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A Hole New World | Buracos, chefes e poções! (Impressões)

O game que por coincidência apresenta a palavra “novo” (new) no título, na verdade não apresenta exatamente algo de novo, nem algo que cause grande impacto. E justamente por não trazer nada de novo é que ele vai te surpreender positivamente, pois todo o tempo que não foi gasto com inovações foi usado para refina-lo, para entregar algo bem redondinho aos jogadores; fazendo com que A Hole New World seja extremamente bem sucedido naquilo a que se propõe: ser um game divertido.

Quando você pega o controle e começa a jogar, há a imediata sensação de diversão. Eu costumo categorizar os games de forma muito peculiar, através das características que reconheço em cada um deles, e dentre as várias categorias que criei existe uma que está acima das outras, a categoria game sessão da tarde. Quando comecei a experimentar este título foi exatamente a sensação de assistir um filme da sessão da tarde, o kit completo, algo que diverte, que passa aquela sensação de velho conhecido, que anima e ao mesmo tempo você não precisa fazer um grande esforço para aproveitar a jornada.

Produzido pelo estúdio Mad Gear Games que fez muito bem a lição de casa ao nos entregar um game 2D bem ao estilo dos clássicos de Super Nintendo, com uma jogabilidade hodierna, sofrendo influências de games como Mega Man, Castlevania e até Zelda. Games que se você não jogou já ouviu falar e que certamente marcaram a vida da maioria dos jogadores veteranos. O jogo é uma verdadeira ode para os players que curtem uma boa e divertida história, com uma curva de aprendizado interessante e bons desafios, sendo alguns até mesmo irritantes.

A história do game é aquela tipicamente encontrada quando se trata de RPG ou aventura, sendo bem simples até. Quando um demônio cavaleiro se aproveita da fraqueza momentânea do protetor e acaba abrindo um portal para a invasão dos demônios e outras criaturas (oriundos do Mundo Invertido), assim você veste sua capa e com a ajuda de Fay, sua fada amiga, parte para se aventurar pelas dungeons e enfrentar demônios, cavaleiros, lobos, aranhas e outras muitas criaturas para recuperar as cinco gemas – e aqui eu me lembrei muito de Zelda A Link To The Past e seus cristais – e reunir poder suficiente para derrubar o responsável pela desgraça atual e restaurar a paz.

Particularmente acho que a história poderia ter sido mais bem elaborada, ou então que mais detalhes nos fossem fornecidos durante a jogatina. Ficamos praticamente só com o que nos foi mostrado no epílogo. Faltou aprofundar melhor algumas características, os vilões e personagens. Você encontra vários NPC’s durante o game, mas pouco ou quase nada sabe ou aprende sobre eles. Especificamente falando daquilo que nos é entregue, essa decisão de manter uma narrativa simples, porém bem estruturada, ajuda e muito na hora de compreender o game, visto que o mesmo não possui dublagem nem legendas em português.

Na parte gráfica, o estúdio entrega um bom trabalho, cumprindo bem aquilo a qual se propõe, neste caso reproduzindo padrões gráficos bem próximos dos encontrados nos primeiros games da série Castlevania. Na página do jogo no projeto Kickstarter os desenvolvedores mencionam que usaram apenas quarenta e oito cores, além de seis paletas em tom de cinza para criar os ambientes do jogo.

Embora bastante pixelados e com acúmulo de cores vibrantes em alguns momentos, principalmente em um dos chefes, o seu projeto gráfico delimita bem seus ambientes e acerta principalmente quando o assunto é contrastar os ambientes espelhados presentes em cada cenário, onde na parte de cima, você é apresentado a ambientes vivazes com cores vibrantes, e no de baixo vemos com frequências pequenas nuances de uma mesma tonalidade e a predominância de cores mais escuras e opacas.

A mecânica é bem simples e não deveria ser mesmo complicada já que o estilo escolhido é o famoso pule e atire muito comum nos games de Mega Man.  Temos um botão para saltar, um para atacar e outro para carregar o tiro de plasma que pode também ser usado se você segurar o botão de salto. Conforme você avança e derrota os chefes, ganhando assim novas poções as quais tem no jogo a função de prover ao jogador novas variações da habilidade inicial e que possuem algumas utilidades como quebrar cubos e paredes, o jogo acrescenta um botão para troca automática entre as mesmas. Este recurso é mais um ponto positivo, já que assim você não precisar entrar no menu sempre que quer trocar de estilo de projétil, uma coisa que sempre me irritou bastante nos jogos desse gênero.

Quase no final do game mais algumas mecânicas são acrescentadas, dois pulos e uma espécie de rasteira que pode ser usada no ar também. Os tiros podem ser jogados em todas as direções e isso pode proporcionar algumas estratégias, pois existe uma poção que permite lançar projéteis de gelo e fogo e estes fazem ricochetes, sendo ótimos para chefões que se movimentam bastante ou que tem algum tipo de escudo.

O game é composto por cinco níveis, cada um representando um elemento característico do jogo, fogo e gelo, sangue, luz, raio e trevas, e embora bem elaborados, com criaturas específicas para cada nível – que por sinal foram bem planejados mas em minha opinião, achei a maioria deles muito curtos.

Este fator é amenizado pela excelente interação presente entre os lados espelhados em cada nível, a passagem por ambos é praticamente obrigatória em todos os níveis, com exceção do primeiro. Essa obrigatoriedade não torna o recurso enjoativo, na verdade em alguns momentos é uma ótima estratégia ficar subindo ou descendo para aniquilar os inimigos mais fortes.

Embora na sua página do Kickstarter os produtores tenham prometido um jogo com controles simples e grandes dificuldades, posso dizer que achei as fases pouco desafiantes, e que somente em alguns chefões me vi em dificuldades. Um deles que me lembrou muito o Trinexx de A Link To The Past, por ser feito dos elementos gelo e fogo e alternar ataques dos dois elementos é bastante complicado, visto que tem uma gama grande de golpes e pelo menos 3 padrões diferentes de ataques. Levando em consideração tudo que foi dito gostaria que o game tivesse uma dificuldade um pouco maior. Existem muitos pontos para salvar seu progresso dentro das fases, e os inimigos morrem com poucos golpes, sendo a grande maioria com apenas um golpe.

A trilha sonora do jogo é bem interessante, usando instrumentos de orquestra, sintetizadores eletrônicos e guitarras elétricas, o resultado é bem agradável. Existem algumas melodias que ficam presentes em sua cabeça por algum tempo, nada memorável como a música da Kakarico’s Village em Zelda, mas bastante agradável. Composta por algumas poucas músicas até porque existem poucos cenários no jogo, a trilha sonora consegue deixar bem claro os momentos de suspense e de triunfo sempre dialogando com os cenários, onde, por exemplo, você está numa floresta, ouve-se algo mais aventureiro, ou então orquestra para áreas dentro de castelos. Uma coisa interessante é que no menu do jogo você pode escolher entre duas versões de músicas, uma nos moldes no NES e outra nos moldes SNES. Eu particularmente achei super válido, pois aumenta e muito o fator nostalgia.

Outro ponto que pelo menos para mim é super importante nos games é o fator replay, ainda mais nos dias atuais onde temos games com histórias cada vez mais curtas e muitas vezes com foco no multiplayer, coisa que confesso não curtir muito. No caso de A Hole New World em específico devo dizer que por ser um jogo é bastante agradável, porem curto, ao termina-lo fiquei com a vontade de voltar a jogá-lo em algum momento no futuro. Ao finalizar pela primeira vez você libera os modos New Game +, Boss Rush Mode e também o Chalenge Mode, sendo que este último ainda não tive tempo de jogar muito, mas parece ser uma espécie de modo horda, onde você enfrenta uma quantidade enorme de inimigos seguidamente. O New Game + é interessante, além do fator dificuldade aumentado, todos os cenários estão invertidos, ou seja, a tela está virada de ponta cabeça e o Boss Rush que em minha opinião é o melhor deles, consiste em enfrentar todos os chefões consecutivamente levando seus corações restantes para a batalha seguinte, o que dificulta e muito a situação. Outra informação interessante para mencionar é a de que segundo os desenvolvedores existem múltiplos finais para o game.

Considerações Finais

Caso você seja como eu, um fissurado em desafios, embora eu raramente consiga milhar os game, então A Hole New World é um prato cheio. Algumas conquistas beiram o insano, como vencer o último boss no New Game + sem sofrer danos – para se ter uma ideia de como isso é difícil eu usei cinquenta e nove vidas para derrotá-lo no modo normal pela primeira vez.

No frigir dos ovos se você procura um game legal, da velha guarda e que com certeza vai ter proporcionar bons momentos, principalmente pelo fator nostalgia. Vale muito a pena os quase dez dólares que você deve desembolsar para adquirir o jogo. Embora o título seja curto A Hole New World oferece um bom divertimento, e se você tiver o tempo que eu não tive (antes de publicar esta análise), para jogar os outros modos e correr atrás dos finais alternativos, o game certamente irá te proporcionar ainda mais desafios.

Devo dizer que jogar A Hole New World se mostrou uma ótima experiência.

Galeria

Não é longo, mas não é caro
Ótima jogabilidade
Dificuldade moderada
Trilha sonora interessante
Ótimos gráficos, visual bonito
Sem localização em português

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