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Piloto | Supergirl (Opinião & Spoilers)

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É curioso ver como os seriados de Super-heróis mudaram de alguns anos para cá. Por exemplo – ainda que um exemplo não lá muito bom – pense em Smallville. Não era uma série sobre o Superman, mas uma série sobre Clark Kent. A televisão sempre teve esse problema com o mundo dos super-heróis: não dava para reproduzir toda aquela fantasia que estes personagens possuem nos quadrinhos, pois o orçamento disso seria caro demais, então a melhor forma de explorar o mundo destes personagens era colocar um grande foco narrativo na vida normal, na identidade civil ou secreta dependendo do caso. Também me lembro das Aventuras de Lois & Clarke – num outro exemplo também não muito bom – em que muitos episódios focavam apenas na relação dos protagonistas, com o Superman aparecendo relativamente pouco e ainda assim, sem grandes batalhas ou vilões espalhafatosos. Era tudo muito pé no chão, apesar que lá no fim de Lois & Clarke, houveram boas tentativas de dar expansão ao formato da série e criar mais atenção em torno da mitologia do Superman. Bem, são discussões para um outro dia, pois o que importa agora é a nova série da Supergirl, que estreia na CBS lá nos Estados Unidos no segundo semestre do ano.

Há uma boa diferença no tom da nova série para com estas séries baseadas no universo do Superman que mencionei no parágrafo acima. Aqui não há aquela timidez em colocar a fantasia na frente da trama. O piloto já coloca a Supergirl lutando com um ser poderoso e adequado aos poderes de um “Superman”. Há uma expansão inteligente de inimigos vindos de uma nave prisão que escapou da Zona Fantasma quando a própria nave da Kara chegou à Terra. O mundo já conhece o Superman. E os efeitos especiais comem soltos no primeiro episódio. Se tudo isso for uma amostra do que a série pode vir a ser, acho excelente, caso contrário, se for apenas um embuste, ficarei bem decepcionado.

Claro que a parte “humana” está presente na série, aquele pedacinho que cria o vínculo e que faz as pessoas se identificarem um pouco com a personagem. Kara Zor-El (que adota o nome terrestre de Kara Danvers) acaba se tornando uma assistente num conglomerado multimídia (porque apenas jornal não condiz com a realidade de hoje) – o Tribuna, que é gerenciado pela conhecida Cat Grant – na cidade de National City. Sim, a série não se passa em Metrópolis! O Superman já se apresentou ao mundo e é um super-herói conhecido, e Kara, que originalmente recebera a missão de cuidar do bebê Kal-El se vê num planeta onde ela não tem mais exatamente um objetivo de vida.

A explicação do atraso da chegada dela à Terra e da perda temporal, pois Kal-El cresce e se torna um adulto, enquanto Kara ainda continua uma criança quando chega ao planeta é conciso. Sua nave acaba ficando presa na Zona Fantasma e lá no tempo não passa. O piloto não explica como ela saiu de lá, apesar de dar pistas, principalmente envolvendo os outros personagens que escaparam de lá junto a nave de Kara.

Outro pedaço bem montado da trama é a forma como os produtores trabalham com o Superman, um personagem que já existe nesse universo e que não faz parte da série. É Superman quem encontra Kara, mas aí ele já é um super-herói famoso e não poderia cuidar da menina. Então ele arranja uma família adotiva pra ela. Por que não deixar a menina com os Kents na fazenda (como é comum nos quadrinhos)? A séria não aborda isso e posso entender porque a série resolveu dar uma nova família para a mitologia da personagem, e ter algo novo para trabalhar, porém fiquei imaginando se a decisão do Superman para tal não seria porque talvez os Kents já estivessem velhinhos demais para cuidar de uma criança ou quem sabe o Jonathan Kent já tenha morrido na cronologia (já que ele também morre nos quadrinhos). Enfim, Kara fica com a família Danvers (onde o pai e a mãe dela são Dean Cain, que fez o Superman na série de Lois & Clarke e Helen Slater, que fez a Supergirl no filme de 1984), e ganha uma irmã nesse processo. O piloto não deixa claro se veremos flashbacks da infância de Kara com os Danvers, muito menos se os pais dela ainda estão vivos, pois somente a irmã aparece quando a série salta alguns anos para a Kara já adulta (porém naquele ar juvenil, recém saído da adolescência).

Bem, não vou ficar narrando tudo que o piloto cria. Há realmente mais pontos e encaixes para que a base e estrutura da série se forme. A irmã, Alex, trabalha numa agência do Governo caçando os prisioneiros de Kripton – que não são necessariamente Kriptonianos – e o Superman não é visto com bons olhos ali, por isso não presta o auxílio que você acaba esperando que ele preste. Há um big boss por detrás dos vilões, mas aí assista o piloto e descubra. E digo que gostei dessa revelação no final do episódio, não estava esperando isso.

A única coisa que não me agradou muito foi o personagem de Winslow Schott, amigo de Kara, mas um nome que os fãs de quadrinhos vão saber que se trata do vilão Toyman do universo do Superman. Não sei. O piloto não deixa claro porque eles são tão amigos, mas achei meio desnecessário já no momento em que Kara resolve se revelar para o mundo como a garota com poderes de Superman, ela corre para contar ao amigo quem realmente é. E depois tem toda a cena dele ajudando a criar o uniforme e auxiliando ela a escolher os crimes para serem combatidos. Não achei uma boa química entre os personagens. É bem diferente da que, por exemplo, Oliver Queen em Arrow tem com a Felicity Smoak ou em The Flash, na qual Barry tem com Cisco e Caitlin. O elenco de apoio da Supergirl ainda não se prova tão simpático como o destas duas séries, exceto pelo James “Jimmy” Olsen que achei consistente.

Por sinal, falando em Arrow e The Flash, vale lembrar que apesar das três séries possuírem o mesmo produtor, Supergirl irá se passar num universo alternativo e não deve interagir com Arrow & Flash. O produtor, Greg Berlanti, já falou que a CBS quer a Supergirl só pra si e não pretende dividir com o canal CW a personagem, mesmo que isso permitisse que Arrow e Flash também aparecessem na CBS. Então por enquanto, nada de crossovers. E até que isso torna tudo mais coerente já que a Supergirl se passa num universo onde existem alienígenas na Terra e há o Superman como grande herói do planeta, enquanto Arrow e Flash ainda não trabalharam com nada disso. O que não impede de futuramente, caso as emissoras queiram fazer algo em conjunto, haja uma comunicação entre os shows, já que o Flash é um personagem que atravessa a barreira do tempo e espaço, e consegue visitar dimensões alternativas e paralelas.

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Hum, o que mais posso dizer? Gostei das cenas de ação do piloto, onde a Supergirl realmente toma uma surra de um vilão, dado a sua inexperiência em combate. E os produtores não dosaram na porradaria só porque é uma heroína. A série tem um tom que deve agradar tanto o público masculino quanto feminino. As cenas de voo ainda me pareceram um tanto quanto fracas visualmente e espero que esse efeito visual melhore com o tempo e no decorrer da produção da série. Foi legal ver Calista Flockhart (a eterna Ally McBeal – e se você nunca assistiu essa série, eu recomendo que procure ver) de volta a TV, ainda que num papel meio xerocado de O Diabo Veste Prada, mas a Cat Grand é meio assim nos quadrinhos também, dada as devidas adaptações. E por fim, achei que a Melissa Benoist está ótima no papel da Supergirl, combinou totalmente com a atriz.

Acho que pra encerrar só falta falar um pouco dos quadrinhos da Supergirl. O quanto a série se parece com as HQs? veja bem, a Supergirl tem fases e fases nos quadrinhos, que ultimamente sofrem reboots a cada espirro dos editores. Eu acompanhei uma fase da personagem pré Os Novos 52. As histórias que li eram de uma Supergirl deslocada, que não se dava bem com outros heróis e vivia mesmo uma crise de identidade, pois ao contrário do Superman que não tem nenhuma lembrança de Kripton, Kara se lembra de sua antiga viva e de como era a sociedade em Kripton. Ela ainda não tinha encontrado uma proposta legal na Terra, exceto ser a sombra do Superman. Disso a série parece ter um pouco desse tom, dessa pessoa com poderes colossais, deslocada em um mundo estranho, com um primo famoso e todo certinho, que está num pedestal alto demais para ela alcançar. Me lembro de uma fase ótima em que Kandor foi desengarrafada e ela foi morar com os Kriptonianos na lua, indo contra o Superman e tal. Foi uma boa fase. Depois do reboot dos novos 52 não sei o que aconteceu com ela. Devo procurar ver futuramente.

Se Smallville decepcionou muitos porque ficava apenas correndo pelas bordas do universo e mitologia do Superman, Supergirl não tem medo de entrar de cara em tudo isso e de se posicionar como uma genuína série de super-herói e ter todos os efeitos e fantasia que tal alcunha pede. Ao menos o piloto. Restar torcer para que os demais episódios continuem esse clima de quadrinhos, tal como The Flash conseguiu em seu primeiro ano.

É isso!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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