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Netflix Original | Chelsea Does… Silicon Valley (Impressões)

Assisti esta semana um episódio da série documental em quatro partes da Chelsea Handler, que propõe debater com um humor bem característico dos comediantes americanos – e que nós brasileiros muitas vezes não entendemos porque os americanos acham graça nesse tipo de humor – quatro pontos da sociedade atual: casamento, racismo, drogas e tecnologia.

Apesar dos episódios serem numerados, você pode assistir em qualquer ordem ou assistir apenas aqueles que quiser. No caso escolhi o episódio Chelsea Does… Silicon Valley, pois foi o trailer (veja abaixo) deste episódio que me chamou a atenção para esta produção original do Netflix.

O primeiro estranhamento com o documentário foi justamente conhecer Chelsea. Eu nunca vi nenhum de seus programas. Ela tem um outro Stand Up original na Netflix que nunca assisti, e também é apresentadora de um Talk Show no canal E! (lá fora, aqui já não sei) que nem sequer sabia de sua existência. Enfim, Chelsea é famosa lá fora, mas pra mim ela era uma completa desconhecida (meio que ainda é).

Até assustei quando vi que na Netflix o documentário Chelsea Does… atualmente está classificado com apenas uma única estrela. O que é bizarro para um conteúdo original do serviço. Já fui assistir com um pé atrás, mas logo entendi o porque a classificação estava baixa. Antes de vir aqui escrever estas impressões dei uma olhada nos comentários e opiniões que existem no site da Netflix a respeito do documentário e confirmei minhas suspeitas: o humor de Chelsea não é agradável a nós aqui no Brasil, ou em outros lugares fora dos Estados Unidos provavelmente.

Chelsea é rude, mal educada, egocêntrica, reclamona, debochada e por aí vai. Quer dizer… não estou dizendo ela como pessoa. Imagino que ali seja uma interpretação, sua personalidade que lhe dá fama lá fora, ainda que muita coisa pode se misturar com realidade e aí é culpa de uma documentário que brinca com a vida real da própria Chelsea, que apresenta amigos, seu cão, sua casa etc.

O humor americano tem muito disso, de rir dos outros de forma séria, debochada, de achar graça no desbocado, na humilhação. Tudo dentro de certos limites, controles e barreiras, claro. É diferente do humor brasileiro, que precisa ser expressamente algo “zoeira”, tem que ter clac, risada, olhar pra câmera com um sorriso, esperar a plateia reagir, e aquela piada exagerada demais pra passar despercebida a ofensa. Não que eu precise ficar aqui comparando um ou outro tipo de humor, não vem ao caso, estou apenas dizendo que se você vai assistir um documentário apresentado por uma comediante americana precisa ter em mente que o tipo de humor lá é diferente e que é um documentário com abordagem polêmica, então não é algo para ficar rindo sem pensar no que está acontecendo com a abordagem do tema. Se você não for com isso em mente, é bem provável que você não curta Chelsea Does…

Ah e quer uma dica boa? Não assista o documentário dublado. Não que a dublagem seja ruim, mas é um tipo de programa que no áudio original faz mais sentido, evita justamente o que disse no parágrafo acima, de pensar errado sobre o humor aqui proposto.

E por mais que pareça que eu estou defendendo o tipo de humor americano, não estou. Cada um é cada um. No episódio que assisti vi muitas coisas que não achei graça – a forma como ela fala com a mulher do aparelho para cães é um bom exemplo – e teve outras que achei engraçado, pela situação em si, como ela na aula com as crianças de programação. E quão bizarro é da cultura do americano não se abraçar? O detox tecnológico que envolve abraçar o próximo parece bem surreal ao brasileiro, já que aqui a gente chega abraçando, beijando, tocando em todo mundo. A cultura é diferente, tem que levar isso em consideração também.

Gostei bastante do tema Silicon Valley em si, em discutir como a tecnologia está mudando a sociedade e as gerações de pessoas, de quem nasce hoje em dia e de quem nasceu quando nem se falava em computadores e também daqueles que conseguiram fazer a transição do analógico para digital.

Há momentos excelentes do documentário. Um aparelho que te permite mover um mini helicóptero com a mente? Quão genial é isso! Todos os plots envolvendo o cérebro são ótimos no programa. Escaneamento para descobrir déficit de atenção, para ver áreas que o cérebro não trabalha direito etc.

Foi legal também ver a Chelsea conversando com grandes CEOs do mundo da tecnologia atual, como o chefão da Netflix tentando explicar a ela o que era streaming ou o chefão do Twitter. E a história dos haters? A história da moça que virou chacota mundial no Twitter é um caso impressionante sobre o poder que a tecnologia pode exercer em nossas vidas e as vezes até de uma maneira acidental.

O documentário é interessante, cutuca algumas coisas e faz a gente imaginar que se as coisas estão assim hoje, imagine as coisas daqui a 20, 30 anos? Que loucura. Eu recomendo totalmente assistir Chelsea Does… Silicon Valley. Se o humor de Chelsea te irritar, tente relevar isso e preste atenção no conteúdo apresentado, porque é ali que torna o documentário bem interessante.

E como disse no começo, vi apenas o de tecnologia. Tenho interesse em ver o de racismo, e um pouco menos o de drogas e casamento (segundo comentários na página do Netflix, esse do casamento é o pior, não sei, me instiga ver só pra descobrir por mim mesmo, admito). De qualquer forma devo acabar assistindo todos. Se eles irão valer ou post aqui no site ou não, só descobrirei após vê-los, mas já digo que a impressão que tenho é que o Silicon Valley é o melhor dos quatro episódios. Se tiver curiosidade, comece por ele! Fica a dica!

Trailers dos demais episódios de Chelsea Does…



Humor de mal gosto? Não, apenas um tipo americano de humor
Chelsea Handler é meio desconhecida pra nós, então falta carisma
O debate sobre tecnologia em si é ótimo
Há excelentes momentos no documentário
Não funcinou pra mim dublado, prefira com legendas

Nota apenas para o episódio Silicon Valley! Este é um ótimo para se acostumar e começar a série em 4 partes! Supere o humor americano sem graça pra gente, veja sobre o aspecto da proposta do debate!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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