto se junta a dupla e cria uma química diferente ao grupo, em uma situação na qual a garota lembra dele (porque ele não é seu amigo), mas não do garoto na qual ela passa a gostar toda semana.

Não é um título que me incentivaria a ter na coleção, porém admito ter ficado um pouco curioso para ler mais um ou dois volumes e ver para onde mais a narrativa desse mangá por levar o leitor.

Por último, Quem é Sakamoto?, que também é um título bem estranho e até meio bizarro, que tem como protagonista o cara perfeito, o melhor em tudo, Sakamoto. É aquele típico protagonista que se não for muito bem equilibrado todo leitor passa a odiá-lo com o tempo.

A princípio esse personagem passa aquela ideia de protagonista meio arrogante, meio cheio de si, apenas porque é o cara bom demais em tudo que faz. Amado por todas as garotas e odiado por todos os rapazes.  É preciso ler todo o primeiro volume para começar a se simpatizar com a proposta do mangá.

Posso estar errado, mas a impressão que tive é que mesmo com uma dose estranha de um humor muito bizarro, o autor está fazendo uma espécie de crítica social em torno justamente do perfeccionismo da sociedade moderna e sobre ser uma pessoa melhor, mas sem ser se tornar esse idealismo da perfeição.

Sakamoto inicialmente passa essa ideia de um protagonista escroto, cheio de si, mas logo o mangá deixa claro que ele está tornando as pessoas ao seu redor melhor. E não é como se ele estivesse dando uma lição de moral para estar pessoal, mas sendo um modelo na qual exerce uma influência natural ao seu meio para que você queira dar melhor de si. É muito bizarro, mas em algum ponto da primeira edição algo passa a fazer sentido.

Já acompanho vários mangás de humor ultimamente, e Sakamoto não é um título que caiu no meu agrado, porém ele tem uma camada filosófica interessante em meio essa toda a esquisitice do mangá. Não devo colecionar, mas se algum dia tiver a chance de olhar outras edições, não acharia ruim. De toda forma quero espero fazer a resenha e explicar melhor essa primeira edição e suas histórias.

Até a próxima pilha e/ou as resenhas de cada uma das respectivas edições aqui comentadas.

 

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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