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Crítica | O que dizer de… Dragon Ball Super: Broly?

É a experiência de Dragon Ball que você quer ter em uma tela enorme

A estreia oficial de Dragon Ball Super: Broly aqui nos cinemas brasileiros aconteceu no dia 3 de janeiro. Entretanto, não sei se foi uma estreia que atingiu todas as salas de cinema do país. Ao menos não nesta data. Aqui na cidade de Jacareí, interior de São Paulo, que só possui um único cinema (da rede Cinemark) a estreia do filme só veio a acontecer ontem, dia 10 de janeiro. Em um único horário, uma única sessão por dia. Ruim, não? Porém mesmo diante da falta de opções, corri para assistir a animação no único horário a qual foi disponibilizado. E quem bom que fui!

Janeiro começou congestionado nas salas de cinema. Parece que tem muita produção fugindo das grandes estreias do meio do ano, somado a algumas outras que estão chegando em atraso por aqui. Então tudo meio que está sendo atropelado. Em cartaz atualmente é possível encontrar Aquaman, Bumblebee, WiFi Ralph, Máquinas Mortais e Homem-Aranha no Aranhaverso, sendo que ainda tem Como Treinar seu Dragão 3 e Vidro para estrear ainda este mês. E no meio de tudo isso tem… Dragon Ball Super: Broly. É fácil imaginar que a nova aventura do Goku possa passar batido por algumas salas de cinema.

E é sempre aquela história. Quem é fã destas animações japonesas sempre reclama sobre ser raro estreias destas produções para os cinemas japoneses aqui nos nossos cinemas brasileiros. Sempre há o problema de que quando chegam são em poucas salas e não tem a mesma atenção do que outras produções hollywoodianas. E aí restam aos fãs correrem para as poucas salas e horários disponíveis para dar a força e apoio. Foi exatamente o que fiz. — Apesar de que fiquei horrorizado dias atrás com uma grande comunidade de fãs de Dragon Ball no Facebook trocando farpas defendendo que gostariam que o filme caísse logo na internet (naquela qualidade de filmado pelo celular) sob o pretexto de que “cinema tá caro”. Sério mesmo?

A incrível experiência de Dragon Ball nas telonas

Sem mais delongas, vamos para Dragon Ball Super: Broly. Porém antes acho válido comentar que em comparação com Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses (2013) este novo longa animado não tem como proposta reinventar demais.

Afinal, se for pensar um pouco, A Batalha dos Deuses fez muito pela série de Dragon Ball. Basicamente consertou a linha cronológica, jogando no lixo Dragon Ball GT, enquanto adicionou diversos elementos que depois foram base para a excelente série Dragon Ball Super. A criação de Beerus (ou Bills, como preferir), Deus da Destruição, abriu muitas possibilidades para a franquia brincar posteriormente na série para televisão.

Talvez com um menor impacto, vale mencionar O Renascimento de Freeza, lançado em 2015. Não sou muito fã desse em particular. Não porque seja ruim, mas mais porque parece ser apenas uma costura para trazer o Freeza de volta ao universo da série. E no geral, a história parece um dejá vu enorme. Quase como um episódio especial feito para promover justamente a série de Dragon Ball Super que havia estreado no mesmo ano.

Nessa direção, de não se reinventar demais, Dragon Ball Super: Broly, na verdade entrega uma experiência mais clássica a quem gosta de Dragon Ball. Boa parte do filme é ação e porrada, sem tempo para que você respire. Com gritos, efeitos de som absurdos explodindo em suas orelhas, trilha sonora muito bem feita e tudo aquilo que te faz vibrar ao ver as épicas batalhas da franquia. É também um lembrete para recordarmos que Dragon Ball Super não está mais em exibição e de que talvez o sucesso desse filme no Japão (e quem sabe internacionalmente) dite as rédeas do retorno da animação na televisão japonesa quem sabe ainda em 2019.

Para assistir ao filme não é obrigatório ter assistido os dois filmes aqui mencionados, muito menos a série Super. A obra funciona muito bem como uma aventura à parte. Entretanto, para quem assistiu a tudo, esse novo filme está muito bem posicionado cronologicamente depois dos eventos finais de Dragon Ball Super. E, claramente, se o animê retornar em 2019, o filme de Broly estará inserido diretamente no que vier a ser feito.

Vale também apontar que Broly não é exatamente um personagem criado do zero. Ele é um vilão muito conhecido dos fãs de longa data, graças a uma trilogia de filmes lançados na década de 90 (que nem todo mundo assistiu), mas a qual não fez parte da cronologia oficial do Akira Toriyama, criador da série.

Dada justamente essa popularidade do personagem, a na possibilidade de continuar adaptando e explorando coisas não canônicas  na série de Dragon Ball Super, Akira traz oficialmente Broly ao seu universo de Dragon Ball. Em uma adaptação muito mais palpável do que a antiga da década de 90, aproveitando e respeitando alguns tiques e elementos positivos do personagem original.

Sua origem é recontada, desta vez de forma mais crível e interessante, aproveitando para mostrar a uma nova geração de fãs, as origens de personagens como o Vegeta e o Goku, quando ainda estavam no planeta dos Sayajins. Mostrando como Goku foi mandado para a Terra e um pouco de seus pais, em uma cena muito tocante de despedida (que não tem como não lembrar de como a história de Goku é bem parecida com a do Superman, da DC Comics).

E assim, uma grande parte da personalidade de Broly, seu descontrole emocional, sua raiva e força incontrolável, seu lado mais selvagem, foram mantidos no filme. Então quando ocorre o confronto dele com Vegeta e Goku, ação é frenética e inesgotável. É sensacional.

Mesmo que boa parte de dois terços do filme sejam o combate entre estes três personagens, o filme costura muito bem os motivos e razões de como tudo isso está acontecendo. Há um trabalho muito bem feito de não tornar a narrativa apenas conveniente demais.

E por mais que seja uma grande luta realizada em etapas, com diversos efeitos, momentos de golpes conhecidos, movimentos famosos, reviravoltas e muita gritaria (parte dela vinda da fúria ensandecida de Broly) a experiência de ter tudo isso em uma enorme tela de cinema, com o som explodindo para todo o lado (o filme é muito, mas muito alto nos efeitos de som), pode ter a certeza que é algo que não vai dar para se ter na sua casa, caso você seja destes que está pensando em esperar o filme cair pela internet, naquela qualidade bunda, ou quando sair em qualidade alta definição. Acredite no que estou dizendo: não é a mesma coisa!

Por isso preciso dizer novamente: se você é fã de Dragon Ball, e se o filme está passando em um cinema da sua cidade, vá ver. Vale muito a pena essa experiência. A produção foi pensando justamente em enaltecer a qualidade que esse tipo de exibição proporciona. Se fosse dar uma nota tendo visto a animação na televisão de casa certamente a nota destas impressões não seria tão alta.

Dragon Ball Super: Broly é uma ótima produção. Não está aqui para reinventar a franquia, como A Batalha dos Deuses, mas faz muito bem o papel de reapresentar esse universo, aproveitando a ideia de inserir Broly na cronologia oficial. Trazendo um filme que conta uma história do passado, jamais abordada no animê da TV, enquanto na hora em que explora a adrenalina do combate, já no presente atual da série, faz qualquer um ficar vibrando com os acontecimentos. Há humor aqui e ali, de forma muito bem dosada, mas o grande astro da produção é certamente o confronto, que toma boa parte do filme. Tudo isso faz com que a experiência cinematográfica em nenhum momento fique cansativa para quem está ali assistindo. Prova de que mesmo depois de tantos anos, décadas já, Dragon Ball continua sendo incrível!

Dando uma nota

Ótima experiência para as telonas do cinema - 10
Broly podia já existir, mas aqui sua história é bem melhor adaptada - 9
Passado no planeta dos Sayajins é bem explorado - 9
Batalha? Dois terços do filme é isso. E é animal! - 9.5
Serve para nos deixar com saudades de Dragon Ball Super - 8.5
Trilha e efeitos são aspectos técnicos que se destacam - 9.5
É um bom filme para reapresentar Dragon Ball a uma nova geração - 9

9.2

SUPER

Dragon Ball Super: Broly é uma incrível experiência para o cinema. Explora o passado dos Sayajins com inteligência, adapta muito bem a trama de Broly a atual cronologia e passa boa parte do tempo no que todo fã quer ver: uma explosiva e épica batalha!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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