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Castlevania: LoS tem início confuso, porém causa uma tremenda boa impressão! [X360/PS3]

Para falar a verdade nunca fui grande fã de Castlevania. Os games clássicos, que seguem aquele antigo estilo 2D nunca me agradaram. Sei que eles são ótimos, que existe uma legião de fãs e que não deve se questionar a genialidade da franquia, que mescla exploração, puzzles e muita plataforma num clima de seres sobrenaturais. Não gostava deles no SNES, tentei gostar quando sairam aquelas versões do DS e até mesmo o recente Castlevania lançado na Xbox Live Arcadem eu simplesmente não consigo me divertir. Sou muito chato e impaciente com games onde o jogador fica perdido facilmente, que seja necessário ficar indo e vindo pelos mesmo cenários a todo o momento. Fico simplesmente irritado com isso e como a proposta de um videogame é diversão acima de tudo, acabo desistindo quando descobro que o game é nessa fórmula e estilo (Metroid Prime é outra franquia que não suporto jogar pelos mesmos motivos). Claro que de vez em quando se acha algumas exceções, como Dead Rising, onde o jogador está sempre passando pelas mesmas áreas, mas sem a sensação de ficar perdido, e como o sistema de evolução do personagem é diferente, cada vez que você passa por uma mesma área, a sensação é sempre diferente, você está com novos golpes, novos itens no menu, etc, perde assim toda a sensação de repetição. Os antigos Castlevania 2D nunca conseguiram me convencer por não utilizar de elementos assim. Mas novamente, o problema sou eu, e não o gênero, que é apreciado por muitos.

Dei esta pequena explicação porque Castlevania: Lords of Shadow quando foi anunciado, ano passado, despertou a minha curiosidade exatamente por ser uma espécia de reinvenção a série original, ou um spin-off (série derivada) da franquia, classifique-a como quiser. O fato é que LoS é um game diferente, mais focado na ação e exploração de fases em 3D, ainda que alguns elementos e climatização com a série original permaneçam tendo um forte impacto no game. Após o continue, pretendo comentar um pouco desta minha impressão inicial do game, apenas dos três primeiros estágios, que apesar de alguns altos e baixos, me causou uma excelente impressão, afinal, comecei o game ontem, então há ainda muito o que ser visto e aprendido, mas dá para dizer que é exatamente o que já esperava do mesmo. 🙂

“Um começo confuso…”

Este foi o meu primeiro pensamento a respeito de Castlevania LoS. A história é narrada através de páginas de um livro, mas tentar ler tais páginas é bem cansativo, não pela quantidade de texto, mas a forma como elas são mostradas na TV e a fonte das letras, deixa o texto com uma leitura bem complicada para se ver pela tela dada uma certa distância até o sofá, mas que sejam perfeitamente legíveis na minha LCD. Claro que há o narrador, na esplêndida voz do ator Sir Patrick Stewart (o Porf. Charles Xavier dos filmes de X-Men), mas impossível não ficar meio cansado de ver uma tela estática onde não é possível acompanhar a leitura sem cansar a vista.

Claro que o suspense dentro da história parece ter sido uma decisão do time de desenvolvimento do game, para não contar tudo de uma só vez, deixando como parte do charme, onde você vai descobrindo mais sobre o protagonista, Gabriel Belmont, enquanto avança no game. Pra mim, ficou um pouco estranho, você já começa o game chegando numa vila, à noite numa tempestade daquelas, a lua cheia paira sobre o céu. A vila é atacada por lobisomens e pronto, o game te arremessa ali para aprender sobre os controles. Não ajuda muito o fato do personagem principal ser do tipo calado, ao menos no começo. Não é como outros games, o personagem não faz piadinhas sobre a sua situação, não provoca os inimigos, a comunicação com os habitantes da vila nesse começo parece até ser telepática, é realmente desconfortável. Pode funcionar com Link de The Legend of Zelda, mas fica estranho em outros games, ter um personagem caladão. O jogador acaba não se introsando com o mesmo. Pelo menos foi esta a minha sensação inicial. Voltando à primeira fase, ela termina, Gabriel troca duas únicas e curtas sentenças com um dos residentes do vilarejo e vai embora à pé. Ou seja, o cara todo grandão, armada, chega à cavalo durante um ataque, mata todas as criaturas que estão ali causando matança, faz uma perguntar, e segue adiante. Tem uma ceninha onde Gabriel vai até o seu cavalo, morto no ataque, olha pro bichinho, dá aquela sensação de pesar e logo em seguida vira às costas e vai embora. Puxa, não para colocar uma fala ali nesta cena tipo “sinto muito, fiel amigo”. Tudo bem que as vezes um olhar, um gesto, vale mais do que palavras, mas o jogo acabou de introduzir o personagem, não dá para dizer com todas as letras que foi isso que ele pensou.

Preciso fazer uma pausa aqui, pois preciso comentar que escolhi começar o game pelo modo Hard, ou seja, talvez venha a reclamar mais adiante sobre algum aspecto do game que seja diferente caso você jogue no modo normal (sistema de energia, tenha isso em mente). Decidi optar logo pelo modo mais desafiador, porque os games de hoje em dia, costumam ser bem fáceis, mesmo no modo normal, ou talvez seja eu quem esteja habituado demais com videogames. Atualmente é possível fechar qualquer game com uma certa facilidade no modo normal, sem nem ao menos ver um Game Over ou morrer algumas vezes, então anda optando por começar os games, quando há opção de nível de dificuldade, de começar logo pela mais difícil. Se nesse caso, acabar descobrindo que o modo hard é infernal e quase impossível de se ultrapassar (Bayonetta tem uns modos assim), aí acabo diminuindo a dificuldade do game, caso contrário, continuo em Hard até o fim. Então fixe a idéia de que tudo que for comentando mais abaixo a respeito do balanceamento da dificuldade do game a respeito de batalhas, energia e chefes, está sendo mencionado já através do modo mais difícil e que não faço a menor idéia como funciona o balanceamento disso no modo normal.

Para fechar este primeiro ponto do game, talvez no vídeo acima não fique muito claro, mas quando entrar nas próximas fases irá ficar mais claro, um dos pontos que não me agradarem no game é o fato de não haver a possibilidade do gamer rotacionar a câmera do game para onde ele quiser. Ela sempre se posiciona onde o jogo acha que deve posicionar, não dá uma sensação de liberdade, e com isso durante algumas batalhas é muito comum os inimigos te pegarem por trás, não por desatenção sua, mas simplesmente porque eles estão atacando por um ponto cego da câmera, ou seja, você não está os vendo na tela! Isso eu achei uma falha muito grave. Tudo bem que em certos cenários e momentos das fases, é meio óbvio que não dá para deixar o jogador ir com a câmera para onde quiser, mas em cenários mais amplos e abertos, quando pipocam um monte de inimigos na tela, nunca é possível focalizar todos, ficando quiser impossível não tomar algum dano. Felizmente Gabriel tem alguns golpes excelentes de longo e amplo alcance, as vezes pegando até mesmo em 360 graus, o que impede que os inimigos cheguem perto demais, e que o jogador acabe sendo surpreendidos por aqueles que ele não está enxergando. Daqui a pouco falo mais sobre o sistema de batalhas.

Uma aventura cinematográfica…

O segundo estágio deixa esta impressão. Não só isso, mas os gráficos de Castlevania LoS são soberbos, realmente impressionam e o resultado é um game que te deixa imersivo no cenário, não sabendo por vezes onde está a trilha do game ou objetos em cena aonde pode interagir. Aqui somos introduzido a uma fase de montaria, onde boa parte dela passa em cima de um belo cavalo. Alias o cavalo em si fala mais nessa fase do que o próprio Gabriel, que melhor dizendo, não fala nada. O Cavalo surge, se apresentando, dizendo que o levará ao seu destino, mas precisam se apressar e quando chega a fase, ele diz que não pode mais continuar a partir de determinado trecho e desaparece. Gabriel não diz nem ao menos um “obrigado” para a montaria. Você não agradeceria pela ajuda?

Aqui o narrador da história entrega um pouco mais da trama, que Gabriel sofre por um amor perdido, blá blá blá. Clichê e ainda não me convenceu. É provável que a história só deslanche mesmo quando Gabriel chegar no templo, que ainda não joguei. Então fico na expectativa, assim como vocês que estão lendo esta matéria. Voltando a fase em si, ela é regata de adrenalidade e é muito divertida. Você segue no cavalo com duas opções de ataque, uma onde você pode atingir a montaria inimiga e outra você atinge a fera em cima da montaria. Ambos se atacam, o que acaba se tornando uma cena de Quick Time Event, onde você precisa apertar o botão na hora certa para se defender. Mesmo assim, Gabriel cairá do cavalo por duas vezes ao longo da fase, para que você aprenda um pouco mais sobre as habilidades de combate.

Quanto ao sistema de combate, não tenho muito do que reclamar, pelo contrário, tenho mais é que elogiar. É um sistema que agrada quem curte combos e um sistema mais desafiador de combate, mas que também não pune quem não está acostumado com isso e opta por sistema mais simples para apertar os botões. Tudo se resume ao chicote de Gabriel, como testei a versão para Xbox 360 as coisas funcionam assim, com o botão X, o chicote funciona em momvimentos verticais, atacando melhor o que está a sua frente, enquanto o botão Y, serve para movimentos horizontais, atacando assim os inimigos que rondam o jogador, contra chefes, o botão X tem uma melhor vantagem por o dano é direto e maior. O botão A serve como pulo e o B atira adagas, que alias tem uma mora semi-automática, basta se virar em direção ao inimigo que em 95% das vezes você o acertará, mas há um limite inicial de 5 adagas que Gabriel pode carregar (no fim da terceira fase esse limite aumenta para 10 adagas). Além disso, você pode combinar ataques, com o X e Y, durante o salta, mais para frente você poderá puxar os inimigos e também é possível agarrá-los com o RT e executá-los na hora, mas precisa estar próximo e isso é meio perigoso, e nem todos são agarráveis (os maiores em geral não são).  Também é possível se defender, desviar e contraatacar, tudo usando o LT, o gatilho do lado esquerdo, e a defesa é crucial no game devido ao sistema de energia, já falo já sobre isso. O sistema vai destravando novos golpes e combos conforme o jogador vai progredindo no game, porém é preciso comprá-los e os pontos são obtidos cada vez que você derrota um inimigo, o que significa, que por vezes você irá voltar algumas fases, apenas para ganhar mais pontos, para ir para os níveis avançados com um inventário de golpes mais evoluido. Um ótimo sistema, como disse, que agrada a gregos e troianos.

Mencionei acima o sistema de energia, pois então, ao contrário de games como Halo e Gears of War, onde o jogador toma algum dano, recua e a energia volta ao normal, em Castlevania LoS, ao tomar um dano, sua energia só será restaurada se encontrar durante a fase algumas das fontes de curas, que as vezes ficam escondidas ou em rotas alternativas da mesma (já menciono isso). Então é preciso tomar muito cuidado para economizar energia. Não há poções que você carregue no seu inventário que possibilite recarregar quando lhe convier, muito menos ela volta a 100% se você não está em batalha. Só dá pra recuperar quando encontrar tais fontes. E o mais incrível, se você avançar, passar por um checkpoint com a energia, digamos, em 20%, caso venha a morrer mais à frente, você retorna naquele checkpoint, com a energia exatamente em 20%! O game não restaura ela só porque o jogador morreu! (Modo Hard, lembrem do que disse acima). Isso é um desafio enorme para games já acostumados com games desta geração, onde a energia nunca é um problema. E falo isso por experiência própria, pois tive um problema com a energia na terceira fase do game. Vamos lá?

Caminhos e rotas, mas, cadê a porcaria do mapa?

O terceiro estágio é realmente uma fase completa. A primeira se resume a uma batalha, a segunda é uma fase bem animada com montaria e você não tem controle sobre o ritmo dela, já a terceira fase é onde começa o game e o desafio. Como disse acima, é preciso poupar energia, pois as fontes de curas não são muitas dependendo do caminho que você segue e no final, pode se preparar para um chefe. E não é que aconteceu de conseguir chegar no chefe da fase com uma lasca de nada na barra de energia, e entre o checkpoint e o chefe, não tinha fonte de cura. O que fiz? Rá! Morri várias e várias vezes (ok, não foram mais do que dez), até pegar o jeito do chefe, seus movimentos, a hora exata de atacar e a não fazer burrada, para vence-lo sem tomar dano algum. Impossível? Até que não, só é preciso ter paciência e atenção. Me lembrou os velhos tempos de Super Nintendo, onde os games tinham disso, onde a energia ela limitada, e muitas vezes se chegava em chefes, com quase nada e ainda assim tinha que se virar para vencer. Nesse ponto, adorei a decisão da MercurySteam (estúdio que desenvolveu o game) em deixar a barra de energia algo tão limitado e complicado de administrar. Pode ser que mais a frente isso seja um empecilho, bem continuarei jogando para saber. Mas a barra aumenta também, tem itens escondidos pelas fases que fazem isso. O que me leva ao próximo questionamento, rotas e caminhos confusos e ausência de mapas.

Este estágio se passa num pântano e é uma fase bem comprida. Ela tem várias rotas, algumas desembocam em lugar algum, apenas numa fonte de cura, já outras são alternativas que levam ao mesmo ponto na fase. O problema é exatamente isso, o game tem um sistema de itens escondidos, mas o jogado chega em certas partes onde há dois caminhos, o da esquerda e o da direita, e mal dá pra ver o que tem a frente deles, ou seja, é chutar e advinhar se é o caminho certo, um sem saída, ou um alternativo e se for alternativo, o que haveira no outro que você não foi? Um mapa mostrando resolveria e até mesmo ajudaria na hora da decisão de escolher por onde ir. Eu mesmo gosto de ir em vielas são saídas e pegar itens escondidos, mas e se escolho um caminho que é a rota pela qual devo ir, só lá para frente que vou me tocar que aquele outro caminho poderia levar para algum lugar. O que fazer, voltar tudo? Fala sério, né! No fim, o game estimula que o jogador rejogue a fase novamente, só para ir por outras rotas. Por um lado isso é bom, por outro é um saco escolher o caminho certo, sabendo que você poderia vasculhar melhor a fase, sem contar com a sorte e o acaso, se houvesse um mapa mostrando onde você já explorou. Quem garante que voltando depois na mesma fase, você irá acabar pegando o mesmo caminho, eu mesmo sou bem lerdo pra isso. XD

Mais para o final da fase, somos apresentados ao sistema de pulos e escalagem. Assisti o review da Gametrailers (assista) e lá eles reclamam muito disso, e de uma certa forma estão certos, é realmente impreciso e meio bugado, logo na parte tutorial do game, onde se explica como deve fazer, fiquei meio confuso e cai uma vez, por ter pisado muito perto do precipício, o que se fosse em Prince of Persia, o personagem não teria caido, mas se segurado na beirada do mesmo. Tudo bem, é irrelavante, até porque funciona e o game não parece ter muitos destes momentos, sendo mais focado em batalhas.

Estou chegando ao fim da matéria. Três fases apenas, lembram? Após isso vocês descubram por si próprios. Só voltarei a comentar sobre o game quando tiver terminado. No geral, a minha impressão inicial foi muito boa, mesmo que tenha apontado bastantes defeitos, o game ainda consegue te sugar para dentro de seu universo e garante diversão na experiência de jogá-lo. Os gráficos realmente são bonitos, os comandos são variados, os efeitos sonoros são fabulosos. No aspecto geral, o game parece realmente merecer todas as boas notas que vem recebendo, deixando claro que só não recebeu notas ainda maiores, talvez por conta destes pequenos problemas, que podem muito bem serem consertados numa futura sequencia e eu espero que haja uma sequência. Posso não gostar dos Castlevania em 2D, mas já afirmo que virei fã do estilo 3D de Lords of Shadow!

Obs: Créditos ao site Mahalo pelas fases em vídeos, que já disponibilizou o game inteiro via You Tube!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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