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Para se saber | Tom Sawyer, o menino primordial?

O garoto que inspirou até Monkey D. Luffy...

 

(Por Gustavo Grangeiro)

Há algum tempo atrás minha esposa e eu assistíamos ao filme “Professora sem Classe” e em determinado momento do filme há uma cena bem curta em que o personagem vivido por Justin Timberlake lia e interpretava para os alunos uma parte do Livro “As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain”, e isso me fez pensar na quantidade de vezes que vi alguma influência, referência ou homenagem a esse garoto ao decorrer do tempo.


Desde a belíssima musica do Rush tema do lendário MacGyver, passando pelo amado e odiado Sawyer da serie Lost e a origem dele ter escolhido deixar ser chamado de James para se tornar Sawyer (e manter o legado), além de várias citações em outros seriados, desenhos, filmes e demais mídias, até chegar em One Piece ou mais necessariamente no capitão Monkey D. Luffy.

Sim, é claro que a influência de Tom Sawyer está estampada em Luffy em vários aspectos, como audácia, coragem, amizade, falta de interesse em assuntos sérios, e principalmente a sede por aventura, além do chapéu de palha, marca registrada dos dois heróis, porém, quero falar (escrever) sobre um momento específico das duas sagas, onde na minha opinião é o momento mais belo de ambas, quando Tom, Huck e Joe vão para uma pequena ilha próxima ao vilarejo para se tornarem os Piratas Vingador Negro, Mãos Sangrentas e Terror dos Mares (respectivamente) e reinar sobre o “Rio Mississipi” e quando Luffy, Ace e Sabo se tornam irmãos e começam a viver o sonho de um dia irem para o mar e se tornarem piratas.

Tive o prazer (e a sorte) de passar por esses dois momentos das historias ao mesmo tempo, pois na semana que estava assistindo a saga dos irmãos em One Piece, eu também estava relendo o capítulo em que Tom e os dois amigos viveram o sonho de se tornarem piratas, e acompanhando as duas aventuras paralelamente ficou impossível não ligar uma a outra.

A vontade desses 6 meninos de se tornarem piratas nada soa maldade ou corrupção, somente amor à liberdade, a imaginação em transformar pequenos atos numa grande diversão, a alegria juvenil, o sonho da independência, e tudo isso se resume numa palavra: Aventura, e isso é o que não falta na vida de cada um deles.

Quem nunca quis ser Tom Sawyer? Quem nunca foi Tom Sawyer? O que esse garoto possui de tão especial?
De acordo com Mark Twain, Tom Sawyer não é só um garoto e sim a junção de 3 amigos de sua infância, porém, em sua composição enxergamos um pouquinho de cada um de nós, somos todos nós, todo garoto rico ou pobre, bonito ou feio, basta ser garoto, basta sonhar. Quem nunca foi Tom Sawyer que atire a primeira pedra.

A pureza com que ele se entrega totalmente a cada ato, capaz de se envolver numa luta corporal contra um único individuo simplesmente pela glória, ou ser o general a comandar um exercito numa guerra sem fim contra o exercito inimigo cujo general é um grande amigo, onde ambos generais não se envolvem na batalha, pois são importantes demais para isso. Ao descobrir o amor eterno daquela semana, ficar deitado no jardim da menina amada observando as estrelas e se perguntando se ela choraria se o encontrasse morto em seu jardim, porém, ser interrompido por um balde de água fria atirado pela janela. A esperteza de persuadir os demais meninos a fazerem o seu trabalho e ainda pagarem-no por isso com o tesouro que cada um possuía naquele momento (bolinhas de gude, rato morto, uma chave sem porta para ser aberta, etc). A honra de cumprir cada pacto feito por medo das consequências. A superstição e o respeito pelos seres imaginários (que todos sabemos que existe). A hilária falta de interesse em ir a igreja e a demonstração de conhecimento profundo da bíblia, quando perguntado pelo juiz quais foram os dois primeiros apóstolos de Cristo, a resposta “Davi e Golias” não causou boa impressão. Paro por aqui para não gerar muito spoiler, espero que esse pequeno comentário gere interesse na alma dos que ainda não tiveram o prazer de conhecer Tom Sawyer.

“Para se conseguir que um homem ou um menino cobice uma coisa, basta tornar essa coisa difícil de se obter” – Mark Twain

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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