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DC/Panini: A Noite Mais Densa já começou no Brasil! Pequenas considerações!

Bem, alguns leitores já devem ter notado que andei dando um gelo na DC Comics por aqui nos últimos meses, culpa da reforma editorial da Panini que não foi exatamente do meu agrado. Prometeu-se melhorias, mas na minha perspectiva foi uma desculpa para cortar páginas dos gibis de linha, na qual o preço das edições não reduziu-se na mesma proporção, cancelou uma das minhas revistas favoritas (Novos Titãs) e criou duas revistonas meio estilo “almanaque” de 15 reais cada, com “aquele” mix de histórias que tanta gente critica por aqui. Não curti e com o vencimento da minha assinatura, larguei mão. Como leitor, tenho direito a ficar insatisfeito e dar um tempo. HQs de heróis sempre irão existir e as histórias sempre irão continuar, então não vi motivos para continuar dando meu suado dinheiro na linha da DC da Panini nestes meses que passou (ao contrário da linha de mangás, que anda destruindo meu orçamento). Mas “A Noite Mais Densa” chegou e novamente me sinto atraido por este arco que chamou muito a atenção dos americanos em 2009 e que está finalmente chegando no Brasil, um ano depois.

Depois do continue, algumas considerações minha sobre o arco (sem spoilers), um pequeno posicionamento de acontecimentos para leitores novatos, entre outras coisinhas:

Lanterna Verde em foco!

Chega de Crises Finais e Infinitas, chega de Darkseid ou aqueles vilões básicos e desgastados, chega de arcos e sagas com a trindade Superman, Batman e Mulher-Maravilha, finalmente a DC Comics percebeu o potencial que os Lanternas Verdes possuem e o quanto isso pode acrescer ao Universo DC interagindo com os ícones maiores da casa. Um pouco disso já havia sido mostrado com a saga A Guerra dos Anéis de 2008, quando os anéis amarelos do Sinestro foram criados. E com o filme solo do Lanterna Verde sendo produzindo para 2011, as chances de que a fama dos Lanternas cresçam, só mostra o potencial que este universo tem para ser explorado nos próximos anos. Então vale à pena fica de olho no que anda acontecendo no lado verde da DC.

Eu sempre me esbarro em leitores que comentam que não conhecem muito a mitologia dos Lanternas Verdes, os personagens principais ou as histórias de cada um. Eu mesmo não conhecia boa parte da cronologia deles até alguns anos atrás quando comecei a acompanhar as aventuras. Atualmente, nos EUA, estes personagens possuem duas revistas, a do Lanterna Verde original, chamado Hal Jordan, e a da Tropa dos Lanternas Verdes, que tem como foco os outros Lanternas alienígenas, como Kilowog,  e os outros Lanternas da Terra, como o John Stewart, conhecido pelo desenho da Liga da Justiça, além de Kyle Rayner e Guy Gadner. Há outros lanternas que nos últimos anos ganharam muito destaque, mas não há necessidade de alencar eles neste momento. No Brasil, ambas revistas americanas saem numa única revista chamada Lanterna Verde, ou seja, para acompanhar todo este universo de personagens, basta comprar uma única revista, além é claro da A Noite Mais Densa, que chega separado, numa revista com papel especial e 52 páginas.

Mas o que é A Noite Mais Densa? É complicado explicar para quem não conhece muito bem esse universo da DC, mas vou tentar dar uma explicação mais simples. É uma profecia, quase que apocalíptica, onde os mortos irão se levantar. E não estou falando apenas de zumbis ou limitando o fato apenas ao planeta Terra. A Noite Mais Densa envolve todo o universo, setores espaciais e vida em todo o espaço sideral, afinal, a Tropa dos Lanternas Verdes cuidam de todo o universo e não apenas da Terra. A luz negra que tem o poder de levantar os mortos finalmente surge e os anéis negros, assim como os Lanternas Negros surgem no primeiro volume de A Noite Mais Densa (capa acima). E agora ninguém mais está a salvo.

Nos últimos anos a DC Comics andou matando muitos personagens, entre heróis e vilões queridos entre os fãs e agora ela os trarão de volta como mortos-vivos. Essa é uma premissa que num primeiro momento pode parecer bem clichê e até mesmo mei cópia do que a Marvel andou fazendo alguns anos atrás com a linha “Marvel Zombies”, mas nem por isso torna as coisas menos empolgantes para o lado da DC. A idéia dos Lanternas Negros é muito boa, você logo percebe no primeiro número de A Noite Mais Densa quando dois personagens voltam do mundo dos mortos e matam numa cena bem sanguinolenta e chocando, dois super-heróis conhecido pelo público e fãs. Fiquei impressionado com a qualidade dessa primeira edição. É muito, mas muito, superior ao que a DC andou fazendo em termos de arcos nos ultimos anos. Narrativa concisa, sem grandes charadas ou ambiguidade demais, não deixa nada confuso e ainda tenta colocar o leitor a par de tudo que andou acontecendo na DC nos últimos anos para que o mesmo não fique totalmente perdido caso não tenha acompanhado o últimos acontecimentos. Bem diferente da salada cerebral de Crise Final, onde nada fazia sentido ao primeiro olhar, muita coisa não batia com as revistas de linhas e nem tudo era explicado com clareza.

Dá pra acompanhar sem ter lido nada da DC nos últimos anos? Dá sim. Algumas coisas vão atiçar a curiosidade do leitor é claro, como por exemplo, como é que o Batman morreu? Ou como Barry Allen, o primeiro Flash, voltou dos mortos? O que aconteceu com os outros Flashs? Como o Aquaman morreu? São perguntas que não necessariamente você precisa saber para entender a trama de A Noite Mais Densa, mas com certeza os leitores veteranos se divertem com tantas referencias aos arcos e sagas dos últimos anos da DC.

Por exemplo, adorei o fato dos acontecimentos de Crise de Identidade ser um dos grandes destaques do primeiro número. A morte de Sue Dibny nesse arco foi chocante e um dos melhores mistérios criados na época, a personagem era esposa de Ralph Dibny, o super-herói chamado Homem-Borrada, que não era um dos personagens mais populares da época. No fim, Sue foi assasinada por Jean Loring, ex-esposa de outro herói da casa, o Eléktron. Ralph e Jean Loring acabaram morrendo em sagas posteriores, Raplph no arco 52, outra fantastica saga da editora, e Jean Loring durou um pouco mais, ela acabou ficando insana e uma entidade conhecida como Eclipso acabou se apossando de seu corpo, no fim, Jean morre na saga Contagem Regressiva.

Você não precisa saber nada disso, mas a primeira edição ainda tenta explicar boa parte destes acontecimentos, tudo para que o leitor não fique perdido ou entenda os sentimentos que estes personagens representam para quem ainda está vivo. Eu mesmo nem sabia da morte ou da história de alguns, como aqueles que estão no cemitério de Valhalla em Metrópolis.

Entre os figurões, por exemplo, eu desconheço bastante sobre a morte de Aquaman, que morreu bem antes de eu voltar a acompanhar a DC alguns anos atrás, havia um personagem-substituto para o herói, mas a Panini parou de publicar suas hsitórias por aqui, então não sei o que aconteceu com o cara, mas pelo visto não tem importância. Já Barry Allen, o primeiro Flash é um dos heróis mortos décadas atrás que sempre causou polêmica com os fãs, ainda não li a série Flash Renascimento, mas depois desse primeiro número de A Noite Mais Densa, fiquei curioso para saber porque ele voltou e como isso aconteceu. Depois eu conto para vocês. Já sobre Batman estar morto, acho que isso não chega a ser surpresa, até mesmo se você não acompanha os quadrinhos da DC, esse evento foi bem noticiado pelos sites de quadrinhos pelo mundo, eu mesmo comentei por aqui a um bom tempo atrás. Batman morre no final de Crise Final, pelo raio “sei lá do que” de Darkseid, ainda que em sua revista regular, também role um evento que poderia ser comparado com a sua morte, mas oficialmente a DC diz que ele morreu em Crise Final. Atualmente quem veste o manto de Batman é Dick Grayson, o primeiro Robin e eterno Asa Noturna. Quanto aos outros Flash, não sei que fim levou Wally West com o renascimento de Barry, até onde li na revista dos Titãs, ele continua como Flash, já Bart Allen voltou a vida na saga Legião dos Três Mundos, mas agora ele voltou a ser Kid-Flash, alias nessa saga Legião dos Três Mundos, também marca a volta de Connor Kent, o Superboy, que havia morrido em Crise Infinita. Quanto a menção da morte de Hal Jordan, feita na primeira edição da nova saga, também não acompanhei pois é antes do meu tempo, mas Hal foi infectado por uma entidade malígna e chegou a morrer após destruir toda a Tropa dos Lanternas Verdes, mas tudo foi restaurando na saga Lanterna Verde Renascimento, que não tive a oportunidade de ler. J’onn J’onz, o Caçador de Marte, conhecido também pelo desenho Liga da Justiça, morre em Crise Final, morto por um grupo de vilões.

Descrevendo as coisas assim parece tudo muito complicado, mas na verdade não é. Como eu disse, quando se faz necessário, os diálogos tentam ao máximo colocar o leitor a par dos eventos do passado, que mesmo que sejam mencionados, no final das contas não tem tanta importancia assim. O que importa é o que está acontecendo atualmente. Quem está se levantando e o que está contecendo.

O primeiro número não explica a origem do primeiro Lanterna Negro (William Hand), o Mão Negra, isso porque existe um prólogo para a saga, que está na revista do Lanterna Verde #23, de Julho, que ainda deve estar nas bancas. Lá explica que o cara era um dos vilões rotineiros de Hal Jordan e havia um desejo macabro pela morte. Após matar seu irmão, pai e mãe e se matar, ele acaba se tornando o primeiro Lanterna Negro. Isso porque um dos Anciões (os carinhas meio smurfs idosos que criaram o poder da luz verde), se corrompeu no final de Crise Final e agora comanda o livro negro, que dá toda a origem para a luz negra. Não se preocupe em entender isso, pois com certeza será explicado em melhores detalhes mais a frente, o começo da história preocupa-se primeiro em mostrar quem morreu nos últimos anos, aproveitando um feriado mundial do planeta Terra, e o despertar dos mortos e o início da saga. Mais explicações sobre o Ancião chamado “Cicatriz”, o livro negro e a Lanterna Negra provavelmente irão ser esclarecidos mais à frente.

Ainda não deu tempo de ler o Contos da Tropa #1, que vem junto na revista, mas pelo que parece o foco ali deve ser sobre os personagens que compõem a Guerra das Luzes, criadas nos últimos meses, mas isso eu deixo para explicar oportunamente. Só quero deixar essa recomendação, porque se você procura algo novo e de qualidade para ler, este é um ótimo momento para começar a acompanhar as histórias do Lanterna Verde e de A Noite Mais Densa (tem que acompanhar ambas as revistas, pois as histórias se completam).

E podem ficar tranquilo que pretendo voltar a falar mais sobre quadrinhos da DC aqui no Blog, em especial sobre este arco!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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