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O que ficou de fora em Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time Re-Sheled? [XBLA]

Turtles in Time foi lançado originalmente lá em 1991 para arcade. Considerado por muitos gamers como o melhor jogos das Tartarugas Ninjas já produzido. Foram 18 anos para que um estúdio, no caso a Ubisoft Singapura, resolvesse mexer nesse clássico do mundo dos games. TMNT: Tutles in Time Re-Shelled foi lançado semana passada na Live Arcade e muita gente fez careta e reviews cairam em cima do remake dizendo que não honrava a memória do antigo game. Será mesmo? O que você se lembra do jogo para arcade de 1991? O que diabos Re-Shelled não tem? Eu pesquisei e trago aqui aos leitores  o que não foi feito em Re-Shelled!

Influências

Primeiramente preciso lembrar a todos que o game não foi feito com base nas Tartarugas Ninjas das HQs, mas da versão animada de 1987. Era mais infantil e bobinho, mas toda criança adorava. Passou por anos na TV aberta aqui no Brasil. Clique aqui para ver a abertura desta versão. Foi esse desenho que trouxe as bandanas coloridas para cada tartaruga,  e criou personagens como Krank, Bebop e Rocksteady.

O game também teve algumas idéias tiradas do segundo filme das Tartarugas Ninjas, O Segredo do Ooze, que trouxe os personagens Rahzar, Tokka e o Super Destruidor.

Versão Arcade (1991) vesus Versão de Super Nintendo (1992)

Existem diferenças gritantes entre ambas as versões e certamente isso causou a estranheza de muitos jogadores à semana passada ao jogar Re-Shelled. O remake feito este ano foi feito com base na primeira versão, de 1991 e praticamente ignorou tudo que existe na versão de SNES.

A versão feita para Super Nintendo é melhor? Difícil dizer. Maior com certeza ela é. O que mudou então?

A primeira mudança ocorre na terceira fase do game. Na versão de 1991 os inimigos precisam ser derrotados, eles ficam na tela atacando o jogador. No SNES, eles veem e vão. Não ficam na tela. Este estágio foi transformado numa espécie de estágio bônus e ao fim foi colocado um chefe que não existia na versão de arcade: Rat King.

Logo após o estágio 3, temos outra mudança. Na versão de Arcade, o Destruidor aparece no final da fase num holograma e dali mesmo envia as Tartarugas para um portal do tempo. Na versão do SNES, após vencer o chefe Rat King, o Destruidor não aparece e há uma fase inédita antes de começar as viagens no tempo.

Momento que só existe na versão Arcade e XBLA.
Na versão SNES foi colocado um chefe, Rat King, neste ponto do game.

Antes então de ir para o estágio da pré-história na versão Arcade, há um estágio extra no Super Nintendo, chamado Technodrome, que é aquela nave-tanque onde o Destruidor e o Krank ficam no desenho de 87. Alguns dizem que são dois estágios aqui, e é quase isso mesmo. Isso porque há um chefe no meio da fase e outro no fim do Technodrome. Mas podemos dizer que é um único level grandão feito especialmente para a versão do SNES.

Uma outra curiosidade é que na versão SNES existem dois personagens que não existem na versão de Arcade. São os Mousers, aquelas robôs que parecem cachorros que ficam pulando na fase querendo morder as tartarugas e os Roadkill Rodneys, robôs que ficam laçando as Tartarugas e são bem chatinhos de destruir. Este último entrou no lugar dos Robôs boxeadores que existem na versão arcade.

À esquerda, os Roadkill Rodneys e, à direita, os Mousers. Inimigos exclusivos da versão SNES de 1992. Na versão arcade existem os robôs boxeadores.

Voltando ao estágio Technodrome, nele foram colocado os chefes Rahzar e Tokka, que também existem na versão Arcade, mas em outro momento do game. Derrotando ambos, as Tartarugas continuam o estágio para aquela clássico momento em que elas ficam num elevador e praticamente chovem inimigos. Logo após isso outro momento inédito, hora de derrotar o Destruidor pela primeira vez no game, para isso basta arremessar inimigos para o centro da tela. Derrotado aqui, ele manda as Tartarugas de volta ao tempo.

Fase que só existe na Versão SNES:

Continuando. Agora começam as fases temporais. A primeira dela é na pré-história, com dinossauros e tudo. Na versão Arcade o chefão dela é o Cement Man. Já na versão SNES foi substituido pelo Slash, uma espécie de Tartatuga Pré-Histórica. Veja aqui um vídeo do chefe Cement Man e aqui um do Slash.

O jogo continua e a próxima mudança entre as versões é na fase que se passa num navio pirata. Na versão Arcade é neste momento que o jogador enfrenta Rahzar e Tokka. Na versão SNES os chefes aqui são Bebop e Rocksteady, que vieram direto do desenho animado.

O jogo continua e a próxima mudança vai acontecer somente na antepenúltima fase, chamada Neon Night-Riders. Aqui a mudança é bem bizarra. Na versão arcade a fase segue igual todo o game, com a visão lateral, da direita para à esquerda, já na versão SNES a visão do jogador é numa espécia de primeira pessoa, com os inimigos vindo em direção a tela da TV. A fase na versão SNES também funciona como um estágio bônus, igual ao estágio 3 que mencionei no começo do texto. Particularmente, acho que a versão de Arcade é mais divertida e apelona, já que os inimigos precisam se derrotados para sumirem da tela.

Neon Night Riders (SNES)


Clique aqui para ver o mesmo estágio na versão da Live Arcade, que é baseado na de Arcade de 1991.

Depois disso a última alteração entre as versões acontece justamente no último chefe. O Destruidor da versão Arcade usa uma espada para atacar e desvia dos ataques do jogador, enquanto na versão do SNES ele se transforma em Super Destruidor, versão baseada no filme das Tartarugas 2, O Segredo do Ooze. Aí ele não tem espada e não é tão ágil como na versão arcade, mas também é muito apelão. Abaixo a novíssima versão para Live Arcade, porém quer quiser ver a antiga versão de SNES, basta clicar aqui.

Final Battle!!

E afinal, e a versão da Live Arcade lançada semana passada? Avacalhou ou não?

Não podia deixar de terminar o texto comentando a respeito da mais nova versão: Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time Re-Sheled. Re-Shelled é baseada inteiramente na versão de Arcade e por isso muitos devem ter estranhado.

Eu fechei ela anteontem  e fiquei pensando o que diabos estava faltando no game, porque ele realmente passa a sensação de que faltou fase e coisas. Mas isso porque eu sempre joguei a versão de SNES. Se joguei a versão de arcade, foi raras as vezes. Quem se acostumou com a versão de 1992, talvez estranhe mesmo as “não-alterações” da versão arcade.

Podia ter ficado maior se a Ubisoft pensasse em fazer o estágio Technodrome. Acho uma sacanagem o fato de não haver os Mousers. Já quanto aos chefes extras da versão SNES, pra mim não faz falta, já que os melhores estão na versão Arcade. O chefe final também é melhor na Arcade.

Ou se não tivessem autorização para mexer com o material criado para SNES, poderiam ter criado algo novo. O jogo é realmente curtinho. Em 1 hora dá para encerrar ele. Podiam ter pensado em mais extras com certeza.

Era uma chance do remake superar qualquer versão antiga e a Ubisoft perdeu. Não que o jogo novo não tenha suas vantagens. Achei os gráficos excelentes. O fato de ter multiplayer online para 4 pessoas também é fenomenal.

Eu vi o Mauri reclamando do som e tenho que concordar com ele. As músicas novas não são tão empolgantes quanto as antigas da versão SNES. Não atrapalham, mas também não encantam. O som do power-up é agudo e irritante, dá vontade até de não usar ele.

Já a jogabilidade em 3D achei o máximo. Agora dá para atacar em até 8 direções possíveis, tanto o jogador quanto os inimigos e chefes. Ficou show assim.

No fim, vale a pena os U$ 10 cobrados pelo joguinho. É uma bela recordação, só que faltou coragem e iniciativa da Ubisoft para superar as antigas versões.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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