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Adventures of Pip | A nostálgica evolução pixelada! (Impressões)

É um pouco revoltante que eu não tenha ouvido falar de Adventures of Pip quando ele foi lançado no ano passado. Talvez porque estava na época na euforia por Gears of War, já que Pip chegou ao mesmo mês na plataforma Xbox One. Suspeito que isso tenha nublado as chances de tê-lo conhecido em agosto passado. Mas justiça seja feita e agora o conheci! Adventures of Pip é um game tão divertido, simpático e gostoso de se jogar que se você estava no mesmo barco que eu agora, ou em qualquer momento futuro a partir daqui, é uma boa chance de conhecer o game!

E opções de plataforma não faltam, pois o game está disponível para Steam (PC), para PlayStation 4, para Xbox One conforme mencionei acima e até mesmo o quase sempre esquecido e ignorado Nintendo Wii U. Este inclusive foi uma das primeiras plataformas na qual o game foi lançado originalmente. Ah e tem também uma versão de Adventures of Pip para iOS, mas a experiência mobile é sempre um pouco diferente dos consoles, mas vale dar uma olhada se você tiver interesse.

O game, desenvolvido pela Tic Toc Games, tem um apelo bem nostálgico, emulando a época dos clássicos games 2D de plataforma side-scrolling, com um visual retro pixelado. Mas não se afugente porque eu disse “pixels“! Adventures of Pip pode ter esse ar saudosista, mas a sua jogabilidade é criada com base nos games de plataforma modernos que existem hoje em dia, com vários mecânicas e estilos engenhosos de jogabilidade.

Adventures of Pip (9)

Três faces de um pixel

Sem delongas, já digo o maior destaque do game: a possibilidade de Pip, o herói do game, possuir três transformações que definem com serão as mecânicas de jogabilidade ao longo de todo o game! Só que para isso fazer sentido ao leitor deste texto, e não conhece o game, tenho que comentar um pouco a respeito da história do game.

A história em si não é nada mirabolante ou complexa. É só mais um caso de um reino em um mundo distante, que é invadido por uma bruxa, que sequestra a princesa, e cabe a um herói correr ao resgate. É quase um Super Mario Bros contando assim. Com pequenas distinções, como a bruxa, antes de se mandar com a princesa, e já que ela está ali e tem suas mágicas, começar a transformar as pessoas de todo o reino em pixels! O próprio rei e rainha viram dois enormes blocos de um único pixel! E é aí que a aventura começa e as transformações de Pip passam a fazer sentido no contexto do game.

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Pip é o arquétipo do herói, com a nobreza e potencial único, que só ele pode salvar a princesa do reino. Predestinado, seu poder é despertado e ele parte para resgatar a princesa das garras da feiticeira! E aí descobrimos os estágios na qual Pip pode se transformar: um grande quadrado pixelado vermelho, um garoto semi-pixelado, quase algo 8 bits e, ao fim, sua forma final com uma resolução pixelada de dar inveja a muitos outros personagens que passeiam pelo game.

Adventures of Pip Keyart

Cada estágio de Pip possui características únicas. Como pixel, Pip pode planar no ar por alguns segundos e se impulsionar mais em molas, além de entrar em pequenos buracos. No segundo estágio, Pip pode atacar inimigos a curta distância (exceto se eles tiverem espinhos), além de grudar e segurar em paredes. Já no estágio final Pip ganha uma espada, que destrói blocos e ataca à distância maiores os inimigos, inclusive aqueles com espinhos, porém há um efeito colateral: por estar grande demais Pip não pode usar molas e grudar na parede. Alias cada estágio tem seus desvantagens, na intermediária por exemplo Pip não plana ou pula tão alto em molas, e como pixel, Pip apenas pode causar danos em inimigos pulando em cima deles.

Pip só pode evoluir e se transformar quando ele pula ou mata um determinado inimigo especial, e estes existem em todas as fases do game. Só assim ele evolui, porém ele também pode regredir a um estágio anterior, segurando um comando no controle, causando uma pequena explosão. Essa explosão de pixel, que faz Pip voltar a sua forma anterior também é usada em certos blocos especiais em certas fases para liberar o caminho, além de eliminar inimigos que estiverem perto do raio de explosão.

E não se preocupe: o jogo é engenhoso o suficiente para não ter fases onde você trava porque está no estágio errado de Pip. Este inimigos especiais estão em momentos chaves quando estas mudanças são necessárias. E mesmo que você mete um, basta esperar alguns segundos para um novo renascer.

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Adventures of Pip segue esse estilo de jogabilidade por habilidades entre três formas de um mesmo personagem, resolvendo-se de uma forma semelhante aos clássicos games 2D side-scrolling de antigamente, sendo difícil não pensar em Super Mario Bros quando se joga o game. É aquele esquema: pule em cima de inimigos, salte em plataformas e resolva pequenos puzzles de percurso que as fases as vezes possuem. Em geral elas se resumem a descobrir pontos secretos das fases, ou como pular uma plataforma mais distante.

Caça aos pixels

Também se faz necessário comentar que o game possui outros elementos, tal como uma cidade principal, na qual o jogador pode voltar para comprar pequenos itens de poderes, temporários ou permanentes. Posso citar dois exemplo: no começo, após a primeira fase, se destrava o primeiro comerciante. Com ele são vendidos itens que vão desde bolas de fogo consumíveis a corações extras na barra de energia (e estas são permanentes). Eu assim que pude comprei um coração extra, pois estava sendo necessário em algumas fases mais a frente do primeiro mundo. A segunda loja, que se destrava somente após Pip conseguir seu terceiro estágio de evolução, é a do ferreiro da cidade, e este vende itens que aprimoram os ataques de Pip.

Adventures of Pip

Todos estes itens podem ser adquiridos usando o dinheiro do game, que são pequenos pixels que Pip coleta ao longo das fases, matando inimigos e abrindo baús. É uma boa maneiro de lidar com essa ideia de mercado de itens. É diferente da sensação que eu tinha lá em Super Mario Bros, na qual as moedas não serviam para muita coisa, além de uma vida extra ao se coletar 100. Ao menos em Pip a coleta por estes tipo de moeda virtual é justificado com a compra de itens de melhorias que aprimoram a experiência do jogador.

E não vai achando que é fácil comprar as coisas. Eu demorei quase o mundo 1 inteiro para conseguir coletar dois mil pixels e assim comprar um coração extra permanente – e depois eu descobri que ao final do chefe do primeiro mundo também se ganha um coração – e cada fase dá para coletar em torno de 200 a 400 pixels. Isso se você encontrar baús e pegar os pixels de inimigos eliminados.

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Os baús estão escondidos ao longo de todas as fases. Vários deles. Geralmente em paredes falsas, ou caminhos escondidos que nem sempre são óbvios de como se deve fazer encontrar a entrada que leva a parede falsa onde está o baú. E no caso dos inimigos que liberam pixels, não pode marca bobeira, porque eles somem rápido.

Mais um pouco e o fim do review

Outro elemento de exploração nas fases de Adventures of Pip são os habitantes do reino. Há três escondidos em cada fase. O charme da brincadeira fica por conta da aparência deles, já que eles também apresentam aparências diferentes como as formas de pixles, uns com melhores resolução e outros bem quadradões. Pena que após um tempo alguns deles fiquem se repetindo após um determinado números de fases.

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Em relação aos corações de energia, comentados mais acima, Pip começa com três. E diferente do Super Mario Bros na qual o Mario grande ao levar dano regride ao seu estágio menor, Pip não muda de forma ao tomar dano dos inimigos. Ele apenas perde um coração. É um sistema básico também, mas achei legal fazer tal distinção. Acabam-se os corações, Pip morre.

Se acontecer dos corações acabarem, e Pip morrer, a fase recomeça de um checkpoint. Cada fase tem um alguns deles – não contei para ver se são um mesmo número de checkpoints em todas as fases, mas há mais de um em todas – sendo assim não se tem a frustração de retornar ao início da fase. E o bom é que o checkpoint não é constante e nem a cada 5 segundos de jogo. As vezes você volta um pouco mesmo e precisa refazer algumas partes novamente. É um facilitador, mas não um muito mamão com açúcar. Pra mim isso é um bom ponto.

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Adventures of Pip possui ao todo 5 mundos: Floresta, Pântano, Caverna, Lava e Castelo. Cada mundo tem 8 fases, exceto o último que tem apenas 4 fases. Parece pouco, mas pode apostar que leva um bom tempo para passar por todas as fases do game. Em particular gostei muito do visual do segundo mundo, Pântano. O cenário ao fundo pixelado é realmente impressionante.

Adventures of Pip (2)

Chegando ao fim do review, vale destacar o desafio da jogabilidade, em especial as trocas de formas do Pip, porque as fases foram pensadas para que o jogador faça isso o tempo todo. Afinal seria bem chato se ao se destravar o estágio final, o jogo não criasse soluções para o jogador mudar suas formas. Há que se elogiar o level design das fases por conta disso.

Comentando rapidinho mais algumas pontos que não precisam destrinchar demais: o game tem batalhas de chefes ao final de cada mundo, tem uma ótima trilha sonora, tem diálogos com personagens fazendo piadinhas sobre pixel e falta de definição e gostei da sensação de progressão que o game passa a cada fase e mundo.

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Considerando que o game custa em torno de 29 reais nas plataformas em que está disponível, me parece um ótimo preço para um indie game todo charmoso e agradável, e pelo conteúdo e qualidade apresentada. Adventures of Pip é realmente um game com uma pegada nostálgica, porém muito bem pensado para funcionar nos dias de hoje e isso é digno de se destacar!

Fica a recomendação!

Visual nostálgico de uma outro era dos games
Jogabilidade engenhosa ao estilo do game
Fases bem diversificadas
5 mundos diferentes
Itens de compra com o dinheiro do game
Bons elementos de exploração
Carisma e charme como um todo

Adventures of Pip é um simpático indie game, emulando uma nostálgia que os games de ouro tiveram no passado, regado a uma ótima jogabilidade.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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