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Fenix Furia | Bem vindo ao inferno dos erros e tentativas! (Impressões)

Depois de jogar Fenix Furia por 15 minutos eu meio que já sabia mais ou menos que viria aqui no site dizer o quão infernal é seu gameplay. É aquele tipo de action puzzle plataform que desafia a sua sanidade. Até onde o jogador consegue jogar sem ter aquele formigamento de arremessar o controle na TV. Claro que com o preços dos controles hoje em dia (e dos televisores) você sempre para de jogá-lo antes desse nível de raiva acontecer. E meio que dá para saber quando isso está próximo de acontecer…

Note que usei o termo “raiva” ao invés de “frustração” na introdução acima. Isso porque um jogo ser frustrante não é um bom sinal, enquanto que um tipo de game que lhe dá raiva não é algo necessariamente ruim, especialmente se o game tiver consciência de que vai causar isso aos seus jogadores.

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Dá para comparar Fenix Furia com um grande sucesso da geração passada, o Super Meat Boy. Ambos os games consistem nessa ideia de avançar o mais rápido que conseguir até o ponto de saída do estágio, desviando de tudo que estiver pelo caminho, tendo a morte como definitiva caso esbarre em algo que não deva tocar, precisando assim reiniciar toda a fase novamente, mesmo que você morra a um milímetro da saída (e isso acontece… e muito).

É aquele tipo de game que está sempre lhe pregando alguma peça, procurando meios de te matar, fazendo com o que o jogador fique atento e muitas vezes decore o tempo certo para pular, correr e parar subitamente.

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Ou seja, passar nervoso faz parte da experiência de Fenix Furia, e por isso ele é tão bom em sua proposta, pois faz parte desse gênero de games de ação e reação instantânea. Aliás apesar de tê-lo comparado com Super Meat Boy, ele possui algumas mecânicas próprias, fazendo-o ser algo diferente e original, e não apenas uma cópia do game do garoto carne.

Impulso de agilidade e velocidade

A começar pela forma como o pequeno protagonista do game, essa pequena criatura que não faço a menor ideia do que seja, mas que o Thales, meu filhinho de 3 anos, diz ser uma laranja de capacete (no release oficial do game, diz que Fenix é um “alien hedgehog“) se movimenta.

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Fenix pode pular quantas vezes quiser sem precisar voltar ao chão, além de usar um dash (uma arrancada horizontal) também de forma infinita, sem nunca se cansar. Isso o torna ágil e rápido, talvez daí a brincadeira com o Hedgehog, uma referencia ao Sonic, um dos títulos na qual os desenvolvedores também admitem terem se inspirado para criar certas premissas básicas do game. Afinal Sonic também tem esse elemento de quanto mais rápido você estiver, mais propenso ao erro você fica. E Fenix é rápido, muito rápido.

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Pular até onde quiser e usar uma arrancada sem limite talvez soe como um facilitador para o jogo, mas é justamente o contrário, pois a premissa do game é arrancar rápido e terminar os mais de 200 estágios do game o mais rápido que puder, desviando de tudo que for um perigo para Fenix, sendo que os obstáculos não são fixos. Os inimigos se movem e às vezes é somente arrancando e correndo que se consegue passar por eles.

Um dos fatores mais importantes para o game funcionar é o renascimento instantâneo após uma morte. Não há loadings ou carregamento de algo, a fase continua rolando e você apenas começa novamente do ponto inicial. De imediato, sem ter que esperar um segundo sequer. Isso inclusive é um recurso inteligente, pois a menos que você dê um restart na fase, aquele tempo certo para avançar precisa ser sempre recalibrado, pois ela continua se movimentando independente de quantas mortes você já tomou ao longo dela.

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Minha única lamentação é que Fenix Furia não tenha o mesmo recurso de juntar todas as dezenas (as vezes centenas) de mortes de uma fase ao termina-la, tal qual Super Meat Boy possui.

Camadas e recheios

No que diz respeito ao plot, ele não é lá muito complexo. Um hedgehog de gelo chega a vila do protagonista, causa o terror por lá e isso faz Fenix o perseguir por todos os estágios do game. Ao longo dos mundos acabam rolando outras inserções de história, mas que não preciso citar aqui para que assim deixa-lo curioso, porém no geral é apenas uma pequena ponte que leva o jogador para outros mundos diferentes, mais do que uma grande narrativa. Digamos que você não está aqui pela história do game.

Visualmente Fenix Furia não é exatamente um game de encher os olhos. A arte é apenas competente com sua proposta e desafio, mas não chega a ser nada marcante. Os chefes de cada mundo são bem difíceis, mas visualmente horrendos. O game realmente brilha no que diz respeito a jogabilidade.

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Há muitos conteúdos presentes no jogo, que incentivam o jogador a inclusive vencer os mesmos estágios mais de uma vez. Cada fase há um tempo a ser batido para que o jogador ganhe uma estrela, com estas estrelas é possível abrir o modo arcades, com vários mini games dos mais diversos estilos, utilizando mecânicas, física e elementos do game em si. Veja o pequeno trailer abaixo:

Além disso cada fase tem um biscoito, recolher todos os biscoitos de cada mundo garante um extra inusitado: uma receita real de um tipo de biscoito. Pena que as receitas estão em inglês, pois admito que alguns ali me deixaram curioso para testar na cozinha de casa.

Outro recurso presente em algumas fases são um tipo de portal secreto, que levam o jogador para uma espécie de estágio secreto, com um visual de baixo pixel, totalmente retrô, como se fosse um game lá dos tempos do Atari, mas onde o level design trabalha de uma forma inteligente em detrimento a limitação visual, obrigando o jogado a prestar atenção em entradas secretas e o que apresenta real risco de morte nestes estágios secretos. Para chegar a estes portais, no geral o jogador precisa correr rapidamente para uma área do estágio antes de uma contagem regressiva desativar a entrada secreta.

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No que diz respeito às fases normais de Fenix Furia, os desafios e recursos de cada fase também vão progredindo em novas mecânicas e oferecem novos desafios ainda maiores conforme novos mundos vão se abrindo. Após os quatro primeiros mundos a coisa realmente pega, com a inclusão de inimigos que perseguem o jogador, novos seres que constantemente atiram pequenas criaturas que lembram girinos por todo o ambiente da fase, entre outras inserções, como a saída da fase fugir do jogador ou ficar mudando de lugar. Há também outros mecanismos que são apresentados bem cedo no game, como portais de teletransporte e barreiras que somem e reaparecem continuamente.

Nesse ponto o game sempre está se renovando, escalonando e deixando o game cada vez mais difícil. Sei que para conseguir terminar os quatro mundos principais, o game me custou quase 5 horas de gameplay e o jogo ainda tinha mais cinco mundos, mais as fases extras e mais o fato de ter que voltar aos primeiros mundos para ganhar mais estrelas para abrir o modo arcade. E os mundos avançados são casca grossa mesmo. Dá para afirmar então que Fenix Furia tem muito conteúdo e horas de jogo para lhe tirar do sério, no bom sentido!

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Vale ou não vale?

Para aqueles jogadores que sentem-se órfãos de Super Meat Boy, este game é perfeito! E vale apontar que este é um título que foi lançado originalmente em 2014, apenas para a Steam, na qual foi ao longo dos anos que ele ganhou todos estes extras e updates presentes na versão de consoles de 2016, chegando de uma forma parruda para as plataformas Xbox One e PlayStation 4.

Aliás talvez a galera do PC estranhe esse nome, Fenix Furia. Isso porque originalmente o game foi lançado com o nome de Fenix Rage, porém acredito que o nome deve ter causado algum problema de licenciamento agora que ele precisou ir para novas plataformas, o que culminou nos desenvolvedores decidirem por um novo nome nas novas plataformas. Não sei, isso é presunção minha, pois não foi dado muitos detalhes dessa troca de nome por parte do estúdio do game, a Green Lava Studios.

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E tem mais, com esse lançamento nos consoles, a versão atual conta com um modo easy (permitindo que o jogador tome um hit em cada fase sem ter que reinicia-la), além dos próprios desenvolvedores terem refeito o design de 25% das fases do game original (assistindo alguns gameplays do You Tube da versão de PC dá para perceber algumas mudanças nos estágios mais avançados), e o game agora também suporta um modo cooperativo local para dois jogadores, o que certamente é um barato ter um companheiro de sofá para se enfurecer junto. São recursos que, até onde sei, estão presentes com exclusividade nos consoles, não tendo sido liberado ainda para a versão do game na Steam.

No PlayStation 4 o game foi lançado oficialmente aqui no Brasil, custando 46 reais, enquanto no Xbox One, sabe-se lá porquê, o game não foi disponibilizado até o momento de publicação desta análise na loja BR, estando disponível apenas na versão norte americana da Xbox Store, com o preço de 15 dólares. Na Steam, na qual o game ainda se chama Fenix Rage, ele está custando 28 reais, mas vale reforçar que não vi qualquer indicação lá de que os novos features dos consoles (modo easy, redesign de fases e modo multiplayer) também tenham sido liberados para essa versão original do game. Poderia ter rolado por meio de um update, mas pelo histórico de atualizações da página lá, isso ainda não aconteceu.

Fenix Furia

Enfim, acredito que tenha passado então por todos os pontos na qual Fenix Furia despertou a minha atenção. Não é um game para qualquer um. Quem se frustra fácil deve passar longe, pois o game é realmente de se descabelar. Mas quem gosta do gênero e dessa proposta, pode conferir sem medo, pois ele é competente em oferecer algo desafiador, mas sem se tornar maçante ou repetitivo. Fora que estes 2 anos desde seu lançamento no PC foram muito benéfico para que os desenvolvedores trabalhassem ainda mais na manutenção, conteúdo e qualidade do game. Nesse ponto, certamente valeu a pena essa espera para que o game pudesse chegar com ótima qualidade nos consoles.

Trailer de Lançamento!

Trailer do Modo Multiplayer!

Mais imagens!

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Game de passar raiva, mas não frustração
Jogabilidade sagaz, ágil e marota
Visualmente não causa muito impacto
Excelente conteúdo, ainda que parte precise ser destravado
Não é um game para jogadores impacientes
Dificuldade escalonada, beira o insano próximo ao fim
Não enjoa fácil, incentiva o replay e vale seu preço

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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