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Claymore | Quando o animê supera um já excelente mangá

Eu sou uma daquelas pessoas que costumam preferir o mangá ao animê, seja pelo traço, por pequenas diferenças na história ou pelo estilo do autor combinar mais com desenhos do que com animações. Pois bem, mas certo dia (faz teeeeempo) topo com um animê chamado Claymore e resolvo baixá-lo pra conferir. Terminados os episódios, fico sabendo que a história ainda continua no mangá, e começo a lê-lo desde o início. Seguindo a linha dos meus posts com sugestões de mangás e animês por aqui, esse post será sobre as duas variantes de Claymore. Já adianto que ambos são de excelente qualidade, então não deixe de ler!

Claymore é a história de Clare, membro de uma organização de mulheres que lutam contra os Yoma, espécie de demônio que se alimenta de carne humana, em troca de dinheiro. Para serem capazes de derrotá-los, porém, carne e sangue Yoma foram inseridos em seus corpos, fazendo com que se tornassem metade humanas, metade Yoma. Essas guerreiras são chamadas de “Claymores” devido ao tipo de espadas que usam, que leva esse nome, ou de “Bruxas dos Olhos Prateados”, culpa da coloração que seus olhos recebem após se tornarem membros da organização.

Seus poderes Yoma são a fonte de suas habilidades, mas quando usados sem moderação eles tomam conta de sua consciência, transformando a Claymore em um Awakened Being, ser com poderes muito superiores, e alterando totalmente a personalidade dela, sendo caçadas pela organização depois da transformação inclusive. Quando usam seus poderes, seus olhos ficam dourados, mas à medida que aumentam a quantidade de poder liberada, outras modificações ocorrem em seus corpos.

A organização dá um número para cada Claymore, o que serve como um ranking: a Claymore nº 1 é a mais forte, etc. Clare (o que vou dizer a seguir dá um belo momento surpresa no animê, então não leia se for alérgico), nos primeiros episódios, impressiona pela força e agilidade, mas um pouco mais tarde nos é revelado que ela é a número 47, o mais baixo da organização. E acreditem, isso é chocante demais, você fica “hah, não pode ser, a Clare, a mais fraca? Pff”, mas aos poucos se acostuma com a ideia.

A aparição de novas Claymores na história é parte fundamental de seu desenvolvimento, já que nem todas se mostram amigáveis, e cada uma tem uma personalidade forte e bem definida, sem falar nas diferentes habilidades. O passado de Clare é um dos mais tristes que já vi em uma mangá/animê, e entendê-la depois que ele é mostrado fica muito mais fácil. A história, aliás, é cheia de revelações, mas não vou ficar estragando a experiência de vocês aqui, né?

Infelizmente (ente, ente, ente, ente…), o animê ficou em apenas 26 episódios, que cobrem mais ou menos 11 volumes do mangá, e o pior, acabou em um momento chave. O final foi alterado de forma que Clare matasse o inimigo principal e que todos tivessem um final feliz, mas até quem não leu o mangá percebe que tem alguma coisa errada na historinha alterada. A boa notícia é que essa alteração é basicamente só nos 2 ou 3 últimos episódios, sendo que os outros são todos muito fiéis ao animê.

Sendo assim, quem terminou e gostou do animê deve, sem sombra de dúvidas, ler o mangá. Mas aí vem o problema: o que aconteceu com minhas lindas Claymores? E com as ótimas animações das lutas? Norihiro Yagi criou uma história excelente, e que se expande demais nos eventos seguintes ao término do animê, e personagens realmente fascinantes, mas do meu ponto de vista, falha na forma como apresenta esses elementos no mangá.

Seu traço, na minha opinião obviamente, tem problemas de perspectiva e anatomia humana, o que contrasta absurdamente com o belíssimo traço visto no animê. É claro que muitos quadros são lindos, e é notável a evolução do desenho do primeiro volume ao último capítulo liberado, mas é broxante, de certa forma, não ter mais acesso à grandiosidade da animação do animê. Mas percebam que não estou dizendo que o mangá é ruim, porque ele é excelente, eu é que acho o animê muito superior nesse caso. (nota: as imagens de páginas do mangá que coloquei aqui são só de desenhos lindos, ok?).

Mesmo assim, como eu disse antes, é indispensável ler o mangá. A história toma rumos completamente diferentes, eu diria que é mais ou menos o que acontece depois que você coleta os três “alguma coisa” em um jogo Zelda e depois parte pra verdadeira aventura. A qualidade continua boa como sempre, mas outra coisa que pesa negativamente sobre ela é o fato de Claymore ser um mangá mensal, então entre um capítulo e outro acabamos nos esquecendo de algumas coisas que aconteceram ou não ligamos certos fatos a outros. A sensação que fica é sempre a de quero mais, mas esperar um mês para ler a continuação não é nada legal.

Uma coisa que não falei e que é importante saber: Claymore é muito violento. Muito. Não tem tanto sangue quanto um Hellsing da vida, mas o número de decepações é impressionante, e as tranformações dos inimigos ou das próprias Claymores sempre tem um quê de bizarro. A sensação que impera, principalmente no animê, é a de desespero contínuo. Situações em que simplesmente não há chances de vitória são comuns, mas o pior é que mais comuns ainda são as em que não há a menor chance de sobrevivência. Claro que depois de um tempo você se acostuma “ah, tá, mas não vai acontecer nada grave mesmo”, mas nessas horas Yagi se certifica de quebrar novamente essa calma, mostrando que sim, coisas ruins vão acontecer.

Claymore é um animê que eu recomendaria a todas as pessoas, todas mesmo, e se você ainda está com Casshern Sins, Le Chevalier D’Eon e Darker Than Black na lista de “animês a baixar”, pule Claymore para o primeiro lugar e assista ao menos ao primeiro episódio o quanto antes. Por consequência de assistirem ao animê, quem gostar vai se sentir obrigado a ler o mangá, e por isso mesmo eu recomendo veementemente que assistam ao animê antes de lerem o mangá, já que este pode não parecer tão interessante assim nos primeiros volumes.

Bom, agora os links. Baixei e recomendo que baixem do fansub Okaeri, qualidade de imagem ótima, mas principalmente, excelente tradução. Link do tracker Anime Central: clique. Já o mangá, preciso que acreditem em mim: não há, na internet, tradução decente para os primeiros volumes. Tanto fansubs brasileiros como o Chrono ou os do One Manga pecam demais na tradução, o que dimimui muito a qualidade dos capítulos. Depois a coisa normaliza, atualmente os capítulos do One Manga têm tradução muito boa (os do Chrono não sei porque não baixei nenhum recente). Então o que recomendo é o seguinte… comprem os volumes nacionais do mangá (estão com excelente qualidade), que são lançados pela Panini (9,90 cada) e que estão atualmente no número quatro, e acompanhem a fase atual por sites como o One Manga.

Abaixo a abertura do animê, a música é Raison D’être, da banda Nightmare, e fiz o upload pra quem gostar e quiser baixar: clique.

Era isso, não precisam me agradecer depois que amarem o animê e começarem a roer as unhas por um novo capítulo do mangá a cada mês! XD

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Dakini

Viciada em RPGs, sejam eles Final Fantasy e Tales of ou Mass Effect e The Elder Scrolls! Fã incondicional de animês e mangás, e ousem criticar meus favoritos sem bons argumentos! Fora isso, podem me chamar de “a dama dos wallpapers”, hahaha.
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