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Opinião | Nintendo e sua osteoporose…

Será que a Nintendo não envelheceu demais e ficou gagá?

Osteoporose, segundo o Wikipédia, é uma doença que atinge, em geral, pessoas idosas, fazendo que seus ossos fiquem frágeis e fracos. E comparar a osteoporose com a atual Nintendo meio que faz sentido. A companhia é velha, uma das sobreviventes e pioneiras no mundo dos videogames, e não é tão incomum assim ela demonstrar uma certa fragilidade em tempos de mundança de geração de consoles. O osso é parte importante do corpo humano. É parte importante de nossa estrutura. E estrutura é algo que a Nintendo sofre sempre que precisa trocar de console e se adaptar a tempos mais modernos. A empresa sofre quando precisa se adaptar. Não muito diferente de um idoso quando precisa entender uma nova tecnologia aquém de seu tempo.

E é fato incontestável que a Nintendo está mal das pernas. O presidente da empresa já informou que vai cortar seu salário pela metade, junto com outros figurões da alta patente da empresa que terão cortes diferenciados (leia aqui). Além disso hoje já está rolando pela internet a pauta da reunião que Satoru Iwata fez com investidores da empresa explicando o que a Nintendo fará para contornar a crise que vem enfrentando, graças ao fracasso comercial do Wii U. Saiba em maiores detalhes nesse excelente informativo da Uol Jogos. E se você está chegando agora e não entendo porque diabos a Nintendo não está bem das pernas, esse é outro link na qual deveria dar uma olhada.

Talvez alguns possam pensar que estou feliz com todo esse infortúnio que a Nintendo anda enfrentando, afinal já falo mal da empresa aqui no blog desde o desastre que foi a minha experiência com a porcaria do Wii, ocasião inclusive que me fez virar um contente dono de um Xbox 360, bem no comecinho da geração anterior. Mas não, eu não estou contente com essa situação. Querendo admitir ou não, sempre gostei e sempre torci para que a Nintendo se acertasse e voltasse aos bons tempos de Super Nintendo ou até mesmo no excelente trabalho dela na geração Gamecube (e que muitos não vivenciaram porque estavam ocupados jogando PlayStation 2).

O ponto em questão aqui é que talvez a Nintendo esteja ruim porque as pessoas que estão no comando da empresa estejam velhas demais para os tempos modernos de hoje. Há algum tempo atrás cheguei a comentar brevemente aqui no blog sobre o que seria da empresa e de franquias como Super Mario e The Legend of Zelda no dia em que Shigeru Miyamoto vier a falecer. O próprio Satoru Iwata talvez já esteja a tempo demais no comando da empresa. Será que já na passou a hora dessas pessoas começaram a pensar em quem os substituirão no futuro e como isso poderá beneficiar a empresa?

Tudo bem que talvez esteja desprezando pessoas que são consideradas por muitos como lendas vivas do universo dos games. Mas qual é o momento certo para que essas pessoas parem ou diminuam o ritmo para outras pessoas possam renovar as estruturas da empresa? Eles já tentaram, tiveram suas chances, acertaram em muitas coisas. Mas de que adianta a Nintendo vender bem o 3DS se isso acaba servindo para custear o fracasso de plataformas como Wii U? Qualquer gamer de fora do universo Nintendo consegue enxergar que a empresa ainda faz jogos fantásticos, graças as franquias criadas nos tempos áureos da mesma (isso é um detalhe importante para ser refletido), porém a empresa sofre com um conservadorismo exageradíssimo, e até mesmo um certo egocentrismo que a impede de olhar o que existe de bom na concorrência e adaptar para suas plataformas. E isso de olhar o que existe fora do seu próprio umbigo não é algo prejudicial, para coexistir em qualquer ramo de mercado, é preciso ter esse jogo de cintura e admitir que você não é o único a ter boas ideias.

E tudo que Iwata veio nessa ocasião dizer a seus investidores não é nada revolucionário, pelo contrário, ele apenas veio admitir que a empresa realmente possui dezenas de pontos ultrapassados que precisam mesmo serem adaptados para que Nintendo continue sobrevivendo ao mercado atual. Chegar a ser realmente ridículo ponto como a inexistência de desenhos ou até mesmo animações com suas propriedades intelectuais. O licenciamento de seus personagens a outros tipos de mídia é algo que já deveria ter sido feito há gerações de consoles atrás. Nem mesmo quadrinhos existem… fica difícil mesmo apresentar tantos universo fabulosos e personagens fenomenais se a empresa se prende dentro de seu próprio mundinho. O mesmo vale para a decisão de investir “alguma coisa” para apresentar suas franquias dentro do mercado de smartphones e tablets. Alias o próprio Wii U chega a ser um console absurdo quando você pensa que a empresa teve que criar um controle-tablet para mostrar uma experiência que empresas como a Microsoft e Sony conseguiram mostrar sem a necessidade de criar algo tão restritivo e de baixa usabilidade como um todo quando se comparado tudo que um tablet normal pode oferecer.

Realmente é difícil entender como a Nintendo conseguiu chegar até esse ponto, negando tanta coisa. Tecnologia online, interação entre jogadores, suporte a mercado emergentes, franquias sem qualquer investimento em outros ramos do entretenimento. O que me deixa puto com tudo isso, é que nunca irei esquecer a desculpas estapafúrdias da empresa e seus executivos ao longo dos últimos anos, sempre que alguém os questionava em determinados pontos citados. E agora tudo isso parece extremamente importante para que a empresa não vá para cova. É dureza ser um fã da Nintendo.

Talvez seja isso mesmo, a Nintendo é uma empresa gagá, sofrendo com uma osteoporose metafórica. É nestas horas que muitos lá dentro devem ficar aliviados que o Nintendo 3DS e suas múltiplas versões (ainda que meio confusas para certos públicos) estão indo bem. Pokémon é sempre um salva pátria nesse sentido, não? E vale lembrar que Pokémon é uma das raras exceções de propriedade intelectual da Nintendo que até hoje existe investimento na televisão e até mesmo em mangá (no Japão). O que seria da Nintendo hoje se o 3DS estivesse tão ruim quanto o Wii U? Foi por um triz…

E veja bem, mesmo dizendo tudo isso, ainda não estou totalmente crente de que a Nintendo ainda tem um espaço para o mesmo público que curte um Xbox ou PlayStation. Sempre vai existir o problema de que seus próprios games ofuscarem quase tudo que as thirdies parties tentarem criar de novo em seus consoles. Pra mim a Nintendo sempre mandou bem no desenvolvimento dos games e até hoje ainda acredito que ela se daria muito bem caso algum dia resolvesse criar jogos de suas franquias para outras plataformas, e isso não a impediria ou a prejudicaria em nada na divisão de seus portáteis (ao menos por enquanto, já que também acredito que os smartphones e tablets irão continuar ao longo dos próximos anos roubando uma parte importante desse público).

No fim, a empresa ainda continua acreditando que parte de seu futuro é arriscar e navegar em busca de novos nichos de mercados, tal como o Wii conseguiu com o público casual. Não nego que é uma ideia interessante, mas querer e conseguir fazer são coisas bem diferentes. Se fosse fácil assim, mais empresas estariam apostando mais fichas nisso. Ainda mais quando a mesma diz querer investir em “qualidade de vida e saúde”. Bem, não sei vocês, mas pra mim, essa história é bem complicado, afinal eu fui um dos que abandonou a empresa justamente porque a premissa do Wii não era pra mim. A Nintendo novamente vai dar as costas para seu público fiel quando achar um novo nicho? Porque ela claramente fez isso no Wii. E aí volta aquela ideia… se é pra ser assim, por que não criar games hardcore em outras plataformas e lucrar com vendas de software, enquanto mantém um portátil, e também criar jogos “casuais” ou de nicho para um “novo console/aparelho”? Porque já ficou comprovado que juntar o mundo hardcore e o casual (nicho) numa único console não deu certo. O Wii venceu pelo casualismo, já o Wii U tentou manter o casualismo e fortalecer o hardcore e está sendo esse desastre todo. Talvez o mundo hardcore que a Nintendo ainda acredita que precise possuir, ela só irá encontrar apostando no universo além de seu próprio umbigo.

Só sei que eu envelheci desde os tempos de Super Nintendo, mas parece que a Nintendo envelheceu três vezes mais do que isso. Eu ainda consigo acompanhar as novidades e evoluções do mundinho dos videogames. Já a Nintendo…

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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