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Kaiji: O submundo das apostas nunca foi tão interessante assim, ao menos não até ele chegar!

Frases de efeito, um forte senso de justiça, muito amor por seus amigos e uma paixão incondicional por lutas. Sim meus caros amigos leitores, o anime que quero recomendar a vocês hoje não tem nenhuma destas características. Desapontados? Não fiquem assim, tirem a carroça da frente dos bois e cliquem em continue lendo para saber mais do que eu estou falando.

Você alguma vez já sentiu vontade de se aprofundar nos assuntos do mundo (ou submundo) das apostas ilegais? Não né? Nem eu, até o dia em que me deparei com Kaiji, um anime que não faz tanto barulho quanto Sket Dance, Ao No Exorcist, Steins Gate e outros bichos estranhos da temporada de abril. Mas ganha o respeito de quem o assiste por mostrar algo muito original, cômico e surpreendente ao mesmo tempo.

Antes de falar do anime vamos às apresentações. Kaiji é uma criação do mangaká Nobuyuki Fukumoto, começou sua publicado na revista Young Magazine no ano de 1996, rendendo 42 volumes da trama em mangá, um Live Action e duas séries de anime para a televisão. Uma exibida em 2007 e outra indo ao ar este ano que estreou no mês de abril e é a continuação da temporada anterior.

A trama gira em torno de Kaiji, um cara preguiçoso, que leva a vida entre bebidas, mulheres, muita jogatina e como dizia Gil Brother, um pouquinho assim de vadiagem. Sem emprego, os vícios vão consumindo o rapaz cada vez mais, até o dia em que ele recebe a visita de Endo. Um homem misterioso que está ali para cobrar do protagonista uma dívida que ele contraiu ao se tornar fiador de um amigo. Como a carteira de Kaiji tem mais buracos do que bolsos para as notas de ienes, Endo lhe faz uma proposta: ou ele trabalha por trinta anos ou mais como um escravo ou aceita uma viagem num cruzeiro de luxo para saldar suas dívidas. Sem muita escolha, o rapaz então aceita a segunda oferta.

Certo, vocês devem estar se perguntando porque raios um cara endividado até o pescoço recebe um convite para viajar num navio luxuoso, certo? Bem, é que desde que o mundo é mundo, muitas de nossas ações acabam sempre acompanhadas de um interesse maior por trás delas e no caso de Kaiji, as coisas não são diferentes. Ao chegar em seu destino, ele descobre que o lugar abriga centenas de outros endividados assim como ele, competindo para ver quem sairá da lama primeiro. Tudo isso a mando do chefão da organização Teiai, Kazutaka Hyodo, um velho maluco e muito rico que passa suas horas patrocinando torneios de jogos de azar. Um hobby para o velho babão que chega a se excitar com o sofrimento dos outros. Dentro desse show de desespero por dinheiro começa a aventura de Kaiji, com direito a muitas cartas, dados, lágrimas, notas e mais notas de ienes em jogo e poucos aliados em quem confiar.

A julgar pelo visual a primeira impressão que fica é a de que Kaiji se trata de uma comédia com um traço bem escrachado, mas não se enganem. Eu não sei exatamente qual foi a idéia por trás dos traços escolhidos pelo autor, mas a obra parece querer dosar um pouco os momentos de pressão psicológica, medo e aflição dos personagens com um visual que mais nos remete a algo cômico em vez de algo mais realista. Dois fatores que se contrastam e fazem uma bela mistura, já que a trama passa longe de ser um conto de fadas ou um show de humor, o que torna Kaiji talvez algo único ou quase isso.

O submundo da jogatina ilegal também não deixa por menos aqui, a cada desafio Kaiji pondera muito, cria textos e reflexões sobre o que está fazendo quase que intermináveis. Algo que na teoria parece ser chato, mas na prática, nada disso lhe tira a ansiedade de querer saber o que vai acontecer na próxima jogada do protagonista. A trama também não se prende à jogos convencionais (ou seja, se você pensou que só veria baralho aqui e estava pronto para comparar Kaiji com Yugi Oh, desista). Primeiro começamos com um simples e um pouco incomum jogo de cartas no salão do navio, até chegarmos a um arriscado jogo de vida ou morte no alto de dois prédios onde os ricos são a platéia e os endividados são os palhaços que os divertem no palco da morte. Tudo isso ocorrendo sob a visão do personagem principal que tem de se sobressair nos mais variados jogos, seguindo sempre em frente, dividido entre o medo de perder e a vontade de vencer.

Além da determinação do protagonista podemos destacar também o sentimento de desprezo e nojo que você pode vir a sentir com os antagonistas, que são marcantes mesmo sendo totalmente desprezíveis, tanto na aparência, quanto nas atitudes. Ainda temos aqueles que passarão pela história para marcar também, mas não por serem destemidos ou por serem malvados, e sim porque tem o necessário para despertar o sentimento de humanidade em Kaiji e demonstrar que mesmo no meio de tanto interesse próprio ainda há espaço para se pensar do próximo.

A várias situações que Kaiji enfrenta também são narradas a todo instante por uma versão do Zaraki Kenpachi menos mal humorada e bem mais empolgada que a de Bleach. Enquanto Kaiji soa frio, o comentarista oculto põe um pouco mais de emoção à coisa toda, mesmo que ás vezes suas falas mais pareçam se tratar de um fato engraçado e não dramático. Ele também procura sempre que possível, roubar o espaço dos personagens e explicar um pouco mais das regras do jogo que está rolando. Aliás, a presença dele e sua voz nada inconfundível a cada episódio ajudam muito a quem assiste ficar ligado em cada detalhe do que acontece.

A jornada até Kaiji enfim chegar ao cabeça da organização Teiai é cheia de provações e muito tortuosa, tanto mental quanto física. Com alguns inimigos feitos, mas também muitos amigos passageiros que ficaram na memória. E quando o jogo final começa você pensa que já sabe como tudo vai terminar, até conferir o desfecho surpreendente e se dar conta de que quer ver mais um pouquinho daquela realidade cruel e ao mesmo tempo tão engraçada e envolvente de novo. Ou pelo menos foi isso o que senti em 2008 quando vi o final da primeira temporada.

A segunda como eu disse lá em cima estreou junto com todos os animes de abril que andamos falando por aqui e está sendo legendada pela MDAN (atualmente no episódio 07), mas recomendo fortemente que quem se interessar dê uma olhada na primeira temporada antes. Ela é tão boa quanto esta segunda está sendo e mostra onde Kaiji quer chegar e os motivos pelos quais ele vai reencontrar velhos conhecidos. No site da MDAN Fansub você encontra todos os episódios, lembrando aos recém chegados que é necessário fazer registro antes de ter acesso aos mesmos.

Finalizando mais esta recomendação, deêm uma chance ao mundo da jogatina e personagens feiosos de Kaiji. É um anime inteligente, emocionante e muito gostoso de se acompanhar, daqueles que te faz querer saber sempre o vem depois de cada episódio concluído, mas é mais fácil você sentir isso conferindo de perto do que lendo esta humilde resenha. Diria que Kaiji é mais uma daquelas idéias super originais, ainda que usem elementos que todos nós já cansamos de ver, como Death Note ou Code Geass. Obras primas que não aparecem todos os dias, mas que quando aparecem se destacam fácil fácil no meio de tantos peitões e física distorcida.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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