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#PdR – Cinema | A Era do Gelo 4 (Crítica)

Melhor congelar aonde está pra não piorar?

(por Rafael Gaara)

Scratch salva o filme do tédio para os adultos! A aventura recheada de cenas de ação e clichês deve agradar as crianças.

Fui assistir a Era do Gelo 4 com alguma expectativa, já que apesar de algumas críticas negativas, o terceiro filme da franquia me divertiu muito. Talvez por que gosto muito de histórias ambientadas no mundo dos dinossauros.

Recomendo muito assistir A Era do Gelo 3, é meu preferido na franquia. Aliás, Carlos Saldanha, diretor brasileiro responsável pelos três primeiros filmes pode ter feito um pouco de falta nesta sequência, comandada por outros diretores.

Dito isso vamos a uma breve sinopse dessa quarta aventura de Manny, Sid, Diego e seus amigos.

Sinopse: Diego, Sid e Manny são separados de seus amigos após uma inundação e precisam usar um iceberg como navio para reencontrá-los.

A primeira coisa que devo dizer sobre o filme é: sua qualidade técnica é inquestionável. Os animais e cenários são construídos com uma riqueza de detalhes incríveis, o que contribui para a imersão, principalmente das crianças. A trilha sonora é legal, nenhuma música me chamou a atenção em especial. Não posso deixar de comentar que em determinada cena com a filha de Manny, a mamute Amora, em que ela vai para uma espécie de área para os jovens animais, é tocada uma música eletrônica dançante muito parecida com “I Like to Move It”, considerei uma tentativa de copiar o sucesso que essa canção fez em Madagascar, mas não tenho provas para confirmar essa teoria, XD.

Não posso opinar sobre a qualidade do 3D, pois não assisti ao filme nesse formato. No entanto em diversas cenas notei a tentativa de mostrar algum detalhe de perto, provavelmente para utilização do 3D. Ressaltando que não assisti em 3D apenas por uma questão de logística pessoal em relação a horários, pois quando bem empregada, essa tecnologia colabora para a imersão.

Com a parte técnica devidamente elogiada, vamos ao que acontece no filme.

A nova aventura é dividida em três plots interligadas: Manny, Diego, Sid e sua avó (nova personagem) de um lado, Ellie, Amora e outros personagens secundários de outro e ainda Scratch em busca de sua preciosa noz, sendo este último o causador de toda a bagunça que está acontecendo no mundo em que se passa o filme.

O filme é recheado de clichês que podem entediar os adultos. Uns podem dizer que é chatice minha comentar sobre roteiro em um filme voltado ao público infantil, mas eu não penso assim, afinal, grandes e inesquecíveis animações sempre tiveram um desenvolvimento interessante, como por exemplo, Procurando Nemo, O Rei Leão, Shrek, entre outros clássicos. Mas também o que eu queria? Que uma quarta continuação de uma franquia fosse algo mais que um filme caça níqueis? Ingenuidade minha não é mesmo.

Enquanto Manny tenta reencontrar sua família após serem separados por abalos sísmicos causados pela separação continental, o mamute e seus amigos terão que enfrentar o “pirata” Entranha e seus aliados, com destaque para a tigresa Shira que em mais um dos infinitos clichês do filme, começa a desenvolver uma relação amorosa com Diego, o tigre-dentes-de sabre.

Já que falamos em um dos irritantes clichês, vamos comentar mais alguns deles:

Temos uma revoltada adolescente contra o seu pai casca grossa que a envergonha na frente dos amigos, temos um amor adolescente que não é bem o ideal para a “garota”, mas ela só percebe no fim que seu pai estava certo, temos relações de amizade que são estremecidas no meio do filme e no fim dá tudo certo, temos uma batalha final previsível, além da já mencionada relação amorosa de Diego.

Chegou uma hora que comecei a brincar de adivinhar o que ia acontecer no filme. Muito desses clichês se deve a relação pai e filha envolvendo Manny e Amora. Parece um típico filme para adolescentes americanos, só que com animais.

Lógico, talvez as crianças menores não liguem muito para a história fraca do filme, mas as crianças maiores e os adultos precisam de um mínimo de lógica e desenvolvimento para se importarem com os personagens e esse é um ponto fraco fatal em A Era do Gelo 4 e que não vi na Era do Gelo 1, 2 e 3.

Talvez seja um sinal do desgaste da franquia. A ideia envolvendo o abandono da idosa preguiça, avó do Sid, talvez seja a única ideia original do filme, mas que de qualquer forma não faz muita diferença no contexto geral da história.

O já mencionado vilão Entranha é muito clichê e por consequência o mais fraco da série.

Talvez eu esteja pegando pesado demais com o filme no quesito enredo e personagens, mas eu só poderia pegar mais leve se o filme fosse extremamente divertido, o que não acontece. Pelo que notei na sessão em que eu estava, nem mesmo as crianças se divertiram como era de se esperar. Lógico, tem cenas engraçadas.

Eu devo ter achado graça em umas 5 cenas e pelo menos umas 3 dessas cenas era com o esquilo Scratch. Esse sim continua engraçado e sua última participação no filme, em uma clara referência ao país submerso de Atlântida, é hilária.

Não tem como eu recomendar esse filme para ser assistido no cinema por adultos, mas com certeza vale a pena para crianças pequenas.

Se você for adulto e quiser dar uma chance ao filme, espere sair em DVD ou Blu-ray, se for você for criança ou for acompanhar uma criança, pode ir tranquilo, mas não espere as mesmas doses de diversão dos filmes anteriores da franquia A Era do Gelo.

O filme não é péssimo, mas sem dúvidas é o pior da série.

Filme Regular – Nota 5

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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