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Quando o Mega Man chegou às duas telas (ZX) – Impressões

Estreia do herói no DS merece ser lembrada!

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Esse texto foi originalmente publicado há algum tempo no meu blog anterior, o OverLine (que hoje está acumulando poeira). Dei uma repaginada básica nele. Espero que gostem!

Antes de mais nada, Mega Man ZX trata-se de uma reinvenção da série Mega Man. Mas reinvenções são comuns, ainda mais em franquias antigas (Mega Man surgiu nos anos 80), e esta não é a primeira pela qual o herói azul passa. Antes de ZX, houve Mega Man Legends, uma fracassada tentativa de levar a série para o universo 3D. No Game Boy Advance, a Capcom transformou a série em RPG com Mega Man Battle Network, que rendeu seis games e até um desenho animado. Com o lançamento do Nintendo DS, a Capcom foi na onda e lançou um novo Mega Man, dessa vez batizado de ZX. Mas no que, exatamente, essa nova reinvenção difere das outras?

Pra começar, esqueças as mudanças absurdas. Nada de gráficos ou jogabilidade 3D, nem nada de RPG. A base de ZX são os Mega Man clássicos. Então, já dá pra ter mais ou menos uma ideia do que esperar: você vai deslizar por muitas paredes, vai ficar com o polegar doendo de tanto segurar o botão para carregar o ataque, e vai ganhar os poderes dos chefões que derrotar. Então, quais as novidades? Para começar, mundo interligado. Isso mesmo. Nada de tela de seleção de estágios, como na série principal ou na série X. Esse recurso, claramente inspirado por games como Metroid e Castlevania, foi bem aplicado e raramente confunde o jogador. O mapa é bem prático, e as localidades foram muito bem individualizadas, tornando assim quase impossível se perder em meio a tanto chão para se pisar.

Falando em localidades, a Capcom fez um ótimo trabalho com o design delas. Todas elas são muito bem feitas, atualizando os clássicos cenários das versões antigas. Está tudo lá: fase da lava, fase do gelo, fase do céu, fase da floresta… entre tantas outras. Destaque também para os desenhos de fundo de cada cenário, todos muito bem detalhados, sendo o da floresta e o do parque de diversões os que mais chamaram minha atenção.

Quanto à história, fui surpreendido. Admito que esperava algo bem bobinho, apenas para justificar a aventura, mas o jogo vai além. Em Mega Man ZX, você controla Vent (ou Aile, a versão feminina), um jovem que trabalha na empresa de transporte de produto Giro Express. Durante uma certa entrega, Vent é atacado por Mavericks (a.k.a robôs do mal) que querem a todo custo roubar o pacote que Vent leva. Durante a confusão o objeto se abre e o conteúdo é revelado: o Biometal X. O Biometal, percebendo que Vent se encontra em apuros, empresta-lhe seus poderes, fazendo com que o garoto ganhe essa armadura:

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Assim Vent dá cabo dos Mavericks, e depois disso a coisa fica mais interessante. Ele conhece os Guardians, organização que luta contra os Mavericks, e decide fazer parte dela para assim descobrir o que está por trás dos ataques. O que mais chamou minha atenção na história foi o modo como ela é desenvolvida. As informações nunca são entregues de bandeja, o game vai revelando as coisas aos poucos, conforme o jogador vai progredindo. Também simpatizei bastante com a história do personagem principal. Ele era apenas um cara normal, tentando ganhar um dinheiro honesto, que de uma hora para outra (e por puro acaso) se torna um herói, armado com a mais alta tecnologia. É, eu sei que existem várias histórias que tratam de heróis acidentais, mas isso não me impediu de ser cativado. 🙂

Uma coisa que sempre se comenta a cada novo jogo da série Mega Man são as armaduras. Em ZX há cinco modelos, sem contar o X que é o mais básico. Os outros são: ZX, LX, PX, FX e HX. Assim como o Model X é claramente inspirado no Mega Man X, o Model Z é inspirado no Mega Man Zero, fazendo do Model ZX um híbrido das duas clássicas armaduras. Nem todos os outros modelos são necessários para o avançar no jogo, mas apresentam aspectos bem bacanas. O Model LX é o modelo aquático, e nem precisa dizer que é obrigatório nas fases que envolvem água. O Model PX é o modelo “ninja”: dispara shurikens em alta velocidade, no entanto os disparos causam pouco dano. O Model FX é o modelo do fogo, e embora seus disparos causem bastante dano, há um intervalo considerável entre um tiro e outro (repararam no contraste entre ele e o Model PX?). O Model HX, o modelo do vento, é o melhor de todos. Além de ser bem rápido (proporcionando a esquiva de investidas inimigas com facilidade), ele ainda plana por alguns segundos e é capaz de fazer pequenos voos para cima, dando acesso à áreas antes inacessíveis.

Como já foi dito, uma das grandes revoluções do Mega Man ZX foi a implementação de um mundo aberto, dando a possibilidade de ir e vir quando o jogador bem entender. Beleza, funcionou bem, foi uma adição legal, mas a Capcom deixou passar algumas coisas. Há poucas missões paralelas, por exemplo. Num jogo de mundo aberto (ainda que bidimensional) creio que mais missões paralelas poderiam ter sido adicionadas, e uma variação maior também, porque a maioria delas pede que você apenas encontre algum item perdido e devolva ao dono. E descontando as missões, não há quase nada para fazer na cidade onde o game se passa. A única atividade descompromissada disponível é um local onde dá pra jogar alguns minigames, nada de mais. Com o mapa aberto, a mitologia que a série agrega e as possibilidades oferecidas pela plataforma para a qual o jogo foi lançado, acredito que dava para trabalhar muito mais nisso também. Tudo bem que isso nem vai incomodar aqueles jogadores que só querem derrotar logo o chefão final, mas para gamers que gostam de aproveitar ao máximo o que um título tem a oferecer, isso pode ser um problema.

Considerações finais: Mega Man não poderia ter tido uma melhor estreia no DS. Cenários bonitos e bem trabalhados, história bacana (embora não seja nenhum Senhor dos Anéis), e jogabilidade que cumpre o seu papel tornam este Mega Man ZX uma ótima pedida no portátil da Nintendo. A quase ausência de extras incomoda um pouco, mas nada que não possa ser perdoado.

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Pedro Ivo Maximino

Jornalista em formação. Sou gamer desde os tempos em que passava horas jogando Sonic no velho Master System de um primo. Também sempre gostei de cinema desde aquela época, embora só recentemente tenha me interessado o bastante pelo assunto a ponto de me considerar um cinéfilo. Tomei gosto pela leitura por "culpa" de Harry Potter e hoje leio de tudo. Além do Portallos, escrevo ocasionalmente em meu blog pessoal, o OverLine.
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