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Spider-Man: Turn Off the Dark – Eu Fui! [Lá nos EUA!]

O Homem-Aranha, sem sobra de dúvidas, é o super heroi mais pop que existe. Não há quem não o conheça, mesmo não sendo interado no universo quadrinhístico. E talvez por isso ele seja o “desbravador de mídias” principal da Marvel. Foi assim quando foi lançado  primeira revista da linha Ultimate, que foi o precurssor do sucesso da linha atual da Marvel, e assim foi feito com a peça da Broadway. o Spider tem tanto carisma que por mais que as suas empreitadas possam ser ruins, o seu alcance acaba suprimindo isso e trazendo multidões em direção ao que é produzido ao seu respeito.

Pra quem não sabe, a Broadway é famosa por seus musicais, sendo o mais famoso deles o icônico “Fantasma da Ópera”, que acredito todos já terem ouvido falar alguma vez. Já houveram inúmeras outras adaptações de coisas como filmes da Disney para os teatros, mas a empreitada de transpôr um heroi para os palcos não era nada fácil.

Herois como o cabeça de teia, por definição, involvem muitas sequências rápidas e complexas de luta, saltos, e golpes, e claro os seus poderes que desafiam a realidade. No cinema tudo é mais simples, existe um computador para editar a cena, uma tela verde para inserir o que quiser no cenário, e custos de produção gigantes para confeccção de aparatos e objetos que deem verossimilhança a toda história. No teatro tudo que temos são coisas físicas, truques de luz, e imaginação. O esforço de tentar fazer com que o público acredite que um cabo de aço é definitivamente a teia do super-heroi é herculeo. Eu acreditei.

A produção gastou cerca de 70 milhões de dólares na produção da peça, trocou de diretor depois de sucessivas falhas e acidentes, e rapidamente se tornou um fenômeno. Foi a produção mais cara já vista naquela avenida de NY. Foi a produção que teve mais previews (seriam apresentações-teste). Nada mais, nada menos que dois dos maiores ícones da música mundial, Bono e The Edge, produzindo as músicas para o show. Era um projeto arriscado, e depois de ter visto a peça eu confirmo isso. Dinheiro demais, estrelas, e provavelmente displicência em coisas básicas como a direção.

A história começa com a velha origem do personagem. A mesma ladainha de sempre, Parker sendo chacota dos valentões, Mary Jane dando bola pra ele e ele acha que é invenção dele, até os dois pontos cruciais da história: a apresentação na sala de aula sobre a deusa Archeos, e a ida ao laboratório. Duas músicas fracas envolvendo o colégio, mas a esta altura eu estava me acostumando com toda ambientação, estilo dos cenários, algo crucial para o melhor aproveitamento do espectáculo.

Tentarei passar um pouco de como são. É como se realmente a nossa perspectiva fosse a usada, mas a perspectiva de vermos os acontecimentos frontamente, e não “de cima”, “de lado”, enfim, com a visão do seu assento. O ponto de vista é sempre o que o cenário te direciona para, e não aquele que você está. Por isso os elementos curvados, e até meio “modernistas” em termos de proporções. A escolha foi acertada e voltada para cena mais importante da peça, logo foi um acerto na minha opinião.

Existe uma música logo no início, que conta com a voz da própria Archeos, e a performance de suas, bem suas alguma coisa, já que a peça não se dá muito o trabalho de falar o que são ou eu que não lembro mesmo. Bem a performance envolve fitas na vertical e na horizontal que se entrelaçam no desenrolar da música, se assemelhando muito, ao meu ver, a um número do cirque du soleil. Bem legal eu diria, mesmo não tendo muito nexo.

Esta foi uma das partes mais dúbias pra mim da peça inteira. Archeos é inserida no universo como se fosse algo que conversasse com Parker e até chega a lhe dar conselhos em certo ponto da história. E apesar de dar um clima interessante, como se fosse a reflexão do heroi com ele mesmo, acaba também por esbarrar na falta de explicação sobre, o que acarreta em momentos literalmente WTF. Não gostei da personagem, mentretanto gostei de suas cenas, vai entender.

A cena de Peter no laboratório cumpre seu papel. Apresenta Norman Osborn, e sua esposa que a auxilia nas pesquisas (sim ele é um cientista). Depois da aquisição dos poderes as cenas que se secedem conseguem manter-se entre o ponto alto da peça. Peter pulando no seu quarto e finalmente pulando por NY, derrotando o crime, e salvando a todos. As primeiras cenas de voo são muito boas, minto todas são, e esse é o principal motivo para ir à peça. São 8 dublês mais o ator principal aparecendo em todo canto, e quando eu digo em todo canto eu incluo do seu lado nos corredores dos assentos, pulando da parte superior dos assentos no teatro para o palco e vice-versa. A sensação do aranha estar ali mesmo é tanta, que os dublês responderam sempre as chamadas das crianças (e demais pessoas) com movimentos característicos do personagem. Muito bom.

Mais a frente JJ Jameson dá às caras, e muito bem dentro do original. O ator também combina bastante com ele, o que é um plus. O primeiro ato termina com a raiva de Osborn por alguém estar usando frutos de seu trabalho não publicado, ou seja, parker usando os poderes da aranha. E ele tenta fazer o mesmo, só que aumentando as cargas das radiações, e no processo ele mata sua esposa por conta da radiação e vira o Duende Verde, o que aumentou as expectativos para o segundo ato.

Tio Ben morreu, MJ e Tia May correm perigo. Nem mesmo com o Duende Verde a peça passou de um regular para bom. O Duende não está com a roupa ruim, mas achei especialmemente bizarro ele ser o monstro ao invés de vistir a armadura. Também podia voar por conta própria, mas isso provelmente foi feito para facilitar a cena final.

O duende cria 6 seguidores: Kraven (que é um homem com cabeça de Leão), o Lagarto (que parece um dinossauro), Swarm (o homem abelha), Swiss Mis (a mulher lâmina), Carneficina e Electro. Não gostei nem um pouco de nada desses daí. As fantasias eram toscas, e no final só serviram para aumentar a duração da peça e a expectativa para a luta final, pois foram derrotasdos em poucos minutos pelo Aranha.

Duende ainda tem lá o seu momento solo, e faz uso do seu lado cômico com algumas improvisações com a platéia enquanto canta sua música, o que fez sucesso entre o público. Eu gostei, o Duende já tava meio avacalhado mesmo, e o seu ator conseguiu dar uma personalidade, uma vida a este personagem.

Pulando para batalha final, e as últimas cenas. Confesso que tudo o que vi antes (meio chato, cansativo, e com poucos acertos) valeu a pena por isto. O cenário nos mostra o topo de um prédio, aonde rola a clássica conversa heroi-vilão.  Após, o cenário muda para uma perspectiva de cima do prédio, aonde podemos ver sua parte lateral na vertical.

Os dois travam uma batalha que não para, o HA ataca de todos os cantos, e o Duende saca suas asas. Esta é a sequência. Lembro-me perfeitamente por ter sido disparada a melhor. HA dá um soco de esquerda, e Osborn começa a voar (só na parte de baixo do teatro), e magníficamente, o HA aranha consegue para em cima do bicho, batendo nele, claro. O verdão numa curva joga o Aranha para fora, que se pendura no pescoço do Duende com um gancho, e dá mais um socos na cara até finalizá-lo. E o final da luta é genialmente regida por um coral cantando o tema da peça “Rise Above”, que pra mim é a melhor música do show, e ido de um tom solene, quase fúnebre, a algo motivador, crescendo junto com o personagem. Temos uma parada leve na cantoria após, e uma breve conversa, a última, entre Peter e Mary Jane. O espetáculo termina de forma maestral, completamente contrário ao que a a peça toda foi. Na apresentação dos atores, temos todos os dublês lado a lado, e os outros atores, claro. Por última Reeve Carney, o ator que faz Peter, desce na cena clássica de cabeça para baixo e tasca um beijo em MJ. Reeve Carney foi o nome da peça, apesar da atuação geral meia fraca, ele conseguiu passar emoção nas cenas do aranha (assim como seus dublês), cantou bem (só perdendo em termos de voz para Jennifer Damiano, a MJ), e ainda fez, ele próprio a cena da batalha final.

No geral a peça foi bem mediana, intercalou vários baixos, com alguns altos, cenas românticas demais, e essa sensação de demais pode ser por serem fraquinhas, emocionando vez ou outra, e um primeiro ato lento, arrastado. O segundo ato mostra uma progressão mais rápida já que já é focado no HA, com suas cenas de voo. Mas repito: a cena final é que me fez vibrar, virar crinça mais uma vez e torcer pelo aranha, lembrar de como era assistir aquele desenho dos anos 90. Lá está a essêcia do super-heroi captada e transmitida de forma genial. No fim o que salvou tudo foi isso, inclusive uma sensação de perda de tempo, sentimento inexistente após o final.

Fiquem com as duas versões de Rise Above, a com a participação de BBono e The Edge, e a da peça:


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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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