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Cinema | UP – Altas Aventuras! Eu fui!

Alerta! Alerta!
Risco de spoiler! Se você é alérgico, não continue!

Pixar mais uma vez! Brincando com exageros, vida, amor, aventuras e sem perder o toque de humor.

Faltavam 1h30 antes da sessão de UP começar, ontem, e eu parecia uma criança indo para um Parque de Diversões. Todo animado e empolgado, mal podia esperar para ver a obra deste ano da Pixar. E digo que a espera de 3 meses entre a estréia americana e brasileira de UP valeu à pena. UP é extraordinário. É emocionante, triste, hilário e com uma belíssima história de amor de um velhinho e sua falecida esposa.

Mas calma, ir aos cinemas para ver um filme Pixar, significa também assistir à aquele esperado curta-metragem antes. Este ano foi “Parcialmente Nublado”. Então após o continue, eu falo mais um pouquinho de ambas as obras!

Parcialmente Nublado

Ano passado a Pixar apresentou antes de Wall-E o curtinha chamado Presto, com um Mágico e seu coelho louco por uma cenoura. Era um curtinha bem simples, mas que fazia o público ir do primeiro ao último segundinho dele. Este ano, o curto não é voltado para a comédia bruta, é uma peça mais delicada.

O curta mostra de onde vem todos os bebês do mundo! Não só os bebês humanos, mas os de cachorros, gatos e qualque tipo de animais. Lá na imensidão do céu, nuvens estão criando os bebês e cabe ao velho conto das cegonhas efetuar as entregas pelo mundo.

É pura magia e fantasia , algo muito raro no mundo de hoje com a ciência, os super-heróis e aquela sentimento de que tudo e qualquer coisa precisa fazer sentido. Em “Parcialmente Nublado” não! A Nuvem junta um pouco de fumaça, molda-a no formato que deseja, dá um choquinho e pronto! Um bebê nasceu!

Mas não seria Pixar sem uma pitada de humor. A brincadeira está entre uma Cegonha e uma das Nuvens, que cria Bebês de animais perigosos. Sinceramente? É uma história que a Pixar poderia muito bem transformar em um filme.

UP – Altas Aventuras

Um dos principais elementos que me chamou a atenção em UP é o “exagero”. O filme brinca e mostra sentimentos verdadeiros, mas coloca os personagens em situações de extremo exagero. Tudo é claro, de forma convincente e sem soar falso demais. Casas flutuantes, paraíso perdido, cães falantes entre outras coisas. Dentro deste universo criado pela Pixar, tudo faz sentido em determinado ponto e você não se sente desconfortável com estes “exageros”, mas pelo contrário. Quem não gostaria de ter uma daquelas coleiras que permitem o cão falar?! Eu queria. XD

Mas UP não é um filme pastelão de exageiros. O primeiro ato do filme, que mostra o personagem de Carl Carl Fredricksen é alegre e triste ao mesmo tempo. Carl se apaixona logo quando criança por uma menininha que assim, como ele, queria ser uma aventureira. Eles crescem, se casam e a vida mostra que não é tão fácil assim viver àquela aventura que ambos queriam quando crianças. O sonho é um paraíso na Venezuela. Eles juntam dinheiro, mas a vida passa, os contratempos da vida adulta atrapalham e o tempo escorre como a areia de uma ampulheta e quando Carl se dá conta, eles estão velhinhos. Sua esposa não tem mais condições de viajar. Ela falece em uma cena muito triste. Carl fica só no mundo e carrega o pesado sentimento de que nunca conseguiu realizar o sonho de sua esposa e a promessa que fizera à ela quando eram crianças.

Essa montagem da vida de Carl é uma das melhores passagens de tempo que a Pixar já fez em todos seus filmes. O “timing” de UP é impecável e perfeito. Para piorar, Carl agora deve deixar a casa onde morou a vida toda com seu grande amor e ir para um asilo. Mas tudo muda quando o velhinho resolve ir para o tal paraíso perdido e levar consigo a sua casa inteira! Já que assim, eles estaria levando também os sentimentos de sua falecida esposa.

A casa de Carl Fredricksen tem um papel primordial em UP. São vários os momentos em que o enredo põe a própria casa em risco e faz o coração de Carl e dos espectadores pularem de emoção. Você não aceita que Carl desista da casa até o ponto em que ele DEVE desistir da casa.

UP ainda conta com o reforço de Russel, o pequeno escoteiro que acidentalmente acaba se juntando à Carl. Russel apesar de ser um dos elemento cômico do filme, ainda assim tem uma historinha triste para torná-lo mais perto da realidade. Junta se a Russel, o cachorro falante Doug e a ave “Kevin”.

O desfecho final do filme que se dá a quilometros de distância do chão, uma batalha em pleno ar é uma das melhores cenas de ação que a Pixar já montou. E olha que a batalha do Robô Gigante em Os Incríveis no centro da cidade também é um destes momentos.

UP não é um filme com efeitos cheios de glamour ou técnicas de animação inovadores. A Pixar vem e prova mais uma vez de que técnica e desenhos não são NADA se o enredo não for algo sensacional. A Pixar faz nesta década, exatamente o que a Disney fazia de melhor no final dos anos 80 e início dos anos 90 com Rei Leão, Pequena Sereia, A Bela e a Fera e Aladdin. Não se deixe enganar com essa super exposição de animações em 3D nos cinemas, pois a Pixar está décadas à frente de qualquer outro estúdio da atualidade.

VÁ assistir UP! Prontofalei!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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