JogandoReflexões & Opiniões

Reflexão | O que seria dos Videogames sem suas mascotes?

Se você é um gamer das antigas irá olhar a fanart acima e reconhecer boa parte dos carinhas acima. É até impossível não sentir um pinguinho de nostalgia com tantas amigos conhecidos dos bons tempos de jogatinas nos videogames. É até possível sentir falta de alguns outros conhecidos. Esta bela ilustração foi feita pelo membro do DeviantArt chamado RobDuenas.

Que tal dar um rolé por anos e mais anos de games e mascotes e vídeos de clássicos da infância de muitos gamers mais velhinhos, como eu, o Mauri, o Théo e um par de gente da equipe Portallos. Rá! 🙂

É difícil não pensar o que seria dos games, a algumas gerações passadas, se não houvessem o que chamamos de “mascotes”. Cada empresa basicamente tinha uma franquia com um mascote, que muitas vezes era o destaque da empresa. Capcom tinha Mega Man, Sega tinha o Sonic, Interplay tinha o Earthworm Jim, Ubisoft tinha o Rayman e Nintendo, claro, tinha o Mario. Os pequenos personagens ícones dos videogames do final da década de 80 e início da década de 90 foram um dos mais importantes pilares para o mercado dos videogames. Os games passariam a ter carisma com o surgimento dos mascotes.

Me lembro que pouquíssmos games da geração Atari tinham minha simpatia. Em geral, o que viciava os games era a própria estrutura do gameplay deles. Não havia história e era muito comum não ter personagem ou quando tinha, não havia  simpatia nenhuma pelo mesmo, afinal não passavam de uma montueira de quadrados coloridos na tela. Talvez por isso gostava tanto dos Smurfs de Atari, pois identificava muito facilmente o pequenino dos desenhos das manhã da Globo, quando ainda existia o Xou da Xuxa. Mas lembro de que Pac-Man também fazia um considerável sucesso na minha infância, justamente porque era fácil reconhecer os personagens, mesmo que tivessem formas simples e estranhas.

Mas os gráficos evoluiram e o visual dos games precisava ser melhor trabalhado. A geração NES e Master System começaram a trabalhar melhor e os mascotes começavam a ganhar fama. Lembro o quanto me encantava com Turma da Mônica no Castelo do Dragão no Master System, mesmo que na época, nem fizesse idéia se tratar de uma modificação de “Wonderboy in Monster Land“. Na Nintendo Super Mario Bros já era a estrela de ouro da empresa. Esta geração, junto com a próxima, com o SNES e o Mega Drive foram as gerações dos mascotes.

Toda empresa tinha seu próprio personagem. Mas a febre até chegou a atingir empresas que nada tinha a ver com videogames, como o refrigerante 7UP com Cool Spot ou a rede de pizzarias Domino’s que na época tinha um personagem chamado Noid, que deu origem a outro clássico dos games chamado Yo! Noid, desenvolvido pela Capcom com base num outro game da empresa lançado no Japão apenas (Kamen no Ninja Hanamaru).

É difícil lembrar de todos os mascotes da época da Nintendo vs Sega. Um, por exemplo, que não consta na imagem acima é o Aero The Acro-Bat, onde o personagem era um morcego malabarista, tinha fases baseadas na temática circense e chegou até a ganhar uma continuação (que nunca joguei alias). Entretanto um que consta na imagem que abre o post e é realmente uma bela lembraça é a estrela Ristar. Jogava muito esse joguinho, junto com o Sonic 3 do Mega Drive.

Mas o que aconteceu com estes personagens? Por que muitos foram esquecidos nas gerações posteriores?

Veja bem, não posso dar uma resposta exata. É difícil entender o mercado de games. Os personagens-mascotes chegaram ao seu auge na década de 90. Colocaram no esquecimento aqueles velhos games da geração Atari, sem histórias, sem visual, sem protagonistas heróicos, simpaticos ou carismaticos. A fama não dura para sempre, então conforme a tempo foi passando, o mercado saturou e os estúdios foram procurando outras maneiras de criar games.

Lembrando é claro que não exista apenas games de mascotes. Sempre existiu e sempre existirá dezenas de gêneros de games, como luta, RPG, corrida, aventura etc. Se hoje em dia games em de ação em terceira pessoa e FPS fazem sucesso, na década de 90, antes mesmo do surgimento de games como Doom, o gênero que fazia maior sucesso era o de plataforma, onde os mascotes reinavam. O mercado então evoluiu.

Gamers queriam games mais reais, e a geração do Playstation e do Nintendo 64, com os gráficos 3D permitiram o crescimento desse nicho de mercado. E na era 3D, os games de plataforma 2D foram aos poucos morrendo e com o gênero, as mascotes. Poucos foram os estúdios que conseguiram a sobrevivencia dos mascotes na era 3D. Mario foi um deles, Sonic aos trancos e barrancos idem, mas outros não tiveram a mesma sorte. Claro que a geração 3D trouxeram novos mascotes, como Crash Bandicoot e Spyro. Lembro que Gex foi um dos primeiros a ter sucesso no mundo dos games em 3D, apesar de que com o tempo, a largatixa acabou caindo no esquecimento.

Nota: Nossa, vendo esse vídeo do Gex, putz, como os jogos em 3D eram horríveis no começo não? Cheio de falhas nos cenários, a câmera que deixava todo mundo tonto, as coisas terrivelmente quadradas. Mas na época era sucesso no mundo todo a mudança do 2D para 3D.

Os mascotes ainda sobreviveram bem no começo da geração 3D. Mas na minha opinião, acabaram ligeiramente ruins na proxima geração, como Gamecube e o Playstation 2. Foram poucos os que sobreviveram na nova geração. Mega Man da Capcom quando mudou para o 3D conseguiu fracassar uma porrada de vezes, como Mega Man X7 e X8. Crash Bandicoot acabou pertido sem a Naughty Dog para cuidar da franquia e no geral, poucos estúdios arriscaram. FPS, corridas e RPGs eram sucesso maior de vendas do que um plataforma em 3D. Faltava criatividade e inovação em algumas franquias. Nem mesmo Mario Sunshine foi unânime de crítica, tendo muito gente feito careta para a jogabilidade do game e a mudança de ares da série (apesar de pra mim ser o melhor Mario 3D já criado). Note que não estou falando muito das franquias da Nintendo, porque no geral, elas sempre estão acima da média e fazem sucesso entre os fãs. Metroid, Star Fox e Zelda, nunca ficaram a perigo de serem extintos. Se bem que Star Fox anda meio sumido nesta geração. Já no lado da Sony, as duplas Ratchet & Clank e Jak & Daxter também fizeram bonito e estão aí até hoje com bons games.

Mas com um visual gráfico cada vez mais refinado, ficou cada vez mais difícil criar games fantasiosos com estrelas com braços e pernas ou animas heroicos que usam roupas e armas. O público que cresceu na década de 90 cresceu e ficou mais exigente. Os games entraram na febre do jogos cinemas, como Killzone, Halo, Heavy Rain e Gears of Wars. Personagens humanos, histórias ricas em detalhes e ação e universos quase que apocalipticos. Ninguém mais quer saber daquele Esquilo de armadura que anda na floresta derrotando os animais malvados da floresta ou caçadores. O mundo já não é mais tão fantasioso e ingênuo como era à 15 anos atrás. A realidade é dura, e é assim que os games são vistos nos dias de hoje.

Felizmente nem tudo é tão sombrio assim. Esta geração também é responsável pelos games via download. Jogos com um orçamento mais modestos, com visuais mais simples, e principalmente, com preços mais camaradas. Hoje em dia, talvez você não pagaria U$ 60 num game do Earthworm Jim, entretanto um remake ou até uma aventura inédita com o personagem, feita em 2D de alta-definição,  sendo lançado via download, custando R$ 15, é totalmente favorável ao mercado, porque ainda tem muito gamer nostálgico como eu, que adora os velhos mascotes. Não é à toa que sucessos velhos conhecidos como Bonk, Rocket Kinght e até mesmo Jim, estão para retornar aos consoles.

Os mascotes parecem que novamente encontraram seu lugar no mundinho dos games. Eles merecem afinal, foram muito importante para o amadurecimento na forma de criar e desenvolver games.

Vou fechar a matéria com um vídeo de um dos melhores e mais difíceis games da década de 90. Conheço pouquíssimas pessoas que conseguiram encerrar esse game até o fim, sem usar warp zone e quem conseguiu sofreu e muito. É claro que estou falando de Battletoads. Até hoje torço para o que a Rare se toque, e recrie um remake em HD desse clássico.

E uma imagem final (criada por MattMoyLan) para servir de contraste entre os games atuais e os velhos games (Pensei em traduzir, mas não quis mexer na imagem original):

Rá! Easy Mode? Bons tempos de cheat codes e passawords, isso sim! XD

Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar

Adblock detectado

Dê uma ajuda ao site simplesmente desabilitando seu Adblock para nosso endereço.