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Cinema | SPLICE – Eu fui! (Crítica)

Finalmente está em cartaz nos cinemas brasileiros o filme Splice. E bem atrasado, diga-se de passagem, pois nos EUA já foi até lançado no mercado de vídeo doméstico. Com o atraso, o filme sempre foi bastante comentado nas rodinhas nerds, mas depois de atrasos em sua data de estréia no circuito de cinema brasileiro, muitos desistiram e acabaram assistindo o filme por outros meios. Uma pena, Splice foi prejudicado assim como Scott Pilgrim, embora Splice tenha o atenuante de ter sido lançado em várias cidades.

Mas chega de lamentar e vamos finalmente falar sobre o filme. Claro que se você ainda não o assistiu, recomendo parar a leitura por aqui para evitar os spoilers!

Splice chamou a atenção por conter vários elementos que chamam a atenção do público jovem, como tecnologia, biotecnologia, terror e sexo. Uma das primieras imagens divulgadas do filme mostrava uma criatura nua, com aspecto um tanto feminino. Ao saber que se tratava de uma criatura criada a partir de manipulação de DNA, a primeira coisa que me veio na cabeça foi outro filme: A Experiência. E eu não estava tão errado assim.

Clive e Elsa, uma dupla de cientistas, trabalham em uma pesquisa que visa criar animais híbridos, criados com base em vários tipos de DNA, e esses animais serviriam para pesquisas com fins de obter novas descobertas farmacêuticas. Não é uma tarefa fácil, e a dupla acredita que usar DNA humano pode finalmente resolver a situação. Mas a firma onde trabalham, chamada (olhem só) NERD não autoriza o uso do DNA humano. Eles acabam desobedecendo, e um híbrido é secretamente criado por eles.

Ao mesmo tempo, os dois primeiros híbridos, um macho e uma fêmea, são apresentados em uma coletiva de imprensa. Só que a híbrido fêmea inexplicavelmente se tornou um macho, e quando os dois são colocados juntos, matam um ao outro de maneira violenta, para o horror dos investidores e jornalistas presentes no recinto. Tudo caminha para que o projeto seja um fracasso. Mas o híbrido escondido se desenvolve rapidamente, e vai ganhando cada vez mais aspecto humano. Por isso, o casal resolve levar o animal híbrido para uma fazenda. O híbrido que havia recebido o nome Dren (anagrama de NERD) agora apresenta um aspecto cada vez mais “feminino”.

Esse aspecto acaba por seduzir Clive, que faz sexo com Dren. Elsa presencia tudo e foge. Mais tarde a dupla resolve que o melhor é dar um fim à criatura, mas descobrem que Dren mudou de sexo, se tornando um macho violento e tenta matar. Dren acaba estuprando Elsa, e logo em seguida mata Clive, porém Elsa ainda tem forças e consegue finalmente  eliminar Dren. Elsa aceita manter o segredo de sua experiência, recebendo uma alta soma da NERD. No fim, descobrimos que Elsa agora está grávida…

Resumindo bem, esse é o filme. A idéia de uma criatura híbrida não é algo tão bizarro assim, é algo que a ciência pode trabalhar já nos dias de hoje. Apesar do aspecto fantasioso, a intenção de Splice é falar sobre o futuro da genética, sua evolução e suas implicações possíveis, pensar sobre o que de errado pode acontecer ao brincarmos de Deus e criarmos novas espécies. O filme começa bem, a idéia dos híbridos faz sentido, e quando o casal de cientistas cria o híbrido com DNA humano, o que nos mantêm ligados ao filme é os aspectos evolutivos da criatura, que passa de uma lagarta para uma criatura que cada vez mais ganha aspectos humanos. A inteligência da criatura vai se expandindo também, só que quanto mais a criatura evolui, menos interessante fica.

Nessa altura dos acontecimentos, a criatura lembra personagens como Bub (Dia dos Mortos) ou mesmo a criatura do clássico Frankenstein. Tudo começa ficar bem previsível. Dren não era um animal doméstico, e eu já esperava que sua parte humana fosse ficar mais evidente. Quando Dren passou a trajar vestidos longos e maquiagem, o filme perdeu toda a graça, e apenas a curiosidade me manteve o olhar na tela. Aí entrava a parte “sensual” que os produtores diziam ser um dos charmes do filme. Só que nem de longe a criatura é sensual. Um bicho careca, maquiado, de olhos afastados, patas de bode, e asas retráteis nas costas e braços definitivamente não é nada sensual.

A cena onde Dren “transa” com Clive é totalmente intragável e poderia ser melhor trabalhada, em cinco minutos o pobre coitado já foi seduzido por um “jaburu” daqueles? A cena era para ser um dos pontos altos do filme, mas definitivamente é a pior. Levando em conta a volúpia da criatura, quando ela se tornou um macho, na hora adivinhei que Elsa seria a próxima presa, repetindo o padrão dos primeiros híbridos.

Nessa luta pela sobrevivência enntre criatura e criadores, toda a questão filosófica, toda a discussão cedeu lugar para uma sequência de cenas de “terror”, com um Dren feroz buscando sangue. A sequência onde Dren encurrala Elsa e a violenta é igualmente sem-graça. Splice passa de um filme sobre biotecnologia para um filme de monstro B, e fiquei aliviado quando Dren foi morta, pois sabia que o filme já estava acabando. O final de filme deixa um gancho para uma sequência, e uma dúvida na cabeça do espectador. O bebê que Elsa carrega é de Dren ou de Clive? Pois ela transou com os dois com diferença de dias pelo que deu pra entender. De fato, quem é o pai do bebê foi a melhor dúvida que o filme conseguiu me fazer pensar. E não gostei disso.

Splice começa bem, intrigante e inquisidor, mas no fim se transforma em um filme de monstro descontrolado. Exatamente como sua personagem principal.

Ficha Técnica

Título original: Splice (EUA, 2009)
Diretor: Vincenzo Natali
Roteiro: Vincenzo Natali, Terry Antonieta Bryant
Gênero: Sci-Fi, Horror
Elenco: Adrien Brody,  Sarah Polley e Delphine Chanéac

Estréia Nacional: 04/02/2011

 

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Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!
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