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Minions | A conquista de bons e simpáticos coadjuvantes!

É preciso esclarecer que Minions não é um daqueles filmes que alguém vai aos cinemas esperando sair da sessão impressionado ou abismado com qualidade, seja da direção de arte ou de roteiro.

Se você assistiu Meu Malvado Favorito, 1 ou 2, sabe exatamente do que esperar desses simpáticos bichinhos amarelos. E é exatamente isso que sua animação solo te entrega, sem mais, sem menos.

A produção é da Illumination Entertainment, um bracinho da Universal Studios, e até o momento conta apenas com cinco produções próprias: os conhecidos Meu Malvado Favorito 1 e 2, agora com Minions e coloque na lista Hop (aquele filme Live Action meio boca do coelho que ninguém viu e quem viu não gostou – tem na Netflix por sinal) e também o The Lorax (que eu, particularmente gosto – “A menos que alguém como você se importe muito com algo, nada irá melhorar”). Dá para entender que eles ainda estão aprendendo, enquanto nesse meio tempo usam sua maior franquia para se sustentar. Nesse ponto faz sentido ter um filme dos Minions.

Vale dizer entretanto que estou esperançoso com a Illumination, afinal em 2016 tem Pets – A Vida Secreta dos Bichos, na qual teve seu primeiro trailer divulgado recentemente e pareceu bem engraçado. Quem não viu, veja:

E em 2017 os projetos do estúdio envolvem, além de Meu Malvado Favorito 3 – que reforça o que disse sobre se bancar – mas também outro um clássico do Dr Seuss, talvez seu mais famoso conto: How The Grinch Stole Christmas! E eu nunca me canso de ver Hollywood refilmar e readaptar o conto do Grinch, e olha que sou mega fã da versão do Jim Carrey.

Enfim, voltando para Minions! Tirando essa parte política então de fazer dinheiro no que as pessoas gostam, o filme dos Minions se esforça para agradar ao menos o público infantil. A minha sessão estava cheia de crianças e todas hipnotizadas pelos pequeninos amarelos. O Thales, meu filhinho que logo mais completará 3 anos aguentou pela primeira vez o filme inteiro no cinema (Jurassic World foi o primeiro filme dele no cinema e ele dormiu depois da metade, enquanto Divertida Mente ele cochilou no começo, mas depois acordou). E quem tem filho pequeno sabe o quão difícil é uma coisa prender a atenção de uma criança por quase duas horas. Essa é uma fase em que qualquer piscada é o suficiente para dispersar a atenção. E o filme se esforça o máximo possível para agradar as crianças e é nesse ponto que ele peca um pouco com os adultos.

Você pode até dizer que animação por si só é produzido pensando nas crianças e quase é verdade, mas nos últimos anos estamos vendo produções, seja de filmes ou animações, na qual os produtores querem sempre atingir o maior número possível de pessoas, independente da idade. Divertida Mente talvez não seja o melhor exemplo, porque tem hora que é adulto demais e as crianças se perdem, mas Os Incríveis ou Procurando Nemo são exemplos que se encaixam nesse equilíbrio perfeito entre o infantil e adulto. Até mesmo Meu Malvado Favorito sabe equilibrar melhor essa questão da faixa etária.

Não significa que Minions é uma animação ruim. Ela é apenas simples demais, tal como os Minions são em termos de humor. Ela não proporciona nada realmente inovador ou novo no gênero, e se esforça demais para ter piadas atrás de piadas e no fim a quantidade derruba um pouco a qualidade, pois tudo fica clichê e previsível.

Eu diria que antes de um longa para os cinemas, os Minions se encaixariam muito melhor numa série animada para televisão ou Netflix, tal como Os Pinguins de Madagascar na Nickelodeon. Episódios curtos de 11 minutos, seria mais do que suficiente.

Porém há partes boas em Minions que merecem ser citadas, sem spoilers, não se preocupe. A ideia, por exemplo, de dar personalidades distintas para Kevin, Stuart e Bob são boas e casam com a trama. A judiação é que existe uma outra enxurrada de Minions que poderiam ter um tratamento em menor escala. Eles me lembre um pouco daquele gênero que Os Smurfs faziam parte da minha infância. Claro que a graça dos Minions é totalmente focado justamente no coletivo deles, e não caberia ter cada um com um tipo de personalidade, no fim o filme me deixou querendo ver mais deles, e não apenas Kevin, Stuart e Bob.

Eu gostei muito da resolução filme, que obviamente não vou mencionar aqui. Achei que os produtores não fariam tal conexão direta e fizeram. Ponto positivo, pois o filme te engana e te levar a crer que nada disso aconteceria. A segunda surpresa também mais ao fim e que rolou com o Kevin. Simplesmente genial colocar um Minion nessa situação. Cinematograficamente ficou perfeito para um longa.

De ruim, achei que o começo é meio preguiçoso. Quem viu o trailer, notou o narrador explicando a jornada dos Minions atrás de vilão mais malvado para que eles possam seguir. Essa narração também está no filme! Que desnecessário! Fora que é mega chato. Entendo que ela se faz necessário talvez para as crianças, porém pelas cenas e forma como tudo ocorre, achei que as coisas explicam por si só, sem a necessidade do narrador. Fiquei pensando que no final o narrador se mostraria como parte da trama, contando algo para alguém, mas que nada. Ele apenas some em certa parte do filme e pronto. Isso é um recurso meio preguiçoso. Porque não colocar um personagem da franquia Meu Malvado Favorito narrando o começo da jornada? De longe esse pequeno detalhe foi o que mais me incomodou e olha que o começo da aventura, antes dela estacionar nos anos 60 é realmente bem legal.

O filme alias aproveita um pouco para brincar com os Anos 60, a moda, o estilo de vida, as referências musicais. Está tudo lá. Achei uma sacada legal mostrar Orlando nos anos 60. E a família inserida nesse momento da trama é quase tão carismática quanto os próprios Minions. Muito bom!

Fiquei com medo do filme se perder demais com a super vilã, Scarlet, que aparece nos trailers, como se ela fosse ser o Gru nesse filme solo, mas felizmente ela está ali para um papel importante e alavancar a história, mas a participação dele é muito em menor escala do que a do trio de protagonistas – Kevin, Stuart e Bob.

Enfim, eu não recomendaria Minions no cinema, a menos é claro que você possa levar uma criança com você. Seu filho, sobrinho ou alguma criança da família. Você vai se divertir com ela. Se for o caso de ir com a namorada ou um grupo de amigos, certamente Divertida Mente vale muito mais, ainda que os cartazes do filme enganem um pouco com sua fofura e cores fortes (o que desperta mais atenção do público feminino do que masculino acredito).

Minions é uma animação bacana, mas sem nenhuma piada incrível ou mega roteiro planejado para um público diversificado. É legal para as crianças e adultos que não vão a sessão esperando algo que já não tenha visto uma par de outras vezes. Se você for sem essa pretensão, certamente não verá problemas, especialmente se não lhe custar o alto valor dos ingressos que os cinemas cobram nos dias atuais se você não pagar meia entrada, especialmente nas sessões 3D.

Desculpe se foi muito duro na crítica, ainda gosto dos Minions, mas espero que ao menos o filme seja popular o suficiente para que a Illumination possa transformar essa ideia numa série animada na TV. Certamente faria mais sentido e divertiria mais crianças e também adultos! Eles conquistaram o direito de um longa e isso não nego, mas seria muito melhor se também conquistassem a TV!

Minions-01

Minions são legais!
Direção sem qualquer diferencial
Ideial para crianças!
Já com o publico apenas adulto...
Piadas em quantidade e não em qualidade
Como um spin-off

Ba-na-naaaaaaa!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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