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Não Tenha Medo do Escuro – Eu Fui!

O filme tinha todo o potencial, mas infelizmente não convence.

Volta e meia me bate uma vontade de ver um tipo específico de filme. Semana passada eu quis ver um filme romântico repleto de tragédias acabei assistindo Closer – Perto Demais. Desta vez me bateu a vontade de ver um filme de suspense, daqueles que te dão frio na barriga e te fazem prender a respiração e acabei indo ver Não Tenha Medo do Escuro e foi uma experiência, uhm, agridoce.

O filme tem roteiro do Guillermo del Toro e direção do estreante Troy Nixey, mas o pobre coitado aparenta estar lá apenas como coadjuvante, já que o filme tem todo o jeito do del Toro. Crianças, criaturas fantásticas, rica mitologia, tudo marca registrada do diretor mexicano.

Na trama acompanhamos uma menina (Bailee Madison, ótima!) abandonada pela mãe que é enviada para morar com o seu pai (Guy Pearce, competente) e a nova namorada dele (Katie Holmes, suportável). Lá, a menina descobre que existem criaturas morando no casarão do século 19 que o pai está restaurando para vender. Essas tais criaturas, que seriam o ponto alto do filme, acabaram me decepcionando. Elas possuem aversão à luz, o que as colocariam sempre em um ambiente escuro, dessa forma, aumentando ainda mais o suspense (como no clássico Tubarão, onde a maldita criatura só aparece de relance), certo?

Errado, o diretor descarta essa carta na manga rapidamente em uma cena de pouquíssimo impacto. Não bastasse isso a computação gráfica utilizada na criação desses seres não convence, elas parecem artificiais demais. E pior: pelo tamanho diminuto das criaturas elas acabam se tornando um pouco cômicas. Mas nem tudo é ruim: enquanto não vemos essas criaturas por completo o diretor consegue criar cenas ótimas, como a assustadora cena da menina debaixo do lençol ou a bem construída cena do ataque ao caseiro.

Pra mim, os filmes do del Toro precisam de um alto grau de imersão e, por que não, uma certa ingenuidade. Ele usa criaturas tão fantásticas que requerem um certo esforço do espectador para acreditar naquilo que está passando na tela. Por conta disso que eu acredito que os filmes dele acabam não agradando tanto, muita gente não se deixa levar para dentro daquele universo fantástico criado por ele.

Parte do que torna esse mundo crível são os personagens e nisso o filme não desaponta, em especial com a atriz mirim Bailee Madison. Ela é uma daquelas crianças que possuem um rosto tão expressivo que chegam a assustar, mas ao mesmo tempo possue uma certa inocência no olhar. O roteiro é bem competente no desenvolvimento da personagem, o que é uma grata supresa, já que geralmente eu pego raiva de crianças nesse tipo de filme (The Walking Dead anyone?). Você se identifica e se solidariza com ela. Guy Pearce até tenta dar alguma alma ao personagem, mas o esforço vai em vão já Katie Holmes que geralmente é bem sem sal, consegue empregar uma certa doçura à sua personagem. AH! Já ia esquecendo de citar a maravilhosa mitologia das criaturas, que são como uma espécie de Fada dos Dentes do Mal. Pra mim o ponto alto do filme!

No fim, entre trancos e barrancos, Não Tenha Medo do Escuro me agradou, apesar de ter falhado na hora de assustar eu fui conquistado pela história fantástica e pela graciosidade da atriz mirim.

Ficha Técnica

Título Original: Don’t Be Afraid Of The Dark
Diretor:
Troy Nixey
Roteiro:
Guillermo del Toro e Matthew Robbins
Gênero:
Suspense
Elenco:
Bailee Madison, Katie Holmes e Guy Pearce.
Estréia nacional:
14/11/2011
Duração:
99 minutos

Trailer:

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Theo Medeiros

Cinéfilo, gamer, adorador de música e entusiasta tecnológico. Acha que Nescau é melhor que Toddy e que bacon é a oitava maravilha do mundo.
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