Japão

Monster Hunter Orage #01 | Hiro Mashima + Monster Hunter = Sucesso? (Impressões)

Joguei Monster Hunter razoavelmente para me confirmar que o jogo é muito bem feito e um dos mais profundos que já joguei, principalmente em se tratando dos jogos lançados para PSP. Lia Fairy Tail na época que não era este sucesso estrondoso, lá para final de 2008, e achava o mangá se não um dos melhores do gênero, disputava pau a pau com One Piece qual era o Shonen que mais me arrancava risadas.

Então depois do grande anúncio da JBC, fiquei sabendo que FT seria lançado por essas bandas, mas a minha surpresa ficou mesmo por conta do anúncio de Monster Hunter, um mangá que nem conhecia, e feito por ninguém menos que Hiro Mashima!

Então eis que a JBC lança-o para preparar terreno para o seu grande lançamento, semelhante ao que foi feito com as obras de Takeshi Obata, e começo a lê-lo.

Continuamos a conversa após o continue!

Uma coisa que me chamou atenção no mangá assim que eu o abri foram o número de páginas que cada capítulo possui. Eu realmente achei que fosse uma série semanal com a maioria que vemos por aí. Pode parecer que não, mas claramente percebe-se que o ritmo destes mangás é outro completamente diferente do ritmo imposto dos mangás semanais que contam com 20 páginas em média em contraste com os mensais que flutam por volta de 50 páginas. Mashima utiliza bem os elementos referentes a estes mangás, como por exemplo cito a pequena retrospectiva feita ao iniciozinho de cada capítulo, além de sempre citar, quando possível em notas pelo próprio autos os nomes dos personagens.

Começamos nossa leitura sendo apresentados (ou representados no caso daqueles já iniciados no fantástico mundo criado pela capcom), aos monstros, mecânicas, e armas. Em conjunto a isso a história triste de Shiki se mostra a nós com um característico ritmo, pautado em cenas de ações e humor que se quebram mutuamente muito bem dando aquele sentimento necessário a não deixar o leitor muito intediado, seja com pancadaria, ou piadinhas forçadas.

O autor, em minha opinião fez uma escolha muito acertada na escolha da arma do héroi principal, pois possibilita Mashima desenvolver bem o seu estilo de protagonista cabeça quente, assim como Natsu, de FT. A chamada “Dual Blades” é uma arma que denota o grande poder de destruição característico de protagonistas shonens.

É notável a pesquisa que Mashima fez para escrever o mangá, (ou então o conhecimento adquirido jogando a série né? Yoshiro Tagashi possívelmente se daria bem escrevendo um mangá de DQ, já que ele já deixou o mangá em hiato várias vezes por causa disto…), os nomes das armas monstros, e até regiões condizem perfeitamente com o jogo. Estes ainda são apresentados em uma sequência muito parecida com a do último jogo lançado para PSP (que era na época o último da série lançado), coincidência ou não isso me deixou um gostinho de nostalgia muito bom, me lembrando de quando comecei minha jornada, e fazendo minha simpatia com o personagem principal crescer ainda mais!

Logo que voltamos ao presente de Shiki, o personagem se mostra muito engraçado, com berros fora de hora, ações hiperbólicas, e total descomprometimento com tudo menos o seu objetivo principal no melhor estilo Luffy. Por falar no pirata, Shiki compactua de outra mania dele: a de quando encasqueta de alguém ser seu companheiro não desiste de jeito nenhum! E a primeira escolhida foi Irie, a filha do seu  falecido mestre.

Algo que sempre gostei sobre o autor são seus traços e suas lutas, que possuem uma combinação rápida de se ler e de fácil assimilação, o que se encaixa muito bem no estilo descontraído do autor. Apesar de por outro lado as batalhas em geral nesse primeiro volume perderem um pouco no fator “épico”, com pouco destaque a  batalha final contra o Dermios. Mas o autor joga muito bem com a diferença de tamanho dos personagens para os monstros, mesmo que com excesso deste uso necessário, este não cause a mesma impressão das primeiras vezes.

O mangá correu até rápido para mim. No terceiro capítulo já somos apresentados a uma ferreira, Sakuya, que viria a ser a terceira integrante da party, que possui quatro pessoas. Na minha opinião foi um pouco precipitado adcionar mais um personagem logo, ainda mais por causa da limitação de 4 integrantes para os protagonistas. Essa limitação imposta pelo próprio universo da série, pode ter sido uma das causas do precoce cancelamento da publicação. Porém só poderemos saber os verdadeiros motivos por trás deste ao final de mais 3 meses.

A batalha com o Dermios ainda não foi tudo que eu esperava para o mangá de Monster Hunter mas conseguiu trazer novos elementos às batalhas e retirar a dúvida de como o autor iria se portar quanto aos monstros do jogo no mangá. O autor usa-os muito bem e complementa de forma quase sempre boa os elementos já existentes na série.

Ao final da Batalha contra o monstrengo assassino do pai de Sakuya, temos a entrada dela para a party como uma Gunner, o que na minha opinião foi uma boa escolha de arma, fazendo assim com que o autor tenha uma boa variedade presente de armas. Aliás, a inclusão de Sakuya, mesmo achando-a precoce como disse acima, deu um dinamismo de estratégia maior à caçada, não ficou aquela coisa de vitória “Overpowered” e sem sal que foi a primeira batalha de Shiki e Irie. Mais uma vez Mashima consegue mesclar muito bem os elementos emotivos e, à exemplo do que fez lá no primeiro capítulo, tocou na questão delicada do passado da pequena ferreira e mostrou com certo brilhantismo as razões para a garota lutar tanto. Um dos pontos altos deste primeiro volume sem dúvida, ganhando até das batalhas, foi essa forma de mostrar o passado de todos de forma rápida e completa, mas que pode se mostrar uma faca de dois gumes para o autor, o deixando sem cartas na manga para capítulos seguintes.

As armas ainda recebem um bom power-up, coisa que sempre gosto muito nos mangás do genêro pois tira as batalhas de possíveis mesmices. E como ganchinho no final ainda temos  o aparecimento de um vilão com cara daqueles clássicos chefões de games, que oferece poder ao jovem Príncipe, e ele ainda possui uma espada-chicote inexistente no jogo, que nos faz encher os olhos no seu ataque ao monstrão. Achei a cara do sujeito e o jeitão muito parecido com o de Orochimaru, inclusive esta história de oferecer poder para o Princípe buscar o seu objetivo de ser um seal hunter e surpassar Shiki.

Ainda foram incluídos extras interessantes como desenhos dos leitores e pequenas fichas de “hunters” referente às horas de jogo e outros fatos do próprio Mashima (Nossa 460 horas? Não tenho isso nem se somar as horas dos meus jogos da franquia pokémon!) e de seus assistentes, além de uma pequena retrospectiva da série até o Monster Hunter 2nd G que recebeu o nome de Freedom Unite no Ocidente.

Enfim, Hiro Mashima conseguiu uma boa mistura de elementos de mangá e do próprio jogo, mesmo que tenha se mantido no clichê necessário em parte, Orage é uma obra divertida, com belos desenhos, mas não é algo que se destaque muito na multidão, talvez a sua classificação de “acima da média” feita por mim se deva muito à relação com o jogo e a boa apresentação geral que a série teve. Acima de tudo é um entreterimento indispensável para fãs do jogo que, assim como eu, sentirão o “algo a mais” com as referências, feitas por Mashima que torna o mangá em uma verdadeira declaração de amor a série.

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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