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Será que a maçante demo de Majin and the Forsaken Kingdom faz jus ao jogo? [Impressões] [PS3/X360]

Este jogo, o projeto mais recente da japonesa Game Republic — responsável, entre outras coisas, pelo interessante Folklore para PS3 —, já foi mencionado várias vezes aqui no site, sempre em posts recheados de belas imagens e algumas comparações aos jogos produzidos pelo Team Ico (Ico, Shadow of the Colossus e The Last Guardian), o que acabou me deixando na expectativa pelo seu lançamento. Porém, após conferir a demo no meu Xbox 360, a impressão que tive é que Majin and the Forsaken Kingdom é como uma linda garota que você admira à distância e pensa que é a mulher da sua vida, mas quando a conhece percebe que ela é fútil, chata e vocês não têm nada em comum.

Os protagonistas do jogo: Teotl, o Majin — literalmente uma besta quadrada — e Tepeu, um jovem ladrão que embarca numa jornada para salvar o mundo da "escuridão".

A demonstração começa com uma bela imagem semi-animada, tocando uma música ainda mais bonita ao fundo. Apertando “start”, como manda a clássica mensagem na tela, o jogador é brindado com uma introdução cheia de estilo, seguindo a mesma direção artística da tela título, que conta a seguinte história:

Desperate to save his forest home from a dark power that threatens all living things, a young thief seeking the power of a mythical beast ventured into the castle ruins of a forsaken kingdom, and found the beast, trapped and stripped of its powers. In order to reclaim its powers and cleanse the darkness from the kingdom once and for all, the young thief sets out to escape the castle with the legendary beast, the Majin!

Infelizmente, quase tudo de bom que tenho para falar da demo termina aí, e minha decepção começa poucos segundos depois, logo na primeira fala do Majin. Como o game foi comparado a The Last Guardian, eu apostava bastante nessa relação entre Tepeu e Teotl (sim, parece nome de dupla serteneja de meia-tijela). Já imaginava que iria me apegar ao monstro e chorar muito se ele se sacrificasse pelo rapaz no final, como todo mundo parece esperar que aconteça em histórias assim. Porém, o Majin é tão chato, mas tão chato, que duvido que alguém consiga derramar sequer uma lágrima por ele! Isso se deve em parte à dublagem — que é simplesmente terrível para todos os personagens —, mas principalmente pela decisão de adotar o esquema clichê de monstro grande e burro que fala que nem o Tarzan. Me considero uma pessoa pacífica, mas não levou mais de cinco minutos ouvindo frequentes “Yay! That great!” e “You good!” para eu querer entrar na TV e esganar o sujeito!

Não sei quanto a vocês, mas eu trocaria o Majin por ela em 1 segundo!

A demo é bem curtinha, e consiste em uma dungeon com três áreas povoadas por inimigos. Para derrotá-los e ultrapassar os obstáculos da masmorra, os protagonistas devem trabalhar juntos. O jogador assume o controle do jovem ladrão e, segurando o gatilho direito, pode designar comandos a seu companheiro, fazendo-o levantar portões, atacar, cuspir fogo, etc. Tepeu pode pular, se esquivar, atirar bombas espalhadas pelo cenário e atacar com uma espécie de cajado-lança, mas seus golpes apenas deixam os inimigos temporariamente inconscientes, pois só Teotl tem o poder de derrotar os chamados “warriors of darkness”. Pelo menos nessa fase do jogo dá pra mandar o Majin atacar e ficar só observando à distância enquanto ele aniquila os opressores, mas logo se percebe que a maneira mais rápida e eficaz de combatê-los é golpeando os mesmos alvos que o gigante até que um botão pisque na tela (“B”, na versão para Xbox 360) e seja possível executar ataques conjuntos, que ficam cada vez mais fortes ao serem aplicados consecutivamente e, em sua versão mais potente, causam danos devastadores em área.

O combate é divertido no princípio, mas a falta de variedade logo o torna monótono. Sim, em certas partes Tepeu pode servir de isca e atrair inimigos para serem esmagados por uma parede empurrada pelo Majin, ou então subir em plataformas e ficar atirando barris explosivos, mas a  maior parte do tempo você ficará seguindo o mesmo itinerário: executando combos de 3 hits em inimigos nocauteados pelo gigante e apertando “B” para finalizá-los com o ataque conjunto. O jogo deixa implícito que Teotl poderá evoluir e ganhar novas habilidades com o tempo, e sinceramente espero que esses novos elementos tornem as lutas menos repetitivas, pois só os 15 minutos da demo bastaram pra eu me cansar desse esquema de “combination attacks”.

Novos poderes não mostrados na demo podem salvar o sistema de batalhas.

Para ser justo, há uma hora em que a jogabilidade varia um pouco. Mais ou menos na metade da dungeon, a dupla se depara com uma porta trancada, e Tepeu precisa subir numa plataforma e atravessar um corredor lotado de inimigos para ativar um switch e destrancar o portão. Nesta parte o jogador pode segurar o gatilho esquerdo para esgueirar-se atrás dos monstros à lá Solid Snake e apertar “B” para nocauteá-los. Parece interessante em teoria, mas esses monstros não são difíceis de matar, então às vezes é bem mais rápido partir para o ataque frontal do que ficar adivinhando onde eles podem ou não te enxergar e esperando o momento certo de pegá-los por trás.

Aliás, a dificuldade nessa fase inicial do jogo é bem baixa, e o fato do life do protagonista poder ser completamente restaurado pelo Majin a qualquer momento entre uma batalha e outra facilita ainda mais as coisas. Há uma espécie de chefe no final da demo, mas ele é facilmente vencido usando o mesmo esquema citado acima. Pra falar a verdade, a única dificuldade que encontrei no jogo foi ao lidar com a câmera, que, apesar de poder ser controlada manualmente através do analógico direito, é muito ruim. Não há sistema de lock-on, então muitas vezes os inimigos acabam caindo num ponto cego da tela, fazendo com que você tenha que interromper seus ataques para ajustar o ângulo e visualizar os oponentes.

Cenários mais interessantes nos aguardam na versão completa.

Em termos visuais, o jogo está adequado aos padrões dos consoles HD. Não deixa a desejar, mas também não impressiona. A locação apresentada na demo não ajuda muito nesse aspecto, e talvez as coisas fiquem mais impressionantes quando os heróis explorarem cenários abertos, mas é uma pena que não tenham se baseado muito no estilo artístico da abertura para os gráficos do game. Um detalhe que achei muito bacana é que, a medida que Tepeu perde life, seu corpo vai sendo coberto por uma gosma preta semelhante ao simbionte alienígena do Universo Marvel. Quando próximo da morte, ele fica quase idêntico aos inimigos do jogo, dando a entender que seu destino seria se tornar um deles (pelo menos eu entendi assim).

É difícil julgar algo pela demo, mas Majin and the Forsaken Kingdom não é nem metade do jogo que eu esperava que fosse. Tomara que queime minha língua e a versão completa seja um arraso, mas acho bem improvável. Porém, apesar de todas as falhas citadas acima, é inegável que o jogo tem seu charme. Aliás, acredito que todos seus defeitos poderiam ser ignorados se ele fosse bem sucedido em captar meu coração contando uma emocionante história sobre um garoto e seu amigo monstro. Mas, com um protagonista sem graça e outro insuportável, parece que a honra dúbia de me fazer chorar feito criancinha na frente da televisão deverá ser mesmo do Sr. Fumito Ueda. Com certeza não pegarei este game no lançamento, em 23 de novembro, mas talvez dê outra chance a ele quando baixar de preço ou passar a ser distribuído digitalmente.

Confira abaixo um vídeo com a demo na íntegra e o trailer do jogo, que é mil vezes mais interessante do que a demonstração e me faz ter uma pequena esperança de que no final das contas o game seja bom.

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