JogandoReflexões & Opiniões

Reflexão | Next Level Games… O que fazer no futuro?

Minha pretensão aqui não é tentar adivinhar o que vai acontecer na próxima geração. São apenas pensamentos soltos que podem formar algo interessante na teoria. Os gamers precisam mesmo de uma outra geração de games após esta?

Sinceramente, em centenas de aspectos, estou extremamente satisfeito com esta geração de games. Não há nenhum gênero hoje em dia, que eu não me sinta confortável para jogar ou experimentar. Coisa que não acontecia na geração passada.

Um exemplo são os shooters em primeira pessoa que só aprendi a gostar nesta geração “ps360”. Nunca consegui aceitar muito bem eles na geração passada. Nunca os achei reais a ponto de me divertir. Sou um gamer que preciso sentir que estou dentro do game. Senão, qual a graça? Mas não colocando a carroça na frente dos cavalos, vamos por parte. A primeira parte desta reflexão, obviamente, é a beleza gráfica.

Não precisamos de melhora gráfica na próxima geração?

Não podemos negar que somos seres superficiais. Avaliamos tudo primeiramente pela visão e beleza. Um revista na banca só atrai o olhar curioso se tiver uma bela capa. Quanto mais bonita for a mulher, mais olhares são direcionados a ela. Uma prato de comida sempre parece mais saboroso pelo aspecto da comida. Cores importam. Estética importa. Gráficos de uma forma ou outra importa. Pelo menos num primeiro aspecto. O primeiro nível de superficialidade do ser humano.

Já faz décadas que a cada geração os consoles ganham mais e melhores gráficos. Os jogos estão cada dia mais bonitos. Estamos no limite já? Um exemplo para ilustrar:

O primeiro Tomb Raider do Playstation 1:
tomb raider psone

O novíssimo Tomb Raider Underworld para “ps360”:
tomb raider underworld

A melhora é visível não? Texturas, elementos em tela, cores, sombra e luz, há pouca coisa na qual os desenvolvedores encontram barreiras para seus limites. Água, fumaça e fogo são reproduzidos com uma perfeição que fazem muitos babar. E olha que Tomb Raider ainda não é o exemplo perfeito de um game bonito. Existem melhores. Um recém lançado também:

Gears of War 2 – Xbox 360
gears-of-war-2-screenshot-6

Agora eu pergunto aos leitores do blog: há o que melhorar quando já estamos nesse patamar? Existe a possibilidade de que na próxima geração de consoles os gráficos dobrem a sua qualidade em relação ao que já são atualmente? Eu não consigo acreditar. E mesmo que isso aconteça… será que é realmente necessário?

Então num primeiro aspecto, a primeira coisa que devemos pensar em relação a próxima geração de console é a de que talvez não precisamos mais nos preocupar se os games estarão mais bonitos ou não. Eles finalmente chegaram num patamar que não faz mais diferença se vão ou não melhorar, pois já estão acima dos padrões de beleza para os gamers, ou pra mim, se você não quiser ser enquadrado nesta suposição.

Não estão perfeitos, obviamente, mas estão longe de terem as limitações de seus antepassados. Chutaria, se tiver que chutar, que se a melhora vier será:

* Carregamento melhorado de texturas: pois muitos games, como Gears of War, apesar de belos, apresentam diversas vezes, atrasos no carregamento de texturas. Isso tira um pouco a realidade do game, já que o jogador vê os seu boneco em 3D praticamente ganhando suas camadas de peles digitais.
* Elementos em tela mais diversificados: Dead Rising ou até mesmo Ninety-Nine Nights, ambos do Xbox 360, são exemplos perfeitos. Estes games aguentam uma quantidade inacreditável de elementos – inimigos – em tela. Mas é totalmente perceptível que ainda neste campo há limitações. Inimigos repetidos, com o mesmo visual, ainda que seguindo uma variação específica, mas que agem de maneira pouco consciente. Em tese, quanto mais inimigos em tela, menos inteligência eles tem. Mas de I.A. – Inteligência Artificial – descreverei mais a frente.

Então o próximo passo não é a beleza visível a olhos nus, já que esta já é um colírio para os gamers. Agora o que vai contar é a beleza técnica e este é o próximo ponto deste texto.

Se os gráficos não precisam melhorar, o processamento ainda pode

Aqui sim há muito que trabalhar provavelmente. Muitos games apresentam limitações de aspectos técnicos. Muitos na verdade foram mal produzidos e por isso tem tais problemas, mas quanto melhor e mais sólido for o sistema de processamento de dados, melhor o game rodará. Esse é um ponto na qual não vou me estender, até porque não sou um expert em programação. Mas certos pontos são notáveis até mesmo aos que não entendem do assunto.

Citei o problema de carregamento de texturas. Não apenas Gears of War sofre com esse problema. Mas muitos games desta geração já tiveram um ou outro problema com texturas. Bioshock do Ps3, salvo engano, teve sua textura melhorada após as reclamações dos gamers que jogaram o demo e reclamaram da “feiura” delas. The Last Remnant, recém lançado pela Square-Enix para X360, apresenta, segundo está rolando na net, problemas com textura. Ou seja, talvez na próxima geração, os desenvolvedores poderia ficar um pouco mais atentos neste detalhe.

Slowdowns também ocorrem, não com tamanha frequência, mas ocorrem. Terminei este fim de semana Spider-Man: Web of Shadows, um game desenvolvido para esta geração e sofri horrores com isso. Slowdown é um efeito, para quem não sabe, que deixa o game lento, sua velocidade cai abaixo do normal e por alguns instantes parece que você está jogando em câmera lenta, em casos mais graves o jogo pode até travar. Isso ocorre com games “pesados”, com vários elementos em tela, ocorrendo tudo ao mesmo tempo. Claro que um game bem desenvolvido hoje em dia, dificilmente tem tal problema, mas ele existe ainda.

Loadings também são uma das regras básicas dos games na era da mídia digital. Claro que ao longo das gerações ele foi diminuindo, ficando cada vez mais rápido. Mas existe até hoje. A tecnologia do ps360 agora permitem que os jogos sejam, total ou parcialmente, instalados no HD dos consoles, amenizando a demora no processo. Mesmo com tal opção, eles estão até hoje nos games e não tem uma previsão de quando irão acabar. Claro que já temos os games, e isso já vem desde a geração passada, que conseguem disfarçar os loadings.

StarFox Adventures do Gamecube tem loadings, só não os vemos.
StarFoxAdventures

Por último, acho que por mais avançados que os games sejam atualmente, eles ainda pecam muitos no quesito Inteligência Artificial. Independendo o quanto a CPU ficou mais inteligente ao longo dos anos, faltam muito para que ela reaja como um 2º player. Já temos nesta geração, games com dificuldade “Insane”, “Very Hard”, “Extreme” e por aí vai. Mas em geral tais dificuldades apenas deixa os inimigos mais fortes. O ataque deles causam mais dano e o ataque do jogador causa menos neles. Estamos longe de ver uma CPU que improvisa, que surpreenda o jogador e que haja de acordo com a situação em que o jogador impõe. A próxima geração pode trabalhar melhor nesse aspecto.

A coisa piora em games que tem múltiplos inimigos. E volto a citar N3 – Ninety-Nine Nights – onde apesar de ter 100 soldados orcs em tela tentando matar o jogador, estes não oferecem perigo, pois agem sem inteligência, a ponto do jogador eliminar dezenas deles com 2 combos. Em termos de raciocínio, há muito em que trabalhar.

Ninety-Nine Nights do Xbox 360 – Centenas de inimigos em tela, mas A.I. zero…
Ninety Nine Nights

O texto está crescendo, a ideia não era fazer algo desse tamanho. Enfim, beleza visual, parte técnica, o que mais a próxima geração pode fazer? Ah é claro, Comunidade Online Global dos Gamers.

Gamers unidos globalmente… o futuro do online?

Pronto, isso sim é uma novidade quase que exclusiva desta geração. O modo do multiplayer online, nos consoles caseiros, só chegou realmente nesta geração. Na geração passada nada mais era do que uma fase de experimentação a meu ver.

Não vou explicar e comentar detalhadamente como é hoje em dia, mas o sistema de multiplayer online está longe de ser perfeito e certamente nos próximos consoles, tal sistema será melhorado e muito.

O problema mais comum hoje são as infernais “lags”, aquele atraso que o jogador tem em relação ao host ou servidor e que atrapalha e muito a jogatina. A sensação de lag é bem claro em alguns games e disfarçados em outros. Gears of War, o primeiro, é o mais comum no X360. Você atira com a shotgun, e é perceptível a demora para o tiro acertar uma parede por exemplo. Um alvo em movimento com lag é quase que impossível acertar sem contar com um pouquinho de sorte.

Outra coisa que deve ser melhorado ainda mais no mundo online são as partidas com um número muito maior de jogadores. Gears 1 o multi era com times de quatro pessoas, Gears 2 já é possível times de 5. A Sony na E3 anunciou um multiplayer online com 256 pessoas, claro que ainda falta detalhes como vai funcionar, mas imagina que bacana 256 pessoas numa partida online sem lag? Ou quem sabe na próxima geração os MMORPGs – Massive Multiplayer Online Role-Playing Game – finalmente cheguem em massa nos consoles? Por enquanto vi apenas muitas promessas e pouca coisa promissora nessa geração para este tipo de game, nos consoles é claro, pois nos PC a história é outra.

Um mundo virtual está sendo formado. O Home do Playstation 3 parece ser uma experiência curiosa, ainda com certas limitações, mas é algo que com certeza a próxima geração irá explorar ao máximo.

A famosa Home do PS3 que está para ser lançada. No futuro, sistemas assim devem ganhar mais e mais força.
playstation-home-shot

O campo do Online ainda há muito que ser melhorado, criado e implementado. Com certeza um dos atrativos do futuro dos consoles será o mundo virtual online destes.

E as mídias? Jogos em mídias ou via downloads?

Este sim é um ponto em que admito não ter ainda uma base concreta na qual me apoiar. Estou em cima do muro. Gosto muito das mídias; de ter as caixinhas e manuais dos games. Por outro lado acho o máximo o sistema de Live Arcade, Virtual Console e PSN dos consoles atuais e da praticidade de ter um lançamento no mesmo dia que o resto do mundo.

Banjo-Kazooie será lançado amanhã na Live Arcade. Poderia jogar amanhã mesmo graças ao sistema de download dos consoles.
ss-banjo-kazooie-xbla-024

Ambos os lados tem seus prós e contras. Acredito que seja quase que impossível atualmente que os próximos consoles abandonem de vez a mídia digital física por um sistema único de games via download.

Isso porque os games atualmente são gigantescos. Com 3 games instalados no meu HDD do 360, graças a nova opção da NXE, foram quase 20 GB utilizados. Num sistema onde o máximo é 120 GB, acho difícil que toda a minha coleção desse em tão pouco espaço.

50 games de 9GB, aproximadamente um game de camada dupla, daria num total de 450GB. A menos que HDD de 500GB caiam a preço de banana no mercado mundial, acho difícil a Sony ou a Microsoft lançarem um console contendo tanto espaço. A próxima geração certamente ainda teremos ambos os sistemas, físico e via download.

Não é a mesma coisa que o Zeebo da TecToy aqui no Brasil que só terá jogos “ultrapassados” – detalhe para as aspas antes de me xingarem – e que ocupam pouco espaço. Tanto que a memória do Zeebo será de 1GB apenas.

E, finalmente estamos chegando ao fim do texto, próximos assuntos: controles (finalmente falarei do Wii) e originalidade & criatividade!

Controlando realidades? ou sentido movimentos?

Claro que não poderia ignorar toda a revolução em termos de jogabilidade que esta geração trouxe com o Nintendo Wii. Não cabe aqui ficar reclamando dos problemas do console, se é que ele existe, mas sim dizer que querendo ou não a Nintendo mudou o mercado em termos de controle e jogabilidade, e deu novas ares a novas tecnologias no mundo dos games.

Wiimote – O primeiro passo para a realidade virtual dos filmes de ficção científica?
Wiimote-in-Hands

A tecnologia é nova. A Nintendo foi pioneira e é claro que está longe de ser perfeita. Tanto que um novo acessório será lançado em 2009 para melhor calibração e perfeição do sistema de sensor de movimento do Wiimote.

Fica claro que a tecnologia do movimento será abordada na próxima geração, não só novamente pela Nintendo, mas também pela Sony e Microsoft. Agora os controles irão se parecer mais com os controles do Wii ou não?

Acho cedo para dizer, mas eu torço para que a próxima geração tenha ambos os tipos de jogabilidade. A convencional e a nova. Que os consoles tenham ambos os controles físicos para que o gamer possa escolher qual o melhor e não ficarmos presos a imposições que certas desenvolvedoras de games dão a certos games. É uma tecnologia que funciona em determinadas situações e em outras não.

Mas o mais claro que ainda está longe de acontecer a chamada Realidade Virtual dos filmes de Ficção Científicas, onde a pessoa liga seu cérebro ao jogo e se desliga completamente do mundo real. A transposição por completo para um mundo virtual ainda está completamente fora de cogitação tecnologicamente. E nem sabemos como as pessoas não-gamers reagiriam a um mundo onde seus filhos exploram mundos sozinhos virtualmente com a sensação de estarem 100% neles. Não estamos pronto para essa tecnologia talvez.

Mas é notória que a tecnologia de movimento ainda tem muito que se mostrar e deve sim infectar todos os outros consoles. Mas dificilmente a jogabilidade tradicional será abandonada. A próxima geração poderá se configurar num misto entre ambas. Sem o radicalismo do Wiimote e sem o ultrapassado Controle de Botões. A tendência é equilibrar e fundir ambos os tipos e deixar que o jogador escolha aquele que o melhor o adapte a este mundo onde princesas são raptadas e o fim do mundo precisa ser impedido quase que todo mês.

E com isso chegamos ao último ponto deste texto… não basta tudo isso no futuro, sem originalidade e criatividade.

Mais do mesmo sempre haverá, porém o que esperar do que for novo?

Por fim, os games na próxima geração precisam mudar? Chega de Halo 9, Gears of War 11, God of War 4, Super Mario 79 etc? É claro que não. Continuações e clássicas franquias existirão para sempre provavelmente.

O que muda são as reformas que estes games terão que passar chegando no futuro. Será que um Super Mario Online não é possível? Ou um Gears of Wars Online via sistema de download, sem precisar da mídia? Fora isso os games novos, franquias originais e tudo que ainda não existe e não posso dar como exemplo.

A criatividade precisa sim ser exercida na próxima geração. Precisamos de games novos, ideias novas, características inéditas. Mas quanto a isso, o que devo falar?

O casual continuará? Provavelmente, é um mercado que não há motivos para ser extinto. Mais daqueles games malucos para pessoas que nunca jogaram devem surgir e agora não mais só do console da Nintendo. Mas todas devem na quantidade que lhe convier investir em tal mercado.

Não necessariamente o Hardcore será abandonado. Ainda deve existir. Talvez o mercado de produção americano, que vem ganhando cada dia mais destaque, se fortaleça ainda mais. Square-Enix anunciou que abrirá um estúdio nos EUA recentemente, poderemos ver um Final Fantasy com características dos RPGs americanos surgir?

Acho que este geração houve bastante novidades e games novos em pró dos fatores gráficos, online e processamento. Dead Rising, N3, Gears of War, Patapon, LittleBigPlanet, Wiisports são exemplos do que nasceu neste geração. A próxima? Se ficar neste nível, não acredito que teremos do que reclamar. Não concorda?

Fim?

Finalmente cheguei ao fim desta reflexão gigante, espero que vocês tenham curtido. Faltou algum ponto que você acha que a próxima geração pode trazer a este universo? Não concorda com algum ponto? Viajei demais? Faça seu comentário.

Agradeço a todos que tiveram a coragem de ler até o fim! o/

Obs: Poderia ter mencionado um pouco os portáteis… quem sabe num futuro. Mas com certeza alguma coisa deles também deve influenciar o futuro dos games. Não acha?

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar

Adblock detectado

Dê uma ajuda ao site simplesmente desabilitando seu Adblock para nosso endereço.