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Crítica | Gigantes de Aço (2011)

Boxe com robôs? Oh, Yeah!

Está aí um filme que gostaria de ter ido assistir nos cinemas ano passado e não consegui. Alias acho que poucos assistiram porque não vi tanta repercussão por aí. Se bem que o mês de estreia dele (outubro) também não é um mês muito bom para qualquer filme nos cinemas. Enfim, neste final de semana pude conferir Gigantes de Aço (Real Steel no original) no conforto do sofá de casa.

A história se passa em 2020, um futuro nem tão distante, mas ainda assim me pareceu um tanto irreal a possibilidade de robôs enormes sendo controlados por controles remotos, comandos de voz e até mesmo por movimentos humanos. Daqui 8 anos? Acho que daqui uns 18 talvez. Quer dizer, nem tudo é irreal, muito do conceito por trás da ideia de mobilidade dos robôs me lembrou a tecnologia que o Kinect vem popularizando, de capturar voz e movimentos do corpo e transportar para o mundo eletrônico. Mas ainda estamos bem longe de autômatos que possam se mover como seres humanos. O filme não trata exatamente a parte ciência da coisa, como combustível usado e porque diabos os robôs parece ser usados exclusivamente para lutas de boxe, quando poderiam estar ajudando em outros afazeres do mundo humano, como a área da construção. A impressão que o filme passa é que os robôs só servem mesmo para entreter, o que é um conceito que estranha um pouco já que cresci jogando Mega Man e vendo o Dr. Light criando robôs que nos ajudariam na vida em sociedade.

Nerdisses à parte… O retrato do mundo em 2020 não parece muito diferente do atual, com exceção de telas, seja de celulares ou monitores com um display fino e translúcido. Nada de carros voadores, casas bizarras ou máquinas mirabolantes. Exceto que nesse mundo, há robôs que substituem os humanos em lutas esportivas, como o boxe. O filme esbarra muito pouco no “onde, como e porque” a sociedade trocou os reais lutadores por robôs. Menciona que o esporte ficou muito violento, e que os robôs não causavam sequelas nos competidores e que empolgavam muito mais as pessoas. Dá a entender que num determinado momento, todos os lutadores se aposentaram e as disputadas de robôs ganharam status oficial na sociedade, enquanto que também faziam sucesso no submundo, com clubes de luta ilegais de robôs, onde não há regras de combates e robôs são desmantelados até virarem sucatas.

O interessante é que esses detalhes do universo do filme são colocados em tela de forma muito natural. Não dá para sentir estranheza com o fato dos robôs servirem somente pra lutas, e que com toda essa tecnologia robótica o filme não explore outros aspectos dessa ideia. Acho que nem caberia, já que os robôs não possuem inteligência artificial, eles são realmente controlados pelos humanos, como aqueles carrinhos de controle remoto que muitos tiveram na infância. São máquinas mesmo. Não possuem aquela reflexão de consciência de filmes como “Eu, Robô” só pra citar um exemplo. E isso é um ponto positivo para o filme, já que filmes com robôs quase sempre se tornam filmes sobre inteligências artificiais. Aqui não. Por sinal acho que faz muito mais sentido a tecnologia evoluir para um ponto onde possamos controlar robôs com controles remotos parecido com joysticks que temos em videogames do criarmos logo de cara um robô consciente que se movimente por si próprio.

Porém o filme não é bem sobre robôs lutadores, mas sobre o relacionamento de pai com um filho na qual nunca teve contato. Os robôs estão ali como efeito visual, manter o público interessado em continuar assistindo. Até porque o tema “pai que nunca teve contato com o filho” é um dos velhos clichês de Hollywood. O que torna maneiro mesmo são a roupagem e abordagem que o filme tem para este velho clichê. Hugh Jackman interpreta o personagem Charlie Kenton, ex-boxeador e que tenta fazer sucesso nessa vida de robôs lutadores, mas é um cara afobado, mal de decisões e que acaba perdendo lutas e apostas e devendo pra todo mundo logo nos primeiros minutos de filme. Charlie tem um filho de 11 anos que nunca teve contato, apesar de ter conhecimento da criança, aparentemente nunca fez questão de ser realmente pai. Mas a mãe do menino morre, e num acordo ele acaba “vendendo” a guarda do filho para a irmã da mãe, já que nunca fez questão de ficar com o garoto. Mas por infortúnio do destino (ou não), ele tem que ficar com o guri por algumas semanas. E eu resumi ao máximo esse plot inicial, que também se resolve em poucos minutos no começo, basta saber que Charlie posa como um fracassado no começo do filme e faz um acordo com a guarda do menino pra levantar dinheiro e isso impõe que ele fique com seu filho por algumas semanas. Clichê, eu sei. O caso é que o filme se desenvolve bem esse aspecto de pai e filho dentro do universo de lutas com robôs. O guri, interpretado pelo ator Dakota Goyo, manja e é fã desse mundo de robôs lutadores, então ele acaba ajudando Charlie a se levantar e mostrar algumas lições pro cara. Faz sentido, afinal, que criança não saberia controlar um robô gigante? Isso é boa parte do que fazemos nos videogames! O relacionamento do menino com o robô Atom também tem uma atenção especial no filme e representa muito mais do que apenas “um robô”.

Vale uns elogios aos Hugh Jackman que em nenhum momento me lembrou do Wolverine. A interpretação dele está mais suave, menos icônica como na franquia X-Men. Mas o garoto realmente rouba boa parte das cenas do filme e é o motivo pelo qual o enredo do mesmo funciona. Ele e os robôs, é claro. O elogio supremo fica por conta dos efeitos especiais. Os robôs estão inacreditavelmente reais no filme, qualidade tipo Transformers, sem a câmera de montanha-russa do Michael Bay pra fazer looping e girando a cada 5 segundos. Você realmente consegue ver os robôs se movimentando e lutando. No Transformers é muito malabarismo para que a gente não fique olhando as imperfeições do CGI. Como em Gigantes de Aço não temos robôs que se transformam em coisas e nem saltando como sapos dá para ter um efeito mais realístico e isso impressiona muito durante todo o filme. Um bom exemplo disso é mais ao final do filme, quando rola um robô fazendo um pequeno salto. Quando essa cena acontece eu fiquei “Puta merda, ele vai pular, que foda!”. Os robôs parecem realmente robôs, com todas as suas imperfeições na forma como reagem a certas coisas e até mesmo quando apanham muito e a lataria fica toda destruída.

Outra piadinha divertida do filme é a ideia de que o maior robô lutador do mundo é Zeus, criado por um gênio que veio do Japão. O cara seria um dos grandes inventores que permitiu a tecnologia de robôs lutadores. Zeus é um monstro, com tecnologia que permite ele se adaptar durante as lutas. Nunca perdeu uma luta sequer. Bem, aí você já soma os pontos e saca quem é o robô adversário do final do filme. E é muito hilário esse aspecto do filme, com os japoneses em cabines que parecem um arcade hi-tech de altíssima geração. Cheio de alavancas e botões, maluquinhos como se realmente estivessem jogando um videogame. Também faz sentido, afinal os japoneses são apaixonados por videogames e por robôs. Junta isso numa coisa só e não fica difícil imaginar que o campeão mundial obviamente seria um robô construído por alguém de lá.

Bem é isso. Ainda teria outras coisas que eu poderia comentar sobre Gigantes de Aço, mas acho que se alguém ficou interessado, melhor procurar assistir ao filme, pois é bem divertido. Não tem a pretensão de algo que vá marcar época, como Rocky (pra citar um filme de boxe) ou Transformers (pra citar um filme de robô), mas é divertidíssimo dentro da sua proposta. Foram 2 horas que passaram voando em frente a TV. Com duelos emocionantes, boas piadas, e boa atmosfera robótica do ano de 2020 (deveria ser 2030). Um esporte assim, totalmente nerd, eu adoraria assistir na TV. Vindo de alguém que não curte nada de esportes, já é alguma coisa.

E eu vibrei no final, a última luta é de tirar o fôlego! Dizem por aí que os produtores gostariam de criar uma sequência se o filme fosse lucrativo. Eu não sei se conseguiram as metas desejadas, mas gostaria muito de voltar a ver esse universo de robôs lutadores! Ele já saiu em Blu-ray e em DVD no Brasil, e certamente vai ser um título que vou ter na minha coleção futuramente. Pipocão total pra ver e rever muitas vezes!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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