Japão

Gintama – O animê injustiçado da Jump! (Opinião)

 

(Por SHiN)

O animê de Gintama nasceu do mangá de mesmo nome que é publicado semanalmente na Shonen Jump (revista que também publica One Piece, Naruto, Bleach, Reborn, Toriko e etc). De inicio é importante destacar que a história vista no animê não segue a ordem do mangá, aliás, existem muitas histórias do animê que sequer foram apresentadas no mangá. Na maioria das obras, isto é um sinal negativo, porém, em Gintama, é completamente o inverso. Aliás, muitas pessoas (eu inclusive) consideram a obra como a melhor adaptação em animê de um mangá da JUMP.

De forma super resumida, posso dizer que a história se passa na era Edo, época do passado japonês em que os samurais ainda existiam. Após uma invasão alienígena os chamados “Amanto” dominaram a Terra, e os samurais perderam o direito de usar suas espadas (exceto pela “policia” local, o “shinsengumi”). Anos depois da invasão, um dos samurais que lutou na guerra para que a Terra não fosse dominada, o protagonista principal da história Sakata Gintoki, sem ter o que fazer para se sustentar, e precisando de dinheiro para pagar o aluguel, funda o “Yorozuya”, uma “empresa” de “faz-tudo” (freelancer). Depois entram para o grupo Shimura  Shinpachi (o nerd) e Kagura (a alienígena mutante), que completam o trio principal que vive se metendo em encrencas que vão do bizarro ao antológico.

A trama que é desenvolvida na telinha não é organizada em ordem cronológica, ou seja, o tempo não avança na mesma proporção que os episódios, além disso, seu desenvolvimento segue o estilo dos desenhos animados como Bob Esponja, Os Simpsons, As Meninas Super Poderosas, e etc, que possuem situações isoladas a cada episódio, sendo que o ocorrido no episódio anterior não possui estrita relação com o que irá ocorrer no seguinte. É claro que algumas situações se remetem a episódios passados, como, por exemplo, a utilização do grupo de personagens que vão se revezando, mas isto não prejudica o entendimento de quem assiste. Assim é Gintama, que exceto por alguns arcos específicos segue a fórmula dos power ranges, ao melhor estilo “monstro da semana”.

Por não possuir um plano de fundo muito complexo, a história pode ser seguida de forma bem simples, sem correria ou pressão. É o tipo de animê bom para descansar o cérebro depois de um dia estressante de trabalho. Não é preciso ficar pensando demais, tentando adivinhar o que vem a seguir, nem se torturar para lembrar o que aconteceu a vários episódios atrás.

O ponto forte sem dúvida é a comédia, que na maioria das vezes é sarcástica com muitas pitadas de humor negro. Aliás, sobre esse assunto, é importante desfazer um mito que assombra o animê aqui no Brasil. Ao menos a meu ver, as piadas não são feitas exclusivamente para japoneses. Antes de começar a acompanhar a série, tive receio desta questão, mas depois de assistir notei que isto não é um fator tão depreciativo. Algumas piadas realmente só fazem sentido para os japoneses, mas são casos isolados, e que não atrapalham quando se observa a obra como um todo. A comédia de forma geral sempre possui forte influência do cotidiano em que é feita, por exemplo, se alguém contasse no Japão uma piada envolvendo o Corinthians e a Libertadores (que agora já não faz mais sentido…), dificilmente um japonês entenderia. O mesmo acontece em algumas piadas feitas no animê, mas para isso, os fansubs (pelo menos o que acompanho) brilhantemente costumam colocar uma pequena nota explicando o contexto da piada para aqueles que não querem ficar boiando nem por um segundo.

Costumam dizer que para acompanhar Gintama o espectador deve ser “experiente” no meio de vida Otaku. Essa é uma premissa que afasta várias pessoas do animê, até por que, é difícil estabelecer, para um brasileiro, o que vem a ser um “meio de vida Otaku”. Para simplificar, no caso de Gintama, creio que podemos responder esta questão da seguinte forma: Você assistiu já Dragon Ball? Sabe o que é a Shonen Jump? Acompanha Naruto ou One Piece? Assistiu ao menos uns 03 animês em sua vida? Sabe o que significa Playstation e Nintendo?

Bem, se para todas estas simples perguntas, sua resposta é “sim”, acredito que seu “nível Otaku” para acompanhar Gintama é suficiente em, pelo menos, 70%. Com isso, você será capaz de entender a maioria das piadas voltadas para a referida cultura (que alias nem são tão tantas assim…). Agora, se a resposta para ao menos 02 perguntas foi “não”, definitivamente Gintama não servirá pra você… Se quer “iniciar” no mundo dos desenhos nipônicos, é melhor começar por outra obra mais genérica.

Por fim, é importante destacar que embora o foco principal seja a comédia, Gintama não pode ser vinculado única e exclusivamente a ela. Cada episódio apresenta uma situação dramática que é pautada na moral e ética. Uma espécie de lição de vida, que hoje em dia é muito pouco abordada no meio do entretenimento. Coisas simples como ajudar uma pessoa pobre, ou respeitar alguém diferente, ou combater a injustiça, e até mesmo cooperar com o próximo, são frequentemente abordadas nos episódios.

Pra você que gostou da rápida introdução, e pretende dar uma chance ao animê, é bom salientar que os três primeiros episódios são obrigatórios para o entendimento da série, pois apresentam o trio principal, e o contexto do mundo em que a história se passa, por isso, são um pouco chatos, e até descompromissados, mas valem a pena. Passado este início os demais são bem tranquilos e podem ser vistos com menos intensidade, da forma como bem entender. O mais legal em Gintama é que você pode ficar até meses sem assistir um único episódio, e sempre que retornar não sentirá dificuldades em acompanhar.

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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