Dando Nota!Jogando

Tricky Towers | Construindo torres instáveis com peças de Tetris! (Impressões)

Lançado ano passado para PC e PlayStation 4, neste último caso chegou inclusive a ser lançado como um game gratuito para os membros da PS Plus, Tricky Towers é um divertido indie game, desenvolvido pelo estúdio holandês chamado chamado WeirdBeard, cujo o objetivo é construir torres utilizando as famosas e icônicas peças de Tetris utilizando física para manter sua construção em pé, enquanto pequenos magos utilizam feitiços para ajudar ou atrapalhar a sua construção.

Passado um pouco mais de um ano, Tricky Towers chega em uma nova plataforma, o Xbox One, trazendo consigo uma nova modalidade (exclusiva à plataforma, por enquanto) de jogo em single player, chamado Infinito, que dá um pouco mais de liberdade aos jogadores para disputarem um placar global de líderes contra aqueles que curtem fazer grandes pontuações e baterem recordes. Mas antes de continuar a falar sobre esse modo faz mais sentido voltar um pouco e explicar melhor tudo o que o título tem a oferecer, quais suas modalidades de jogo e como funcionam as regras de suas mecânicas.

Tetris com física

A física de Tricky Tower é possivelmente seu meio ponto positivo. A ideia de que as peças de Tetris não se colam automaticamente umas às outras e que o peso delas importam para que as mesmas fiquem ou não imóveis é genial! E não só o fato delas escorregarem e caírem, mas também porque elas podem simplesmente ficarem tortas dentro da base na qual se quer construir, o que atrapalha o encaixe das próximas peças que irão descer para dar ritmo ao game.

Não há nada pior do que deixar uma peça mal encaixada (torta ou caída) com sua parte superior parecendo uma pirâmide no topo da sua construção. Como que você resolve isso se todas as peças são com bases retas? Elas simplesmente começam a escorregar a partir do topo dessa peça torta. A solução é ser criativo nestas horas. Empurrar uma peça errada para cair ou colocar uma outra ao lado da peça torta para criar uma nova base para recomeçar, ainda que exista o risco dessa base se abrir e tudo escorregar com o peso.

Outro desafio comum as mecânicas criadas pelo jogo é o afunilamento da sua torre. A base inicial não é larga e infinita. É só uma estrutura que cada três ou quatro peças uma ao lado da outra. E conforme a partida avança a tendência é que seus encaixes são sendo afunilados, seja porque o jogador vacilou e não aproveitou o espaço das bordas, seja porque o relógio lhe fez acelerar a sua construção, sem tempo para trabalhar a base como gostaria de trabalhar. Isso porque Tricky Towers o jogador está sempre correndo contra um fator adversário, seja o tempo ou um jogador que pode mandar uma habilidade para lhe atrapalhar.

Claro que com o tempo estratégias vão surgir e você irá se adaptar as novas regras de peças que conhecem as leis das física. Saber usar e abusar das bordas, encaixando peças que podem aumentar o espaço horizontal da base, ou habilidades que grudam ou solidificam peças ao redor. Há meios e maneiras de vencer a física, ou pelo menos trapacear um pouquinho, afinal são torres mágicas criadas por pequenos e simpáticos Magos.

Corra, sobreviva ou resolva

Tricky Towers ao todo possui três tipos de estágios, listados no título acima. Toda a infraestrutura do game funciona tendo como base estes três tipos, seja no modo multiplayer ou single player.

Corrida é um modo em que o jogador deve subir o mais rápido que conseguir até atingir um ponto predeterminado pelo game antes que uma contagem regressiva chega ao fim. Nessa modalidade, em single player, há um pequeno mago do outro lado com uma Torre já construida que determina o tamanho da sua e que eventualmente irá lhe mandar alguns feitiços quem mudam as peças, como fazer crescer grama ao redor delas para dificultar a visibilidade dos encaixes ou até mesmo mudar a composição das peças, como torná-las de gelo, fazendo-as ficarem super escorregadias.

Sobrevivência é talvez o modo mais legal, podendo variar de acordo com o gosto do jogador é claro. Aqui o game estipula um determinado número de peças, que vão cair em uma ordem aleatória (não adianta morrer e decorar o padrão do estágio, pois isso não irá funcionar) e o jogador precisa criar sua torre com estas peças, sem que nenhuma caia. Quer dizer, quase, pois você tem duas chances onde peças podem cair, sendo a terceira Game Over. Em paralelo ao desafio há um outro mago, que nessa modalidade, fica lançando magias que atrapalham o ritmo do jogador.  Dentre as magias estão peças gigantes, neblina, super velocidade e afins. Tudo para tentar dar as três tentativas de peças derrubadas da torre.

Por último, há o modo Puzzle que consistem em encaixar algumas peças predeterminadas, e neste caso não sendo elas aleatórias, nem mesmo na forma e ordem em como são disponibilizadas em cada estágio, em um pequeno espaço também preestabelecido. Não se pode passar de sua altura vertical da mesma forma como não se pode perder nenhuma das peças do puzzle. No geral não são desafios extremamente difíceis, ainda que existam estágios em que uma pegadinha é feita ao jogador quando o pequeno Mago adversário lança-lhe um feitiço que altera tamanho e padrões da última peça da partida. Estes tipo de estágios são feitos para você errar uma primeira vez. Não encontrei nenhum que tenha me empacado por muito tempo, ainda que tenha rolado alguns em que precisei reiniciar inúmeras vezes.

Estas três modalidades de partidas também funcionam no multiplayer do game, que funciona com até quatro jogadores simultaneamente, online e localmente. Nesse caso algumas regras são alteradas para funcionar como uma espécie de o último que restar. Por exemplo, em Puzzle Multiplayer o jogador que derrubar uma peça faz a estrutura de sua base subir, quando ele atingir o limite estabelecido, ele está fora da partida. No modo sobrevivência ganha quem conseguir encaixar mais peças antes de derrubar três delas. Enquanto o corrida acaba sendo mais divertido, pois o limite dos jogadores é daquele que chegar no topo da linha de chegada antes dos demais, enquanto usam feitiços para atrapalharem ou se beneficiarem.

Melhor com amigos

Dá para se estabelecer que Tricky Towers é um desses indie games que ficam melhores se houver a possibilidade de ser jogado com outros jogadores, amigos ou desconhecidos pela internet. O modo single player dela consiste em 50 desafios pré-configurados pelos desenvolvedores para que estes escalonem de dificuldade conforme se progride através deles, revezando entre corrida, puzzle e sobrevivência.

É uma modalidade divertida, mas também bem curtinha. Não há um modo campanha ou sequer uma historinha que envolva estes pequenos Magos obcecados por construirem enormes torres. Talvez porque Tricky Towers seja uma adaptação mais robusta (mas ainda singela) de um game mobile desenvolvido pelo mesmo estúdio lançado em 2014 chamado 99 Bricks Wizard Academy. Lá é mostrado os mesmos personagens de Tricky Tower e suas motivações em construir torres. Tem um trailer bacana que demonstra isso. Veja abaixo:

Nesse sentido achei que Tricky Towers é muito direto à sua proposta, sem dar um contexto a seus personagens. E não que fosse necessário, pois o game funciona totalmente sem isso, mas admito que minha afinidade com estes personagens cresceu mais um pouco depois que vi o pequeno vídeo acima, o que levanta o ponto do porque isso não estar no game para console. Deveria estar. Detalhes as vezes importam.

O que torna a experiência single player um pouco melhor é justamente o modo infinito, adicionado exclusivamente à versão para Xbox One. Ele é duradoura porque acaba não sendo limitada por um tempo, espaço ou peças pré definidas. O jogador deve sobreviver o quanto quiser, tornando as partidas maiores e o desafio mais livre, sem aquilo estabelecido pelas regras dos desafios dos desenvolvedores.

Em certo ponto você passa a se perguntar porque o game não lhe deixar configura um estágio single player da maneira, dificuldade e regras que quiser. Deveria ter algo assim. O infinito chega bem perto disso apenas.

É legal, por exemplo, que no multiplayer pode haver estágios em que o clima afeta a jogabilidade, como o vento. Isso poderia ser uma configuração para  se pré customizar em partidas single player, tal como peças de gelo ou frequência de feitiços ou verticalidade da fase. Senti falta dessa liberdade para o modo com um jogador.

Por isso Tricky Towers funciona, e até entendo que propositalmente, melhor nos modos multiplayers. As partidas possuem níveis de dificuldade, há modo de copas (algo como um torneio) e a variedade de situações criadas pelos jogadores são bem maiores e imprevisíveis as vezes.

Só é uma pena que sua chegada ao Xbox One tenha demorada um bocado de tempo. Isso fez com que o modo online não esteja tão cheio quando provavelmente deve ser com a turma no PC ou no PlayStation 4, onde os jogadores receberam o game de graça no mês de seu lançamento. O sistema de buscas no Xbox One tem sido bem lento e sofrido. Demora para se encontrar partidas. Nestas horas faz falta um cross play com a comunidade de PC. Para um futuro bem sucedido desse tipo de indie game focado em multiplayer certamente a comunicação entre plataformas vai acabar sendo necessário.

Outra crítica válida no que diz respeito à versão de Xbox One são os DLCs. Tricky Towers chegou à plataforma com sua versão base, sem algumas skins de peças e personagens que certamente tornariam o game mais atrativo se estivessem já incluídas na versão. Tudo bem, são skins baratinhas, em torno de 2 à 6 reais, porém poderiam já estar inclusas na versão que chega com um ano de atraso em relação as demais plataformas. Tem um DLC de skins com personagens de outros indie games que é adorável, só que precisa ser adquiria à parte do game.

Normalmente, mesmo não sendo uma regra sempre, quando um indie game chega muito tarde em uma nova plataforma os desenvolvedores lançam esse título com todos os DLCs, ainda que estéticos, inclusos no jogo base. Até como uma forma de estimular os jogadores a darem uma olhada em um título que não necessariamente é uma novidade dentro dos tantos jogos inéditos sendo lançados diariamente em diversas plataformas. Tricky Towers no Xbox One poderia ter recebido esse conteúdo sem que os jogadores tivessem que pagar mais por isso.

Considerações finais

Tricky Towers é uma divertida adição a minha biblioteca de indie games sem dúvida alguma. Se você é aquele tipo de jogador que curte estes joguinhos onde se pode reunir amigos para partidas amistosas em multiplayer é quase que um jogo obrigatório de se ter. É um ótimo party game.

Há uma proposta realmente engenhosa ao se misturar Tetris com física e construção de torres. O game possui um charme inegável. Tem uma jogabilidade gostosa, daquele tipo de jogo em que se pode sentar no sofá para relaxar, afiando o cérebro, mas sem ficar extremamente engajado como games mais complexos as vezes requerem do jogador, com um milhão de coisas acontecendo em tela e dezenas de comandos para serem realizados no controle. Tricky Towers é simples, porém inteligente.

É divertido como as mecânicas tornam-se imprevisíveis as vezes. Como algumas peças e construções vão responder diferente daqueles cenários que são tão comuns no Tetris tradicional. Eu me peguei rindo de mim mesmo em diversas situações onde achei que uma peça se comportaria de uma forma e com física aplicada ela faz algo totalmente diferente.

Minha crítica fica mesmo em dois pontos, a primeira que diz respeito a falta de mais opções para uma experiência mais completa individualmente, como uma história com estes personagens e um modo single em que seja possível customizar todas as regras de cenários, poderes e partida, quanto a chegada tardia do game no Xbox One, o que torna seu multiplayer meio complicado, com poucos jogadores online, carente de um cross play com o PC, fora a ausência dos DLCs que poderiam compor uma Edição Completa (ou Definitiva) do game à plataforma e estão sendo vendidos separadamente.

Quem já Tricky Towers em outra plataforma não tem porque pegá-lo novamente no Xbox One. A adição exclusiva de um modo infinito, por mais divertido que ele seja, não é suficiente para comprar novamente o game. Poderia ser em outras circunstanciais (se a versão tivesse DLCs ou cross play), mas da forma como Tricky Towers chegou ao console da Microsoft ele está apenas batendo cartão em uma nova plataforma em si.

Se você tem um outra plataforma, PC ou PS4, diria que é mais válido a aquisição do game nestas plataformas, porém sem poder afirmar ou confirmar se o multiplayer é realmente mais recheado de jogadores atualmente. A versão para Xbox One é válida se você tem amigos que querem jogar contigo ou se não houver esse problema em ficar apenas com os desafios single player nesse momento. Divertido o game certamente é.

Ao fim, digo que gostei bastante de Tricky Towers, mas estaria mentido se não dissesse que após um ano desde seu lançamento esperaria um pouco mais de conteúdo dentro do game. Fosse novos modos de jogo, novos desafios, novos cenários e novas situações. Parece que ao longo desse tempo o que os desenvolvedores conseguiram criar foi um modo torneio para o multiplayer online por meio de uma atualização gratuita e novas skins de peças e personagens para ser vendido à parte. Não que nada disso seja ruim, mas pelo que vi o game tem potencial para ser muito mais.

Vale ser jogado, mas é preciso ver qual é a experiência que você mais procura. Se for multiplayer online, com amigos ou via matchmaking, opte pelas versão que está a mais tempo no mercado. Agora se você é daqueles que só fica na experiência individual (e existe muitos assim) a versão de Xbox One com a adição do modo infinito é a mais indicada. De toda forma, Tricky Towers é um indie game que vale à pena se conhecer.

Mecânicas engenhosas e boa jogabilidade
Mais divertido se aproveitado em multiplayer
Carente para a experiência single player
Modo infinito no Xbox One é uma boa adição
Três sólidas modalidades de jogo
Precisa de mais opções para dar longevidade

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios