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DiRT Rally | De volta ao rally, sem buscar a 1ª posição! (Impressões)

O tempo voa quando se está jogando, não? Quer dizer, parece que foi ontem que escrevi aqui no site o review de Sébastien Loeb Rally Evo e, como na ocasião, tive que falar um pouco sobre outro lançamento da época: DiRT Rally. Bem, três meses se passaram e cá estou, finalmente pronto para falar sobre mais um título de corrida no gênero rally.

De fato precisei dessa folga após jogar Loeb Rally, pois tal como disse lá no review, ambos os games são extremamente parecidos em vários pontos, e até foi uma sacanagem terem sido lançados quase que simultaneamente, obrigando os fãs do gênero a escolherem um ou o outro. Se tivesse saltado direto do Loeb para DiRT naquela ocasião, acredito que isso teria prejudicado a minha visão a respeito deste último. A meu ver, fiz bem em ter esperado.

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Sendo assim passei estas últimas três semanas experimentando o game da Codemasters, apreciando novamente esse mundo dos games de rally. Admito que desta vez um pouco mais experiente, mais consciente do gênero e das mecânicas de gameplay. Foi bom, ao final das contas, ter dado um chance ao Loeb Rally antes de vir para cá, pois DiRT Rally é um game que não é muito fã de deixar o jogador ganhar corridas, ao menos enquanto não treinar muito nele.

De volta ao mundo do rally!

Há um certo peso em elementos de simulação e realidade em DiRT Rally. O jogo tem uma física absurdamente bem apurada, regado a gráficos que muitas vezes impressionam, ainda que fique aquela sensação de que faltou ousadia em ambientes fora do convencional dentro do gênero. E a Codemaster saber fazer games de corrida, isso é inegável. E é também um game na qual o jogador precisa entender um pouco sua proposta para não se frustrar e se sentir enganado por um game que não lhe deixa ganhar sempre.

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Quer dizer, veja bem, o game tem um modo carreira, mas não tem nas opções a possibilidade de escolher o grau de dificuldade do jogo, o que por si só já é assustador. Existem ativadores que auxiliam o jogador nas corridas, que se desligados rendem pontos extras, mas se ligados não prejudicam de forma negativa a pontuação do jogador. Dentre os facilitadores estão opções como:  melhor performance em curvas, marchas automáticas, melhor sistema de freios etc. Dá para dizer que são facilitadores padrões para quem não joga pelo hiper realismo ou fazendo uma simulação que beire um modo profissional ultra difícil.

Só que o game não pega muito na mão de jogadores inexperientes e novatos. Sabe aquela clássica marcação guia, que quase todo game de corrida possui? Esqueça disso em DiRT Rally. Não há qualquer indicador de onde se posicionar na pista, ou qualquer auxílio visual melhor dizendo, exceto as dados cantados pelo co-piloto, já que isso faz parte da proposta do game e do mundo das corridas de rally.

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E justamente por estar dentro do gênero rally: esqueça mapas na tela ou outros carros correndo ao seu lado. Há um modo de rallycross, mas não é exatamente o destaque principal do game. Rally é um game de corridas solitárias, sem adversários competindo ao lado de seu carro, de longos trechos e a briga pelo menor tempo possível em quatro segmentos que todo percurso possui.

Aliás a ideia de colocar “Rally” oficialmente no título da franquia DiRT é excelente. Muitos dos momentos que tive com o game aqui me lembraram de momentos do primeiro DiRT, lá do distante ano de 2007, ainda na geração passada. O primeiro DiRT era (e possivelmente ainda é) incrível. De todos lançados, foi o que mais me marcou, justamente por causa dessa experiência diferente. Cheguei a jogar muito pouco os games seguintes, mas nenhum conseguiu se destacar tanto quanto o primeiro game de 2007. Há algo mágico nele, seja sua bela apresentação e menus singulares ou o perfeito sistema de progressão do game, regado aos gráficos que na época era o que os consoles podiam fazer de melhor.

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Você não irá ganhar todas!

Voltando ao DiRT Rally, há algo que quem for se aventurar pelo game precisa entender: a curva de aprendizado do game é longa e exaustiva.  Ao menos no modo carreira. O que estou querendo dizer é: não se frustre se você torrar duas ou três horas jogando o game direto, aprendendo seus macetes e mesmo assim nunca conseguir chegar as primeiras posições nos tempos das corridas. O game faz isso meio que de propósito no começo. Como assim?

Então, veja bem, ao iniciar DiRT Rally o game vai tentar lhe explicar um monte de coisas. A meu ver é um péssimo momento para isso, afinal, ao se colocar um game novo no console imagino que o que o jogador mais queira é partir para a ação logo e não ficar lendo um monte de instruções do tipo “preste atenção antes de começar a jogar”. E até mesmo assimilar esse conteúdo só fica meio óbvio depois de ter jogado o game por algumas horas.

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O que o game tenta explicar ao jogador desde o começo é que no modo carreira, mesmo que o jogador compre um carro excelente e que você seja um ás no volante e em corridas de rally, isso não significa que você sairá ganhando todas. O game tem um sistema de progressão, quase como uma subida de nível em um RPG (de forma muito mais simplificada, é claro). Quanto mais você corre, mais o game destrava em o que ele chama de “gerenciamento de equipe e vantagens atribuídas”. O jogador que tem uma boa equipe aprimora a performance de seus carros, com bônus (vantagens) que auxiliam nas corridas. Além disso, os próprios carros também possuem atributos de melhorias. Quanto mais você usar o mesmo carro, melhor ele vai correr e ter estabilidade nas corridas e isso acontece de forma automática, sem que o jogador tenha que comprar melhorias ou ativá-las depois de correr muito com o carro.

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Percebi isso logo após terminar o meu primeiro torneio e ter uma qualificação péssima. Recebi os pontos XP de experiência ao final do torneio e ao invés de ir para outra categoria de carros, fiz o mesmo evento, com o mesmo carro e com uma equipe decente me auxiliando: que diferença inacreditável! Do tipo de começar a chegar em primeiro em algumas colocações e até mesmo de ficar entre os três melhores do campeonato. O carro simplesmente parecia correr mais e ter melhor estabilidade.

O problema é que demorei para perceber isso. Perdi um tempo considerável nas minhas primeiras horas de DiRT Rally simplesmente reiniciando corridas ruins, achando-as que poderia melhorar o tempo. Não faça isso, pois isso não lhe rende dinheiro para comprar mais carros ou pagar melhores membros para sua equipe e nem aprimora os status de seu carro. Correu vergonhosamente? Não dê restart. Siga jogando e termine seu primeiro campeonato, mesmo em uma péssima qualificação. O modo carreira melhora muito depois que você abre todos os slots de equipe, vantagens e tem carros aprimorados. É uma longa curva de aprendizado, mas é recompensador ao final.

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Faça chuva ou sol, ou até mesmo a noite: corra!

DiRT Rally é um game parrudo. Tem de tudo um pouco. Diversas pistas, baseadas em pistas reais do mundo do rally, em localidades de várias partes da Europa (o esporte é mais famoso por lá pelo pouco que entendo), sendo que o sistema climático do game é bem impressionante.

Todas as pistas podem simular diversos efeitos de clima. Dia, chuva, neblina, amanhecer, entardecer e até mesmo noite, misturando névoa ou chuva. Dá para correr duas ou três vezes na mesma pista e não perceber que é a mesma pista, devido a mudança climática e também porque o game tem estas pistas em modo invertido. Fora aquelas localizadas em regiões secas, onde o carro levanta bastante poeira ou nas regiões de neve, onde a pista fica muito escorregadia.

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Minha única lamentação é que, por se basear em locais famosos e conhecidos, isso não abre muita margem para o game tornar as coisas um pouco mais malucas ou impressionantes. Porém talvez este seja eu, pensando no incrível trabalho que a Codemasters fez com Fuel na geração passada. Eu queria muito uma corrida em DiRT Rally com um furacão passando em algum momento da ação. Mas isso é só uma piração da minha cabeça.

E um outro detalhe pertinente: as corridas noturnas, que são incríveis, parecem não existir no modo carreira. Ao menos não topei com nenhum cenário noturno nas 8 horas que gastei no modo carreira, que meio que não tem fim. O jogador apenas vai abrindo categorias de carros, jogando nas mesmas pistas com climas aleatórios e vencendo, vai escalando seu nível profissional, até chegar ao topo de tudo e ser liberado para a grande corrida final. No geral é um modo para se jogar as categorias de uma forma padronizada em campeonatos estipulados pelo game em si. Em uma comparação com Sébastian Loeb Rally Evo, digo que gostei um pouco mais da campanha do Loeb, pois não me soou tão repetitiva em sua fórmula.

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Um dos destaques que mais gostei do game, e que queria ter prestado mais atenção nisso no início, são os eventos online. DiRT Rally tem eventos e campeonatos personalizados pela equipe de desenvolvimento do game para que os jogadores disputem melhores tempo online, sendo eles diários, semanais e mensais. Vale a pena gastar um tempo neles. Muitos destes eventos nem sequer exigem que o jogador tenha o carro na garagem, pois o evento o libera para todos os competidores (para tornar mais justo a disputa online).

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Ah e outro detalhe importante. Ficou frustrado porque o modo carreira é profissional demais, onde você precisa comprar carros, gastar dinheiro (do game) com membros de equipe e ainda assim não se destrava tantos carros quando você gostaria de experimentar? Não tem problema! O game tem um modo livre, onde o jogador pode montar o campeonato que quiser, com quantas etapas desejar, com qualquer uma das pistas do game e em qualquer variação climática e com todos os carros do game disponíveis para serem usados sem a necessidade de comprá-los. Isso é realmente muito legal, especialmente para aqueles jogadores que não possuem tempo para se dedicar a destravar todos os carros que o jogo possui no modo carreira. O modo livre é perfeito para sentir tudo que DiRT Rally tem a oferecer, sem se martirizar no modo carreira. Aliás, é nesse modo que se pode jogar as corridas noturnas. Procure por “Evento Personalizado” nos menus do game.

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Vale ou não vale?

Bem, estou quase chegando ao fim do review. Felizmente desta vez não precisei ficar explicando como games de rally diferem de games de corrida comum, mas se alguém não souber, dê um pulo no review do Loeb Rally, pois lá achei necessário comentar um pouco sobre isso.

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O mais curioso é que games de corrida de rally não é um gênero que tenha tantas opções de títulos no mercado. Não é uma competição tão acirrada assim, e mesmo assim, a Codemasters fez um título tinindo de méritos positivos. Os controles funcionam bem, o visual é incrível, a complexidade de como a progressão de performance vem ao jogador pode ser um pouco frustrante no início, porém depois é super recompensadora. Tudo é muito redondinho.

Se tivesse que tirar pontos, tiraria da apresentação do game. O jogo não é muito amigo de jogadores iniciantes e novatos. Os menus parecem meio confusos em um primeiro momento. Bem diferente da genialidade dos menus do primeiro DiRT, algo que foi muito elogiado pela crítica quando a franquia nasceu, o quão natural era progredir pelos menus e por todo o game de 2007. DiRT Rally parece querer resgatar isso, mas não manda muito bem. Meu conselho é que você tire um tempo para entender onde fica tudo nos menus do game e que explore as coisas com calma, e não se prenda muito ao modo carreira antes de querer ver as outras coisas que o game tem a lhe oferecer.

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É um título que parece ter conseguido colocar DiRT de volta ao radar dos jogadores. Que nos faz ter vontade de retornar a franquia e criar expectativas por novos games. A Codemasters realmente poderia voltar com algumas propostas novas dentro do gênero de corridas, especialmente após ter visto o que DiRT Rally conseguiu fazer. Quero um Fuel 2 para esta geração! Seria excelente.

DiRT Rally está disponível na Steam, por 106 reais, na Xbox Store por 200 reais e na PlayStation Store por 250 reais. Não há muito o que dizer sobre o preço desta vez. É um valor padrão para o que se pede hoje em dia. Não é um título que podemos chamar de indie game, então não caberia realmente um preço menor para esse nível de produção. É um título que pode facilmente ocupar dezenas de horas de gameplay se você for realmente um fã de games de corrida. Fácil, fácil.

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Para os jogadores normais, que curtem o gênero de forma mais contida, dá para gastar tranquilamente umas 10 horas ou mais para ver tudo mesmo, pistas, carros, eventos etc. E é difícil não imaginar alguém com a sensação de querer continuar jogando, mesmo após tantas horas investidas no título. Não é um game que enjoa fácil, ao menos se não for jogado em maratonas de longas horas. Aliás é um bom game para jogar ouvindo música ou escutando podcasts.

DiRT Rally não reinventa seu gênero, mas cumpre de forma profissional, todos os requisitos para um excelente game. Poderia ser mais ousado e ter uma melhor apresentação, mas fora isso, é talvez o melhor título de rally desta atual geração de consoles.

Mais Imagens!

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Franquia DiRT de volta aos trilhos
Belos gráficos e sistema climático
Iniciantes podem penar um pouco com o game
Ótima localização em português (dublado)
Diversos modos, categorias de corridas, eventos e carros
Redondo (sem espaço para reinvenções ou ousadia dentro do gênero)
Menus e apresentação um pouco confusa no início

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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