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Testado Gears Judgment: Call to Arms DLC!

Algum muito certo e muito errado está acontecendo com a franquia Gears?

A Epic Games e People Can Fly estão liberando hoje o primeiro DLC pago de Gears of War Judgment. Call to Arms Pack traz três novos mapas, dois para o multiplayer (remakes de games anteriores: Boneyard e Blood Drive), um mapa (Terminal) para o modo Overrun (sobrevivência/invasão) além do novíssimo modo multiplayer Masters at Arms (Mestre das Armas), além de novos skins de armaduras e armas (perfumarias bacanas).

Para quem comprou o VIP Pass esse conteúdo está liberado desde o dia 23 de abril. Como sou um viciado por Gears, certamente comprei o VIP e já estou jogado e testando esse DLC há uma semana. E ele me trouxe uma opinião curiosa em torno da franquia Gears of War. Tem algo muito bom acontecendo com ela, mas ao mesmo tempo tem algo muito merda também atrapalhando tudo. Judgment tem uma proposta muito inteligente, que é abrir a franquia, tirar Gears de seu pequeno mundinho fechado. Conseguiram? Não. E não devido ao que foi apresentado, mas sim no que tiraram e deixaram de colocar no quarto game da série. Mais resoluções a seguir. Mas antes, um vídeo do novo DLC.

Impressões Gerais sobre Gears of War Judgment

Veja bem, eu sou totalmente a favor de tudo que foi modificado em Judgment. Acho que as mecânicas de controles ficaram ótimas. Um botão para granada, a troca de armas com o Y, o recolhimento de munição automática etc. Gears of War sempre foi uma franquia de nicho, com uma comunidade fechada e chorona.

Enquanto games como Halo e Call of Duty possuem multiplayers mais abertos, ou seja, o jogador pode jogar como bem entender, dentro da variedade que o game permite, os chorões de Gears of War pregam que o jogador deve sempre jogar de uma única maneira, tal como era no primeiro Gears of War.

O primeiro game da franquia era extremamente limitado. Poucas armas, mapas claustofóbicos e baixa variedade de combate. Isso impedia uma variedade de estratégias. O problema é que muitos jogadores acreditam que isso era algo positivo no jogo original. Mas de fato não é. Soma isso aos problemas recorrentes que Gears 2 teve com conexões e servidores para multiplayer e o que resta são as expansões absurdas de Gears 3, que segrementou demais todo o multiplayer.

Aí vem Judgment tentando limpar todo o rastro e baderna deixado pela série. Pensando um pouco em suas origens, mas não querendo se tornar limitado. Abrindo um muito mais a dinâmica para permitir novos jogadores, espalhando-se no que existe de melhor em multiplayer online. E não vamos nos enganar. Se Gears of War 3 fosse realmente melhor, ele teria ficado muito mais tempo no topo do Top 10 de games online da Xbox Live. A realidade é que Gears 3 ficou na oitava posição por quase breve existência, perdendo de lavada para outros títulos.

Gears of War precisa se renovar, mudar, se aperfeiçoar. E nisso a People Can Fly trouxe uma nova forma de perspectiva para a série. A Campanha perdeu um pouco os ares de cinema e ficou mais arcade, com pegadas do modo Horda. Ficou bom para a proposta de um spin-off, mas faz falta um roteiro e narrativa mais densa. Um Gears of War 4 certamente não poderia ter sua campanha principal assim, mas uma campanha extra por DLC nesse formato é mais do que bem vinda.

O multiplayer também foi enxuto. Sai modos desnecessários e pouco jogados em Gears 3, e entra apenas o melhor do melhor. Se condensa modos num único modo, como Domination que é um sucessor de modos como Annex e King of Hill. E Domination consegue ser muito melhor do que seus antepassados. Team Death Match melhora sua dinâmica, agora o time não tem vidas compartilhadas em contagem regressiva, a vitória vem para o primeiro time que conseguir 50 mortes, algo muito semelhantes com o multiplayer de outros games famosos. E o modo Free for All é uma delícia. Cada um por si, e cada jogador que você encontrar é um inimigo. O caos está instalado e aquela sensação de que cada canto e esquina é um perigo retorna no melhor estilo do primeiro Gears.

Mas Judgment peca quando ao tentar enxugar as coisas, acaba sendo omisso onde não deveria. A ideia de um modo baseado em classes é legal, mas Overrun jamais vai conseguir ser superior ao modo Horda, modalidade esta tão exclusiva e desejada por outras franquias famosas que chega a ser vergonhoso ter sido suprimida do game. Não é a toa que no fórum oficial do jogo, há pedições e quase uma unanimidade da comunidade de que a Horda precisa retornar em Judgment.

Outra burrada ao se desenvolver Overrun foi pensar que o modo precisaria de mapas próprios. Não precisa. Uma das belezas dos modos Horda e Besta em Gears 3 era de que eles funcionavam perfeitamente nos mapas multiplayers. Overrun no final das contas só veio para atrapalhar nesse sentido. Judgment acabou sendo lançado com 8 mapas, porém 4 pra Overrun e 4 pra multiplayer. A segregação fez muito mal para o online do jogo. Overrun é um boa ideia com uma péssima execução. Os desenvolvedores pensaram que poderiam criar um Team Fortress de Gears, mas no final só conseguiram deixar todos irritados com a ideia de que Overrun é o substituto da Horda, o que não deveria ser.

Enfim, Judgment acaba passando a impressão de ser um grande DLC avulso de Gears of War 3. E em grande parte ele por um breve momento foi exatamente isso. A People Can Fly recebeu a tarefa de impedir essa sensação e não conseguiu cumprir. Uma campanha arcade, um modo que veio com 4 mapas e um multiplayer com apenas 4 mapas. Isso é que tem no disco de Judgment. É muito pouco, mesmo para um spin-off.

DLC: Call to Arms

Feito a reflexão geral em cima do game em si, agora é hora de pensar um pouco no quanto Judgment necessita de expansões e DLCs para virar um jogo “de verdade”. Isso em parte é ruim ao jogador que vai precisar desembolsar um pouco mais para ter uma melhor experiência com a série. O jogador revoltado e cansado talvez não esteja disposto a isso e a comunidade do multiplayer vai novamente segregando.

Call to Arms está sendo lançado custando 1.000 Microsoft Points, que dá cerca de U$ 12,50. Não é um valor justo. Quem comprou o VIP Pass garantindo 02 DLCs da série, ganha 25% de desconto, então ficou por U$ 9,37. Ainda assim é um custo que parece injusto em relação a antigos DLCs da série e pela quantidade de mapas que vinham. Agora injusto ou não, o DLC se faz necessário para quem quer mais de Judgment. Eu como fã, quero. Erros, mancadas ou burrices a parte, ainda sou adepto da ideia de conteúdos que expandem o jogo individual. Ainda que isso custe mais no meu bolso.

O modo Mestre das Armas, por exemplo, é uma excelente adição ao multiplayer. E é algo tão divertido e original que deveria estar disponível a todos os jogadores e não apenas aos pagantes do DLC. A ideia do modo é usar 20 armas diferentes para ocasionar 20 mortes em combate. A lista de arma é variadades e a dinamica delas também. As armas seguem uma fila, então seguem sempre a mesma ordem. No fim, as últimas duas mortes precisam ser com a pistola snub (a mais fraquinha do jogo) e a machadinha. Isso é para dificultar o final da partida, enquanto outros jogadores com armas melhores tentam chegar ao topo da lista.

E a ordem das armas segue de forma bem inteligente. Lancer, Gnasher, Boomshot e assim por diante. Ruim seria se fosse, todos os rifles primeiro, depois as espinguardas, depois pistolas e depois as armas especiais. O bacana é esse misto entre boas armas e armas mais complicadas de se usar. No meio da lista por exemplo tem a Hammerburst clássica e não é fácil matar alguém com ela.

A ação é frenética em Mestre das Armas. Isso porque funciona no sistema Free for All. Cada um por si e qualquer um é um inimigo sedento por sangue. Nada de times ou áreas para dominar. Ficar escondido não é uma boa opção, porque para vencer é preciso matar para mudar de arma. Fica parado esperando a sorte não é uma boa estratégia. Ganha o jogador mais ativo, que corre contra o relógio e que está sempre de olho em suas costas.

O novo modo então é o que há de melhor nesse DLC. E ele sozinho não vale o quanto o conteúdo está sendo cobrado. Uma pena. Quanto aos novos mapas. É sempre bacana ver velhos mapas sendo remasterizados e ganhando novas áreas e armas. Boneyard (Cemitério) vem do primeiro Gears of War e é nostalgia pura. E está bem diferente jogar nele aqui do que no primeiro game da série. Já Blood Drive (Via de Sangue) ficou animal! A expansão que deram ao mapa ficou de explodir os miolos. E esse já é considerado um dos melhores mapas de toda a série de games. O problema é que eu vejo Blood Drive nessa estrutura épica e fico triste de não poder jogar Horda nessa versão. Terminal, bem é um mapa bonito e grande, mas limitado pelo uso em Overrun, mas a verdade é que joguei muito pouco nele. A graça no Overrun são as partidas em si, os mapas nem tanto. Mapa pesa mais no multiplayer tradicional.

Call to Arms então é válido, custa caro, e vem justamente para mostrar que Judgment foge dos padrões tradicionais da série. E novamente dá a impressão de que é algo que deveria estar com o jogo completo e não como um complemento. No fim, serve para dividir um pouco mais essa pequena comunidade de jogadores, entre aqueles que pagam por qualquer conteúdo e aqueles que vão se revoltar e não pagarão. Talvez esse último grupo seja o correto, mas entre ficar amargo e revoltado, Gears me diverte tanto que prefiro pagar e me divertir um pouco mais.

Modo Masters At Arms + Mapa Boneyard (Cemitério)

Mapa Blood Drive (Via de Sangue)

Overrun (Sobrevivência) em Terminal

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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