JogandoReflexões & Opiniões

Brasil dos Games: Projeto Jogo Justo e a árdua tarefa de mudar a forma de pensamento de um governo!

Falar sobre Brasil, mercado e política nunca é fácil pra mim. Sou uma pessoa que se revolta fácil, quando começo a falar sobre determinados assuntos tenho péssimo hábito de me alongar e extender o máximo que posso, mas não quero fazer isso neste post. Tentarei ser o mais suscinto possível.

Games mais baratos no Brasil? Sim, isso é possível. Mas quanto tempo algo assim pode levar? Após o continue a gente conversa mais!

Da esquerda para a direita: Marcos Khalil (UZ Games), Cláudio Macedo (NC Games), Deputado Federal Luiz Carlos Busato e Moacyr Alves!

Se você é um Gamer que vive pela internet, em fóruns, blogs  e sites do gênero, já deve ter topado alguma vez com o Projeto chamado Jogo Justo criado pelo gamer Moacyr Alves. Como o próprio nome diz, é uma iniciativa criada com o objetivo  de tentar reduzir a absurda carga tributária que esse ramo de entretenimento possui no Brasil. O projeto, que já existe  aproximadamente há um ano e meio, cresceu e tomou rumos interessantes e promissores. Hoje já conta com apoio de lojistas graúdos, de jornalistas do ramo e até mesmo do Deputado Federal Luiz Busato. Com um grupo assim, as coisas começam a tomar rumos interessantes, porém o tão almejado objetivo ainda está um pouco longe de ser conquistado.

A idéia do projeto é até simples – e é um absurdo como certas classificações brasileiras continuam na Idade da Pedra – em poucas palavras “Games e Videogames” (ou jogos eletrônicos no termos mais políticos), continuam em pleno ano de 2010, classificados na tabela de impostos brasileiros no mesmo grupo que máquinas de caça-níqueis, é uma velha questão de que games são considerados por aqui como jogos de azar. Se os games mudassem para categoria mais correta (e justa), os impostos poderiam diminuir cerca de 65%.

Essa história de games classificados aqui no país como jogos de azar é velha. Eu já conheço ela faz anos e anos e nunca ninguém conseguiu mudar. Vivemos numa nação em que por mais errado que esteja a tributação, o governo faz o  possível e o impossível para não reduzir os impostos. Até hoje temos impostos calculados em cima de outros impostos, o que tecnicamente é ilegal, mas o Governo se recusa a regularizar estas anormalidades do sistema tributário. O que o projeto Jogo Justo está tentando fazer é convencer o próprio Governo que se os impostos sobre os games forem abaixados, o mesmo irá lucrar muito mais do que  ele já lucra atualmente com os impostos lá nas alturas, pois o mercado informal onde  o Governo não ganha nada hoje em dia, já tem valores muito maiores do que os obtidos através do recolhimento dos impostos pelo mercado legalizado.

Faz sentido, mas não é fácil explicar estas coisas aos nossos chefões. Sem mencionar a burocracia que existe, propositalmente, para que mudanças assim não ocorram do dia para a noite. Ontem, foi realizado uma coletiva de imprensa em São Paulo, para apresentação do projeto oficialmente. Tenta-se também mudar a tributação frente ao Secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, que pelo que entendi tem o poder para agilizar de forma eficiente tais mudanças. Mas para isso é necessário convencer o secretário. Se nada acontecer dessa reunião, a iniciativa terá que ser feita por um projeto de lei e aí todo mundo sabe o quanto tempo pode lever para um projeto de lei ser aprovado. Anos e mais anos de enrolação e burocracia até que caia no esquecimento. Certamente esse é o caminho mais árduo, pois teria que haver um forte clamor da população para que projeto de lei tivesse prioridade para ser aprovado e quanto mais tempo demorar, mais fraco tal clamor vai ficando, sim porque o Brasileiro não é um daqueles que veste a camisa da revolta e sai todos os dias para marchar por melhorias. Ele faz isso um dia, dois talvez, mas no terceiro ele cansa e vai pra casa ver futebol na TV.

Acho bacana a iniciativa e fico na torcida para que dê certo, não é à toa que estou divulgando ela aqui no blog. Porém também entendo que ela só tem um pouco mais de um aninho de vida e se optarem por um projeto de lei, espero que todos os envolvidos continuem com o gás que demonstram atualmente e não deixem a peteca cair. Porque aí é que vem a maior prova contra a burocracia brasileira, saber esperar e torcer para as coisas caminhem de forma rápida. É nisso que fico decepcionado com o Brasil. As coisas não são do jeito que deveriam ser e quando alguém da população, numa sociedade democrática, tenta deixar melhor para todos os envolvidos, precisa entrar nessa selva quase que impossível de ser desbravada. Não é fácil, o próprio país coloca empecilhos para que ele amadureça e cresça.

Também acredito que o mercado de games tem alto potencial por aqui. O problema talvez seja cultural, não sei, o Brasileiro tem problemas de acesso a leitura (os que gostam, porque boa parte da população não é educada para gostar de ler), a internet, a qualquer tipo de forma de entretenimento que não seja TV aberta ou relacionado à pirataria (de games, filmes e música). Existe aquela mentalidade de que videogames é artigo de luxo e na realidade não é mais assim e tão pouco deve ser relacionado a brinquedo eletrônico. Hoje em dia a indústria americana leva os games eletrônicos tão a sério quanto os filmes de Hollywood. Podem ser tão lucrativos quanto, sem mencionar quando ambos andam de mãos juntas. É um mercado que incentiva a persquisa tecnológica relacionada à interatividade, e precisa sim existir no Brasil e incentivar esse salto no futuro por aqui.

Bem é isso, sempre que posso eu gosto de escrever sobre estes assuntos, não faço com frequência porque sempre batemos nas mesmas teclas: país mal desenvolvido, falta de informação da população, pirataria em face da nossa economia que não deixa o brasileiro gastar com lazer, altos impostos, corrupção e etc. As discussões sobre estes temas nunca mudam porque o país não muda. Há 10 anos atrás se discutia isso e hoje continuamos discutindo a mesmíssima coisa. Fico meio desanimado pensando assim na verdade.

Algum dia esse país vai mudar? Sei não, acho que quando chegarmos no fundo do poço, quem sabe as pessoas acordem e resolvam brigar pelos seus direitos e por um país mais justo à todos.

Para terminar, quem ficou interessando no Projeto Jogo Justo, clique aqui para uma reportagem da Uol Jogos extremamente bem informativa a respeito de como é a tributação hoje em dia no Brasil e como o Projeto pretende mudar isso. Ah, clique aqui também para ler uma entrevista bacana com o Moacyr feita lá no Gamer.Br do Pablo Miyazawa.

Obs: Quem ler a matéria na Uol, em determinado momento se comenta por lá que God of War vendeu por aqui 30 mil cópias. Para se ver o quão distante estamos dos EUA onde franquias assim vendem fácilmento mais de 1 milhão só em pré-venda. E depois se comenta que Pro Evolution Soccer 2010 conseguiu atingir 242 mil unidades no Brasil devido a uma promoção da produtora que lançou o game mais em conta por aqui. Diferença gritante com God of War, claro, mas ainda assim longe da meta de milhões que os americanos sempre almejam quando um game é lançado e o pior é que por lá certos títulos conseguem tais números facilmente ainda nos períodos de pré-venda, como Halo (outro ponto na qual eles são extremamente organizados, aqui no Brasil nem a Microsoft Brasil sabe informar com antecedência quais títulos ela mesmo pretende lançar ao longo do ano, imagine fazer pré-vendas tão antecipadas quanto os americanos). Há muito ainda que amadurecer no mercado brasileiro. Mas é verdade que certas coisas vêm melhorando nos últimos anos, em passos de tartaruga, provando que paciência é realmente uma virtude.

Obs 2: Caso tenha soado um pouco pessimista em certas partes da matéria, peço desculpas, mas realmente me decepciono muito fácil com politicagem no Brasil. Depois da faculdade de Direito e de descobrir como as coisas aqui no país podem levar até décadas para serem reformadas e mudadas, perdi um pouco a crença de que possa existir caminhos rápidos a serem tomados. Eles acontecem sim, mas são tão raros, que às vezes as pessoas vivem uma vida inteira aqui na República das Bananas e acabam não vendo um fenômeno assim.

Obs 3: Créditos da foto com os integrantes do projeto daqui!

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios