Reflexão | Nova Geração ou Geração Nova?

Chega de Velhas Novidades…

A essa altura as principais novidades da E3 2013 já foram mostradas. Novos consoles, jogos, e tecnologias que em puco tempo estarão ao nosso alcance.

Mas esse ano a E3 não despertou a minha atenção como nos anos anteriores. Senti falta daquela eletricidade no ar, aquela ansiedade gostosa, a curiosidade instigada. Eu acompanho a E3 desde sua primeira edição, naquela época por meio de revistas especializadas, 2 ou 3 meses depois dela ter acontecido.

Era um momento absolutamente mágico abrir uma revista recheada de coisas novas, ode uma novidade ás vezes nem foto tinha para se ver, restando apenas palavras. Aquilo me fazia pensar muito nas novidades, especular como funcionariam de fato. E quando finalmente colocava as mãos nela, era divertido ver que de vez em quando a coisa era totalmente diferente daquela que eu tinh na minha cabeça.

É um cenário muito diferente dos dias de hoje, onde a feira pode ser vista por mim m tempo real! O mundo mudou muito, e a E3 pouco. O formato basicamente ainda é o mesmo de décadas atrás. E eu já não vejo mais sentido nela.

Iniciativas como o Nintendo Direct me agradam muito mais, com edições mensais e ás vezes até mais. Por isso achei muito correto quando a Nintendo anunciou que não faria mais uma daquelas jurássicas conferências. Essa é a Nintendo que gosto, que toma as rédeas da indústria e mostra o caminho.

De um modo geral, a nova geração não parece assim tão nova para mim. Enquanto que na geração que está acabando vimos uma quebra de paradigmas com o Wii, agora tudo parece ser apenas uma melhora sintomática daquilo que já temos. Uma geração maior, mas não melhor.

A busca pelo fotorealismo compromete o resultado final, e os jogos não conseguem atingir seu potencial. É tudo muito baseado em armas, sejam elas pistolas ou espadas. Na maioria dos jogos atuais, quando retiramos a arma dele, o que sobra?

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Eu gostaria que as capacidades gráficas maiores dos novos consoles servissem melhor ao ambiente de jogo, não apenas para aumentar o número de poros no rosto do nosso genérico protagonista careca. Quero explorar lugares que não se pareçam com aqueles que eu havia visitado anteriormente no jogo. Chega de interagir com NPC com feições e trejeitos repetidos. De cair na água e meu herói poderoso morrer como uma bolha de sabão.

Me incomoda usar uma espada laser que não consegue cortar um reles graveto, meu lança mísseis que nem arranham a parede, e inimigos que viram purpurina depois de abatidos. Não quero mais cair na água e segundos depois de sair dela perceber que ela evaporou e meu personagem está sequinho como antes.

Seria ótimo participar de conversar mais orgânicas, com uma I.A. que promove conversas mais inteligentes. Fazer parte de eventos únicos no jogo, enfim, sentir a realidade de uma maneira que hoje apenas arranhamos a superfície de possibilidades. De interações instigantes, intuitivas e surpreendentes. Lembro do Miyamoto na época do Gamecube dizendo que queria fazer um jogo que usasse só um único botão…

Enxergo por enquanto essa nova geração apenas como uma melhora superficial daquilo que já temos disponível hoje, mas sem realmente uma novidade para encantar. The song remains the same, better. Claro que nem por isso deixo de jogar os jogos que andam sendo lançados, e tem coisa boa nesse bolo como o maravilhoso The Last of Us, porém não posso ignorar minha voz interior que gostaria de jogar e receber experiências únicas.

Nos últimos anos grandes designers de jogos abandonaram cargos de chefia e liderança em grandes publishers, para então poderem se dedicar a projetos mais pessoais e experimentais. Gozar um pouco mais de liberdade em seu trabalho, como no caso do querido Keiji Inafune. Desenvolver um jogo “triple AAA” é caro e esse desenvolvimento sofre muita influência dos acionistas e do pessoal de marketing, e os criadores estão se sentindo acuados e impossibilitados de dar vazão às suas idéias de maneira plena.

E quando algo bacana aparece, como Assassin’s Creed ou Batman, a idéia é explorada de maneira altamente predatória, e essa idéia se esgota rapidamente. Gears of War, Halo, Uncharted, entre tantos outros, também estão aí pra provar.

Grande parte da novidades em termos de design de jogos veio diretamente das mentes de desenvolvedores indies, e sua importância na indústria cresce ano após ano. E é curioso notar que enquanto Nintendo e Sony recebem os indies de braços abertos, a Microsoft com seu Xbox One parecem fugir dos indies, de tal modo que tornou a tarefa de publicar um jogo no One algo extremamente inacessível.

Eu torço para daqui em diante esse sentimento de quer fazer algo novo e empolgante que os indies possuem possam tocar as grandes publishers, e que haja equilíbrio nisso, de modo que possamos até ter jogos triple AAA, mas que eles sejam muito mais honestos e criativos do que aqueles que temos a nossa disposição hoje. Quero que o ato de jogar videogame seja algo empolgante e marcante novamente!

Eu não quero uma nova geração, eu quero uma geração nova!

Que as boas idéias surjam!

obs: ilustração que abre a postagem veio deste link no DeviantArt. As outras duas infelizmente desconheço a fonte original, ambas encontrei no Google Imagens.

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